Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Chocolate diet para pacientes com diabetes, um alimento indicado?




O chocolate é um dos doces mais consumidos no mundo. Sendo o brasileiro o quarto maior consumidor mundial dessa iguaria. Seu consumo, além de satisfazer ao paladar, alivia a ansiedade, melhora o humor, alivia dores e causam a famosa sensação de bem-estar, pelo aumento de endorfinas e dopamina endógenas.

O termo diet está muitas vezes associado a produtos para emagrecer. O que não é necessariamente verdade. Diet caracteriza alimentos que têm formulação especial para atender pessoas que tenham algum tipo de distúrbio físico ou metabólico, como diabéticos, sem a necessidade de que o produto seja menos calórico. O chocolate Diet é um exemplo desses alimentos. Mas será seu consumo é indicado? Para responder a essa pergunta temos que analisar o perfil de paciente que possui essa doença e o que contém nesse alimento tão queridos por todos.


INTRODUÇÃO

Estudos feitos recentemente apontam grande dificuldade de pacientes com diabetes melitos no controle da doença. Entre as dificuldades mais relatas estão as de rejeição e negação da condição de doente, sofrimento e revolta devido às restrições impostas pela alimentação, atividade física e medicamento. Além da abordagem nutricional, esse estudo levou em consideração os aspectos sociais, emocionais e culturais dos pacientes.

Pacientes que apresentam diabetes melitos, especialmente os do tipo 2, não são acometidos somente por essa doença, sendo seu aparecimento associada ao sobrepeso, hipertensão, cardiopatias, e principalmente dislipidemias. Logo a restrição nutricional do açúcar vem associada com uma série de recomendação que vai desde a prática de exercícios físicos, até uma dieta saudável e equilibrada.

Os produtos diet entraram no mercado como uma solução para as restrições alimentícias dessas pessoas. Contudo, a retirada do açúcar nesses produtos leva a uma adição de gorduras, geralmente saturadas. Levando a crer que seu consumo pode levar ao sobrepeso e aumento de triglicerídios, se não consumido de forma moderada.


FUNDAMENTOS BROMATOLÓGICOS

De acordo com a lei n° 6.360, de 23 de setembro de 1976, em seu artigo 3°, define produtos dietéticos como “produtos tecnicamente elaborados para atender às necessidades dietéticas de pessoas em condições fisiológicas especiais;”. Porém de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) o termo diet pode ser usado em dois tipos de alimentos: 1) Nos alimentos para dietas com restrição de nutrientes (carboidratos, gorduras, proteínas, sódio); ou 2) Nos alimentos para dietas com ingestão controlada de alimentos (para controle de peso ou de açúcares).

Essa divergência na própria legislação nos leva a crer que o registro de produtos com essa denominação, pode levar a erros e a dupla interpretação, tanto pelos órgãos competentes quanto pelos consumidores. A tendência da busca por uma vida saudável vista com mais intensidade nos últimos anos, fazem com que indústrias de alimentos distorçam a ideias de diet, aumentando o consumo de seus produtos.

Além disso, a rotulagem dos produtos diets regulamentadas pelo decreto nº 4680, de 24 de abril de 2003, quer regulamenta o direito à informação, assegurado pela Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), asseguram as informações necessárias que devem conter sobre os alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano.


DISCUSSÃO

É importante esclarecer que a denominação "Diet" não é, obrigatoriamente, referente a um produto para diabético. Logo pessoas em tal condição devem ficar atentas aos rótulos e verificar sempre as informações nutricionais contidas. E que, além disso, determinados produtos como o chocolate Diet, podem apresentam certa quantidade de açúcar provenientes da matéria-prima.

Considerando isso, tomamos como exemplo o Chocolate Alpino® e analisamos seus rótulos, o do comercializado como natural e outro como diet. A análise nos mostra que apesar da quantidade diminuída de açúcar, de 13 gramas no chocolate normal, para os 3,5 gramas (provenientes da matéria prima usada), Outras diminuições importantes não são vista. Como é o caso das gorduras totais, que passam de 0,7 gramas no chocolate normal, para os incríveis 9,9 gramas no diet. Os carboidratos, elemento bem controlados na dieta de pessoas diabéticas também se encontram maiores no produto destinado a estes.





