Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

terça-feira, 1 de março de 2016

BEBIDA ISOTÔNICA NÃO É ÁGUA!





                                                                      http://www.vptrainers.com/wp-content/uploads/2013/07/bebida_isotonica.jpg

Descrição do produto:
 

Nos últimos anos o consumo de bebidas esportivas, popularmente conhecidas como isotônicos ou repositores hidroeletrolíticos, tem experimentado um crescimento bastante expressivo. De acordo com uma empresa que fornece análise de mercado, o Brasil consumiu o equivalente a US$ 423,2 milhões em 118,9 milhões de litros de bebidas esportivas no ano de 2011, um crescimento de 30% sobre o faturamento de 2010 e de 14% sobre o volume de vendas.
Esses alimentos são direcionados para praticantes de atividades físicas, sendo uma categoria especialmente formulada para suprir as necessidades e as perdas de hidroeletrólitos relacionados aos exercícios físicos; ou seja, são utilizados para facilitar a reidratação após ou durante a prática de exercícios regulares.
Essas bebidas apresentam uma concentração de substâncias ou minerais semelhantes às encontradas nos fluidos orgânicos, logo, um isotônico deve possuir a mesma pressão osmótica que o sangue humano. Essa é a principal característica que permite que a bebida seja rapidamente absorvida após o consumo. Os seus eletrólitos principais são: sódio, cloreto, potássio, cálcio, magnésio e fósforo.
A osmolalidade da bebida, expressa em mOsm/L, depende de sua pressão osmótica e é calculada a partir da concentração molal de cada eletrólito. Os isotônicos estão classificados na faixa de valor de osmolalidade entre 290 - 330 mOsm/L, sendo que o valor osmótico do plasma sangüíneo humano geralmente varia de 285 a 295 mOsm/L. A fabricação dessas bebidas é, primariamente, uma questão de mistura de ingredientes, onde o sabor básico dos eletrólitos presentes na bebida se torna pouco agradável ao paladar, logo é comum a adição de flavorizantes a base de frutas na sua composição.




Fundamentos Bromatológicos



As perdas de líquidos e das reservas corporais de carboidratos e eletrólitos são as causas principais de fadiga em um exercício prolongado. Os carboidratos presentes nos isotônicos funcionam como substrato energético dutante e após atividade física.
Além dos carboidratos, há a presença de cloreto de sódio. Eles estão presentes predominantemente nos líquidos extracelulares e participam na manutenção da pressão osmótica dos fluidos corporais. A adição de sódio à água aumenta a absorção de fluidos, o que ocorre em maior proporção na presença de carboidratos.
O potássio é o íon mais encontrado nos fluidos intracelulares e, assim como o sódio, está largamente combinado ao cloro e também contribui para a manutenção da pressão osmótica e balanço ácido-básico.



Legislação Pertinente

As bebidas isotônicas estão classificadas como “suplemento hidroeletrolítico para atletas” segundo a RDC n° 18, de 27 de abril de 2010 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. Além disso, devem conter uma concentração de sódio entre 460 e 1150 mg/L, devendo ser utilizados sais inorgânicos para fins alimentícios como fonte de sódio. A osmolalidade do produto deve ser inferior a 330 mOsm/kg água e os carboidratos podem constituir em até 8% (m/v). O produto pode ser adicionados de vitaminas e minerais, conforme o Regulamento Técnico específico sobre adição de nutrientes essenciais. Pode ocorrer a adição potássio em até 700 mg/L, sendo proibida a adição de outros nutrientes e não nutrientes, inclusive de fibras alimentares
Na rotulagem dos suplementos hidroeletrolíticos deve-se constar a expressão: “isotônico” para os produtos prontos para o consumo com osmolalidade entre 270 e 330 mOsm/kg água, além da frase,“Este produto não substitui uma alimentação   equilibrada e seu consumo deve ser orientado por nutricionista ou médico”. Não podem constar: imagens e/ou expressões que induzam o consumidor ao engano quanto a propriedades do produto e/ou efeitos que não possam ser demonstrados referentes à perda de peso, ganho ou definição de massa muscular e similares, referências a hormônios e outras substâncias farmacológicas e/ou do metabolismo mediante imagens e ou expressões.  Além das palavras: "anabolizantes", "hipertrofia muscular", “massa muscular”, "queima de gorduras", "fat burners", "aumento da capacidade sexual", “anticatabólico”, “anabólico”, equivalentes ou similares.

