Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 16 de junho de 2018

O sal Light é uma boa opção para hipertensos?






Conhecido como vilão da hipertensão, o sódio presente no sal de cozinha faz parte da alimentação da população mundial e é um nutriente necessário pois exerce funções importantes na saúde como por exemplo: manutenção do volume plasmático e equilíbrio ácido-base, por esse motivo não deve ser excluído da alimentação diária, porém deve ser consumido moderadamente. O sal light por apresentar 50% menos sódio seria então uma opção mais saudável?

Apresentação
Embora esteja relacionada ao sedentarismo, ao histórico familiar, e outras particularidades, a hipertensão ainda tem forte relação com um fator controlável: a ingestão de sal.
A Organização Mundial da Saúde, preconiza que a ingestão de sódio para adultos deve ser de 2 gramas por dia (ou seja, 5g de sal por dia visto que 1 grama de sal refinado tem aproximadamente 400mg de sódio). Entretanto alguns estudos populacionais realizados no Brasil, mostram que o consumo atual é de aproximadamente 12 gramas por dia o que está relacionado ao aumento das doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, doenças renais entre outras.
Afim de diminuir o consumo de sódio, existem disponíveis vários tipos de sais com diferentes minerais, cores, textura e teores em sua composição como é o caso do sal light que apresenta uma textura semelhante mas na verdade é uma mistura de cloreto de sódio e cloreto de potássio.

Descrição do produto



 De acordo com a tabela nutricional, o sal light embora tenha em 50% de sua composição cloreto de sódio, os outros 50% são de cloreto de potássio, e como o primeiro é retentor de líquidos e o segundo diurético, o corpo vai depender de um equilíbrio hídrico, e portanto ingerindo os dois juntos o organismo não retém tanta água e não aumentaria tanto a pressão arterial.
A porcentagem de iodo é idêntico nos dois produtos uma vez que em atendimento à Política Nacional de Alimentação e Nutrição, o sal foi o alimento selecionado pelo Ministério da Saúde para suplementar iodo à população, além disso, o iodo não afeta a aparência nem sabor e as técnicas de iodação são simples e de baixo custo.

Fundamentos bromatológicos
Os sais formados pelos metais alcalinos podem ser facilmente dissolvidos em água como é o caso do cloreto de sódio que é o sal branco utilizado para cozinhar.
Ele apresenta-se sob a forma de cristais brancos, com granulação uniforme, é inodoro e tem sabor salino-salgado próprio. Sua produção a partir do sal marinho envolvem várias etapas de lavagem e clareamento.
Durante a produção são eliminados magnésio, cálcio e o iodo natural, que depois vai ser novamente acrescentado artificialmente na forma de iodeto de potássio,e por oxidar rapidamente quando exposto à luz, é adicionado também um estabilizante, no caso a dextrose e quando combinados vão produzir uma coloração roxa. A produção então segue para uma etapa de clareamento onde adiciona-se carbonato de sódio para deixar o sal branco e depois é feito o processo de lavagem para eliminar outros componentes.
Uma das estratégias atuais voltadas à redução do consumo de sódio é substituir o sal comum pelo sal de potássio (KCl). O potássio é descrito na literatura pelo efeito anti-hipertensivo porque induz uma maior perda de água e sódio e por possuir propriedades físicas semelhantes às do NaCl, com 80% da capacidade de salgar.
Legislação
A portaria n°54 de 4 de julho de 1995 do Ministério da Saúde além de normatizar o uso de Sal Hipossódico, tem por objetivo fixar a identidade e as características mínimas de qualidade, a que deverão obedecer esses sais.
Por definição os sais hipossódicos são os produtos elaborados a partir da mistura de cloreto de sódio com outros sais, de modo que a mistura final mantenha poder salgante semelhante ao do sal de mesa e tenha no máximo ou 50% de teor de sódio (caso do sal light) ou 20% de teor de sódio (sal para dieta com restrição de sódio).

Discussão e Conclusão
Basicamente, um excesso de sódio na corrente sanguínea provoca um estímulo para aumentar da quantidade de água dentro dos vasos sanguíneo e com isso por ter um maior volume de sangue fluindo através desses vasos a pressão arterial aumenta, e com o aumento crônico da pressão arterial podem ocorrer lesões nas paredes dos vasos sanguíneos, principalmente nos de pequeno calibre.O sal light é uma alternativa ao sal de cozinha comum mas deve ser consumido com orientação médica ou de nutricionista pois, apesar de conter menos sódio por grama de sal, e possuir potássio, que é um mineral que parece ter efeito protetor contra a hipertensão, ele não é indicado para pacientes com insuficiência renal pois que quem controla as concentrações de potássio no sangue são os rins, logo se for ingerido mais potássio que o necessário, o excesso é eliminado na urina, porém pacientes com insuficiência renal, não conseguem controlar o potássio sanguíneo de forma eficaz portanto  podem acabam desenvolvendo hipercalemia o que pode causar graves arritmias cardíacas. Portanto a própria a insuficiência renal também pode levar à hipertensão e nesse caso é preciso cautela no fornecimento de minerais, inclusive o potássio.
Referências bibliográficas

1-  Sociedade Brasileira de Hipertensão.

http://www.sbh.org.br/geral/atualidades-teor-de-sodio-na-alimentacao.asp

 Acesso em 07/06/2018

2 -  Sociedade Brasileira de Cardiologia

http://prevencao.cardiol.br/fatores-de-risco/hipertensao.asp

Acesso em 07/06/2018

3 - Sal CISNE. Produtos

http://www.salcisne.com.br/produtos.php

 Acesso em 07/06/2018

4 – BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n.54, de 4 de julho de 1995.

