Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Romã: Aceita um copo de suco ou um chá da casca?





A romã é uma fruta que é muito utilizada na medicina popular mundial para diarreia, disenteria, inflamações na garganta e etc. Devido a este grande interesse popular, pesquisas foram desenvolvidas e vem destacando a romã como uma fruta que apresenta diversas substâncias polifenóicas que vão ser responsáveis por essas atividades. E ainda mais, através de teste in vivo e in vitro, descobriram que a romã possui atividade sob o Câncer de Próstata, sob doenças relacionadas ao coração como a Hipertensão, Aterosclerose e Aumento de LDL.
Essas substâncias polifenóicas que conferem essas atividades a romã estão presentes principalmente no suco e na casca desta fruta. Então, Que substâncias polifenóicas são essas? O que escolher o suco ou a casca? Com tantas atividades importantes será que esta fruta não apresenta toxidade?
Quer saber mais sobre essa fruta .....


Originária do Oriente Médio e da Ásia Menor, a romã é o fruto da romãzeira. A fruta cujo nome científico é Punica granatum, pertencente à família das punicáceas. Conhecida desde a Antiguidade, a romã passou a ser domesticada no Irã por volta de 2000 A.C. Os fenícios levaram a fruta para as regiões próximas do Mar Mediterrâneo de onde se difundiu para as Américas, chegando ao Brasil pelas mãos dos portugueses. A romã possui grande importância histórica, uma vez que fez parte do contexto cultural de muitos povos.
Existem dois tipos de romãs a vermelha e a amarela. Apesar de ambas serem originárias do Vale do São Francisco, a primeira é uma variedade canadense, enquanto que a segunda é nacional. Analisando-se visualmente a fruta, percebe-se que a vermelha possui uma menor quantidade de sementes, casca mais fina e o mesocarpo (parte carnosa entre a casca e as sementes) maior. Já a amarela tem maior quantidade de sementes, apresenta casca mais grossa e mesocarpo mais fino. O formato dos lóculos (“bolsas”, onde estão armazenadas as sementes) também é diferente. No sabor, parece não haver diferença. Quanto ao aspecto econômico, a variedade de cor vermelha custa cerca de 50 a 60% a mais do que a amarela, sendo destinada a um público de maior poder aquisitivo.
Esta fruta utilizada por várias gerações para tratamento de infecções de garganta, diarreia, disenteria, dentre outras enfermidades, vem sendo bastante estudada e essas pesquisas estão destacando a romã como uma fruta que apresenta diversas substâncias polifenólicas, presentes principalmente no suco e na casca da fruta, que vão ser responsáveis por essas atividades. E ainda mais, através de teste in vivo e in vitro, descobriram que a romã possui atividade sob o Câncer de Próstata, sob doenças relacionadas ao coração como a Hipertensão, Aterosclerose e Aumento de LDL.

1. Que substâncias polifenólicas são essas?

Na casca da romã estão presentes diversos taninos que dão adstringência e são bastante usados para tratar problemas gastrointestinais, mas a maior quantidade de antioxidantes está no seu suco que é feito utilizando o pericarpo e as sementes da romã. Na tabela 1 esta informação pode ser evidenciada.

Tabela1: Principais classes de substâncias polifenólicas e tipos de metabólitos encontrados em diversas partes da romã/romazeira


*+ presente; ++ principal substância.

Através da tabela 1, foi possível destacar como principais polifenóis presentes na casca o ácido elágico, punicalin e punicagilin e no suco estão presentes diversas classes de polifenóis como os taninos, flavonoides, alcaloides e ácidos orgânicos.

