Adoçante dietético líquido, Sucralose.
Descrição do Produto:
Será feita a análise do adoçante dietético líquido de sucralose da marca Linea, como produto representativo dos adoçantes não nutritivos. O produto é um líquido transparente. Seu preço está em torno de R$10,00 por 75mL.
Ele possuí quantidade desconsiveráveis de calorias e mesmo assim seu uso à longo prazo não tem demonstrado eficácia no processo de emagrecimento.
Fundamentos bromatológicos:
Ingredientes do produto: água, edulcorantes artificiais: sucralose e acesulfame de potássio, espessante carboximetilcelulose, conservante benzoato de sódio e acidulante ácido cítrico.
De acordo com a Informação nutricional, em uma porção de 3 gotas (0,2 mL) não há valores detectáveis de carboidratos, proteínas, gorduras, fibras ou sódio.
A sucralose é uma molécula sintética derivada da sacarose, porém ela não é pouco metabolizada (20 a 30%) pelo organismo humano, portanto não possui calorias.7 A sucralose é cerca de 320 a 1000 vezes mais doce que a sacarose.7 Além disso, é estável sob aquecimento e em diversas faixas de pH, o que permite sua utilização em diversos produtos processados, garantindo um maior tempo de prateleira.
O acesulfame de potássio também é um adoçante artificial cerca de 200 vezes mais doce que a sacarose e normalmente é usado em misturas como outros adoçantes, normalmente sucralose ou aspartame, com efeitos sinérgicos na potência da doçura. Assim como a sucralose, apresenta boa estabilidade sob aquecimento e em pHs moderadamente ácidos ou básicos. O Acesulfame de potássio é um dos adoçantes que pode ser usado por pacientes com diabetes do tipo 1 já que não afeta a glicemia, porém seu uso também está associado ao aumento de peso e um maior risco de desenvolvimento de diabetes do tipo 2.
Legislação:
De acordo com a Portaria nº 29, de 13 de janeiro de 1998 da ANVISA que regula os Alimentos para Fins Especiais, estes são definidos como: “São os alimentos especialmente formulados ou processados, nos quais se introduzem modificações no conteúdo de nutrientes, adequados à utilização em dietas, diferenciadas e ou opcionais, atendendo às necessidades de pessoas em condições metabólicas e fisiológicas específicas. ”
Dessa forma os adoçantes dietéticos se enquadram nas classificações:
· 2.2.1.a – Alimentos para dietas com restrição de carboidratos;
· 2.2.2.a Alimentos para controle de peso;
· 2.2.2.d Alimentos para dietas de ingestão controlada de açúcares;
· 2.2.3.f Alimentos para grupos populacionais específicos (Diabéticos).
Segundo as Características de Composição e Qualidade os Adoçantes Dietéticos são formulados para dietas com restrição de sacarose, frutose ou glicose, portanto essas moléculas não podem ser utilizadas na formulação desses produtos.
Para fins de registro, alimentos classificados no item 2.2.3.f devem apresentar comprovação técnico-científica da eficácia da adequação para a finalidade a que se propõem, acrescidos da proposta de Padrão de Identidade e Qualidade (PIQ), para que sejam avaliados pelo órgão competente, além da indicação da metodologia analítica utilizada pela empresa para dosagem do(s) componente(s) ligado(s) ao(s) atributo(s).
Além disso, o rótulo deve conter a orientação: "Consumir preferencialmente sob orientação nutricional ou médico".
Adicionalmente a Resolução RDC nº 18, de 24 de março de 2008 regula o uso e os limites máximos de aditivos edulcorantes em alimento. Nessa resolução estão descritos os alimentos e os limites máximos de diversos adoçantes, inclusive o acesulfame de potássio e a sucralose.
Discussão e Conclusão
A obesidade é um problema mundial de saúde pública que vem aumentando vertiginosamente nos últimos anos e está associada a problemas cardiovasculares e diabetes do tipo 2.¹ Diversas evidências mostram que o consumo crescente de açúcar está associado a essa epidemia.²,³ Dessa forma, o uso de adoçantes não nutritivos é uma alternativa aos adoçantes calóricos como forma de diminuir a ingesta calórica sem abrir mão do sabor adocicado, proporcionando assim o aumento do seu consumo.4
Paradoxalmente, cresce o número de evidências mostrando que seu uso não está associado à diminuição do índice de massa corporal e sim ao aumento de peso, circunferência abdominal, síndrome metabólica, diabetes do tipo 2 e eventos cardiovasculares à longo prazo.5,6 Os motivos que levam a esses resultados podem estar associados às características intrínsecas dessas moléculas ou então à falta de controle dietário proporcionada pela sensação de consumo reduzido de calorias.
Apesar de apresentar perfis de eficácia e segurança aceitáveis a curto prazo, o uso desses adoçantes em diversos produtos faz com que uma grande parcela da população os consuma sem orientação ou controle. Isso gera um risco considerável visto que seus efeitos a longo prazo ainda não estão bem estabelecidos.
De qualquer forma, em termos legislativos esses produtos estão dentro dos padrões estabelecidos.
REFERÊNCIAS:
1. Ng M, Fleming T, Robinson M, et al . Global, regional, and national prevalence of overweight and obesity in children and adults during 1980–2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet 2014;384:766–81.
2. Johnson RK, Appel LJ, Brands M, et al. Dietary sugars intake and cardiovascular health: a scientific statement from the American Heart Association.Circulation 2009;120:1011–20.
3. Siervo M, Montagnese C, Mathers JC, et al. Sugar consumption and global prevalence of obesity and hypertension: an ecological analysis. Public Health Nutr2014;17:587–96.
4. Sylvetsky AC, Rother KI. Trends in the consumption of low-calorie sweeteners.Physiol Behav 2016;164(Pt B):446–50.
5. Azad MB, et al. Nonnutritive sweeteners and cardiometabolic health: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials and prospective cohort studies. CMAJ. 2017; 189(28):E929-E939. doi: 10.1503/cmaj.161390
6. Swithers SE. Artificial sweeteners produce the counterintuitive effect of inducing metabolic derangements. Trends Endocrinol Metab 2013;24:431–41.
8. Dewinter, Louise; Casteels, Kristina; Corthouts, Karen; Van de Kerckhove, Kristel; Van der Vaerent, Katrien; Vanmeerbeeck, Kelly; Matthys, Christophe. Dietary intake of non-nutritive sweeteners in type 1 diabetes mellitus children Food additives contaminants. Part A.Chemistry, analysis, control, exposure risk assessment, 2015, 33, 1, 1-8, Taylor Francis, ENGLAND