Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Alho: condimento e medicamento?


Além de ser largamente utilizado na culinária como um tempero, o alho tem sido utilizado desde antes do nascimento de Cristo como medicamento. Mais recentemente, estudos têm comprovado a utilização do alho como imuno estimulante, antiaterosclerótico, anticancerígeno e antimicrobiano. E atualmente seu poder terapêutico é reconhecido pelo Ministério da Saúde bem como pelo FDA. Conheça os componentes responsáveis por esses efeitos e de que maneira pode beneficiar sua saúde...

Por Thaiane Vidal




Alimentos funcionais também chamados de alimentos nutracêuticos, possuem propriedades que vão além de serem fontes de nutrientes. Ou seja, possuem propriedade funcional (nutriente ou não nutriente) importante para o crescimento, desenvolvimento, manutenção e outras funções normais do organismo. Essa forma de caracterizar o alimento é levada pela necessidade de correlacionar muitos de seus componentes com a manutenção da saúde do ser humano que os consome. O alho pela sua aplicação a diversas patologias, portanto é considerado um alimento funcional.
Ao longo da história da ciência o alho teve várias aplicações. Atualmente seu poder terapêutico é reconhecido pelo Ministério da Saúde bem como pelo FDA . Além de seu uso culinário nas mais variadas culturas, desde a Antiguidade é usado como medicamento para as mais variadas moléstias. Os estudos científicos identificaram a presença de vários compostos que agem terapeuticamente no tratamento de parasitoses, desconfortos gastrintestinais, dislipidemias, verminoses intestinais, na doença hipertensiva, cardiovascular, câncer, além das atividades antiinflamatória, antimicrobiana, e antiasmática. Esta erva bulbosa, cujo nome científico é Allium sativum, é pequena perene e com odor forte e característico de alimentos ricos em compostos sulfurados. A maior concentração de fitoquímicos terapêuticos encontra-se nos bulbos, popularmente conhecidos como dentes de alho. Seu cultivo é adaptado às regiões mais frias com período de dormência de dois meses. Quanto mais fria é a temperatura maior é a concentração de fitoquímicos, pois a sua concentração depende do quanto à planta responde às agressões ambientais.
Apesar dessas peculiaridades não é encontrado nenhuma legislação pela ANVISA, sobre utilização e consumo do alho.




Composição

Abaixo os compostos nutritivos encontrados no alho.

Calorias (kcal) 138,92
Proteínas (g) 6,05
Lipídeos (g) 0,12
Carboidratos (g) 28,41
Cálcio (mg) 38,00
Ferro (mg) 1,40
Fósforo (mg) 134,00
Selênio (μg) 5,69
Alfa-tocoferol (μg) 10,00
Vitamina C 14,00

Também foram identificados fitoquímicos bioativos, sendo os de maior destaque os compostos sulfurados. Abaixo segue estes compostos com suas possíveis atividade biológicas.
Compostos Sulfonados presentes no Alho
Composto Atividade Biologica
Ajoeno (ajocisteína) Prevenção de coágulos, antiinflamatório, vasodilatador, hipotensor, antibiótico
Aliina Hipotensor, hipoglicemiante
Alicina e tiosulfinatos Antibiótica,antifúngica, antiviral
S-alil-cisteína e compostos γ-glutâmico Hipocolesterolemiante, antioxidante, quimioprotetor frente ao câncer
Alil maercaptano hipocolesterolemiante
Sulfeto dialil Hipocolesterolemiante

Compostos não sulfonados presentes no alho
Composto Atividade Biológica
Adenosina Vasodilatadora, hipotensora, miorelaxante
Fructanos (Escorodosa) Cardioprotetora
Fração protéica F-4 Imunoestimulante
Quercetina Antialergênica
Saponinas (gitonina F, eurobósido B) Hipotensora, antimicrobiana
Escordinina Hipotensora, aumenta a utilização de B1, antibacteriana
Selênio Antioxidante
Ácidos fenólicos Antiviral e antibacteriana
Saponinas Anticancerígena