2. Atividades biológicas evidenciadas nas pesquisas:

2.1 - Proteção Vascular

  • Antioxidante:
Indivíduos que fazem uso de dietas hipercalóricas estão propensos a apresentar doenças cardiovasculares e neurovasculares. Porém, o consumo de alimentos e bebidas ricos em polifenóis como, taninos e flavonóides, diminuem os riscos das pessoas terem esses tipos de doenças.
Pesquisas mostraram que o suco (pericarpo e semente) e o extrato aquoso das folhas podem combater radicais livres, tais como espécies reativas de Oxigênio (ROS), de Nitrogênio(RNS), Superóxido e Peróxido de hidrogênio e Óxido Nítrico, apresentando um efeito maior que extratos de outras frutas. O suco ainda pode inibir a produção de LDL-ox in vitro e diminuir o nível de LDL-ox in vivo.
Os Taninos são substâncias de excelente papel antioxidante e estão presentes em quase todas as partes da romã. Dos taninos encontrados, dois se destacam, o ácido elágico e o punicalagin. O Ácido Elágico pode reagir com radicais livres, devido a sua capacidade de quelar íons metálicos, podendo ser um potente antioxidante contra peroxidação lipídica na mitocôndria e o Punicalagin é o principal composto antioxidante no pericarpo e portanto suco inibindo a peroxidação lipídica.
Os Flavonóides totais da romã diminuem as concentrações de malondialdeído, hidroperóxidos e dienos conjugados no fígado, coração e rim e as atividades de enzimas como catalase, glutationa peroxidase, glutationa redutase e da concentração de glutationa nos tecidos. Eles ainda apresentam papel antioxidante na eliminação de radiais livres e particularmente os flavonóides quercetina, kaempferol e equol desempenham efeitos fotoprotetores significativos induzidos por danos causados por irradiação UVB na pele.
Os ácidos graxos insaturados também vão desempenhar função antioxidante na romã. Então pode-se dizer que a atividade antioxidante do romã se deve ao sinergismo químico de diversas classes de polifenóis.

  • Regulação de lipídeos:
Os taninos presentes no suco, principalmente o ácido elágico,tem demostrado um efeito benéfico sobre a regulação de lipídeos que pode ser atribuída a sua propriedade antioxidante. Foi demostrado que o efeito antioxidante contribuiu para diminuição dos níveis plasmáticos de triglicerídeos, colesterol, LDL, VLDL e HDL, portanto o suco pode ser um adjuvante no tratamento de Dislipidemias metabólicas e obesidade. Seu mecanismo de ação pode estar relacionado da inibição da HMG-CoA redutase, lipase pancreática e ACAT.

  • Ação anti-hipertensiva:

A ação anti-hipertensiva da romã é muito evidente e atua sob diversos mecanismos. Os taninos presentes no suco tem mostrado capacidade de reduzir a pressão sanguínea sistólica pela inibição da ECA (Enzima Conversora de Angiotensina). Verificou-se também que a sua ação na proteção vascular está relacionada com a inibição do estresse oxidativo e os níveis séricos da ECA. Foi relatada em um pequeno estudo realizado em humanos que o consumo do suco em paciente com estenose na carótida, induziu nesses pacientes uma diminuição da espessura da carótida intima média e redução da pressão arterial. E ainda os taninos, como o punicagilin podem aumentar a produção de óxido nítrico que promovem vasodilatação, reduzindo a pressão arterial.

2.2 – Gastroproteção (Diarreia, Disenteria, Proteção da mucosa gástrica)

  • Diarreia:
O chá da casca da romã é bastante utilizado em casos de diarreia. Esse efeito antidiarreico se deve aos taninos presentes na casca da romã. A atividade antidiarréica da casca da romã pode ser devido a alguns mecanismos: (1) um aumento na reabsorção de água e NaCl, (2) reduzida secreção mucosa, e (3) inibição da prostaglandina liberada na mucosa intestinal. O extrato pode aumentar a reabsorção de água e NaCl por diminuição da motilidade intestinal. Isto é apoiado pela observação de que a motilidade intestinal foi significativamente reduzida nos animais tratados em comparação com o controle em testes in vitro.