CONCLUSÃO

Considerando que a dieta do diabético é um dos fatores fundamentais para manter os níveis glicêmicos dentro de limites desejáveis, o planejamento alimentar deve ser cuidadosamente elaborado. O uso de alimentos diets é uma opção para uma dieta equilibrada tendo sempre como resalva as informações nutricionais contidas nesses alimentos.

O diabético deve ter o conhecimento que mesmo que as embalagens dos produtos estejam escritos diet, eles podem estar classificados na legislação como tendo algum tipo de restrição de nutrientes, que pode não ser necessariamente o açúcar. Outra observação a ser feita é que alguns produtos, como o chocolate Alpino® Diet, reduzem o açúcar de seus produtos, porém para manter a consistência e sabor, adicionam uma quantidade grande de gordura saturada. A gordura saturada está intimamente relacionada ao sobrepeso e a dislipidemia, comorbidades são geralmente associadas ao diabetes.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Anelena Soccal Seyffarth, Laurenice Pereira Lima, Margarida Cardoso Leite; Abordagem nutricional em diabetes mellitus, Brasília : Ministério da Saúde, 2000. 155 p. ISBN: 85-334-0227-9

CAMPOS, A.M.; CÂNDIDO, L.M.B. Alimentos para fins especiais: dietéticos. São Paulo: Varela, 1996.

BANTLE, John P. Recomendações atuais a respeito do tratamento dietético do diabete mellitus. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, v. 39, n. 3/4, set./dez. 1995, p. 141-6.

Denise Siqueira Péres; Manoel Antônio dos Santos; Maria Lúcia Zanetti; Antônio Augusto Ferronato, Dificuldades dos pacientes diabéticos para o controle da doença: Sentimentos e comportamentos; Rev Latino-am Enfermagem 2007 novembro-dezembro; 15(6).

Carvalho, P.V.; Cornélio, A.R Produtos light e diet: o direito de informação ao consumidor; acessado em: http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2212





Trabalho realizado por: Ana Carolina Bringel e Paloma Alves

7 comentários:

  1. Isabelle Batista dos Santos - 7o Período de Farmácia26 de outubro de 2014 15:05

    O termo diet só deve ser aplicado a alimentos destinados a dietas com restrição de nutrientes, como carboidrato, gordura, proteína ou sódio. Através de inúmeras propagandas a respeito dos alimentos diets, este tipo de produto tem se difundido pela sociedade como um aliado na dieta e na perda de peso. Uma simples busca no Google nos leva a vários sites indicando que você pode perder peso consumindo o chocolate diet. Porém, o que ninguém se atenta é ao fato de que, apesar da redução de açúcar, a quantidade de gorduras adicionadas acaba sendo maior ou equivalente para manter o gosto atraente. Logo, a quantidade de calorias do chocolate diet pode ser igual ou maior do que o chocolate normal, não servindo ao propósito de perda de peso e podendo ser nocivo ao paciente com diabetes, que geralmente possui um quadro de hiperlipidemia, hipertensão, podendo ser agravado com o consumo deste tipo de produto.

    ResponderExcluir
  2. Thais Lopes Alberto Vasconcellos - DRE 11102670131 de outubro de 2014 11:13

    Ao ler essa reportagem, muito me preocupou sobre a falta de legislação adequada, quer dizer, a falta de legislação com regras em comum. Além disso, também me atentei sobre as propagandas em torno desses produtos, que na grande maioria das vezes, é visto pelos clientes como alternativas menos calóricas as suas dietas. Mas não é só desse problema que estamos falando, certo? Eles também costumam ser indicados a pacientes diabéticos e aí, a coisa se torna ainda pior.

    Por exemplo, como foi dito no texto, muitas vezes esses alimentos recebem acréscimos de gordura, o que indiretamente se torna prejudicial aos diabéticos, pois geralmente são acometidos por outras doenças como a hipercolesterolemia, dislipidemias e doenças cardiovasculares.