Indição terapêutica
Cada dia se descobre uma nova ação terapêutica para o alho, ou então a ciência confirma uma aplicação que a população já vinha empregando. Mas de uma forma muito simplista o alho é empregado como expectorante, para tosse, gripes, resfriados, e até mesmo no tratamento do reumatismo e vermes. Estudos mostram sua ação no controle da arteriosclerose, possui ação no controle do colesterol, e atua com um agente antiplaquetario, além de ajudar no controle da pressão alta. Possui ação antitumoral, antioxidante, e ajuda no combate do estresse e fadiga. Possui uma grande ação anti-séptica, inclusive em embutidos caseiros utilizamos uma grande quantidade de alho justamente para facilitar o processo de conservação.
A ação antioxidante da aliina , alicina e do ajoeno justificam o efeito do alho sobre as LDL pois inibem a peroxidação lipídica por meio da inibição da enzima xantina-oxidase e de eicosanóides. O alho também eleva a capacidade total antioxidante do organismo devido à ação dos bioflavonóides quercetina e campferol, por meio de um mecanismo mediado pelo óxido nítrico e in vitro, age diretamente como varredor dos radicais livres. A alicina mostra analogia estrutural com o dimetilsulfeto, o qual possui uma boa capacidade varredora de radicais livres. A presença de selênio em sua composição também contribui com este efeito. Isto quer dizer que os compostos sulfurados aliados aos bioflavonóides incrementam a ação medicamentosa do alho.

Estudos epidemiológicos e experimentais evidenciam a ação anticarcinogênica do alho, principalmente devido à presença de seus componentes sulfurados. Abdullah et. al comprovou a atividade dos leucócitos de pessoas alimentadas com alho 139% superior do que os leucócitos do grupo de pessoas que não incluíram o alho em sua alimentação. Esta proteção parece ser resultado de vários mecanismos incluindo: bloqueio da formação de compostos nitrosaminas, hepatoproteção seletiva contra substancias carcinogênicas , supressão da bioativação de vários carcinogênicos, aumento do reparo do DNA, redução da proliferação celular e/ou indução da apoptose. Possivelmente vários desses eventos ocorrem simultaneamente e a ação dos componentes sulfurados parece ser influenciada por diversos componentes da dieta. Por exemplo, a presença de selênio, seja como parte da dieta, seja como componente do suplemento de alho, contribui para aumentar a proteção contra a carcinogênese mamária induzida pelo 7,2 dimetilbenza(a)antraceno.

O alho ainda possui importante ação antimicrobiana, inicialmente descrita por Pasteur. Em 1944 Cavallito e Bailey testaram a ação bactericida da alicina, com efeitos positivos na inibição do crescimento de várias bactérias, tanto gram positivas quanto gram negativas. Porém, com o desenvolvimento dos antibióticos durante a segunda guerra mundial, os estudos com este enfoque foram abandonados até recentemente, quando se renovou o interesse devido ao aparecimento de microorganismos resistentes aos antibióticos. Os estudo in vitro mostram que o alho age contra vírus, bactérias e fungo. Atualmente muitas pesquisas têm enfocado sua ação sobre o Helicobacter pylori. Embora os estudos in vitro tenham demonstrado a inibição do crescimento desta bactéria, a ingestão de alho cru não teve o mesmo resultado in vivo. O consumo de alho em quantidades superiores a um dente por dia pode inclusive causar sintomas de má digestão, contraditoriamente ao seu uso até a quantidade mencionada.

Modo de preparo de xarope fácil de alho, utilizado para combater a gripe:
Amasse alguns dentes, uns 3 ou 4 e coloque em uma vasilha de inox ou de porcelana, adicione cerca de 0,5 kg de mel, misture bem e deixe macerar por cerca de 20 dias. Após este período retire o alho amassado e guarde o mel que conterá praticamente todos os princípios ativos do alho. Use uma colher de sopa 4 a 5 vezes ao dia.
Ainda não há consenso quanto à recomendação de alho que deve ser consumida, mesmo porque sua recomendação depende da utilização terapêutica em questão. Apesar disso tanto o Ministério da Saúde do Canadá bem como a Comissão E da Agência Federal Alemã de Saúde (correspondente a FDA americana) sugerem que a ingestão de 4 g de alho cru ou 8 mg de óleos essenciais são suficientes para a prevenção de fatores de risco cardiovascular e a American Dietetic Association indica o consumo de 600-900 mg de alho/dia. Essas quantidades equivalem ao peso médio aproximado de 1 dente de alho cru.

Forma de utilização
A forma de utilização é fundamental para que haja a disponibilidade de fitoquímicos em concentrações suficientes para sua ação terapêutica. Seu maior complicador é o sabor característico intenso que é dificulta o seu consumo e é exalado inclusive pelo suor, em até 72 horas após o consumo. Até o presente momento foram identificados cerca de 30 ingredientes do alho com efeito terapêutico para a saúde. O tipo e a concentração dos compostos extraídos do alho dependem do seu grau de maturação, práticas de produção de cultivo, localização na planta, condições de processamento, armazenamento e manipulação. A maioria dos componentes sulfurados não está presente nas células intactas. Quando o alho é amassado, partido, cortado ou mastigado, vários de seus componentes sulfurados são liberados no interior da célula vegetal. A interação entre os vários compostos desencadeia reações em cadeia, gerando um conjunto de componentes. Isso justifica a necessidade de consumo imediatamente após o preparo, e sem que haja ação de calor ou qualquer outro tipo de tratamento térmico , o que diminui muito as concentrações dos fitoquímicos sulfurados em questão .