  • Proteção da mucosa gástrica:
O efeito antioxidante característicos dos polifenóis, principalmente dos taninos, presentes no suco e principalmente na casca da romã, está relacionado com a proteção da mucosa gástrica porque esses taninos são capazes de se ligar com proteínas presentes na mucosa, acelerando o processo de cicatrização, ulceração e trauma gástrico. Entretanto, esse efeito protetor também pode estar relacionado com a atividade antimicrobiana do suco e da casca levando a inibição do crescimento microbiano dos seguintes patógenos, Helicobacter pylori, Escherichia coli, Salmonella typhi e Shigella. Outra parte da romãzeira utilizada para este fim são as folhas. Nas folhas há uma grande quantidade de taninos que atuam aumentando a atividade da pepsina, melhora a secreção da bílis, aumenta o peristaltismo intestinal, inibem a secreção de ácido gástrico e desse modo protege a mucosa gastrointestinal.


  • Disenteria:
A Disenteria é uma infecção do intestino grosso que provoca normalmente fortes dores abdominais, ulceração das mucosas, tenesmo e diarreia, sempre acompanhada de muco e sangue, após estágio inicial de diarreia aquosa. Como os principais sintomas da disenteria são diarreia, ulcerações da mucosa gástrica e infecção causada por microrganismos patogênicos, é possível dizer que o chá da casca da romã pode ser utilizada para o tratamento de disenteria, devido a fatores já mencionados.

2.3 – Antimicrobianos patogênicos (infecções de garganta)

Além dos microorganismos Helicobacter pylori, Escherichia coli, Salmonella typhi e Shigella mencionado acima, os extratos de romã, principalmente da casca, também apresentaram significativa inibição contra as bactérias patogênicas comuns especialmente patógenos Gram positivos. Foi relatado que duas cepas resistente à meticilina (MRSA) e sensíveis à meticilina (MSSA) e cepas de Staphylococcus aureus foram sensíveis para os extratos do pericarpo ou da casca e da subsequente produção de enterotoxina foi inibida por estes extratos, indicando o uso terapêutico da romã para infecções bacterianas. Além disso outras bactérias como a hemolyticus Streptoccus, Vibrio cholerae, paratyphosus Bacillus, Proteus bacilo, Proteus subtilis vulgaris, Bacillus, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Mycobacterium tuberculosis, Yersinia enterocolitica, Listeria monocytogenes, Candida albicans, etc também foram relatados para ser suscetíveis aos extratos de romã. O componentes antibacterianos ativos da romã são os taninos, como elagitaninos e flavonoides.
Sendo assim o chá da casca da romã, para fazer gargarejo, é ótimo para tratamento de infecções de garganta.

2.4 - Anticâncer

A carcinogênese é originada por uma cascata muito complexa e pode ser afetada por vários fatores. Pesquisas demostraram que a romã pode interferir na ocorrência e desenvolvimento de tumores em diversas etapas: no processo inflamatório, angiogênese, apoptose e proliferação e invasão celular. Devido a estas atividades a romã já está sendo utilizada em testes in vivo para tratamento de câncer de próstata e mama.

  • Anti-inflamatório
Pesquisas emergentes continuam a reforçar evidências de que extratos de romã podem ser usados para tratar a inflamação crônica e as doenças que ir junto com ele.

A curto prazo, a inflamação é uma resposta imune normal, mas a inflamação crônica tem sido associada a uma série de doenças, incluindo doenças cardíacas, câncer, diabetes, artrite, demência e doenças auto-imunes. Os cientistas estão cada vez mais a acreditar que a romã ajuda a combater a inflamação, em parte devido ao seu teor excepcionalmente alto de antioxidantes, particularmente os da família ellagitannin, como punicalagins e punicalins.

Tem sido mostrado que a romã pode reduzir o risco de câncer de mama, retardar ou mesmo evitar a formação de tumores de próstata em camundongos, aumentar a quantidade de oxigênio disponível para o coração e combater o aparecimento de doenças cardíacas, impedindo LDL ("mau" ) a oxidação do colesterol. A longo prazo o consumode suco de romã também tem sido associada a melhora dos sintomas da disfunção erétil.

A equipe de pesquisadores da Case Western Reserve University em Cleveland foi o primeiro a demonstrar que o extrato de romã pode agir diretamente para combater a inflamação. Em um estudo de 2005, eles mostraram que, quando injetado em células humanas, o extrato de romã reduziu a inflamação e os níveis de enzimas que podem fazer a cartilagem quebrar, como na artrite.
Pesquisadores acompanharam um estudo, em que eles se alimentavam com 175 mililitros de extrato de romã a quatro coelhos, em seguida, comparou-os com dois coelhos que receberam apenas água. Todos os coelhos estavam com uma inflamação crônica.

