Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Das balas ao chá, será mesmo o gengibre tão milagroso?


Como planta medicinal o gengibre é uma das mais antigas e populares do mundo. Suas propriedades terapêuticas são resultado da ação de várias substâncias, especialmente do óleo essencial que contém canfeno, felandreno, zingibereno e zingerona.
Balas de gengibre são usadas para resfriados, tosses, dor de garganta. Já o chá possui propriedades emagrecedoras/antieméticas e, mais recentemente (2005), foi atribuído ao extrato etanólico de Zingiber officinale, a capacidade de reduzir lipídios e possuir caráter antioxidante em diabéticos.
Porém, de que maneira esse gengibre milagroso será comercializado? Para fazer as tais balinhas, é necessário uma quantidade enorme de açúcar, o que para os diabéticos é inaceitável. Já ao chá poderia até não ser adicionado açúcar, mas de quanto em quanto tempo ele seria recomendado? Cápsulas seriam as melhores opções? Contudo existem riscos associados ao consumo do gengibre como, por exemplo, hemorragias e aumento do fluxo biliar, portanto, quando consumir? E quem deve consumir? Ingerir os pedaços de gengibre seria mais indicado?


As propriedades “curativas” do gengibre estão associadas à diminuição da síntese de prostaglandinas e leucotrienos (inibem COX), logo, possuem ação antiemética, anti-inflamatória e estimulante do trato gastrointestinal, aumentando o peristaltismo. Mais estudos vem sendo realizados, como no artigo “Effect of ethanolic extract of Zingiber officinale on dyslipidaemia in diabetic rats” de 2005, onde foi comprovado que o extrato etanólico do gengibre além de ter efeito antidiabético também reduziu o colesterol total, assim como os triglicerídeos e aumentou os níveis de HDL-colesterol, quando comparado a animais não tratados, representando, na época, um estudo piloto para avaliar o potencial de Zingiber officinale em dislipidemias relacionados ao diabetes.
Quando o princípio ativo Zingiber officinale é procurado no site da ANVISA, são encontradas soluções orais, cápsulas gelatinosas e até drágeas, porém balas e infusões não foram localizadas, talvez porque a área de interesse estava relacionada a “medicamentos fitoterápicos”, no entanto, é neste momento que o consumidor pode ser iludido. Por que o gengibre em outro tipo de apresentação – intitulado como alimento - pode ser encontrado em prateleiras de farmácias sem passar pelas devidas regulamentações? Para a coordenadora de Alimentos da Vigilância Sanitária Estadual de Goiás, Márcia Regina de Moura, existe uma grande confusão sobre o que pode ou não ser vendido em farmácias, o que atrapalha a própria fiscalização do órgão e, ainda, deixa dúvidas nos proprietários destes estabelecimentos. “A lei não é clara. Cristais de gengibre não deveriam estar nas farmácias, bem como alimentos light.” Márcia explica que acontece a confusão por que se acredita que a bala de gengibre ou o cristal fazem bem para a garganta. Sobre os light, ela diz que o produto restringe calorias, tem menos gordura, mas qualquer pessoa pode utilizá-lo. “Não sendo uma categoria específica, como os diet, próprios para diabéticos”, compara.
Portanto, a falta de regulamentação para certos produtos pode significar risco ao consumidor que é levado pela ideia de que determinado insumo é “natural e por isso não faz mal”. Balas de gengibre levam quantidades enormes de açúcar – o que pode aumentar o risco para diabéticos, já o chá, de ação antiemética e digestiva, pode aumentar o fluxo biliar e o risco de hemorragias.
Logo, é de extrema importância que haja além de regulamentação, fiscalização intensa dos produtos expostos nas prateleiras das farmácias e de lojas que vendem produtos naturais, pois não são de conhecimento do consumidor certas reações adversas ou contraindicações, as quais não são especificadas pelos próprios produtores.


Referências Bibliográficas:

http://www.health-care-clinic.org/alternative-medicines/ginger.htm

Effect of ethanolic extract of Zingiber officinale on dyslipidaemia in diabetic rats; Uma Bhandari, Raman kanojia, K.K. Pillai.

http://adoravelnaturologia.blogspot.com/2009/10/as-propriedades-medicinais-do-gengibre.html

http://www.mp.go.gov.br/portalweb/1/noticia/bb4a35a91cfb350d13da1efe49d3d7ab.html

http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/consulta_produto/Medicamentos/frmConsultaMedicamentosPersistir.asp

4 comentários:

