Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 6 de agosto de 2016

Cafeína e sua segurança para uso como estimulante do sistema nervoso central


         
                O produto Cafeína Power da Stem Pharmaceuticals possui o máximo de cafeína permitida pela anvisa, sendo 420mg. Porém sua indicação é para o exercício físico, indicado no rótulo. Ainda assim, muitas pessoas utilizam destas pílulas para permancerem mais horas acordado, elevar a concentração em atividades, utilizando assim  como um estimulante do sistema nervoso.  
                A cafeína usada para o aumento do rendimento em esportes de alto desempenho. Porém,  o uso de bebidas e alimentos fonte de cafeína se mostra insuficiente. Estudos realizados foram feitos com dosagens diversificadas, com desempenho positivo para a ingestão de 3- 9 mg/kg de peso corporal (com ótimo resultado em 6mg/ kg) uma hora antes do esforço físico. Desse modo, um indivíduo de 70 kg precisaria ingerir 420 mg de cafeína, o que corresponde a 600 mL de café (infusão) – somando o desconforto gástrico e a necessidade de alimentação pré-treino, pode-se concluir que o uso de cafeína por meio da alimentação se traduz inviável para a finalidade de aumento de desempenho. Assim, atletas buscam utilizar de uma dose de cápsulas de cafeína devido aos seus seguintes efeitos nos exercícios:

·         Atuação na mobilização de cálcio muscular, promovendo a duração da contração muscular, o que favoreceria o desempenho em exercícios de alta intensidade e curta duração (anaeróbio);
·         Aumento da mobilização de gorduras livres na circulação devido a ativação de enzimas lipases, o que poderia promover a ativação de mecanismos de queima destas gorduras e a maior preservação do glicogênio muscular. Assim, haveria a possibilidade de prolongamento do exercício de longa duração (aeróbio);

Entretando, muitas pessoas buscam a pílula de cafeína por sua conhecida atuação no sistema nervoso central promovendo estado de alerta. Entretanto, a além de a dose para ação estimulante da cafeína no SNC não ser a mesma para a indicada na realização de exercícios, envolve a estimulação do sistema nervoso simpático, aumentando a liberação e, conseqüentemente, a ação das catecolaminas, particularmente a epinefrina. Portando, a cafeína age no sistema nervoso central ao melhorar a resposta dos neurotransmissores, causando insônia e agitação psicomotora.

 Os efeitos adversos do uso também afeta o sistema cardíaco e respiratório e, em altas doses, estimula a produção de secreções do trato gastrointestinal, como o ácido clorídrico. Assim, o excesso de cafeína pode aumentar a frequência respiratória e cardíaca, podendo propiciar arritmia cardíaca, além de aumentar o risco de gastrite e outros problemas gastrintestinais

Apesar de sua indicação ser para o desempenho em exercícios físicos, é utilizada sobretudo por jovens ou por pessoas que precisam ficar acordadas por muitas horas. De acordo com o Mic, site americano de notícias, dois jovens faleceram após consumir cafeína pura em pó e, agora, senadores pedem que o órgão regulatório americano Food and Drug Administration (FDA) proíba sua comercialização.

Legislação:

RESOLUÇÃO-RDC No- 18, DE 27 DE ABRIL DE 2010
Art. 11. Os suplementos de cafeína para atletas devem atender aos seguintes requisitos: I - o produto deve fornecer entre 210 e 420 mg de cafeína na porção; II - deve ser utilizada na formulação do produto cafeína com teor mínimo de 98,5% de 1,3,7- trimetilxantina, calculada sobre a base anidra; III - o produto não pode ser adicionado de nutrientes e de outros não nutrientes.
Art. 24. Adicionalmente ao disposto no art. 21, nos rótulos de suplementos de cafeína para atletas deve constar a advertência em destaque e negrito: "Este produto não deve ser consumido por crianças, gestantes, idosos e portadores de enfermidades". Parágrafo único. A quantidade de cafeína na porção deve ser declarada no rótulo do produto


Referências:
http://www.stem.com.br/produtos.php?produto=179&titulo=cafeina-power_suplemento-de-cafeina-para-atletas
http://veja.abril.com.br/saude/quando-a-cafeina-pode-matar/
http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/v14%20n2%20artigo4.pdf
http://www.anutricionista.com/a-cafeina-no-exercicio-de-alta-performance.html

RESOLUÇÃO-RDC No- 18, DE 27 DE ABRIL DE 2010

Um comentário:

  1. Carolina dos Santos19 de setembro de 2016 11:30

    A cafeína pode agir como uma droga, também pode causar sintomas de dependência, ainda que esse vício não seja considerado doença psiquiátrica. Estudos apontam que consumidores regulares de cafeína ficam irritadiços, ansiosos ou com dor de cabeça se não tomarem sua dose diária de café. Pior: o corpo pode pedir quantidades cada vez maiores para se sentir bem. E exagerar na dose não é uma boa ideia. Mais de 500 miligramas de cafeína – ou 3 xícaras de café expresso forte – podem desencadear um processo de intoxicação. “Sob a ação da cafeína, os efeitos de estresse são aumentados: insônia, agitação, taquicardia, pupilas dilatadas”, explica a farmacologista Patrícia Medeiros, da UnB. Será que realmente precisamos ingerir grande quantidade de cafeína para ter uma noite longa de trabalho substituída por uma noite longa de sono e descanso, até que ponto isso prejudica a vida pessoal e profissional das pessoas? Um estudo realizado nos EUA, mostra que são gastos US$ 15 bilhões por ano em despesas de saúde relacionadas à insônia e perdem-se US$ 50 bilhões em produtividade desperdiçada, ou seja, precisamos ter senso crítico e moderação no consumo de cafeína, seja ela em um simples café expresso, já que a quantidade nele é bem considerável, como em bebidas energéticas, e muito mais cautela no consumo de cápsulas e comprimidos. Recentemente, pude presenciar um fato no meu meio de trabalho, onde uma profissional fez uso de uma cápsula dita como energético para ajudar no desempenho na academia, consumiu a cápsula pela manhã e chegando ao trabalho teve que ser levada para o atendimento médico, devido ao aumento da pressão sanguínea, ou seja, devemos ter cuidado ao tomar qualquer medicamento, mesmo que ele seja de composição natural, a dose e a variabilidade de cada um faz com que o efeito seja indesejado.

    Referência:
    A base de Cafeína, disponível em: http://super.abril.com.br/ciencia/a-base-de-cafeina, acessado em 19 de setembro de 2016, ás 08:30 h.

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