Os pesquisadores descobriram que os níveis de antioxidantes aumentaram significativamente os marcadores e os níveis de marcadores de inflamação diminuiu significativamente nos coelhos depois que eles receberam extrato de romã. Comparado com os coelhos que haviam recebido apenas água, os animais no grupo extrato de romã tinha 7 e 26 por cento os níveis mais baixos de marcadores da inflamação COX-1 e COX-2, respectivamente. Além disso, os níveis de compostos inflamatórios produzidos por células de cartilagem também diminuiu. Eles descobriram que depois de receber extrato de romã, as células começaram a produzir níveis significativamente mais baixos das citocinas inflamação ligada IL-6 e IL-8. Extrato de Romã também apareceu para inibir ativação de um complexo gene conhecido como fator nuclear kappa B (NF-kB). NF-kB desempenha um papel na regulação da resposta imune saudável, e o mau funcionamento do complexo tem sido associado à autoimune da doença, o desenvolvimento imunológico inadequada e infecção viral.

  • Anti-angiogênese
A Angiogênese é a formação de novos vasos sanguíneos, o que é de extrema importância para disseminação do tumor e o aparecimento de metástase. O suco e o óleo das sementes pode afetar fazer downregulation no endotélio pró- angiogênico vascular.

  • Indução de apoptose
Apoptose, também chamada de morte celular programada, é estreitamente regulada pelo mecanismo de morte celular. A indução eficaz da apoptose é considerada como uma abordagem promissora para o tratamento do câncer. O fruto, incluindo suco de pericarpo e sementes foi relatado para induzir a apoptose tanto in vitro como in vivo.
Ambos os lipídios e frações do extrato aquoso do pericarpo demostraram possuir um potencial apoptótico bastante seletivo em diferentes células hormônio-dependente. Extrato aquoso do pericarpo resultou na apoptose, fragmentação do DNA. No suco, no pericarpo e no óleo a semente encontram-se polifenóis com potencialidade de induzir a apoptose em células cancerosas humanas da próstata in vivo.

  • Inibição da proliferação
Os extratos do pericarpo da romã têm demonstrado interferir na proliferação de células diferentes linhagens de células cancerosas em humanos. Os extratos inibiram seletivamente as células cancerosas e afetou minimamente as células normais, sugerindo seu uso potencial terapêutico no tratamento do tumor.

3. Farmacocinética e Toxicidade

A romã possui um perfil farmacocinético excelente, bem como efeitos tóxicos e colaterais mínimos esses fatores são os elementos-chave para novas drogas que estão sendo aprovadas para entrar em ensaio clínico.Estudos foram realizados e demostraram que o ácido elágico possui má absorção e eliminação rápida após a administração oral de extrato de folha de romã, e parte dele foi absorvida pelo estômago. Outros experimentos in vitro mostraram que o ácido elágico na folha de romã possui taninos que podem ser transportados para o células HepG2, que promove alteração do colesterol total no células. Outra tanino o brevifolin também exibiu características semelhantes da cinética do ácido elágico, incluindo rápida absorção, distribuição e eliminação. Estes resultados sugerem que os compostos com características semelhantes na estrutura geralmente têm propriedades farmacocinéticas semelhantes, e, assim, podemos caracterizar o perfil farmacocinético do taninos totais com base nas informações obtidas deses dois compostos. Somente a casca e raiz foram relatados para ser tóxicos e a toxicidade foi relacionada ao seu conteúdo. Em uma investigação para estudar a toxicidade aguda e subcrônica de um extrato padronizado de fruta romã contendo Punicalagins 30%, DL50 oral aguda em ratos Wistar e suíços camundongos albinos foi maior que 5000 do peso corporal mg / kg, não aparecendo efeitos adversos. Com base nos relatórios acima, a romã é segura se utilizada na dosagem normal.

