Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Papinhas: industrializadas ou caseiras? Eis a questão.

Para você que quer ter filhos e/ou cuidar de bebês, será que existem papinhas que substituem refeições completas? A introdução e a escolha dos ingredientes devem ter orientação do pediatra visando uma alimentação complementar saudável e equilibrada para a criança. Sabendo que a alimentação primária tem impacto com a saúde do futuro adulto, uma alimentação mais completa é essencial para o bebê, mas será que as papinhas industrializadas são capazes de suprir essa necessidade?
Embora não possuam conservantes e nem açúcar, mas tenha leite adicionado, as papinhas industrializadas possuem menos nutrientes, menos diversidade de sabores e textura e são mais doces que as caseiras, ou seja, não são consideradas como um alimento completo. Não é adequado chamar a papinha caseira de “salgada” porque não há adição de sal, e sim do que naturalmente contém os alimentos, e nem de “doce”, porque não há adição de açúcar, assim como a industrializada.

As crianças com dieta de aleitamento materno devem receber a papa com legumes, cereais, hortaliças e carne, sem adição de sal, açúcar e gorduras saturadas. E a partir dos seis meses já pode se alimentar com papas de frutas, sempre com orientação pediátrica.

A diferença que ocorre entre as papinhas industrializadas e as caseiras é que estas possuem sabor e consistência mais adequados, suprindo a necessidade da criança passar a discriminar sabores e desenvolver a mastigação com alimentos com mais pedaços, passando a aceitar a comida da família, respeitando os hábitos regionais, que podem se diferenciar do padrão imposto pelas papas industrializadas.

As versões doces ou salgadas dificultam a diferenciação do sabor peculiar de cada ingrediente. Existem diversas dúvidas sobre o fato das papinhas industrializadas serem saudáveis, pois se consumidas rotineiramente, podem prejudicar a educação nutricional, pois o hábito alimentar é moldado na infância, permanecendo na adolescência e na vida adulta, além do fato de que os alimentos industrializados são bastante extremistas, pois ora eles são muito doces ou demasiadamente salgados. Esse hábito, quando bem formado, é crucial para prevenir o surgimento de doenças, como diabetes, aterosclerose e osteoporose. Então, conclui-se que as papinhas industrializadas podem contribuir para o aumento do risco do desenvolvimento de doenças associadas à má alimentação, até porque quando se abusa de alimentos com muitos compostos químicos, as crianças correm riscos de desenvolverem alergias graves porque seu sistema imune ainda está sendo desenvolvido.

Outro fator que dificulta o desenvolvimento da boa alimentação é a falta de diferenciação do sabor peculiar de um ingrediente específico da papinha, que é composta por vários desses, evitando a distinção dos sabores azedo, amargo, doce, salgado e umami. Além disso, a partir dos oito meses, os bebês já são capazes de mastigar pequenos pedaços de alimentos, fortalecendo a dentição, a fala e aliviando a coceira na gengiva graças ao nascimento de dentes. Mas as papinhas são geralmente cremosas ou pastosas, contribuindo para a resistência da criança quando chegar a um ano de se alimentar com as preparações da família. As papinhas possuem geralmente pouca diversidade de aroma e coloração, o que prejudica o prazer da criança em se alimentar, pois as características sensoriais contribuem para tal.

Os alimentos de transição são os industrializados para uso direto ou empregado em preparado caseiro que são usados para complementar o leite materno ou modificado introduzido na alimentação de lactentes para promover uma adaptação progressiva aos alimentos comuns, tornando a alimentação da criança balanceada e adequada às suas necessidades, respeitando a sua maturidade fisiológica e seu desenvolvimento neuropsicomotor. Esses alimentos são processados e conservados por meios físicos, podendo ser classificados quanto à forma de apresentação e tamanho das partículas. As papinhas se encaixam em uma dessas classificações, junto às sopinhas e aos purês.

Elas podem ser apresentadas prontas para o consumo ou desidratadas. A primeira apresentação não requer reconstituição para seu consumo, já os alimentos desidratados precisam da reconstituição para seu consumo, que é o caso das papinhas. Quanto ao aspecto e ao tamanho das partículas, o alimento se apresenta de três formas: homogêneo e de aspecto uniforme (não requer mastigação), com pedaços e de aspecto particulados (estímulo à mastigação), e sopinhas, purês e papinhas desidratados. Após a reconstituição com água ou com outro líquido adequado, as papinhas devem apresentar aspecto e tamanho de partículas semelhantes aos dos produtos prontos para consumo.

As papinhas também podem estar inclusas nos alimentos líquidos à base e suco de frutas, que não precisam de reconstituição, são isentos de partículas e deve-se apresentar quando se tratar de sobremesa.

Sobre as características de composição e qualidade, as papinhas devem ter até 12% de matéria sólida, pH de no máximo 7,0, 250 mg/kg de nitrato expresso em íon NO3-, no máximo, umidade máxima de 8% e mesma condição do íon nitrato para as papinhas desidratadas. Todo material de embalagem em contato de direto com o alimento deve ser seguro e apropriado ao uso a que se destina, sendo que a migração de substâncias indesejáveis deve obedecer aos limites estabelecidos pela legislação específica. Todos os produtos devem ser elaborados de tal maneira que as perdas do valor nutritivo sejam mínimas, especialmente na qualidade das proteínas. Os alimentos de transição para lactentes ou crianças de primeira infância não podem sofrer o processo de irradiação de conservação.