A biodisponibilidade também é um fator crítico já que algumas substâncias ativas são extremamente voláteis (ex: ajoene). Estudos investigando a ação do aquecimento sobre substâncias anticarcinogênicas do alho mostraram que o aquecimento por microondas por período de 60 segundos ou 45 minutos de forno pode bloquear a capacidade de ligação de metabólitos carcinogênicos mamários às células DNA epiteliais mamárias de ratos, in vivo. Os autores sugerem permitir que o alho amassado repouse por 10 minutos antes do aquecimento diminui as perdas.

Efeitos colaterais
O alho consumido cru pode produzir um mal estar gástrico para algumas pessoas, bem como cápsulas de óleo de alho. Pode apresentar dermatites de contato em pessoas alérgicas e que possam entrar em contato com o olho com muita intensidade. Alem disso as pessoas que consome o alho, principalmente na forma cru exalam odor forte, tanto no suor quanto no álito. Dezenas de estudos de toxicidade aguda, sub-aguda e crônica realizados por inúmeros pesquizadores com milhares de pessoas, demostraram que o alho é uma planta muito segura. Não recomenda-se o consumo do alho cru em casos de gastrite ou úlceras estomacais.

Conclusão
As evidências comprovam a eficácia terapêutica alho na prevenção das mais diversas patologias. Mais pesquisas, com rigor metodológico só corroborarão para determinar qual a melhor forma e dosagem necessárias de alho para a obtenção desses efeitos. Como seu espectro de uso é bastante amplo, a utilização de suplementos com concentração de alicina , aliina e ajoeno pré-determinadas deve ser analisada e somente validada com recomendação de profissional de saúde capacitado.
Vale ainda ressaltar que há a interação com drogas sintéticas e conseqüentemente potencialização de ação de algumas drogas. Além disso foram descritos alguns casos de dermatite de contato e asma alérgica após a ingestão do alho in natura e que se sugere a suspensão

6 comentários:

  1. Ana Carolina Pontes4 de abril de 2012 00:09

    O trabalho acima discorreu de uma forma completa sobre os fundamentos bromatológicos do Allium sativum L, mostrando seus principais componentes e a influência destes para os efeitos gerados no organismo. Vale ainda ressaltar que há a interação do alho com drogas sintéticas, e com isso potencializa-se a ação de algumas drogas. Foram descritos também alguns casos de dermatite de contato e asma alérgica após a ingestão do alho in natura e que se sugere a suspensão do uso de suplementos de alho para gestantes, mulheres em fase de amamentação, crianças abaixo de quatro anos e nos períodos pré e pós-cirúrgicos devido ao seu efeito antiplaquetário. Além disso, a breve dissertação teve como enfoque classificar o alho como alimento funcional. Importante também seria levar a discussão para o contexto das plantas medicinais e mostrar como a ANVISA, através de uma Resolução da Diretoria Colegiada, abriu as portas para o uso dessas plantas para fins terapêuticos.
    O Allium sativum L. mostra-se como uma das plantas medicinais mais eficazes entre as espécies que podem substituir os medicamentos sintéticos, sendo recomendado pela ANVISA e pela OMS. Com o objetivo de popularizar a prática do uso de plantas medicinais, a ANVISA através da RDC 10/10 busca esclarecer quando e como as drogas vegetais devem ser usadas para se alcançar efeitos benéficos. Considera ainda a necessidade de contribuir para a construção do marco regulatório para produção, distribuição e uso de plantas medicinais, particularmente sob a forma de drogas vegetais, a partir da experiência da sociedade civil nas suas diferentes formas de organização, de modo a garantir e promover a segurança, a eficácia e a qualidade no acesso a esses produtos. Com base nisso, a adoção desta RDC se faz de extrema importância, visto que ao mesmo tempo evita a utilização indiscriminada dessa planta medicinal, insere o Allium sativum L. como forma alternativa de tratamento e por fim, tenta garantir a qualidade do produto que será comercializado.