4. Conclusão

Tanto o chá da casca como o suco da romã, possui diversas substâncias polifenólicas, que vão conferir as atividades biológicas dessa fruta, portanto a forma a ser utilizada vai depender da enfermidade que a pessoa tiver. Em relação à toxicidade, através dos testes realizados, pode se afirma que a romã é segura se utilizada na dosagem normal.

5. Referências Bibliográficas

  • http://www.globalsciencebooks.info/JournalsSup/images/Sample/FVCSB_4(SI2)77-87o.pdf
  • http://translate.googleusercontent.com/translate_c?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&rurl=translate.google.com.br&u=http://www.naturalnews.com/027411_pomegranate_inflammation_research.html&usg=ALkJrhjaxDfJ50_QSALesKhwxVdpW9K30w
  • http://www.thorne.com/altmedrev/.fulltext/13/2/128.pdf
  • http://69.164.208.4/files/Antidiarrheal%20Activity%20of%20the%20Aqueous%20Extract%20of%20Punica%20granatum%20(Pomegranate)%20Peels.pdf

7 comentários:

  1. O suco, a polpa e a casca da romã são portadores de propriedades que, além de promover a redução do colesterol, retardam o envelhecimento e talvez, possam levar à cura do câncer pela elevada presença de polifenóis. Ainda são pesquisas, mas a aplicação de vinho e óleo da semente nas células de certos tipos de câncer interrompe a reprodução das mesmas, evitando que a doença se espalhe. Também tem sido estudado o uso da romã no controle da aderência de bactérias do biofilme oral. Em um estudo com o extrato da Punica granatum Linn. e avaliação de seu efeito sobre microrganismos do biofilme dental, a atividade antimicrobiana in vitro, CIM (Concentração Inibitória Mínima) e CIMA (Concentação Inibitória Mínima de Aderência) do extrato da romã (Punica granatum Linn.) foi avaliada em cinco linhagens bacterianas predominantes do biofilme dental: Streptococcus mitis, Streptococcus mutans, Streptococcus sanguis, Streptococcus sobrinus e Lactobacilius casei. Todas as linhagens ensaiadas demonstraram elevada sensibilidade ao extrato da romã atuando de forma semelhante ao gluconato de clorexidina a 0,12%. O extrato de romã também foi efetivo na inibição da aderência (CIMA) das cinco linhagens ensaiadas, representada pela ausência de aderência ao vidro na presença de sacarose.
    A atividade antimicrobiana in vivo do extrato da Punica granatum Linn também foi testada em indivíduos através do uso de um dentifrício a base do extrato da romã. Os resultados demonstraram a redução do número de Streptococcus mutans na saliva. Também foi observada uma redução significativa no Índice de Sangramento Gengival. Dessa forma, além das propriedades descritas neste trabalho, o extrato da Punica granatum Linn., apresenta atividade antimicrobiana in vivo e in vitro sobre as linhagens do biofilme dental(2).
    Apesar dos muitos benefícios, é preciso cautela com riscos de intoxicação por superdosagem de romã em virtude da presença de alcalóides, que apresentam um grau importante de toxicidade, podendo produzir náuseas, vertigens e problemas visuais. E por isso possui algumas contra-indicações como na gravidez, amamentação, crianças menores de 5 anos, gastrite e úlcera gastroduodenal, já que podem irritar a mucosa gástrica.(3) A romã é potente para atacar bactérias causadoras das inflamações, mas, substâncias contidas na fruta, também podem agredir a mucosa intestinal.

    Referências Bibliográficas:
    (1) Khalil E.A.M. A hepatoprotective effect of an aqueous extract of pomegranate (Punica granatum L.) rind against acetaminop hen treated rats. The Egyptian Journal of Hospital Medicine Vol., 16 : 112 – 118. September 2004.

    (2) Pereira JV, Pereira MSV, Sampaio FC, Sampaio MCC, Alves PM, Araújo CRF, Higino JS 2006. Efeito antibacteriano e antiaderente in vitro do extrato da Punica granatum Linn. sobre microrganismos do biofilme dental. Rev Bras Farmacogn 16: 88-93.
    (3) Rodrigues ER, Martins CHG, Moreti DLC, Lopes RA, Vasconcelos MAL, Taveira PMA, Lopes ME. Estudo de parâmetros bioquímicos em ratos sob ação de planta medicinal. XVI. Punica granatum L. Investigação – Revista Científica da Universidade de Franca v.6 n. 1 jan. / abr. 2006 p. 79–84.

