Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Benefícios do Licopeno: um resultado do sinergismo com outros micronutrientes?


Os carotenóides são compostos da classe dos tetraterpenóides encontrados em diversos vegetais. Tradicionalmente, os carotenóides são classificados em carotenos e xantofilas.

Um dos carotenos mais conhecidos por suas propriedades biológicas é o licopeno. Este é um hidrocarboneto alifático e insaturado, encontrado em tomates e produtos derivados, como extratos, polpas e molhos.

São relatadas diversas propriedades terapêuticas relacionadas ao licopeno, entre elas, as mais notáveis são as atividades antioxidantes e antitumorais. Atualmente, com a utilização destas atividades biológicas como justificativa, há a venda de cápsulas de licopeno no mercado.

Porém, existe uma discussão crescente se os efeitos benéficos que o licopeno apresenta seriam resultado do sinergismo deste carotenóide com outros micronutrientes encontrados em tomates.

Caso esta hipótese seja comprovada, seria então válido o consumo de cápsulas que contenham somente o licopeno isolado?

Atualmente, existem vários trabalhos na literatura que comprovam as ações antioxidantes e antitumorais do licopeno utilizado isoladamente. Porém, estes trabalhos utilizam modelos in vitro e animais para análise. Sendo assim, os efeitos do licopeno isolado de outros micronutrientes ainda não foram comprovados em humanos.

Por outro lado, existem inúmeros estudos realizados em humanos que utilizam derivados do tomate como fontes de licopeno, sem que o mesmo se encontre isolado. Nestes trabalhos, é comprovada a ação antitumoral e antioxidante do tomate na forma de extratos, polpas, molhos, pós, etc. Estas atividades biológicas seriam um resultado da associação entre o licopeno com outros nutrientes encontrados neste fruto, como outros carotenóides (fitoeno, fitoflueno e beta-caroteno).

Um exemplo disto é um estudo recente de Boileau e colaboradores, em que foi comparada a eficácia de pó de tomate ou licopeno puro em aumentar a sobrevida de ratos com câncer de próstata induzido. A mortalidade por câncer de próstata foi inferior a 25% para ratos alimentados com o pó de tomate, comparativamente aos ratos alimentados com dieta controle. A mortalidade por câncer de próstata de ratos alimentados com licopeno puro foi similar ao grupo controle. Com isso, os autores constataram que os componentes do pó do tomate, associados ao licopeno, induziram a inibição da carcinogênese.

Portanto, não há evidências concretas de que a utilização das cápsulas de licopeno garantam uma ação antioxidante e antitumoral por parte deste composto, uma vez que suas atividades parecem estar diretamente relacionadas com um sinergismo entre os vários micronutrientes encontrados no tomate.



Referências Bibliográficas:

1) AMIR, H.; KARAS, M.; GIAT, J.; et al. Lycopene and 1,25-dihydroxyvitamin-D3 cooperate in the inhibition of cell cycle progression and induction of differentiation in HL-60 leukemic cells. Nutr. Cancer. 33, 105-112 (1999).
2) BOILEAU, T. W.; LIAO, Z.; KIM, S.; LEMESHOW, S.; ERDMAN, J.W. Jr.; CLINTON, S.K. Prostate carcinogenesis in N-methyl-N-nitrosourea (NMU)-testosterone-treated rats fed tomato powder, lycopene, or energy-restricted diets. J. Natl. Cancer. Inst. 95, 1578-1586 (2003).
3) GANN, P.H.; KHACHIK, F. Tomatoes or lycopene versus prostate cancer: isevolution anti-reductionist? J. Natl. Cancer. Inst. 95, 1563-1565 (2003).

3 comentários:

  1. Jéssica Domingos7 de abril de 2012 17:21

    O sinergismo com outros nutrientes como o betacaroteno otimiza a absorção do licopeno, quando administrados concomitantemente em iguais dosagens, não interferindo na absorção dos mesmos. Há evidências que sugerem que o betacaroteno tenha mobilizado o caminho de absorção do licopeno, o que permite que o licopeno seja absorvido na mesma extensão que o betacaroteno, quando esses dois carotenóides são administrados juntos. Avaliando-se a interação entre licopeno, betacaroteno e luteína, foi verificado que existe uma competição entre luteína obtida do vegetal, licopeno e betacaroteno no que diz respeito ao seu aparecimento na fração do quilomícron. Isso sugere que esses carotenóides competem fortemente na absorção intestinal para incorporação em quilomícrons ou ambos. Entretanto, resultados da suplementação no médio prazo demonstraram que ela não tem efeito adverso no estado plasmático dos carotenóides, sugerindo que outros mecanismos, provavelmente, se sobrepõem ao efeito negativo da interação de carotenóides na biodisponibilidade.Além disso, drogas responsáveis pela diminuição do colesterol e esteróides de plantas também podem interferir na incorporação do licopeno às micelas, diminuindo potencialmente a eficiência de absorção. Alguns substitutos de gordura podem criar uma pia hidrofóbica no lúmen do intestino, unindo-se ao licopeno e tornando-o indisponível para a absorção. Já que a absorção do licopeno se dá pela incorporação em micelas, em que a formação delas é dependente da gordura presente no intestino, logo a gordura dietética parece influenciar na absorção do licopeno.A matriz na qual o licopeno é encontrado nos alimentos pode ser um fator de interferência na sua disponibilidade, sendo a liberação do licopeno dessa matriz o primeiro passo para a sua absorção. A localização intracelular, em adição ao fato da matriz celular ser intacta, pode interferir na biodisponibilidade dos carotenóides em frutas e verduras.
    O processamento de alimentos tem demonstrado aumentar a biodisponibilidade de licopeno, devido à liberação da matriz do alimento. Com isso, molho de tomate e purê de tomate são tidos como melhores fontes biodisponíveis de licopeno do que as demais fontes de alimentos não cozidos, tais como o tomate cru.