No rótulo dos alimentos de transição devem constar a lista completa de ingredientes em ordem decrescente de proporção e, se for de alimento consumido após a adição de líquido, deve constar os ingredientes na proporção após o preparo, sem contar os que fizerem parte dos líquidos adicionados; alerta sobre a presença de espinafre e/ou de beterraba, pois não pode ser consumido por bebês menores de três meses de idade; instruções de preparo e uso, além de armazenamento e conservação antes e após abrir a embalagem. Sobre as proibições na rotulagem, não pode haver ilustrações e/ou fotos de bebês, pois irá sugerir a utilização do produto como ideal para alimentação do lactente (criança que amamenta), e nem pode existir frases que possam pôr em dúvida a capacidade das mães de amamentarem seus filhos. Podem existir motivos decorativos no rótulo, desde que não induzam à substituição ao leite materno.

É permitida a utilização de aditivos e coadjuvantes de tecnologia conforme legislação específica.
Apesar dos pesares, é ideal recorrer à papinha quando algumas situações requerem praticidade e rapidez, como em viagens de longa distância, pois a papinha caseira pode estragar, e a falta de tempo para preparação de refeições. Mas não se deve tornar a ingestão de papinha um hábito muito frequente. Os pais ou criadores dos bebês devem aproveitar o período da primeira infância para ceder bons ensinamentos à sua alimentação para que ele seja saudável por toda a vida.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 34, de 13 de janeiro de 1998. Aprova o Regulamento Técnico referente a Alimentos de Transição para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, constante do anexo desta Portaria. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 16 jan. 1998. p. 2-7.

FELDMAN, P. Conservantes Escondidos nas Papinhas de Bebê? Disponível em: <http://pat.feldman.com.br/a-verdade-escondida-atras-dos-rotulos/>. Acesso em: 18 jul. 2015.

JEREISSATI, I. Papinhas industrializadas afetam a educação nutricional do bebê. Disponível em: <https://comunidadespsp.wordpress.com/2014/02/14/papinha-pronta-versus-papinha-caseira/>. Acesso em: 18 jul. 2015.

SOCIEDADE SPSP. Papinha pronta versus papinha caseira. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/familia/materias/17421-papinhas-industrializadas-afetam-a-educacao-nutricional-do-bebe>. Acesso em: 18 jul. 2015.

André Athayde de Figueiredo Freire – DRE: 110.130.248

Jéssica Alves Rodrigues – DRE: 111.026.882

5 comentários:

  1. Não podemos negar que há uma praticidade muito grande nas papinhas industrializadas. Os pais das crianças não perdem tempo fazendo o alimento e se preocupam menos com o armazenamento. Mas existe quem condene a prática, alegando que a quantidade de conservantes e outros ingredientes "não naturais" é grande demais para uma criança pequena. Mas, se analisarmos, na verdade, as papinhas industrializadas são tão nutritivas quanto as caseiras. O processamento industrial ajuda a conservar os nutrientes das papinhas devido à esterilização em alta temperatura e ao fechamento a vácuo. No entanto, é importante saber que a biodisponibilidade das vitaminas e dos minerais de um alimento in natura é sempre melhor. Em outras palavras, as substâncias do bem são mais bem aproveitadas pelo organismo. Portanto, se sobrar um tempinho, é melhor preparar a refeição em casa.

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  2. Alguns nutricionistas explicam que existe um rígido controle dos processos de preparo, dos ingredientes e sua origem, além de terem profissionais especializados no desenvolvimento de uma composição equilibrada das papinhas industrializadas, e assim, vale a pena facilitar quando não é possível preparar. E ainda, que a mistura de alimentos nas papas industrializadas não dá à criança a chance de conhecer alimentos e paladares diferentes.
    Porém, apesar do seu uso não ser totalmente condenado, ainda há profissionais que alegam que não é recomendado o uso regular e continuo de papinhas industrializadas, que devem ter uso de forma esporádica e não como substituta da comida caseira. E que esta deve ser utilizada até aproximadamente os 10 meses, a partir daí, a criança já deve receber a mesma alimentação que o resto da família

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  3. A inserção de alimentos processados na dieta de infantos pode vir a se tornar um problema de educação alimentar mais pra frente pois nessa faixa etária do desenvolvimento é onde a criança aprende muito por associação, podendo no futuro termos jovens e adultos que farão escolhas de alimentos processados em detrimento dos naturais. O outro lado da moeda cita a forma com que essas papinhas são práticas. Cabe os pais saberem equilibrar a alimentação dos filhos pensando em tais doenças crônicas bem frequentes como diabetes, sabendo associar o aparecimento delas com a educação alimentar desde os primeiros anos de vida. No mais, o trabalho apresentado cita muito bem esses riscos e faz uma avaliação bromatológica excelente.

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  4. A passagem do leite materno para comidas solidas e semi-solidas é uma etapa fundamental no desenvolvimento da criança, e quando se trata da alimentação alguns cuidados devem ser tomados.
    É interessante frisar como algumas vantagens das papinhas caseiras o ingrediente exato que esta sendo usado para o preparo, bem como seu estado de conservação. Além disso, as diferentes texturas e cores associadas as papinhas caseiras trabalham outros sentidos das crianças, como a visão e o paladar, onde o sabor de cada alimento é enfatizado.
    O conhecimento desses beneficios são importante para os pais, ja que em um dia a dia corrido e com as fortes propagandas de papinhas industrializadas, seu uso se tornou cada vez mais frequente. Desta forma, a papinha industrializada deve ser usada em casos de extrema necessidade, não substituindo a papinha caseira.

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