Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Arginina - Estimulando vaso dilatação e liberação de GH


Essa é a alegação de suplementos nutricionais que tem como principal componente a arginina.

Esse aminoácido tem funções importantes no organismo como, síntese de hormônios (GH), óxido nítrico e até na divisão celular. Entretanto, as empresas produtoras de suplementos, se utilizam de parte de informações científicas, para fazer marketing de um produto.

Como a arginina é fundamental na biossíntese de óxido nítrico (vaso dilatador) e de hormônio do crescimento (GH), realizou-se a propaganda de que a ingesta desse aminoácido aumentaria vascularização muscular e aumento de massa por ação hormonal em praticantes de esporte, melhorando assim seu condicionamento físico.

No entanto, isso está longe da verdade, visto que, os mecanismos fisiológicos explicados, não são induzidos pela maior ingesta de arginina. Como podemos perceber o produto em si carece de embasamento científico para sustentar suas afirmações.

Grande atenção foi dada ao óxido nítrico pelos praticantes de musculação, graças às promessas feitas por fabricantes e vendedores de suplementos alimentares. Como o óxido nítrico é envolvido com o processo de vasodilatação, propagandeou-se que os suplementos aumentariam a irrigação sanguínea dos músculos, aumentando performance no treino.
Dentre esses suplementos estão os de Arginina que passam a idéia de estimular vaso dilatação em alguns suplementos. E em outros de estimular liberação de GH quando combinado com Ornitina.

É importante notar que a quantidade de NO necessária para produzir os efeitos benéficos é extremamente baixa, sendo que suas propriedades em altas concentrações são totalmente diferentes, especialmente sob estresse oxidativo. Nestas circunstancias, o NO é citotóxico e pode ter associação com patologias como carcinomas, condições inflamatórias, artrite, esclerose múltipla, etc.

A disponibilidade de arginina não é limitante para a reação enzimática, pois a quantidade de arginina normalmente disponível no organismo excede em milhares de vezes a quantidade necessária para que as reações de síntese de NO aconteçam. De fato, estudos recentes revelam que a suplementação de arginina não promove aumentos na produção de óxido nítrico, além de não influenciar o desempenho nem o metabolismo durante o exercício.

Rótulo do Suplemento de Arginina.

















Propaganda de uma loja sobre arginina.
A arginina é um aminoácido, que apresenta papel importante na síntese de compostos de alta energia (creatina e creatina-fosfato), na formação de óxido nítrico, no ciclo da uréia e na imunidade.
Por ser precursora do óxido nítrico, que tem efeito relaxador dos vasos sanguíneos, a ação ergogênica da arginina é baseada no aumento da vasodilatação. Este aumento do calibre de arteríolas músculo-esqueléticas, aumenta o fornecimento de nutrientes e oxigênio aos músculos que estão sendo solicitados durante a movimentação, desencadeando mecanismos como: o aumento da perfusão sangüínea – facilitando o aporte de oxigênio e nutrientes aos tecidos, especialmente os músculos,; a maior oferta de glicose para o músculo em atividade – proporcionando mais substrato energético para a contração muscular; e a redução da concentração plasmática de amônia e lactato – retardando a fadiga e diminuindo o desconforto provocado pelo acúmulo desses catabólitos na musculatura.

Outra afirmação sobre suplementos com arginina é o potencial estímulo a liberação de GH, quando há combinação deste aminoácido com a Ornitina. Os fatores metabólicos que estimulam a liberação de GH são a hipoglicemia, a infusão ou a administração de aminoácidos, o exercício e o sono.

O GH exerce diversas ações metabólicas com efeitos anabólicos e lipolíticos, produzindo em contrapartida efeitos indutores de resistência à insulina. No paciente com deficiência da substância, a reposição com o hormônio promove lipólise (ou seja, quebra de gordura), estimula a síntese protéica com aumento de massa corporal magra e pode levar à resistência insulínica sendo, portanto seu efeito metabólico mais notável a perda de adiposidade visceral.

A regulação da secreção é feita através do Fator de Liberação da Somatotropina (GRF), produzida no hipotálamo. Este fator atinge a adenohipófise através do sistema porta hipotálamo-hipofisário e estimula esta glândula a produzir e secretar maiores quantidades do hormônio do crescimento.

Um dos mais importantes fatores que influenciam a secreção de GRF pelo hipotálamo e, como conseqüência, maior secreção de GH pela hipófise, é a quantidade de proteínas no interior das células em nosso organismo. Quando as proteínas estão em quantidade baixa, como ocorre na desnutrição, o GRF é secretado em maior quantidade e, conseqüentemente, o GH. Como resultado haverá, nas células, um estímulo para que ocorra uma maior síntese de proteínas.

Entretanto isso não quer dizer em hipótese alguma, que a ingestão de arginina além das necessidades do organismo induza liberação de GH, muito pelo contrário, estudos apontam que a ingestão de 7g de arginina não produziu os efeitos prometidos pela propaganda.

Segue abaixo o resumo de um artigo científico, que realizou testes com suplementação de arginina.

Resumo

Baseado nos pressupostos de que a infusão de aminoácidos pode aumentar a secreção de hormônio de crescimento (GH), e que o metabolismo deste hormônio está relacionado com a secreção do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-I), o objetivo deste estudo foi verificar o efeito da suplementação de L-arginina sobre o GH e IGF-I em adultos. Participaram do estudo 17 indivíduos do sexo masculino, que foram randomizados para receber L-arginina (n= 10) ou placebo (n= 7), sete gramas ao dia, durante um período de sete dias. Antes e após o período de suplementação, os voluntários realizaram coleta de sangue em jejum para verificação dos níveis séricos de GH e IGF-I, bem como coleta de urina para verificação da excreção de uréia. Ao final do período experimental, verificamos que o grupo que recebeu L-arginina aumentou a excreção de uréia na urina (de 2684,1 ± 475,2 mg/dl para 2967,2 ± 409,7

mg/dl, p= 0,002), entretanto não modificou significativamente a secreção dos hormônios avaliados. O grupo que recebeu placebo não alterou significativamente nenhum parâmetro avaliado. A suplementação de Larginina durante sete dias mostrou-se ineficaz para aumentar a secreção de GH e IGF-I em indivíduos adultos do sexo masculino

(Arq Bras Endocrinol Metab 2007;51/4:587-592)

O consumo de arginina nas doses recomendadas não causa uma sobrecarga protéica no organismo, porém se associada a uma dieta com alta quantidade de aminoácidos, pode ultrapassar a Ingestão Diária Recomendada (IDR) de proteínas.



















Podemos perceber que há muita propaganda com bases científicas parciais, onde se utiliza “verdades científicas” para fazer uma afirmação sobre um determinado produto. Caso as afirmativas fossem verdadeiras, a estimulação de óxido nítrico, é associada a inflamações, carcinomas e algumas outras patologias, enquanto que o estímulo de GH em alta intensidade induz diabetes tipo 2.

Por fim nota-se que esses suplementos possuem o único efeito de aumentar excreção de uréia pelos rins, já que é o produto final de metabolização de aminoácidos. Sendo assim o risco a saúde estaria na sobrecarga renal devido a ingestão excessiva de aminoácidos.

Referências bibliográficas:

http://www.scielo.br/pdf/abem/v51n4/a13v51n4.pdf

http://www.scielo.br/pdf/ramb/v46n3/3086.pdf

http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP[8989-1-0].PDF


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