Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Água – Contaminação por metais pesados

O descarte de resíduos industriais é a principal fonte de contaminação dos rios com metais pesados. Alguns processos de produção, entre os quais das indústrias metalúrgicas, de tintas, de cloro e plástico PVC, utilizam estes metais que, quando lançados irregularmente nos esgotos, contaminam os cursos de água. A utilização do volume morto, devido à seca das usinas, é outro fator de contaminação. Entre os principais elementos tóxicos estão o mercúrio, chumbo, cádmio, arsênico, bário, cobre, cromo e zinco. O contato com estas substâncias – seja através da ingestão da água ou por outras formas de ingestão – pode provocar sérios problemas, como disfunções do sistema nervoso e aumento da incidência de câncer. Moradores de áreas contaminadas devem ser acompanhados por um longo tempo, uma vez que os sintomas destas doenças podem levar décadas para aparecer.
Segundo Associação Internacional de Águas Engarrafadas indicam que o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de produtores e o setor cresce cerca de 7,6% ao ano, assim devemos nos atentar ao consumo de águas engarrafadas e também ao uso de água domiciliar. 


Descrição do produto:

Água é um composto químico formado por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Sua fórmula química é H2O. Porém, um conjunto de outras substâncias como, por exemplo, sais minerais juntam-se a ela. A água pura não possui cheiro nem cor. A água possui uma série de características peculiares, como sua dilatação anômala, o alto calor específico e a capacidade de dissolver um grande número de substâncias. Atualmente, todos os seres vivos existentes precisam da água para sua sobrevivência. É essencial para manutenção da saúde e do bem-estar de todo ser humano o acesso à água potável. Água potável é aquela que pode ser consumida sem nenhum risco de contaminação por agentes químicos ou biológicos a curto e longo prazo. A qualidade da água, por outro lado, está relacionada com todas as substâncias químicas, partículas e microrganismos que estão contidos em si. Geralmente é grande a quantidade de substâncias dissolvidas ou em suspensão, dada a elevada capacidade da água de diluir materiais . 



Fundamentos bromatológicos: 

1- Água Mineral Natural: é a água obtida diretamente de fontes naturais ou por extração de águas subterrâneas. É caracterizada pelo conteúdo definido e constante de determinados sais minerais, oligoelementos e outros constituintes considerando as flutuações naturais.

2- Água Natural: é a água obtida diretamente de fontes naturais ou por extração de águas subterrâneas. É caracterizada pelo conteúdo definido e constante de determinados sais minerais, oligoelementos e outros constituintes, em níveis inferiores aos mínimos estabelecidos para água mineral natural. O conteúdo dos constituintes pode ter flutuações naturais. 

3- Água Adicionada de Sais: é a água para consumo humano preparada e envasada, contendo um ou mais dos compostos previstos no item 5.3.2 deste Regulamento (Resolução RDC nº 274, de 22 de setembro de 2005 : "REGULAMENTO TÉCNICO PARA ÁGUAS ENVASADAS E GELO"). Não deve conter açúcares, adoçantes, aromas ou outros ingredientes 


Legislação Vigente:

Segundo a resolução RDC nº 274, de 22 de setembro de 2005 : "REGULAMENTO TÉCNICO PARA ÁGUAS ENVASADAS E GELO".



5.3.3 : Não deve exceder em 100 ml, os níveis máximos estabelecidos para: 

  •  Magnésio - 6,5 mg.




Análises e comentários:

•O mercado Brasileiro de produção de água mineral é um dos mais fortes no mundo.

•Há diversas formas de contaminação da água por metais pesados, sejam estas naturais ou provocadas.

•Águas minerais comercializadas estão “ok” para consumo no ponto de vista de concentração de metais pesados. 

•Na Resolução é descrito os valores máximos de metais para consumo, porém nem todos os metais são incluídos na lista. Nota-se uma variação grande de rotulagem, não há um padrão definido na legislação.

•O uso de filtro é essencial quando não há compra de água mineral.

•Faz-se necessário uma atenção especial por parte do governo em relação às fontes de abastecimento de águas públicas, pois a maior parte das consequências por metais pesados são notadas somente a longo prazo. 




Referências bibliográficas

1.Marcelo et al. Physical-chemical evaluation of mineral waters marketed in Campinas, SP. Ciênc. Tecnol. Aliment. vol.22 no.3 Campinas Sept./Dec. 2002

2.RDC nº 274/2005 ANVISA 

3.http://educorumbatai.blogspot.com.br/2011/02/agua-engarrafada.html. 
Consultado em: 28/01/2016 

4.Ministério da Saúde. Portaria no 1469 de 29/12/2000. Normas e padrões de portabilidade da água para consumo humano. Diário Oficial da União; 2001. 