Regulamenta e normatizar o uso de "Sal Hipossódico", isento na categoria de alimentos para fins especiais. DOU 05 jul. 1995

Acesso em 15/06/2018


3 comentários:

  1. O presente trabalho descreve os benefícios do uso do sal light como uma alternativa ao sal de cozinha comum. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), existem atualmente cerca de 17 milhões de hipertensos no Brasil [1]. Pensando neste tipo de consumidor, a indústria criou o sal light com 50 % menos sódio, e os outros 50 % são compostos de cloreto de potássio. Algumas classes de fármacos anti-hipertensivos têm como característica a reabsorção de potássio. Se o indivíduo for hipertenso e utilizar o sal light em excesso, pode aumentar as reservas de potássio no sangue causando um quadro de hipercalemia, condição que pode gerar efeitos drásticos a saúde como aumento dos batimentos cardíacos, tremores e tontura. Ademais, a autora ressalta que a utilização por pacientes com insuficiência renal só é recomendada com orientação médica ou de nutricionista.
    Outras informações de salgante alimentar a base de cloreto de potássio podem ser encontradas em http://bromatopesquisas-ufrj.blogspot.com/2018/06/zerosodio-salgante-alimentar-sem-sodio.html#more


    Referências:
    [1] Portal da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Disponível em: . Acesso em: 16-06-2018.


    Christian Ferreira
    DRE 113091281

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  2. Foi realizada uma pesquisa em pacientes internados em um hospital público de Goiânia para avaliar a aceitação da dieta hipossódica com sal light. O estudo foi realizado com 81 pacientes internados a mais de 24 horas, maiores de 18 anos, de ambos os sexos com prescrição de dieta hipossódica de consistência normal ou branda. A quantidade total de sódio oferecida na dieta foi de 1450 mg por dia. Como resultado da pesquisa, concluiu-se que a aceitação da dieta hipossódica com utilização do sal light foi insatisfatória, tendo a característica "tempero" da dieta sido avaliada negativamente pela maioria dos pacientes. Portanto, por mais benéfico que seja a utilização do cloreto de potássio para reduzir a quantidade de cloreto de sódio na composição do sal, os indivíduos têm que aceitar a troca do sal tradicional pelo sal light. Sendo assim, cabe ao nutricionista utilizar técnicas dietéticas adequadas para aumentar a adesão dos pacientes e cabe aos pacientes a consciência de valorizar a saúde sobre o sabor da comida.

    Referências:
    FILIPINI, K. et cols. Aceitação da dieta hipossódica com sal de cloreto de potássio (sal light) em pacientes internados em um hospital público. Revista de Atenção à Saúde. Goiás, v.12, n.41, 2014.

    Ana Carolina Almeida e Silva
    DRE: 114064368

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  3. O cloreto de sódio faz parte da alimentação da população e deve se consumido de acordo com a quantidade recomendada por dia. O sódio presente no sal é necessário para a manutenção do volume no plasma, equilíbrio ácido-base, para a transmissão de impulsos nervosos e funcionamento das células. Por esse motivo não deve ser excluído da alimentação diária, porém deve ser consumido com moderação. Para diminuir as doenças crônicas, o Ministério da Saúde e a Associação das Indústrias da Alimentação firmaram um compromisso para reduzir a quantidade de sódio nos alimentos industrializados. Uma opção é o sal light: possui teor reduzido de sódio (50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio). Embora os dois possam ser chamados de sal, eles afetam o organismo de formas diferentes. Enquanto o potássio regula a retenção de líquidos dentro das células, o sódio age fora das células. Embora seja recomendado a pessoas com hipertensão, o sal light não é indicado para pessoas com problemas renais. É indicado para pessoas que tem restrição ao consumo de sódio. Porém, as pessoas com doenças renais não devem consumi-lo, pois como esse tipo de sal possui mais potássio, o aumento desse mineral no organismo, pode acarretar complicações cardiovasculares.
    Sociedade Brasileira de Diabetes. Tipos de sal e suas diferenças. Disponível em:http://www.diabetes.org.br/publico/noticias-nutricao/1313-tipos-de-sal-e-suas-diferencas. Acesso: 20 de junho de 2018.
    Pró Renal Brasil. Consumo de Sal. Disponível em: http://www.pro-renal.org.br/quem1.php. Acesso: 20 de junho de 2018.

    Beatriz Hecht Ortiz
    DRE 114160384

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