    Sendo assim, parece-me de extrema importância que seja cobrado da ANVISA e do Ministério da Saúde uma posição definitiva sobre esses alimentos. Onde ou apenas serão comercializados de fato aqueles que são restritos em calorias e componentes ou conterão em suas embalagens informações que discriminem o real conteúdo do produto, expressando sua não restrição calórica, e sejam tão chamativas quanto a palavra “Diet” no rótulo.

    ResponderExcluir
  3. Os alimentos diet são indicados para pessoas que tenham restrição no consumo de algum ingrediente, como açúcar, gorduras, carboidratos, sódio e lactose. Mas nem todos os produtos diet contêm poucas calorias, alguns produtos para diabéticos (apesar da quantidade reduzida de açúcar) possuem uma maior quantidade de gordura, como diz no texto, para poder manter a textura e o sabor de um produto normal. Porém, em se tratando de diabetes tipo 2, sobrepeso, hipertensão, dislipidemia e outras condições que acompanham esse tipo de paciente, a maior quantidade de gordura no alimento pode agravar o quadro. Portanto, o ideal é que pacientes com diabetes (seja ela tipo 1, tipo 2 ou insipidus) sejam orientados em sua alimentação por profissionais capacitados para tal e, o mais importante, que sigam as orientações. Uma vez que é bastante recorrente ver pacientes diabéticos que não se importam com suas condições de saúde e, dessa forma, sofrem as duras consequências.

    ResponderExcluir
  4. Como foi possível verificar no trabalho, os alimentos diet nem sempre são a melhor escolha para diabéticos, ainda que esses alimentos apresentem menor teor de açúcar ou até mesmo 0% (como algumas marcas de chocolate afirmam nas embalagens), já que o teor de gordura neles presente pode ser excessivamente elevada, provocando o surgimento de outras doenças metabólicas, dessa vez ligadas às síndromes dislipidêmicas e aumento de triglicerídeos livre. No entanto, uma observação que precisa estar também evidenciada nesse contexto é que os diabéticos, devido a sua condição fisiológica diferenciada, precisam contar com uma alimentação saudável que evite os alimentos como chocolates e refrigerantes, mesmo que sejam diet, porque esses alimentos já são prejudiciais para indivíduos não diabéticos, portanto de modo algum deveriam ser parte da dieta de portadores de diabetes tipo I e muito menos do tipo II, que estaria associada inicialmente a uma condição de obesidade gerado pelo consumo excessivo de substâncias ricas em lipídeos e inflamação recorrente do tecido adiposo, levando a uma resistência insulínica agravada e sucessiva diabetes mellitus do tipo II. Um modo de prevenir que indivíduos diabéticos fiquem expostos à deterioração progressiva de sua capacidade de metabolizar os nutrientes ingeridos é optar por alimentos mais saudáveis, como grãos de chia, aveia, carnes brancas como salmão, amêndoas, leguminosas, dentre outros, e não optar por industrializados dietéticos, sempre que possível.

    ResponderExcluir
  5. Luciana Laversveiler23 de abril de 2016 19:56

    A dislipidemia e a diabetes mellitus do tipo 2 estão diretamente relacionadas. O aumento de triglicerídeos na circulação reduz ainda mais a sensibilidade dos tecidos à insulina, agravando a quadro de diabetes. Além disso, a própria resistência a insulina e a obesidade, presente em pacientes de diabetes mellitus do tipo 2, interferem no metabolismo de lipídeos, podendo aumentar a presença destes na circulação e agravar o quadro de dislipidemia. Dessa forma, alimentos Diet que utilizam de um aumento de lipídeos para manutenção do sabor podem ser nocivos para este tipo de pacientes.

    Uma sugestão interessante para este tipo de produto seria a utilização de um substituto de gordura. Este substituto deve apresentar as propriedades funcionais e organolépticas de gorduras, produzindo menos energia ao organismo ao ser ingerido. Atualmente não há no mercado nenhum substituto ideal, mas existem uma série de compostos com algumas desta propriedades que na correta combinação e proporção irão produzir o resultado desejado.

