Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Aptamil Pepti é a melhor opção para a alergia à proteína do leite de vaca e de soja?

A ciência e a inovação de Aptamil Pepti. Fórmula utilizada para casos de alergia a proteínas do leite e da soja. Sua fórmula é hipoalergênica com 100% de proteína do soro extensamente hidrolisada.
Descrição do Produto
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é o tipo de alergia alimentar mais comum, afetando cerca de 2 a 8% de crianças no mundo. Seu tratamento requer a realização de uma dieta de exclusão total do leite de vaca e na ausência do alimento materno exclusivo. O Aptamil Pepti é uma fórmula infantil destinada a alimentação destes lactentes, devido sua formulação ser extensamente hidrolisada.

Lista de ingredientes: Proteína hidrolisada do soro de leite, maltodextrina, óleos vegetais (palma, canola, coco, girassol), actooligossacarídeos (GOS), frutooligossacarídeos (FOS), fosfato tricálcico, cloreto de potássio, óleo de peixe, cloreto de magnésio, citrato trissódico, óleo de Mortierella alpina, carbonato de cálcio, vitamina C, cloreto de colina, taurina, sulfato ferroso, inositol, sulfato de zinco, nucleotídeos (uridina, citidina, adenosina, inosina, guanosina), vitamina E, L-carnitina, niacina, d-pantotenato de cálcio, d-biotina, sulfato de cobre, ácido fólico, vitaminas A, B12, B1, B2, D, B6, sulfato de manganês, iodeto de potássio, vitamina K, selenito de sódio, emulsificantes ésteres de ácido cítrico e mono e diglicerídeos. NÃO CONTEM GLUTEN.



Fundamentos Bromatológicos
O perfil de carboidratos é composto por 60% de maltodextrina e por 40% de lactose passando por um processamento que leva a eliminação de quais quer potenciais alergênicos e residuais do leite de vaca. Apresenta 100% das proteínas do leite extensamente hidrolisadas tendo como resultado a presença de 85% de pequenos peptídeos e 15% de aminoácidos livres. Contém uma mistura de prebióticos na proporção de 90% de galactooligossacarídeo e 10% de frutooligossacarídeo na concentração de 0,8g por 100mL de fórmula reconstituída. A adição de prebióticos tem papel no crescimento da flora intestinal assim como, a redução da adesão da mesma no intestino reduzindo as chances de processos inflamatórios. Possui 99% de óleos vegetais como o de palma, canola, coco e girassol e cerca de 1% de óleo de peixe e óleo de Mortierella alpina, fontes lipídicas dos ácidos graxos essenciais (AGE) e dos ácidos graxos de cadeia longa (LcPUFAs). Além da adição de vitaminas, de minerais e de oligoelementos necessários ao bom desenvolvimento e crescimento do lactente. Contém nucleotídeos, sendo isenta de frutose e sacarose.
Legislação
Segundo a RDC Nº 222 de 05  agosto 2002, produtos substitutivos ao leite materno são “qualquer alimento comercializado ou de alguma forma apresentado como um substituto parcial ou total do leite materno e ou humano.”, e é nesse conceito que o Aptamil Pepti esta enquadrado, entretanto mais especificamente esse produto tenta se enquadrar no conceito de fórmula infantil para necessidades dietoterápicas específicas, que segundo a mesma RDC é: ”aquela cuja composição foi alterada com o objetivo de atender às necessidades específicas decorrentes de alterações fisiológicas e ou patológicas temporárias ou permanentes.” Esse produto foi criado com o objetivo de atingir crianças menores que um ano que possuam alergia às proteínas contidas no leite de vaca e na soja, pois são as proteínas utilizadas pelos fabricantes para resolver esse problema essas proteínas são extensamente hidrolisadas, ou seja, fragmentadas para uma composição de 85% de peptídeos e 15% de aminoácidos livres, dessa maneira, o resultado dessa hidrólise seria o não reconhecimento das proteínas pelo sistema imune da criança. A legislação vigente abre brechas que permitem que as indústrias das fórmulas infantis não produzam exatamente um mimético ao leite materno, pois as naturezas dos componentes podem variar de uma formulação para outra, no caso específico com Apitamil Pepti a base do carboidrato usado é 60% maltodextrina e 40% lactose, sendo que o leite materno possui lactose como base de carboidrato. A legislação permite que sejam adicionados aditivos na formulação que acabam dando uma cara de produto enriquecido ou melhorado, como acontece no caso do Apitamil Pepti, que em seu rótulo é destacado a informação que foi adicionada no conteúdo do produto o DHA (ácido docosa-hexaenóico) um ácido graxo do tipo ômega-3 encontrado em peixes e algas, ARA ( ácido araquidônico) um ácido da família do ômega-6  e pré-biotiótipos que possuem a função de ser alimento para a flora intestinal do bebê, ou seja, alguns ingredientes que não tentam mimetizar o leite materno, mas sim “melhorá-lo”.

Discussão
Tentar mimetizar algo que é produzido biologicamente tem sido um grande problema para inúmeras indústrias farmacêuticas e alimentícias, pois a maioria desses produtos tendem a apresentar uma baixa estabilidade fora do ambiente biológico e são produtos com um alto grau de complexidade. Nesse sentido se enquadra uma categoria de produto mimético ao biológico que muitas vezes são tratados como produtos de “prateleira de supermercado”, são eles os substitutos do leite materno ou alimentos de transição (fórmulas infantis). O leite materno é muito complexo em sua composição, pois nele não se encontra apenas nutrientes para o bebê, mas também hormônios que são essências para o crescimento infantil e elementos indispensáveis para a formação do sistema imune do indivíduo, substâncias essas que as formulas infantis não conseguem mimetizar. Além disso, esse tipo de produto não apresenta uma padronização muito boa de substâncias utilizadas, visto que dependendo da marca as bases de carboidratos, proteínas e lídios podem ser muito distintas, e muitas vezes não chega perto das bases nutricionais contidas no leite materno. No rótulo é possível observar uma mensagem expressa que o produto não deve ser usado para crianças menores de 1 ano de idade e que deve ser usado sob orientação de um profissional de saúde, ou seja, o uso desse produto é muito restrito, são para crianças com alergia a proteína do leite de vaca menores que 1 ano que possivelmente a mãe não possa amamentar, entretanto esse produto pode ser encontrado em diversos locais de venda e até pela internet, alguns sites pedem o CRM do médico que indicou o produto, entretanto em outros é possível comprar o produto sem esse artifício, isso pode ser um risco, pois pode haver uma banalização do produto.
Conclusão
A gama de produtos oferecidos pelo mercado é muito grande, cada um com uma especificação e nome diferente, conhecê-los, portanto é algo muito importante para um profissional de saúde. A adição de prebiótico, DHA e ARA ao produto podem dar um ar de produto melhorado mas que na verdade sua qualidade não chega perto da qualidade contida no leite materno

Biografia:
Host A, Koletzko B, Dreborg S, Muraro A, Wahn U, Agget P, et al. Joint Statement of the European Society for Pediatric Allergology and Clinical Imunology (ESPACI), Committee on Hipoallergenic Formulas and the European Pediatric Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition (ESPGHAN). Dietary products used in infants for treatment and prevention of food allergy. Arch Dis Child 1999; 81:80-84



http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/6b6c3b004745973b9f89df3fbc4c6735/rdc_222.pdf?MOD=AJPERES


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