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  2. Ao procurar alternativas naturais, o uso de Punica granatum (romã) pode ser uma forma de evitar depósitos de colesterol nas artérias, provocadores de distúrbios cardíacos e enfarte do miocárdio. Os flavonóides e os taninos encontrados na romã fazem com que esta tenha um poderoso efeito antioxidante. Um estudo feito em ratos revela que o extrato aquoso da casca de romã possui uma capacidade antioxidante forte que poderia melhorar o dano no fígado causado pela superdosagem de paracetamol(1).

    O suco, a polpa e a casca da romã são portadores de propriedades que, além de promover a redução do colesterol, retardam o envelhecimento e talvez, possam levar à cura do câncer pela elevada presença de polifenóis. Ainda são pesquisas, mas a aplicação de vinho e óleo da semente nas células de certos tipos de câncer interrompe a reprodução das mesmas, evitando que a doença se espalhe.

    Também tem sido estudado o uso da romã no controle da aderência de bactérias do biofilme oral. Em um estudo com o extrato da Punica granatum Linn. e avaliação de seu efeito sobre microrganismos do biofilme dental, a atividade antimicrobiana in vitro, CIM (Concentração Inibitória Mínima) e CIMA (Concentação Inibitória Mínima de Aderência) do extrato da romã (Punica granatum Linn.) foi avaliada em cinco linhagens bacterianas predominantes do biofilme dental: Streptococcus mitis, Streptococcus mutans, Streptococcus sanguis, Streptococcus sobrinus e Lactobacilius casei. Todas as linhagens ensaiadas demonstraram elevada sensibilidade ao extrato da romã atuando de forma semelhante ao gluconato de clorexidina a 0,12%. O extrato de romã também foi efetivo na inibição da aderência (CIMA) das cinco linhagens ensaiadas, representada pela ausência de aderência ao vidro na presença de sacarose.

    A atividade antimicrobiana in vivo do extrato da Punica granatum Linn também foi testada em indivíduos através do uso de um dentifrício a base do extrato da romã. Os resultados demonstraram a redução do número de Streptococcus mutans na saliva. Também foi observada uma redução significativa no Índice de Sangramento Gengival. Dessa forma, além das propriedades descritas neste trabalho, o extrato da Punica granatum Linn., apresenta atividade antimicrobiana in vivo e in vitro sobre as linhagens do biofilme dental(2).
    Apesar dos muitos benefícios, é preciso cautela com riscos de intoxicação por superdosagem de romã em virtude da presença de alcalóides, que apresentam um grau importante de toxicidade, podendo produzir náuseas, vertigens e problemas visuais. E por isso possui algumas contra-indicações como na gravidez, amamentação, crianças menores de 5 anos, gastrite e úlcera gastroduodenal, já que podem irritar a mucosa gástrica.(3) A romã é potente para atacar bactérias causadoras das inflamações, mas, substâncias contidas na fruta, também podem agredir a mucosa intestinal.

    Referências Bibliográficas:
    (1) Khalil E.A.M. A hepatoprotective effect of an aqueous extract of pomegranate (Punica granatum L.) rind against acetaminop hen treated rats. The Egyptian Journal of Hospital Medicine Vol., 16 : 112 – 118. September 2004.

    (2) Pereira JV, Pereira MSV, Sampaio FC, Sampaio MCC, Alves PM, Araújo CRF, Higino JS 2006. Efeito antibacteriano e antiaderente in vitro do extrato da Punica granatum Linn. sobre microrganismos do biofilme dental. Rev Bras Farmacogn 16: 88-93.

    (3) Rodrigues ER, Martins CHG, Moreti DLC, Lopes RA, Vasconcelos MAL, Taveira PMA, Lopes ME. Estudo de parâmetros bioquímicos em ratos sob ação de planta medicinal. XVI. Punica granatum L. Investigação – Revista Científica da Universidade de Franca v.6 n. 1 jan. / abr. 2006 p. 79–84.

