Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Carência de informações nutricionais nos rótulos de papinhas infantis: o maior prejudicado é o seu filho!





      
         Segundo o Ministério da Saúde, a partir do sexto mês de vida é necessária alimentação complementar ao leite materno. Isso porque o aleitamento, por si só, não é capaz de suprir os macro e micronutrientes necessários para o desenvolvimento neurológico da criança. Por sua praticidade e apelo ao consumo, as papinhas são muito utilizadas para esse fim. Entretanto, as quantidades desses nutrientes não são especificadas no rótulo, nem sua concentração. Diante disso, como saber a quantidade desses nutrientes  essenciais disponíveis em cada porção? Como saber se seu filho consome o necessário? Leia mais...

Introdução:

             A partir dos 6 meses de idade, há necessidade de introduzir uma alimentação complementar no lactente, uma vez que o leite materno não supre mais todas as necessidades nutricionais. Isso porque essa fase é fundamental para o desenvolvimento neurológico da criança, sendo necessária uma alimentação complementar equilibrada com quantidade adequada de macro e micronutrientes, com destaque para ferro, zinco, cálcio, vitamina A, vitamina C e ácido fólico. Com isso, o consumo de papinhas infantis vem expandindo,por ser uma alternativa para alimentação complementar e por sua praticidade, em relação ao consumo e preparo, quando na forma industrializada.


Fundamentos bromatológicos:

            As papinhas são produzidas a partir de legumes, frutas e verduras cozidas ou amassadas. São fonte de todos os tipos de nutrientes, como proteínas (papinhas com carne), carboidratos e gorduras, além de fibra alimentar.
          Os carboidratos são os componentes dos alimentos cuja principal função é fornecer energia para as células do corpo, principalmente do cérebro. São encontrados em maior quantidade em massas, arroz, açúcar, mel, pães, farinhas, tubérculos e doces em geral.
            As proteínas são os componentes dos alimentos necessários para a construção e manutenção de nossos órgãos, tecidos e células. Encontramos proteínas nas carnes, ovos, leites e derivados e também nas leguminosas (feijões, soja e ervilha).
          As gorduras são as principais fontes de energia do corpo e ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K. As gorduras totais referem-se à soma de todos os tipos de gorduras encontradas em um alimento, tanto de origem animal quanto de origem vegetal.
            As fibras são substâncias derivadas de vegetais que não são digeridas no trato gastrointestinal, e possuem valor energético baixo. De acordo com a ANVISA, fibra alimentar é qualquer material comestível que não seja hidrolisado pelas enzimas endógenas do trato digestivo humano.
              Os sais minerais são todos os componentes que, à exceção de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio (que correspondem a 99% do total de átomos dos organismos vivos) faça parte da composição do alimento. Apesar da baixa quantidade relativa, os minerais desempenham funções vitais nos organismos vivos. Os sais minerais essenciais são aqueles que, quando removidos  da dieta do organismo vivo resulta em debilidade de função biológica.
         As vitaminas são substâncias orgânicas, sem uniformidade química ou estrutural, não produzidas pelo ser humano, mas essenciais ao seu metabolismo. As vitaminas podem ser classificadas quanto à sua solubilidade em lipossolúveis e hidrossolúveis.
      As vitaminas lipossolúveis pertencentes à essa classe são as vitaminas A (retinol), D (ergocalciferol), E (tocoferol) e K (filoquinona).
         As vitaminas hidrossolúveis (Tiamina - Vitamina B1; Riboflavina – Vitamina B2; Niacina; Nicotinamida; Ácido pantotênico;  Ácido p-Aminobenzoico (PABA); Ácido fólico; Piridoxina – Vitamina B6;  Cianocobalamina – Vitamina B12; Biotina; Inositol ;Colina) atuam em processos metabólicos importantes do organismo, sendo normalmente encontradas em alimentos como carnes, fígado, ovos e leite. Já a vitamina C (ácido ascórbico), encontrada principalmente em frutas cítricas, possui como função a defesa antioxidante do organismo. Sua deficiência leva à manifestação do escorbuto (caracterizado por hemorragias e dificuldade de cicatrização).

Discussão e Conclusão:

         Tanto no caso de papinhas com frutas, quanto no caso de papinhas que utilizam legumes e hortaliças, há micronutrientes, como sais minerais e vitaminas, que são indispensáveis para o desenvolvimento da criança, como as vitaminas A e C, por exemplo, que estão contidas na cenoura e mamão, respectivamente, e que não têm sua quantidade declarada no rótulo destes produtos.