    A Legislação que coordena os produtos Diet no Brasil é muito antiga, defasada e deixa muitas brechas. A utilização do termo Diet apresenta uma ambiguidade, podendo ser utilizado tanto para alimentos de dietas com restrição de nutrientes (carboidratos, gorduras, proteínas, sódio), quanto para alimentos de dietas com ingestão controlada de alimentos (para controle de peso ou de açúcares). Assim, estes produtos acabam por confundir o consumidor, que muitas vezes acredita que estes produtos são alimentos de baixa caloria. Esse conceito necessita ser desfeito e uma ideia interessante seria a criação de um novo termo para estes alimentos utilizados para dietas de controle de peso.

    Outro assunto extremamente importante a ser abordado para este tipo de produto é a existência de problemas na rotulagem. Em muitos destes alimentos faltam informações a respeito dos edulcorantes e adoçantes utilizados e também a respeito da quantidade de mono e dissacarídeos presentes nos alimentos. Estes mono e dissacarídeos que diferem da glicose e sacarose, como a lactose, também são metabolizados e podem contribuir para o aumento da glicemia.

    Erros na rotulagem destes produtos destinados a diabéticos são extremamente danosos ao consumidor, pois eles já apresentam uma disfunção metabólica e a presença de açúcares e lipídeos numa quantidade acima do descrito no rótulo pode levar a um agravamento da doença.

    ResponderExcluir
  6. ISIS VILAS BOAS

    Como discutido no artigo, a diabetes tipo 2 é comumente relacionada a outras patologias, o que dificulta o controle glicêmico
    do paciente. A dieta desse paciente deve ser rigorosamente planejada e seguida, de acordo com as informações nutricionais
    de cada alimento. Dessa forma, caso permitido pelo médico e orientado pelo farmacêutico, o paciente pode ingerir, por exemplo,
    chocolate diet citado como exemplo, desde que isso não ultrapasse os valores máximos permitidos para o mesmo. A solução
    para problemas relacionados à mensagem "saudável" que o alimento possa passar não é a restrição do alimento (nesse caso), mas sim
    informação sobre como se deve interpretar uma tabela nutricional e como se deve fazer uma escolha correta dos alimentos,
    permitindo qualidade de vida e saúde.
    Deve-se salientar que o consumo inadequado de alimentos com altos índices de gorduras oferecem riscos à toda a população,
    incluindo a diabetes e suas comorbidades. Especialmente estes pacientes, é necessária atenção para que riscos como amputação
    de membros inferiores e riscos cardiovasculares sejam evitados a fim de melhorar a sobrevida do paciente.

    ResponderExcluir
  7. A diabetes é uma doença metabólica em que uma alimentação controlada é essencial para o controle da doença. Como foi dito no trabalho, o chocolate diet possui o teor de açúcar reduzido porém possui um alto teor de gordura. Devido a esse fato, o paciente com diabetes que desejar ingerir esse alimento, deve ingerir uma quantidade muito reduzida, tentando equilibrar sua alimentação, reduzindo a ingestão de gordura em outros alimentos, para compensar a grande quantidade de gordura presente no chocolate diet, promovendo um equilíbrio na sua alimentação. O diabético poderia inclusive optar pelo chocolate com alto teor de cacau , com 70% de cacau a mais. Esse tipo de chocolate possui menor açúcar que o chocolate ao leite e não possui tanta gordura como o chocolate diet, podendo ser uma boa opção para o diabético, desde que consumido com bastante moderação. Em relação aos erros de rotulagem descritos no trabalho, é necessária uma grande atenção do paciente diabético, assim como um maior rigor na fiscalização da rotulagem desses produtos, que representa um grande risco para esses pacientes. Devido a todos esses fatos o consumo de chocolate diet pelo paciente diabético ainda é um assunto que precisa ser mais estudado e discutido.

    ResponderExcluir