Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Análise do prazo de validade de temperos

por Sarah Rodrigues e Renata Marinho

Os temperos são substâncias de origem vegetal e, geralmente, são utilizados para proporcionar um sabor agradável aos alimentos. A indústria alimentícia utiliza comumente condimentos preparados, prontos para uso, que podem ser obtidos pela simples mistura de substâncias naturais ou elaborados com a adição ou não de substâncias alimentícias; estes condimentos apresentam-se em forma de pó, pasta ou molho, em suspensão ou emulsão. Além dos temperos industrializados, temos as especiarias e ervas aromáticas que possuem a vantagem de não possuírem sódio ou aditivos e são utilizadas como temperos caseiros para carnes e vegetais. Portanto, são produtos utilizados amplamente como ingredientes na preparação de alimentos, sendo necessário a presença obrigatória do prazo de validade em suas embalagens, a fim de garantir a segurança do consumo ao consumidor e garantir características comerciais como o sabor, cor ou textura, que o fabricante assegura que se manterão estáveis durante o período indicado.

Segundo a Resolução CISA/MA/MS nº 10, de 31 de julho de 1984, estabeleciada pela ANVISA, o prazo de validade tem que vir, obrigatoriamente, da seguinte forma na embalagem desses produtos:

-Expresso pelas três primeiras letras do mês ou o número correspondente e os dois últimos algarismos do ano, nessa ordem, antecedidos de qualquer das expressões: "VÁLIDO ATÉ..." ou "MELHOR SE CONSUMIDO ATÉ. . .";

-Poderá também ser indicado pelo número de dias, meses ou anos, antecedidos da expressão "VÁLIDO POR....", ou "MELHOR CONSUMIR EM ...", articuladamente com a data de fabricação;

-Será aposto, em caracteres legíveis não inferiores a 3 (três) milímetros, por qualquer processo indelével, na face da embalagem onde tiver consignado, com maior evidência, o nome do produto ou onde o rótulo mencionar.

Entretanto, mesmo que esteja presente na embalagem o prazo de validade, é importante prestar atenção na data de fabricação e na forma de armazenamentos dos temperos, uma vez que os condimentos, do ponto de vista microbiológico, são importantes, pois em contato com umidade e temperaturas inadequadas podem sofrer o ataque de bolores; também podem conter um grande número de microorganismos que ocasionalmente causariam deterioração do alimento ou provocariam doenças ao consumidor, quando introduzidos nos alimentos.

Foram coletados dados de temperos como marca e validade em diferentes supermercados e armazéns. Como descrito na tabela, as marcas pesquisadas e a data de validade foram as seguintes:

Comparação da data de validade de diferentes tipos e marcas de temperos

Temperos industrializados

Tipo e Marca

Validade

Tempero para Legumes Knorr 600g

10 meses

Tempero Cebola em Pó Knorr 1,1kg

10 meses

Tempero Limão em Pó Knorr

10 meses

Tempero Sazón® Profissional Vermelho Ajinomoto

12 meses

Hondashi® Profissional Ajinomoto

12 meses

Sabor A Mi® Alho e Sal Ajinomoto

12 meses

Sabor A Mi® Com Pimenta

12 meses

Caldo em Pó Maggi Carne

12 meses

Caldo em Pó Maggi Galinha

12 meses

Tempero Maggi Aves

12 meses

Tempero Maggi Feijão

12 meses

Especiarias vendidas em supermercados em embalagens fechadas


Cebolinha Verde Kitano

12 meses

Cheiro Verde Kitano

12 meses

Salvia Kitano

12 meses

Tomilho Kitano

12 meses

Orégano Kitano

12 meses

Manjerona Kitano

12 meses

Manjericão Kitano

12 meses

Temperos vendidos em armazéns (todos desidratados)

Orégano

4 meses

Louro em pó

4 meses

Tomilho

4 meses

Cominho

4 meses

Louro em folhas

4 meses

Cebolinha

4 meses

Salsinha

4 meses

Manjerona em pó

4 meses

Como mostrado na tabela, os produtos industrializados apresentam um prazo de validade muito maior que os vendidos em armazéns, essa diferença é de até 3 vezes mais para os industrializados. Um fator muito importante é o tipo de embalagem. Produtos vendidos à quilo em armazéns são armazenados em sacos plásticos, ficando expostos à uma umidade muito maior e facilitando o desenvolvimento de microorganismos e a perda das características originais do produto pela absorção de água. Produtos industrializados apresentam uma embalem ermeticamente fechada que protege contra à umidade. Mesmo a data de validade sendo muito maior quando comparada com produtos vendidos em armazéns, após aberto o consumo deve ser, para a maioria dos produtos analizados, de até 30 dias. Isso mostra que a embalagem seria um fator determinante para o maior tempo de vida útil observado nos produtos industrializados. Alguns temperos industrializados apresentaram acidulante e antiumectante, o que auxilia na conservação do produto. Outra diferença está no fato de que os temperos vendidos em armazéns estão submetidos à uma maior contaminação por manipulação. Estes ficam armazenados em grandes potes e são manipulados constantemente para a pesagem.

A melhor forma de armazenar os temperos seria em ambiente seco e protegido da luz, reduzindo assim a incorporação de água e a proliferação de microorganismos.

Portanto, apesar dos produtos industrializados apresentarem uma embalagem mais adequada e a presença de aditivos a fim de uma conservação maior e, consequentemente, um prazo de validade mais extenso que os temperos de armazém, não podemos nos fixar nisso, uma vez que existem vários outros fatores mais importantes que influenciam no prazo de validade do tempero. Um dos fatores importantes que influenciam nesse prazo de validade é a data de fabricação, que é o dia em que o produto se converte em produto final, mas nem sempre essa data coincide com a data de embalagem, outro ponto importante que interfere no prazo de validade, já que se esta for muito distante da de fabricação, pode haver interferências na qualidade do tempero.

Entretanto, isso não é um problema do consumidor, mas sim do produtor, uma vez que ele deve ter a competência em informar essas datas ou tentar coincidi-las, a fim de que haja menores riscos de contaminação, menor tempo de armazenagem e menor interferência no prazo de validade do tempero. Contudo, o prazo de validade é uma faca de dois gumes, pois a variação dele pode ser para mais, por exemplo: se o consumidor faz o armazemamento adequado, na temperatura adequada, pode ser que mesmo após o prazo, ele ainda esteja próprio para o consumo humano (neste aspecto, o vendedor não pode se comprometer, e é obrigado a tirá-lo da prateleira) ou pode variar para menos, por exemplo: mesmo que possua aquele prazo de validade, se o consumidor ou o próprio produtor não fizer esse armazenamento adequado, o tempero pode vencer antes mesmo do prazo de validade.

Logo, é importante que o consumidor não dê somente importância ao prazo de validade, já que esse pode variar com os fatores acima apresentados. É necessário que o produtor informe claramente a data de fabricação, prazo de validade e, principalmente, informações para conservação que devem ser seguidas pelo comerciante e consumidor, pois é o fator que mais interfere no prazo de validade do produto, pois caso ela não seja seguida pode ocasionar a não validação do prazo de validade.

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