            A resolução de diretoria colegiada (RDC) da ANVISA, nº 222, de 2006, veda a embalagens e ou rótulos de leites fluídos, leite em pó, leites em pó modificados, leites de diversas espécies animais e produtos de origem vegetal de mesma finalidade, a utilização de  ilustrações, fotos ou imagens de lactentes, crianças de primeira infância,personagens infantis ou quaisquer outras formas que se assemelhem a estas faixas etárias,humanos ou não, tais como frutas, legumes, animais e ou flores humanizados, entre outros,com a finalidade de induzir o uso do produto para estas faixas etárias. Entretanto, essa resolução leva em consideração rótulos de leite em pó, e não papinhas, não havendo uma legislação ou regulamento específico para esse produto, em comparação a outros produtos alimentícios. Desse modo, a indústria alimentícia em geral, mantém o rótulo padrão de alimentos, sem especificar e quantificar vitaminas e sais minerais, importantes para o desenvolvimento da criança.

        É costume que pediatras receitem complexos vitamínicos às crianças, corrigindo alguma possível carência. Entretanto, não podemos generalizar que todas as crianças têm acesso a esse tipo de assistência, como também condições financeiras para arcar com determinada suplementação, sendo fundamental a complementação de informações na tabela de informação nutricional.

          Portanto,é necessário uma revisão da legislação vigente e inclusão de quesitos mínimos a serem adicionados aos rótulos de papinhas, a fim de garantir que este contenha as informações complementares necessárias, ausentes nos rótulos atuais das papinhas.

Referências  Bibliográficas:

BRASIL. Resolução CNS/MS nº 31, de 12 de outubro de 1992. Norma brasileira para comercialização de alimentos para lactentes. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/resol/31_92.htm>. Acesso em: 29 jul. 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC n.º 222, de 05/10/2002. Regulamento Técnico referente à Promoção Comercial eOrientações de uso apropriado dos Alimentos para Lactentes e crianças de Primeira Infância. Diário Oficial da União, Brasília, nº 150, seção 1 de 6 de agosto de 2002.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento de Nutrologia. Manual de orientação: alimentação do lactente, alimentação do pré-escolar, alimentação do escolar, alimentação do adolescente, alimentação na escola / Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia. - São Paulo: Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia, 2006.

NESTLÉ. Processamento de papinhas para bebês. Disponível em: <http://www.nestle.com.br/comecarsaudavel/criancas_a_mesa/tradicao-e-qualidade/ processo-de-producao.aspx>. Acesso em: 29 jul. 2016.



Natasha Christina Barboza Newton 



Um comentário:

  1. Tatielle do Nascimento10 de setembro de 2016 17:27

    O leite materno é o alimento mais completo para bebês até os seis meses. Nele estão contidos proteínas, vitaminas, gorduras, água e outros componentes necessários para o desenvolvimento do bebê. A partir dos seis meses, é importante introduzir outros alimentos com nutrientes importantes para o desenvolvimento neurológico do bebê porque o leite materno não os possui. Nesta idade, a criança não apresenta mais o reflexo de protrusão da língua, o que facilita a ingestão de alimentos semi-sólidos, produz as enzimas digestivas em quantidades suficientes, e, quando sentada, o pescoço não tomba mais, facilitando a alimentação oferecida por colher. As frutas e as hortaliças (legumes e verduras) são as principais fontes de vitaminas, minerais e fibra. Atualmente o uso das papinhas infantis industriais vem aumentando muito por possuir esses nutrientes essenciais e por serem mais práticas na hora de alimentar o bebê. No entanto, a quantidade dos nutrientes não é especificada no rótulo, não sendo possível saber se a criança está consumindo a quantidade necessária desses nutrientes. Com isso, a melhor forma de se ter certeza que a alimentação tem os nutrientes necessários é fazendo com que os alimentos complementares sejam preparados pela família e oferecidos amassados ou picados. Também, é muito importante manter o leite materno até pelo menos os dois anos de idade porque ele continuará protegendo o bebê contra doenças, além de ser fonte de cálcio, fósforo e outros sais minerais.

    Referências Bibliográficas
    BUENO, K. C. V. N. A importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade para promoção da saúde da mãe e do bebê. Disponível em: . Acesso em: 10 Set. 2016.
    SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA. Guia para a alimentação de crianças até dois anos. Disponível em: . Acesso em: 10 Set. 2016.

    Tatielle do Nascimento
    Aluna de Farmácia
    DRE: 113079776

    ResponderExcluir