Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Fórmulas Infantis - Aptamil H.A.

No mercado há uma enorme diversidade de fórmulas infantis com as mais variadas composições. Na maioria das vezes os produtos se vendem pelo rótulo e o consumidor acaba levando para casa o que mais lhe agrada, sem a real noção da composição e para que fim se destinaOs rótulos incluem informações confusas e é difícil a distinção entre os produtos que trazem alguma inovação. Nesse contexto se encontra a fórmula infantil APTAMIL H.A. que já faz parte das vidas de muitas famílias, mas pouca informação é divulgada quanto à funcionalidade de seus componentes 


O leite materno representa a melhor fonte de nutrientes para o lactente por conter proporções adequadas de carboidratos, lipídios e proteínas necessárias para o seu crescimento e desenvolvimento, além disso, proporciona benefícios imunológicos e psicossociais (VITOLO, 2003). As fórmulas infantis buscam a similaridade com o leite materno, entretanto podem diferir em teor e/ou composição das proteínas e carboidratos presentes, em micro e macronutrientesem oligossacarídeos, e mediadores humorais e celulares presentes somente no leite materno. Algumas condições de saúde da criança ou da mãe justificam recomendar que ela não amamente temporária ou permanentemente. Os substitutos ou complementos do leite materno entram neste contexto, e o APTAMIL H.A. vem para suprir as necessidades de crianças de até um ano de idade. 


APTAMIL H.A. pertence à linha de fórmulas Baby Nutrition da Danone e deve ter indicação expressa de médico ou nutricionista. As letras H.A. significam “hipoalergênico, uma vez que o “concentrado de proteínas do soro do leite hidrolisada” em sua composição indica a ausência da caseína, principal alergênico do leite de vaca, e que as demais proteínas, também potenciais alergênicos, estão hidrolisadasou seja, perderam sua forma original e, portanto, não são mais reconhecidas como antígenos pelo sistema imunológico do lactente. Em consonância com o leite materno, a lactose é o principal carboidrato. 
A presença de prebióticos como frutooligossacarídeos (FOS) e galactooligossacarídeos (GOS) tem o intuito de propiciar seletivamente o crescimento e a atividade de bactérias benéficas, corroborando para o equilíbrio na composição da microbiota intestinal. 
A porção lipídica do leite materno é a principal fonte de energia para os lactentes e fornece ácidos graxos essenciais e vitaminas lipossolúveis (A, D, e K). A fim de não se distanciar da fisiologia do leite materno, o APTAMIL H.A. conta com estes, sendo em maior quantidade os ácidos graxos mono- e poli-insaturados como o ácido docosahexanoico (DHA), de grande importância para o desenvolvimento cognitivo e visual dos lactentes. Nesta formulação ele é obtido através da Mortierella alpina, uma espécie de fungo produtora. Outros componentes são adicionados ao produto, como diversos sais, nucleotídeos, aminoácidos e vitaminas considerando as necessidades básicas para o desenvolvimento do lactente. 
Segundo o artigo 19 da RDC 45 de 2011, os ingredientes adicionados às fórmulas infantis devem ser encontrados no leite humano e/ou quando não, garantir que a formulação seja adequada como única fonte de alimento do lactente. Todos os ingredientes e aditivos alimentares utilizados em alimentos destinados a necessidades dietoterápicas específicas, como é o caso do APTAMIL H.A. que é hipoalergênico, devem ser isentos de glútenA composição nutricional deve respeitar limites preestabelecidos por regulamentações específicas, assim como pela RDC 43 de 2011. 
Como no Brasil não há garantias de alta confiança à adesão de boas práticas na preparação, manejo e uso das fórmulas, é imprescindível que no rótulo esteja contida a instrução de que o produto deve ser preparado com água fervida a temperatura não inferior a 70°C e posteriormente resfriada, para assim reduzir riscos de contaminação por patógenos como E. sakazakii e Salmonella sp.. 
A amamentação é a maneira mais completa de atender as necessidades nutricionais, imunológicas e psicológicas de uma criança em seu primeiro ano de vida (OMS). A literatura vem mostrando que uma das razões primordiais que leva ao desmame precoce é a insuficiência lactacional. Entretanto, a promoção inapropriada de substitutos do leite materno tem influência negativa sobre a prática, uma vez que trazem consigo sabores mais agradáveis devido ao conteúdo quimicamente variado contando com a presença de sacarose, frutose ou amido, por exemplo. 
As fórmulas infantis são destinadas a um público específico, como crianças com alguma fisiopatologia ou mães impossibilitadas de amamentar. Não há restrições à venda, sendo a principal limitação os altos preços. Sendo assim, o consumo destes produtos vem aumentando sob a justificativa de maior independência entre mãe e bebê e sofre forte influência de propagandas e rótulos chamativos, quando na verdade deveriam ser respeitadas as reais necessidades dos lactentes. 

 Referências Bibliográficas:
BRASIL. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 45, de 19 de setembro de 2011. Regulamento técnico para fórmulas infantis para lactentes destinadas a necessidades dietoterápicas específicas e fórmulas infantis de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância destinadas a necessidades dietoterápicas específicas. ANVISA Publicações Eletrônicas. 2011. Disponível em: <http://www.ibfan.org.br/site/wp-content/uploads/2014/06/Resolucao_RDC_n_45_de_19_de_setembro_de_2011.pdf>. Acesso em 16/11/2014.  
BRASIL. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 43, de 19 de setembro de 2011. Regulamento técnico para fórmulas infantis para lactentes. ANVISA Publicações Eletrônicas. 2011. Disponível em: < http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/d8361b804aaa96d79ef6de4600696f00/Resolucao_RDC_n_43_de_19_de_setembro_de_2011.pdf?MOD=AJPERES>. Acesso em 16/11/2014.  
BRASIL. Ministério da Saúde. Aleitamento Materno, Distribuição de Leites e Fórmulas Infantis em Estabelecimentos de Saúde e a Legislação. Disponível em: <http://www.ibfan.org.br/legislacao/pdf/doc-750.pdf>. Acesso em 15/11/2014. 

DE CARVALHO, L.E.R., DIAS,M., Identidade e Legislação de Alimentos Infantis. Disponível em: <http://www.aleitamento.com/amamentacao/conteudo.asp?cod=1531>. Acesso em 16/11/2014. 

EPIFANIO, M., Prebióticos e probióticos nas fórmulas infantis: o que temos de evidência? Disponível em: <http://www.sprs.com.br/sprs2013/bancoimg/131210152040bcped_12_01_03.pdf>. Acesso em 15/11/2014. 

VITOLO, M.R., Nutrição: da gestação à adolescência. Rio de Janeiro: Editora Reichmann & Autores Editores; 2003. 


Autores: Clarissa Carneiro e Karolina Vignoli

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