Alunos: Isabelle Liesner
            Renata Abranches

8 comentários:

  1. A fiscalização das fontes aquíferas deve ser constante e insistente, a contaminação das fontes por metais pesadas causa diversos danos a saúde. A exemplo disso, podemos faltar da contaminação dos aquíferos por chumbo, muitas das vezes proveniente da industrias de tintura e mineração, a absorção de chumbo pode induzir à redução do desenvolvimento cognitivo e do desempenho intelectual das crianças e aumentar a pressão sanguínea e as doenças cardiovasculares nos adultos. Lógico que é esperado que o aumento desse metal cause grandes efeitos indesejáveis, e que o monitoramento poderia evitar de fato que contaminações desse tipo acarretassem intoxicações epidemiológicas em determinadas localidades.
    A RDC nº274 , 22 de setembro de 2005 , mostra bem detalhadamente a tabela anexada ao trabalho, e inclusive faz citações interessantes,como a especificação de que a adição de fluoreto quando passar a concentração de 2mg/ml , deve ser descrito no rótulo "O produto não é adequado para lactentes e crianças com até sete anos de idade". É importante fazer esse alerta, pois á adição de flureto á agua ( água fluoretada), é cada vez mais comum nas águas envasadas, admitindo-se a propriedade protetora da dentição que a mesma passa a ter.
    Vale lembrar que embora o consumo de água fervida seja orientada, a exposição da mesma a temperaturas maiores que 100°C, bem como técnicas de filtragem por tamanho de partículas , não exclui a contaminação desta água, uma vez que algumas particulas de determinados tipos de metais não são retidas e a exposição ao calor não influencia na degradação química de muitos, o calor neste caso é uma ferramenta na eliminação de alguns microorganismos que possam estar presentes na água.

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  2. Claudia Cristina de Lima Dantas3 de março de 2016 10:43

    A água é um componente indispensável para a manutenção da vida. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), a crescente expansão demográfica e industrial ocorrida nas últimas décadas gerou um comprometimento da qualidade das águas dos rios, lagos e reservatórios, devido a despejo de efluentes domésticos e industriais, além de carga difusa urbana e agrícola. A indústria é a principal fonte de contaminação das águas de rios, com seus despejos de resíduos ricos em metais pesados. Com isso, o seu monitoramento de metais pesados na água é de extrema importância, principalmente, em estações de tratamento de água potável e estações de tratamento de efluentes, devido à alta toxicidade dos metais pesados e as rigorosas legislações que regem seus padrões de emissão.

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  3. Existe uma alternativa internacionalmente aceita para analise de metais em água. Esta pode ser usada em laboratório e em amostragens automáticas. Esse método é a voltametria, que é um método eletroquímico onde as informações qualitativas e quantitativas, de uma espécie química, são obtidas a partir do registro de curvas corrente-potencial, feitas durante a eletrólise dessa espécie, em uma célula constituída por pelo menos dois eletrodos, sendo um deles um microeletrodo (de trabalho) e o outro um eletrodo de superfície relativamente grande (usualmente um de referência). O potencial é aplicado entre os dois eletrodos em forma de varredura, isto é, variando-o a uma velocidade constante em função do tempo. Este e a corrente resultante são registrados simultaneamente. Desta forma, a informação sobre o analito é dada pela magnitude de corrente elétrica que surge no eletrodo de trabalho ao se aplicar um potencial entre este e um auxiliar, enquanto a magnitude da corrente obtida pela transferência de elétrons, durante um processo de oxirredução, pode ser relacionada com a quantidade de analito presente na interface do eletrodo e, consequentemente, na célula eletroquímica.

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  4. Além das atividades industriais, a incineração de lixo urbano também produz fumaças ricas em metais, principalmente mercúrio, chumbo e cádmio. Todos os metais resultantes destes processos podem ser solubilizados pela água, causando danos à saúde do homem e de animais, dado o potencial tóxico destes elementos.
    O contato com estas substâncias – seja através da ingestão da água ou de peixes contaminados – pode provocar sérios problemas, como disfunções do sistema nervoso e aumento da incidência de câncer. Moradores de áreas contaminadas devem ser acompanhados por um longo tempo, uma vez que os sintomas destas doenças podem levar décadas para aparecer.
    Nos organismos aquáticos, a ação tóxica dos metais pode causar a morte de espécies ou a bioacumulação, que potencializa o efeito nocivo das substâncias através das cadeias alimentares, colocando em risco a vida de animais que não estão diretamente ligados ao problema. Estes elementos também se depositam nos sedimentos dos oceanos, contaminando permanentemente a fauna e flora aquáticas.
    E não são apenas os locais próximos a indústrias ou incineradores que estão suscetíveis à contaminação. Regiões distantes também podem ser afetadas devido à movimentação das massas de ar.

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  5. Há diversas formas de contaminação de águas por metais pesados, mau uso de resíduos de mineração, associado à pesticidas ou incentivos agrícolas entre diversas outras. Porém, o que não é bem divulgado é a capacidade de alguns desses metais de percolar o solo e alcançar os reservatórios de água subterrânea. Levando e consideração que o Brasil apresenta algumas das maiores reservas de água subterrânea do mundo, devemos ter grande atenção no controle da contaminação e também nos protocolos bem definidos para o uso dessas águas.

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  6. A preocupação sobre a qualidade da água é de extrema importância. Como explicado por um dos grupos durante a apresentação oral, a forma de obtenção dessa água filtrada deve ser feita corretamente. A melhor forma de se obter água filtrada em casa é através do velho filtro de barro, que filtra as partículas por gravidade. O pior tipo de filtro são aqueles acoplados à torneiras da pia que, por vezes, são submetidos à pressões muito elevadas que comprometem o processo de filtração permitindo a passagem de partículas para para a água. As águas naturais são, a princípio, superiores em qualidade quando comparadas a água filtrada em casa. Não só pela origem natural, mas pelo controle de qualidade a que são submetidas.

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  7. A intoxicação por chumbo associados ao consumo de água contaminada foi um grande problema. Este tem ação neurotóxica. A contaminação ocorria pelo chumbo liberado dos canos, o que era comum desde o Império Romano. Ainda há risco em casas mais antigas em que a tubulação não foi substituída por canos de PVC.

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