Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Cafeína: benéfica ou maléfica? Será ela uma das possíveis causas de doenças neurodegenerativas tais como Parkinson e Alzheimer?


Recentemente, a revista Journal of Alzheimer’s Disease lançou número especial sobre os efeitos do café e da cafeína em doenças neurodegenerativas, o que incluiu: alvos moleculares da cafeína, modificações e adaptações neurofisiológicas, bem como potenciais mecanismos que determinam ações neuroprotetoras e comportamentais da cafeína em diferentes patologias cerebrais. Assim, um estudo epidemiológico demonstrou uma correlação inversa entre o consumo crônico de cafeína e a incidência de doença de Parkinson. Aparentemente a cafeína previne a perda de coordenação motora bem como o surgimento do processo neurodegenerativo associado à doença. Outros estudos puderam estabelecer uma correlação entre o consumo moderado de cafeína e o declínio cognitivo associado com o envelhecimento e a incidência de doença de Alzheimer. Estudos com animais indicaram que a administração de cafeína previne a deterioração da memória bem como a neurodegeneração. Outras conclusões apresentadas pelos estudos publicados indicam: múltiplos efeitos benéficos da cafeína para normalizar as funções cerebrais e prevenir sua neurodegeneração; o uso da cafeína como modelo para o tratamento de doença de Alzheimer; o impacto positivo da cafeína na cognição e no desempenho da memória; a identificação de receptores A2A da adenosina, que são os principais alvos moleculares do processo de neuroproteção promovido pelo consumo de cafeína. Portanto, discutiremos aqui alguns dos benefícios e dos malefícios associados à cafeína, dando enfoque à sua possível correlação com doenças neurodegenerativas.

2 comentários:

  1. Almir Martins Brivio16 de dezembro de 2012 19:38

    A doença de Parkinson se caracteriza pela morte dos neurônios dopaminérgicos na substância nigra, consequentemente diminuindo os níveis do neurotransmissor dopamina, tendo como efeito característico o tremor de repouso, porém outros efeitos afetam diretamente a qualidade de vida de um indivíduo com a doença, tais como a dificuldade de fluência na fala, dificuldades no equilíbrio e lentidão dos movimentos. É uma doença progressiva, porém estudos feitos na Universidade Federal do Rio de Janeiro, já estão em fase adiantada para a comprovação que existem fatores neurotróficos, que são capazes de proteger a morte da população neuronal afetada nesta doença. O Fator Neurotrófico Dopamina Cerebral (CDNF) já foi estruturalmente caracterizado pela Doutoranda Cristiane Latgé, com colaboração de Almir Martins Brivio e George Andrade como alunos de iniciação científica, através de ensaios de dicroísmo circular e ressonância magnética nuclear. Os ensaios feitos no Laboratório de Agregação de Proteínas e Amiloidoses pretendiam primeiramente caracterizar estruturalmente o fator neurotrófico para posteriormente através de ensaios celulares verificar o seu nível de proteção e até mesmo regeneração dos neurônios dopaminérgicos, os resultados foram satisfatórios. O trabalho relacionado ao assunto foi premiado como melhor trabalho no evento FesBe de 2011.
    Desta maneira, penso que o tema acima poderia ter sido mais bem explorado, vide a complexidade do assunto. Felizmente os estudos estão caminhando em direção ao sucesso contra essa doença que é considerada a segunda maior causa de morte no mundo. Em breve postarei o título do trabalho e uma explicação mais detalhada do que foi feito por nós e pela nossa orientadora no laboratório supracitado.

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  2. O conhecimento reunido sobre o impacto do consumo de cafeína nas doenças neurodegerativas tem levado à conclusão de que o consumo crónico de doses moderadas parece ter benefícios quer na incidência quer na prevalência de doenças neurodegenerativas, particularmente na doença de Alzheimer.
    A terapêutica farmacológica atualmente disponível trata os sintomas, não altera significativamente o curso da doença. Assim, os esforços de pesquisa terapêutica voltam-se para agentes que protejam ou, pelo menos, adiem o declínio da função cognitiva.
    Qualquer desequilíbrio no sistema adenosinérgico pode originar disfunções/doenças neurológicas. A cafeína produz os seus efeitos biológicos via antagonismo de todos os subtipos de recetores da adenosina, ela possui baixa afinidade e pobre seletividade para os diferentes recetores, pelo que a ingestão aguda ou crónica de cafeína pode afetar os recetores da adenosina de formas diferentes e mesmo opostas.
    A cafeína, tal como a adenosina, pode potencialmente exercer os seus efeitos psicoativos em todas as áreas cerebrais onde a adenosina endógena esteja a ativar tonicamente os seus recetores. Como a cafeína é um antagonista não seletivo da adenosina e atravessa facilmente a barreira hematoencefálica (BHE), é provável que os seus efeitos sobre os recetores sejam opostos às ações da adenosina.
    O consumo crónico de cafeína pode alterar os níveis e as ações da adenosina no cérebro. Além disso, a cafeína tem demonstrado efeito protetor contra a toxicidade Aβ em
    diferentes modelos animais da Doença de Alzeimer, diminuindo os níveis de amilóide no plasma e no cérebro.
    O consumo de cafeína parece ter efeitos benéficos não só no processo de envelhecimento em indivíduos saudáveis, reduzindo o declínio cognitivo associado, mas também em doentes com demência de Alzheimer. Estudos realizados têm relatado diminuições na incidência da Doença de Alzheimer na ordem dos 30 a 60%, o que representa um impacto substancial na doença.
    O consumo universal de cafeína, habitualmente sob a forma de café, chá ou refrigerantes,
    deve-se a uma perceção generalizada das suas propriedades estimulantes. Os benefícios
    atribuídos ao seu consumo incluem aumento do estado de alerta mental, força anímica,
    energia, sensação subjetiva de bem-estar e reforço positivo. A cafeína exerce também
    diversos efeitos sobre o comportamento e possui efeitos benéficos na função psicomotora,
    vigília e humor, sendo considerada um potencial estimulante da aprendizagem e memória.
    Contudo, a ingestão de cafeína não parece afetar a memória de longo prazo.
    Os efeitos da cafeína no declínio cognitivo merecem ainda maior atenção e pesquisa para clarificar as diferenças observadas em alguns estudos entre os dois sexos e para melhor definir a natureza da associação entre o consumo de cafeína e a potencial para prevenção do declínio cognitivo durante o envelhecimento. As conclusões retiradas de vários estudos, que abordaram o potencial neuroprotetor da cafeína e os seus possíveis efeitos adversos, parecem contrariar a recomendação de muitos profissionais de saúde aos seus doentes de diminuírem o consumo de café como medida integrada nos hábitos e estilos de vida. Não havendo contra-indicações, o consumo de cafeína parece ter uma relação benefício-risco favorável e a recomendação de diminuir o seu consumo pode não estar a ser baseada na evidência.

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