Análises e comentários


Quando você sente aquela sede num dia quente, depois de um exercício físico leve ou até mesmo pela caminhada da sua casa até algum lugar. É quase certo que esse "exercício" vá pedir uma bebida para aliviar a situação. Antigamente o natural seria tomar um copo de água, mas atualmente essa prática está sendo substituída. Talvez o sabor e a composição dos isotônicos sugerem que essa bebida seja uma boa ideia e até faça bem para o organismo. Mas não é tão simples assim.
Como descrito anteriormente, essas bebidas são produzidas especialmente para atletas, e às vezes o seu uso inadequado por pessoas que não as necessitam, podem acabar se transformando em potenciais riscos a saúde. Segundo a ANVISA, “este produto não deve ser consumido por crianças, gestantes, portadores de enfermidades e idosos”. O seu uso indiscriminado, sem noção, como refrigerante por exemplo, por crianças e mesmo por jovens, adultos, além de gestantes, deve ser evitado e sem dúvida, alertado pelo médico.
Um dos alertas é para pessoas que sofrem de hipertensão, pois essas bebidas são ricas em sódio, e os hipertensos precisam controlar o consumo tendo em vista que a dieta do brasileiro de forma geral já é rica em sódio em uma série de fontes que suprem muito bem a demanda diária. A recomendação de especialistas é que o consumo de cloreto de sódio seja de 2 g, e no máximo 5g por dia. Além da hipertensão, o consumo não é indicado para quem tem diabetes, tendo em vista que a bebida possui sacarose e para quem tem problemas renais. Os isotônicos também não substituem o soro em casos de diarreia, embora possam ajudar quando o problema não é tão sério, sendo esse um dos grandes mitos existentes.
Essas informações muitas das vezes passam despercebidas pela população, que acabam utilizando o isotônico como uma bebida usual, como o refrigerante por exemplo. Ou quando simplesmente sentem sede, ao invés de ingerir água, ingerem isotônicos. Por isso, cabem aos profissionais da saúde o maior esclarecimento e indicação da melhor forma de reidratação de acordo com cada caso.



                           http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/66/isotonicos-consuma-com-moderacao-seu-corpo-reage-quando-voce-104019-1.asp




 Referência Bibliográficas:


BRASIL. Resolução RDC n° 18, de 27 de abril de 2010 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 27 abril. 2010.

BENJO AM, PINEDA  AM et al.Left Main Coronary Artery Acute Thrombosis Relatedto Energy Drink Intake”, Circulation. 2012;

GEITTENS, R,M; Estudo Comparativo entre Bebidas Isotônicas e Hidrotônicas. Universidade Tecnológica Federal do Paraná..2012
 
MATTA, V.M; WOLKOFF,D.B;MORETTI, R.B; Bebidas para praticantes de
atividades físicas: repositores hidroeletrolíticos. Embrapa Agroindústria de Alimentos. Rio de Janeiro, RJ.2009

PETRUS, R.R; FARIA, J.A.S. Processamento e avaliação de estabilidade de bebida isotônica em garrafa plástica. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, jul.-set. 2005

Sports drinks and energy drinks for children and adolescents: are they appropriate?Committee on Nutrition and the Council on Sports Medicine and Fitness. From TheAmerican Academy of Pediatrics. Pediatrics 2011.


Alunos: Rafael Miranda e Luiz Carlos 
 


8 comentários:

  1. A definição de “bebida isotônica” ou “bebida esportiva” é indicada para atletas e praticantes de atividades físicas prolongadas e intensas, especialmente formulada para suprir as necessidades relacionadas aos exercícios físicos facilitando a reidratação durante e após a prática de exercícios intensos, repondo água e sais minerais perdidos pela transpiração.
    Vale ressaltar que, devido ao alto consumo de bebidas isotônicas pela população em geral, a portaria da ANVISA de 13 de Novembro de 2008 alterou a denominação de “repositor hidroeletrolítico para praticantes de atividade física" para ser considerado "repositor hidroeletrolítico para atletas", e as empresas devem atender aos seguintes requisitos, como:
    - O produto formulado para fins de reposição hidroeletrolítica deve conter sódio, cloreto e carboidratos.
    - A quantidade de sódio deve estar entre 460 e 1150 mg/l.
    - Os carboidratos devem constituir de 4% a 8% (m/v).
    - A osmolalidade do produto não deve ser superior a 330 mOsm/Kg água. A empresa deve comprovar, por meio de cálculos e ou de análise laboratorial, a osmolalidade do produto. As bebidas com osmolalidade entre 270 e 330 mOsm/kg água podem ser consideradas isotônicas.
    - Este produto não pode conter vitaminas e outros minerais.
    As bebidas isotônicas não fornecem energia, repõe água e sais minerais perdidos pelo suor, retardam a fadiga muscular e melhoraram a performance em exercícios de longa duração ou realizados sob uma temperatura elevada com sudorese excessiva.
    Outro fator que deve ser ressaltado é que o consumo inadequado pode trazer prejuízos à saúde, pode agravar doenças como diabetes, hipertensão, doença renal e oferecer riscos à saúde de grupos específicos como crianças, idosos e gestantes.

