Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 16 de junho de 2018

Substituir a versão tradicional de refrigerantes pela versão zero açúcar é uma boa escolha?

Imagem 1 - Refrigerantes zero e tradicional
 Refrigerante é uma bebida consumida por grande parte da população mundial e de todas as idades, na busca de não perder público e muito menos espaço para outras bebidas. Atualmente percebe-se o aumento na frequência de consumo dos alimentos considerados marcadores negativos da dieta, tais como doces, refrigerantes, pizzas e salgados fritos e assados, tende a crescer sendo mais consumidos pelos residentes em áreas urbanas. Os fabricantes trouxeram a ideia de bebidas zero açúcar na tentativa de se mostrarem mais saudáveis aos olhos da população. Mas será que substituir o açúcar por adoçantes realmente torna a bebida mais saudável? É realmente benéfico substituir de bebidas tradicionais por bebidas zero açúcar?




Descrição do produto

Imagem 2 - Refrigerantes nos sabores cola e guaraná
 Compreende-se por bebida todo produto industrializado, em estado líquido, destinado a ingestão humana, sem fins medicinais. A bebida é originada de uma fruta fresca e madura, ou parte de um vegetal escolhido, não é concentrada ou fermentada, nem diluída por meio de um processo tecnológico. Portanto, a bebida gaseificada é obtida pela dissolução de um suco ou extrato vegetal acrescida de açucares (FISBERG; AMÂNCIO; LOTTENBERG, 2002). O Art. 45 do Decreto nº 2.314 de 1997, define refrigerante como uma “bebida gaseificada, obtida pela dissolução, em água potável, de suco ou extrato vegetal de sua origem, adicionada de açúcares” (BRASIL, 1997a)


Fundamentos bromatológicos
Imagem 3 - Tabela nutricional Coca-Cola Zero
Imagem 4 - Tabela nutricional Coca-Cola
 São bebidas altamente consumidas mundialmente. Os termos ligth e zero (estabelecidos pela Portaria SVS/MS 27/1998) são uma informação nutricional complementar. A informação nutricional complementar é qualquer representação que afirme, sugira ou implique que um alimento possui uma ou mais propriedades nutricionais particulares, relativas ao seu valor energético e o seu conteúdo de proteínas, gorduras, carboidratos, fibras alimentares, vitaminas e ou minerais. É de caráter opcional e deve cumprir com os requisitos e atributos estabelecidos pela Portaria.

Essa tabela nos mostra cada valor na composição nutricional de um alimento é importante a sua maneira, mas nem sempre todos são observados em igualdade pelo consumidor que, normalmente, observa inicialmente o valor energético.  O que indica a grande preocupação com o ganho de peso. Entretanto, essa não pode ser a única preocupação quando se fala em alimentos. Não se pode ignorar os demais valores, como sódio e gorduras, por possuírem uma significativa importância para a saúde.
Observando inicialmente os rótulos das versões tradicional e zero pode-se observar que apesar da ausência de açúcar percebe-se o aumento de, aproximadamente, 180% de sódio com relação a tradicional. O aumento do consumo de sódio pode implicar em graves alterações de saúde como doenças associadas ao sistema cardiovascular.
Atualmente as bebidas zero são adoçadas por meio de adoçantes sintéticos como aspartame, ciclamato de sódio e acessulfame de potássio que quando consumidos em excesso podem causar  alguns danos à saúde. Além de abrir o apetite por doces e causar uma compulsão por carboidratos, alguns adoçantes podem alterar a pressão de hipertensos, favorecer o acúmulo de toxinas no fígado e causar dor de cabeça e alterações de humor. 
Não há referência científica referindo-se a quantidade máxima de refrigerante que se deve ingerir diariamente. Valores médios de consumo são muito variáveis devido às diferentes faixas etárias de consumidores.

Legislação
As legislações que devem ser observadas pra esses produtos são: 
Art. 45 do Decreto nº 2.314 de 1997 que define que tipo de bebida é considerado Refrigerante;
Portaria SVS/MS 27/1998 define os termos zero e Light com uma informação nutricional complementar;
Portaria SVS/MS 29/1998) são aqueles destinados a dietas com restrição de nutrientes (carboidratos; gorduras; proteínas; sódio), alimentos para controle de peso e alimentos para dietas de ingestão controlada de açúcares;
Resolução RDC nº 259/02 as informações constantes dos dizeres de rotulagem dos produtos não podem induzir o consumidor a engano ou erro quanto à característica do produto.
Todos os alimentos (dispensados - light ou não da obrigatoriedade de registro - diet) ainda devem cumprir com o disposto:
- Decreto-Lei nº 986/69 quanto às normas gerais dos alimentos;
- Resolução RDC nº 259/02 quanto às informações obrigatórias a constar na rotulagem;
- Resoluções RDC nº 359/03 e 360/03 quanto às informações nutricionais obrigatórias a constar na rotulagem,
Observando as embalagens dos produtos comparados nesse trabalho, percebemos que seus rótulos estão de acordo com a regulamentação vigente.