  1. Carolina Lindenberg8 de abril de 2012 13:46

    Como citado no artigo acima, o gengibre possui uma infinidade de propriedades, que vão desde antiinflamatória à afrodisíaca. Ao fazer uma básica pesquisa sobre o assunto, nota-se que o tópico mais procurado e abordado sobre esta planta é o seu potencial emagrecedor – é um alimento termogênico, aumentando o metabolismo e fazendo o organismo gastar mais energia. Encontramos várias receitas de como usar o pó, ou fazer chá ou até usar a tintura da mesma para se perder os quilos indesejados. Mas o que mais chama atenção nestas “receitas milagrosas” é o fato de que nenhuma explicita o fato de que esta planta, como medicamento, também possui contra-indicações.
    Por essa ação termogênica, temos um aumento da atividade do Sistema Nervoso Simpático, ou seja, aumento de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos, aumento da glicose sanguínea, dentre outros. É um grande risco à população com doenças cardíaca e diabética. Além disso, pode aumentar o fluxo biliar, sendo perigoso à pessoas com tendência á cálculos biliares.
    Portanto é necessário que haja regulamentações mais rígidas neste aspecto, para alertar a população que apesar deste produto “natural” poder ser comercializado pelas normas da ANVISA (Portaria nº 741, de 16 de setembro de 1998) ele pode gerar malefícios ao consumidor desinformado.

    Por: Carolina Lindenberg

    Fontes:






    /gengibre.htm

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Carolina Lindenberg8 de abril de 2012 13:48

      *Fontes:

      http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/741_98.htm

      http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Zingiber_officinale.htm

      http://www.diegozanon.com.br/?p=1823

      http://www.agrov.com/vegetais/raizes/gengibre.htm

      Excluir
  2. Como já citado, o gengibre possui ação antiemética, antináusea, antimutagênica, antiúlcera, hipoglicêmica, antibacteriana, entre outras.
    Estudos já estão sendo desenvolvidos visando conhecer a possibilidade da utilização deles na terapia contra o H. pylori.
    Basicamente os gingeróis e shogaóis são
    os responsáveis pela maior parte das atividades
    terapêuticas do gengibre.
    Segundo a ANVISA, a dose diária recomendada para crianças acima de 6 anos é de 4 a 16mg de gingeróis; adulto de 16 a 32mg de gingeróis.
    Dermatite de contato frente a exposição ocupacional ao gengibre como condimento, pode ocorrer.
    O gengibre não apresenta nenhum componente potencialmente tóxico, entretanto, grandes doses deste vegetal podem ocasionar irritação.
    Em teoria o gengibre aumentaria o risco de sangramento quando administrado conjuntamente ao
    ácido acetilsalicílico, varfarina,
    heparina, clopidogrel,
    ibuprofeno ou naproxeno ou outros medicamentos que
    apresentem esta ação.
    Consumo excessivo do gengibre pode desencadear sonolência, além de que poderá interferir com medicamentos que alteram a contração cardíaca
    incluindo
    os beta-bloqueadores, digoxina e outros medicamentos
    para o coração.
    Referências:

    ALZOREKY, N. S.; NAKAHARA, K. Antibacterial activity of extracts from some edible plants commonly consumed in Asia. Journal of Food Microbiology, Yemen; v.80, p.223-230, 2003.
    KEMPER, K. J. Longwood Herbal Task Force. Disponível em: < http//www.mcp .edu/
    herbal/default.html >.
    http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/a5beee004fa126df932cf79a71dcc661/Consulta+P%C3%BAblica+n+14+SECOL.pdf?MOD=AJPERES
    www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/10/infa09.pdf‎

    ResponderExcluir
  3. Os efeitos benéficos de produtos naturais e/ou alimentos ingeridos pelo homem é importante, mas não se deve isolá-los apenas para essa finalidade. Sendo assim, o gengibre além de ter todas as funções já citadas, mostrou potencial efeito no controle de um importante patógeno em alface, que também é consumido por nós. Dessa forma, é uma alternativa natural ao controle de pragas, sendo mais barata e muito menos tóxica que as substâncias já utilizadas em grande escala para controle microbiano. Como resultados palpáveis, comprovados por estudos, tem-se a atividade antimicrobiana do extrato bruto aquoso de gengibre (inibição do crescimento do fungo e de estruturas de resistência). Além de se ter verificado que a aplicação de massa de gengibre na base da planta aumentou a atividade da enzima peroxidase e reduziu a incidência da doença (ativação de mecanismos de defesa das plantas).
    Referência bibliográfica: RODRIGUES, Edvirgem et al. Fungitoxicidade, atividade elicitora de fitoalexinas e proteção de alface em sistema de cultivo orgânico contra Sclerotinia sclerotiorum pelo extrato de gengibre. Summa Phytopathologica, v. 33, n. 2, p. 124-128, 2007.
    DRE: 112175155

    ResponderExcluir