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  2. O uso de bebidas isotônicas é uma boa forma de hidratação e reposição eletrolítica para atletas e praticantes de atividades físicas. Entretanto, como ressaltado no texto, o seu uso deve ser controlado e não utilizado apenas para "matar a sede". A facilidade com que encontramos esses produtos no mercado e os diversos sabores oferecidos facilitam o uso excessivo e, muitas vezes, inadequado. Como já citado, hipertensos e diabéticos geralmente não possuem o conhecimento do risco que isotônicos podem trazer para a situação em que se encontram. Não há informações à respeito nos rótulos e médicos e nutricionistas dificilmente citam essas bebidas durante as consultas médicas. Idosos e crianças também devem ficar atentos ao uso de isotônicos, pois raramente os exercícios praticados nessas fases da vida justificam o uso dessas bebidas. Outro fator que não é muito citado, mas que trás riscos para a saúde é a fragilidade que isotônicos podem trazer para os dentes. O pH baixo dessas bebidas promove a desmineralização dos dentes, aumentando as chances de cáries e sensibilidade dentária. Além disso, indivíduos que fazem uso de bebidas isotônicas sem a prática de exercícios físicos podem ter dificuldades em perder peso, devido a quantidade de carboidratos contida nelas.

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  3. Depois de praticar um exercício físico, é importante se hidratar. Essa afirmação todo mundo já conhece. Os isotônicos são uma boa solução para repor o líquido que perdemos, no entanto, a dúvida sempre fica: e quando eu não pratico exercícios físicos, é melhor beber água ou isotônicos? O consumo inadequado de bebidas isotônicas pode ser um erro grave, que pode levar ao agravamento de algumas doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Crianças e idosos, principalmente, devem tomar cuidado. O aumento dos sais na corrente sanguínea, causado pela ingestão de isotônicos, pode ser um fator desencadeador para sintomas de algumas doenças, principalmente doenças renais.
    Outro problema grande é a fragilização do esmalte de nossos dentes. Já que quando ingerimos um líquido muito ácido, os nossos dentes sofrem um processo de desmineralização, ficando com poros por toda sua superfície.

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  4. O termo isotônico refere-se à concentração iônica do liquido em relação ao sangue. Isso quer dizer que a concentração de sais minerais presente nesse tipo de bebida é igual ou muito similar ao do sangue. Por apresentar essa característica os isotônicos apresentam melhor capacidade de repor os líquidos e sais minerais, como sódio, potássio, cálcio e fósforo, perdidos através da transpiração durante um exercício com uma carga intensa. Assim, ele tem o intuito de prevenir, por exemplo, a desidratação e ainda melhorar o desempenho esportivo. Dessa forma, eles devem ser ingeridos preferencialmente por atletas. Para aqueles que não praticam atividades físicas suficientes que o façam perderem muitas calorias, a bebida isotônica não é a melhor opção, pois ela vai diminuir as chances da perda de peso, devido à presença de carboidratos no isotônico. Além disso, o consumo excessivo do isotônico como alternativa para matar a sede e se hidratar, é um erro grave, pois pode levar ao agravamento de algumas doenças crônicas como hipertensão e diabetes, sobrecarregar o rim no processo de excreção dos minerais e ainda prejudicar o esmalte do dente, podendo causar cáries e aumento da sensibilidade.