Conclusão
Não podemos afirmar que tantos a versão tradicional ou zero são, de fato, saudáveis. Entretanto, estão surgindo algumas teorias que indicam que o adoçante pode ter o efeito contrário ao prometido, isto é, engordar ao invés de emagrecer por um mecanismo intuitivo compensatório onde a pessoa acredita que por ter ingerido uma bebida menos calórica pode abusar de outros alimentos.
Ainda podemos observar como a rotulagem de produtos é falha no sentido de informar a população quanto as nutrientes presentes em determinados produtos. Visto que, o grande aumento de sódio e excesso de adoçantes sintéticos não é notado pela maior parte das pessoas que consomem o produto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece uma forte recomendação na redução de ingestão de sódio com intuito de diminuir os riscos a saúde. Para adultos a recomendação é de ingestão de menos de 2g de sódio por dia (5 g / dia de sal). O nível máximo recomendado de 2 g/dia de sódio em adultos deve ser ajustado para baixo com base nas necessidades energéticas das crianças em relação às dos adultos.
 O que pode ser um perigo para o consumidor que acredita estar se beneficiando por indução do marketing utilizado pelos fabricantes que faz uso da ideia de ausência de açúcar com um produto extremamente saudável associado a facilidade em encontrar tais produtos e no baixo custo dos mesmo. Portanto, faz-se muito necessário uma nova forma de informação quanto aos nutrientes presentes nos alimentos processados. Assim consumidores leigos não serão ludibriados por propagandas de qualidade e possam aproveitar melhor de conhecimentos para utiliza-los na busca por uma melhor qualidade e estilo de vida.

 Bibliografia:
Dossiê técnico – Fabricação de Refrigerantes. Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas. Rio de Janeiro. Outubro, 2012.  Disponível em: <http://www.respostatecnica.org.br/dossie-tecnico/downloadsDT/Mjc2NTQ=> Acesso em: 14 jun. 2018.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Informe Técnico nº 69/2015. Teor de sódio dos alimentos processados. Brasília: Anvisa; 2015. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/388729/Informe+T%C3%A9cnico+n%C2%BA+69+de+2015/85d1d8f0-5761-4195-9aee-e992abd29b3e> Acesso em: 07 jun. 2018.

Sarno, Flavioet al. Estimativa de consumo de sódio pela população brasileira, 2008-2009. Revista de Saúde Pública [online]. 2013, v. 47, n. 03, pp. 571-578. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0034-8910.2013047004418> Acesso em: 07 jun. 2018.

ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Portaria nº 27, de 13 de janeiro de 1998. Disponível em <http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/394219/PORTARIA_27_1998.pdf/72db7422-ee47-4527-9071-859f1f7a5f29> Acesso em: 14 jun. 2018.

ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Portaria nº 29, de 13 de janeiro de 1998. Disponível em <http://portal.anvisa.gov.br/documents/33864/284972/portaria_29.pdf/6caf1f67-2bdb-4d87-8ef1-977829c6c820> Acesso em: 14 jun. 2018.

ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Decreto-Lei nº 986/69 (http://www.anvisa.gov.br/legis/decreto_lei/986_69.htmAcesso em: 14 jun. 2018.

ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 259/02 (http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/259_02rdc.htmAcesso em: 14 jun. 2018.





2 comentários:

  1. Muitas marcas de produtos bastante conhecidas utilizam desse artifício para alcançar um grupo diferente de pessoas: aquelas que procuram uma alimentação mais saudável. Zero açúcar e zero calorias não significa zero sódio e zero aditivos, que são as substâncias que acabam tendo uma maior quantidade nesses produtos. Tal produto pode não engordar os consumidores, mas também não traz consigo benefícios a saúde, pelo contrário, a maior quantidade de sal leva a maiores riscos de desenvolver condições como hipertensão e sobrecarga dos rins.
    Se uma pessoa que não quer engordar vê um produto que diz não tem açúcar e calorias, automaticamente ela é levada a pensar que é saudável e acaba por consumir tal produto em excesso, muitas vezes em maior quantidade até do que iria consumir o produto que não é zero. As grandes marcas sabem desses fatos, porém elas utilizam a falta de informação dos consumidores para poder vender seus produtos. Se uma pessoa busca uma vida mais saudável, é preciso se informar a respeito dos produtos que consome, optando por alimentos que podem até ter calorias e açucares, mas trazem consigo benefícios reais a saúde.


    Nome: Mayara Cristina Neves Marinho Graça
    DRE: 113086309

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  2. Como esclarecido por essa pesquisa, as bebidas zero ou light tendem a substituir o açúcar refinado por adoçantes, sendo o aspartame o mais utilizado. Um estudo realizado em ratos por um grupo de pesquisadores na Itália e divulgado pelo programa Fantástico mostrou que 25% das fêmeas que ingeriram aspartame por toda a vida, apresentaram leucemia. Essa evidência causou receio entre muitas pessoas. Contudo, ainda não há evidencias científicas que possam afirmar que realmente o aspartame cause um dano à saúde dos homens. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), inclusive, emitiu uma nota técnica informando que não existem razões para a adoção de uma medida sanitária restritiva do aspartame.

    Ainda, a engenheira de alimentos Maria Cecilia de Figueiredo Toledo, que é especialista em adoçantes e trabalha com aditivos alimentares há 35 anos, explica que todos os adoçantes usados em alimentos e bebidas no Brasil foram aprovados por comitês científicos de especialistas, que estabeleceram valores de Ingestão Diária Aceitável (IDA) para cada um deles e, em geral, é muito difícil ultrapassar esse limite, já que seria necessário o consumo de muitos litros da bebida. Adicionalmente, informa que "uma lata de refrigerante zero de 350ml costuma ter em média 30 mg de aspartame, portanto, para alguém atingir o limite da ingestão de aspartame, teria que consumir diariamente 80 unidades". (https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/nutricao/bebidas-zero-sao-seguras-a-saude-diz-especialista,e18dbe7f969d7410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html)

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