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  2. Como citado no trabalho, o alho é um alimento de grande importância em nossa alimentação, podendo ser usado tanto como condimento para melhorar o paladar da comida, como também como medicamento pois possui inúmeros efeitos (benéficos) sobre nosso organismo, porém possui um odor bem característico e desagradável o que dificulta a sua ingestão se for consumido puro e/ou cru.
    Foi feita uma pesquisa na qual descobriram uma forma de diluir o alho em água e obter um suco de alho, o qual se mostrou ser bem eficiente no combate a hipertensão, além de liberar propriedades químicas responsáveis por ativar o sistema imunológico, e se for utilizado junto com antibióticos ainda podem potencializar a cura.
    Embora alguns resultados ainda sejam conflitantes devido à falhas na metodologia, há indicativos de resultados positivos contra enfermidades. E criou-se um novo conceito no qual passou-se da ideia de nutriente para prevenir ou combater “deficiências nutricionais” para o conceito de nutrientes (e outros compostos bioativos) para “promoção da saúde” de forma que as pessoas devem se conscientizar da importância de consumir alimentos que contenham substâncias que ajudam na promoção da saúde, e com isso melhoram o estado nutricional.

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  3. O texto acima é muito interessante, pois fala do alho que é um componente que muito utilizado na alimentação da população.
    O texto fala sobre a utilização popular do alho e que este e estudado para analisar os componentes responsáveis por sua ação terapêutica e que após os estudos pode-se confirmar se a indicação popular está correta.
    São interessantes os estudos que relatam ação anticarcinogênica do alho e os estudos que relatam o aumento da atividade de células relacionadas ao sistema imunológico do paciente, além de sua ação antimicrobiana.
    Uma característica interessante do texto é o alerta de que podem ocorrer problemas com a utilização do alho, pois muitas pessoas acreditam que por ser um produto natural não irá causar nenhum dano à saúde, independente da forma de utilização.

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  4. Ingrid de Jesus Magdalena DRE11131864529 de março de 2015 16:20

    Embora outras classes de compostos bioativos estejam presentes no alho, a bioatividade do condimento tem sido atribuída principalmente aos compostos organosulfurados. A composição química dos organosulfurados presentes no
    alho é complexa é influenciada pelo tipo de processamento do mesmo, o que pode determinar os efeitos fisiológicos.

    É importante relatar que o alho cru possui um composto irritante chamado alicina A alicina pode agir como agente oxidante e impedir o crescimento bacteriano, mas também pode causar danos à mucosa intestinal e gástrica.

    O consumo excessivo de alho, especialmente com estômago vazio, pode causar desconforto abdominal, náuseas, diarréia,flatulência e mudanças na flora intestinal, ou ainda reações alérgicas ocasionais.

    Além disso, preparações de alho cru, contendo alicina, podem causar queimaduras
    químicas na pele, dermatite de contato e asma brônquica

    Mesmo se tratando de um "produto natural" o consumo do alho deve ser moderado pois como já diziam os mais sábios: tudo em excesso e ruim.

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  5. Gabriela B. Carballo6 de abril de 2015 15:36

    O texto acima mostra de forma abrangente, as várias utilidades do alho,
    os benefícios trazidos a saúde, e alguns usos que antes já eram feitos pela população,
    agora tendo sua ação comprovada cientificamente,porém, no que diz respeito ao uso do alho
    como anticancerígeno,devemos ter cuidado antes de afirmar que o mesmo realmente possui
    esta ação.O que mais se vê atualmente, são estudos que afirmam que determinada
    substância tem ação anticancerígena, porém deve-se levar em consideração a seriedade
    desses trabalhos, alguns estudos afirmam que tal substância tem esta ação,
    porém em nenhum momento mencionam qual seria a dose necessária de fato para que dentro do
    organismo se tenha uma ação antineoplásica efetiva,também não mencionam o nível de
    toxicidade destas substâncias e muito menos a farmacocinética da mesma.

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  6. DRE: 110083580
    Muito interessante como um alimento tão presente no nosso dia-a-dia apresenta uma extensa lista de benefícios e atividade terapêutica, muito bem citados no post.
    Porém é importante ressaltar a maneira correta que se deve utilizá-lo e consumi-lo. Qualquer tratamento térmico, pode diminuir as concentrações dos fitoquímicos sulfurados responsáveis pelas suas ações terapêuticas. Devendo-se portanto, consumir logo após o preparo. O consumo cru seria o mais ideal, porém bastante complicado devido ao odor característico que pode ser exalado pelo suor.
    Além disso, é preciso se atentar aos efeitos adversos que podem ocorrer com o consumo excessivo de alho cru, como por exemplo gastrites e dermatites de contato como já citados no post. Outra questão que merece especial atenção é sua atividade antiplaquetária, fazendo-se necessário um cuidado maior com o consumo excessivo em casos de procedimentos cirúrgicos.

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