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  5. O uso desse tipo de produto realmente deve ser feito com cautela. Muitas pessoas encaram esses isotônicos como bebidas inofensivas que podem ser utilizadas por qualquer tipo de pessoa. É necessário que se faça um alerta principalmente a pessoas com doenças metabólicas, como hipertensão e diabetes que podem ter o quadro agravado com o consumo excessivo desse tipo de produto. Além disso, pacientes com problemas renais podem aumentar a sobrecarga ao rim quando consomem isotônicos. O ideal é que seja feita uma ampla divulgação para alertar a população sobre os possíveis riscos do uso de isotônicos. Para cessar a sede, água, sempre. Como os próprios autores escrevem: "isotônico não é água!". Bom texto!

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  6. É importante ressaltar que muitas pessoas buscam por este tipo de produto por considerarem-no superior a água, com mais vitaminas e minerais, como uma forma de hidratar-se mais completa e rapidamente.A propaganda que gira em torno deste tipo de produto contribui para esta má-interpretação da população consumidora. Os autores do trabalho foram muito perspicazes em ressaltar as diferenças entre isotônicos e a água, pura e simples e muito fortunos na exemplificação e explicação dos riscos que o consumo excessivo deste tipo de produto pode trazer à saúde das população, em especial a população, em especial a indivíduos com problemas renais, cardíacos e distúrbios eletrolíticos. Vale ressaltar também que este tipo de produto pode sofrer interações medicamentosas com fármacos que influenciem de algum modo o equilíbrio eletrolítico corporal.
    Tudo que é administrado no corpo humano, seja um medicamento, um alimento ou um líquido, precisa ser considerado no equilíbrio final do organismo.

    Thalita Reis Cabral - 111197170

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  7. Marcella Figueiredo29 de março de 2016 20:13

    A legislação vigente estipula que bebidas com osmolaridade entre 270 - 330 mosm sejam caracterizadas como "isotonicos", ou seja, possuem osmolaridade semelhante à aquela do plasma sanguíndeo normal. Esta isotonicidade permite que o liquido seja absorvido mais rapidamente além de fornecer eletrólitos necessarios para a manutenção das funçõess musculares e nervosas de um exercício intenso. Porém tais eletrólitos podem ser um problema se consumidos por pessoas que apresentam hipertensão ou problemas renais, pois o aumento no consumo de eletrólitos pode elevar a pressão osmótica do sangue provocando crise hipertensiva, e sobrecarregar a função renal em pessoas acometidas por problemas renais. A água continua sendo a melhor alternativa em caso de sede, os isotonicos industriais sendo mais bem empregados por pessoas desidratadas ou por atletas de alto rendimento para a manutenção do equilibrio eletrolitico durante exercicio intenso.

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  8. As bebidas energéticas são consumidas por 30% a 50% de adolescentes e jovens adultos, e estando associadas com efeitos adversos sérios, especialmente em crianças, adolescentes e jovens adultos com convulsões, diabetes, anormalidades cardíacas, distúrbios comportamentais ou de humor, e ainda, aqueles que fazem o uso de medicamentos. Ainda que na RDC nº18/2010 esteja expresso que "crianças, gestantes, portadores de enfermidades e idosos não podem fazer o uso dessas bebidas energéticas", ainda há negligencia por parte dos pais que deixam seus filhos ingerirem. Há um debate nos EUA para que essas bebidas tenham sua venda restrita e advertida, porque tiveram casos de superdose de cafeína e 46% desses casos ocorreram com jovens de 19 anos.
    Outro aspecto interessante a ser abordado é que alguns indivíduos que estão iniciando a prática de esportes tem em mente que ingerindo essas bebidas energéticas podem obter um emagrecimento mais rápido. Um estudo interessante que ocorreu no estado americano de Illinois compararam o consumo de energia de bebidas esportivas ingeridas durante o exercício com o gasto calórico induzido pelo exercício em que eles determinaram se o uso da bebida podia eliminar o déficit de energia e comprometer condições para uma melhor aptidão metabólica. O resultado desse estudo foi que essas bebidas não aboliram o déficit calórico do exercício aeróbico, sendo bebidas que oferecem 30 a 60g de carboidratos por hora, mas o indivíduo tinha que se exercitar em períodos adequados com intensidade de moderada à alta. Nessas condições, o indivíduo ainda mantinha um déficit calórico substancial. Esse estudo foi feito com atletas de alta performance e possuíam acompanhamento médico. O grande problema dessas bebidas é a falta de informação para os leigos, que chegam ao mercado e fazem a compra desses produtos, a respeito os seus efeitos adversos que podem ser inúmeros e muitas vezes perigosos, como indicados acima, se não possuir um acompanhamento de um médico ou de um nutricionista.

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