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  3. Sabe dizer-me qual a dosagem certa do suco da semente da romã e como deve ser preparado??

    Obrigado

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  4. Poderiam dizer-me quais as verdades e mentiras publicadas na internet sobre o uso do Leite de ALPISTE na alimentação humana?

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  5. Lucas Fernandes Muniz da Silva27 de outubro de 2014 16:46

    A abordagem utilizada neste trabalho foi muito boa. Desde sempre ouço dizer que "romã é boa pra garganta", e, particularmente, sempre a utilizo quando tenho problemas relacionados à garganta e quanto à problemas de rouquidão. Grande parte das atividades aqui descritas não eram de meu conhecimento, e apesar do terrível sabor desta fruta, vejo que seus efeitos são extremamente benéficos, visto o embasamento científico apresentado no texto. Entretanto, senti falta de uma conclusão "mais eficaz". O que quero dizer com isso?

    Sabemos que vivemos num país onde a cultura popular muitas vezes sobrepuja o conhecimento técnico-científico. Quando estão envolvidas questões financeiras, aí é que temos um problema muito maior. Por exemplo: ao verificarmos uma queimadura de grau leve, podemos estimar que, mais de 60% da população (ao invés de comprar uma medicação adequada, como por exemplo uma pasta d'água) irá aplicar pasta de dente sobre a ferida, alegando que esta é a solução para os problemas. É possível que seja verdade? Sim. Entretanto, sabemos que existe a possibilidade do quadro de queimadura ser agravado.

    Vejo sim, que a romã possui propriedades que, no ponto de vista popular, seriam a solução para grande parte dos problemas e doenças mundiais; sendo assim, a partir de uma rápida leitura nos tópicos apresentados, um leigo no assunto poderia afirmar que chá/suco de romã cura dislipidemias, diabetes, câncer, e muito mais. O que não podemos deixar de alertar, como profissionais farmacêuticos, é que o uso de qualquer fitoterápico por tempo prolongado inspira cuidados. [1]

    Erro de dosagem, variações sazonais, diferentes padronizações de extratos e vários outros fatores podem ser cruciais na utilização de plantas. Além disso, existe o risco de interações medicamentosas ainda não descritas, uma vez que, é bem comum que fitoterapia e alopatia sejam usadas concomitantemente.

    Sendo assim, gostaria de elogiar mais uma vez a qualidade do trabalho, mas com a ressalva de que a conclusão deveria ser um pouco mais incisiva no que se refere ao fato de apresentar a romã como uma possível fonte de medicamentos (sejam alopáticos ou não), pois assim evita-se o risco de automedicação e problemas decorrentes.

    Referência:

    [1] BALBINO, Evelin E., DIAS, Murilo F. - Farmacovigilância: um passo em direção ao uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos - Brazilian Journal of Pharmacognosy
    20(6): 992-1000, Dez. 2010 - ISSN 0102-695X | DOI: 10.1590/S0102-695X2010005000031

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  6. Vanessa S de Souza - Farmacia UFRJ (Aluna Bromato)31 de outubro de 2014 10:24

    Os alimentos funcionais estão em alta. O aumento de pesquisas cientificas sobre estes alimentos tem sido considerável.
    A análise de atividade antioxidantes é uma das principais. Para isso existem alguns métodos para determinar o poder antioxidante de alimentos, como o FRAP, TEAC. Concomitante a essas análises, também é feita a análise de fenólicos totais.
    Este tema é bastante interessante e cada vez mais a população tem procurado manter um alimentação mais saudável. Mas vale lembrar que pra tudo tem que ter limite. Cuidado com a ingestão exagerada. Ao ouvir falar dos benefícios de um determinado alimento, pesquisar sobre o risco de toxicidade dele. E também para quem faz uso de algum medicamente, ficar atento sempre se há interação medicamento-alimento.

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  7. Quero saber como fazer o suco da romã com vinho? para servir de remedio.

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