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  2. O licopeno é um carotenóide sem a atividade pró-vitamina A, predominante no plasma e nos tecidos humanos, sendo encontrado em um número limitado de alimentos de cor vermelha, como tomates e seus produtos, goiaba, melancia, mamão e pitanga.
    Em relação à biodisponibilidade, verificou-se que o consumo de molho de tomate aumenta as concentrações séricas de licopeno em taxas maiores do que o consumo de tomates crus ou suco de tomate fresco. Além disso, alguns tipos de fibras, encontradas nos alimentos, como a pectina, podem reduzir a biodisponibilidade do licopeno, diminuindo a sua absorção devido ao aumento da viscosidade.
    Existem evidências de que o consumo de tomates e de seus produtos está associado a uma redução do risco de câncer e doenças cardiovasculares. O consumo de licopeno também está sendo inversamente associado com risco de infarto do miocárdio. Sua proteção recai sobre lipídios, lipoproteínas de baixa densidade (LDL), proteínas e DNA. A oxidação da molécula de LDL é o passo inicial para o desenvolvimento da placa de ateroma e consequente doença coronária.

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  3. Nathália Pessoa Gonçalves9 de junho de 2014 10:44

    O licopeno é um carotenoide antioxidante de cor avermelhada encontrado em vegetais como o tomate. Estudos apontam uma ação antioxidante dessa substância, sendo portanto, sugerido na prevenção de câncer e doenças cardiovasculares. Cerca de 85% do licopeno consumido vem do tomate ou seus derivados, com evidência de que 80 a 90% dos carotenóides presentes nesse vegetal é de licopeno,servindo assim como corante natural ou como um complemento nutricional

    A biodisponibilidade representa a parte do nutriente ingerido que tem o potencial de suprir as necessidades fisiológicas dos tecidos; e em geral não corresponde a quantidade ingerida do nutriente. Estando, assim, relacionada a vários fatores, entre eles a forma de apresentação do alimento, a digestão, a captação intestinal e sua absorção, distribuição para os tecidos e sua utilização por eles. Muitos fatores podem influenciar na biodisponibilidade dos carotenoides, entre eles podem ser citados a matriz alimentar; a quantidade do carotenoide na dieta; a presença de fatores inibidores ou facilitadores, e outros. Desses fatores aqueles relacionados a dieta tem sido os mais estudados, sendo o principal deles o tipo de alimento em que o nutriente em questão está presente.

    A absorção do licopeno se processa da seguinte forma: após ser consumido, o licopeno se incorpora as micelas dos lipídios da dieta e são absorvidos na mucosa intestinal através de difusão passiva, onde se incorporam aos quilomícrons e são liberados para o sistema linfático para
    serem transportados ao fígado. Assim, o licopeno e transportado pelas lipoproteínas através do plasma para a distribuição a vários órgãos. Por possuir natureza lipofílica, o licopeno pode ser encontrado também em partes das lipoproteínas LDL, VLDL e HDL. Sendo que essa absorção por humanos é de 10 a 30%, o restante é excretado pelo organismo.

    Ainda é possível ressaltar que a absortividade do licopeno pode ser aumentada quando se utiliza derivados do tomate em detrimento ao produto in natura. O calor, o processamento e a associação com lipídios favorecem esse aumento. Isso foi mostrado através de um estudo em que o consumo de molho de tomate cozido em óleo resultou em um aumento, um dia apos a sua ingestão, de duas a três vezes da concentração serica de licopeno, embora nenhuma alteração tenha sido observada no consumo do suco de tomate fresco

    Os antioxidantes são substâncias que mesmo em baixas concentrações, quando comparadas a um substrato oxidável, reduzem ou inibem a oxidação desse substrato. O sistema de anti-oxidacao é composto
    por agentes enzimáticos e não-enzimaticos, podendo estar presentes
    no organismo ou nos alimentos ingeridos. Os carotenoides reagem com
    radicais livres, em especial com os radicais peróxidos e com o oxigênio
    molecular, sendo essa a base de sua ação antioxidante. Carotenoides,
    incluindo o licopeno, exercem funções antioxidantes em fases lipídicas,
    bloqueando os radicais livres que danificam as membranas lipoproteicas

    Sabe-se que os antioxidantes podem ser uteis na redução dos efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia, por reduzir sua toxicidade. No entanto, há a necessidade de mais estudos para avaliar se os antioxidantes podem ou não reduzir a eficiência dos tratamentos de radio ou quimioterápico sobre as células cancerosas.
    Atualmente não se sabe a quantidade exata da ingestão diária de
    licopeno. Sendo assim, não existe uma quantidade especifica, mínima ou
    máxima, prescrita de licopeno a ser considerada segura para ingestão.

    Diversos estudos vem evidenciando a importância dos licopenos sobre o organismo humano. No entanto, sua utilização na prevenção do câncer e na redução dos efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia ainda necessitam de mais estudos para o esclarecimento dessas atividades.


    SOARES, A. P. Efeito do licopeno do tomate na prevenção do câncer de próstata. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.5, n.2, p.50-54, Abr-Mai-Jun. 2012.

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