Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Red Bull: Sinergia e interações



O uso de bebidas energéticas é muito popular entre os indivíduos notívagos, que muitas vezes as associam à bebidas alcoólicas. A ANVISA obriga a inclusão de avisos nos rótulos, não recomendando a prática. Além disto, estudos científicos apontam para uma possível relação entre o desenvolvimento de alcoolismo e o consumo de tais bebidas.

Introdução

As bebidas energéticas não são utilizadas apenas por apreciação, mas sim com o intuito estimulante, de melhorar perfomances e cognições.

Em seu próprio rótulo o Red Bull, uma das bebidas energéticas mais famosas do país, cita: “Red Bull energy drink® - é apreciado no mundo todo por atletas de elite, profissionais dinâmicos, estudantes ativos e motoristas em viagens longas.”

Por pura apreciação ou buscando um efeito energético, é muito comum a mistura de Red Bull com bebidas alcoólicas de alto teor de etanol.

Apesar de existir uma advertência no rótulo da bebida, a prática se sustenta e cada vez abraça mais seguidores. A associação pode ser justificada desde uma tentativa destes indivíduos de reverter os efeitos neurodepressores do etanol até mesmo a simples apreciação da mistura


Produto


Ingredientes: água gaseificada, sacarose, glucose, taurina (1000mg/250mL), cafeína (80mg/250mL) glucoronolactona (60mg/250mL), inositol (50mg/250mL), vitaminas (B3, B5, B6, B2 e B12), acidulante ácido cítrico, reguladores de acidez: citrato de sódio e carbonato de magnésio, aromatizantes, corante caramelo.


Legislação

As bebidas energéticas são legisladas pela RDC 273 de 2005, que as caracterizam como compostos líquidos prontos para consumo. A lei permite as denominações “bebida energética” ou “energy drink” porém não permite expressões como: “energético”, “potencializador”, “melhora de desempenho” ou “estimulante”. Somado a isto os requisitos específicos também se encontram nesta RDC:

- Inositol: máximo 20 mg/100 ml

- Glucoronolactona: máximo 250 mg/100 ml

- Taurina: máximo 400 mg/100 ml

- Cafeína: máximo 35 mg/100 ml

- Álcool etílico: máximo 0,5 ml/100 ml

Estas substâncias devem constar no rótulo do produto, assim como suas concentrações. Vale ressaltar que a legislação obriga a inclusão das seguintes advertência em destaque e em negrito: "Não é recomendado o consumo com bebida alcoólica" e "Crianças, gestantes, nutrizes, idosos e portadores de enfermidades: consultar o médico antes de consumir o produto".


Fundamentos bromatológicos anunciados

Como visto anteriormente, a legislação não permite termos que valorizem o caráter estimulante do Red Bull. Porém seus ingredientes, assim como a própria rotulagem permitida por lei e propagandas, deixam claro o objetivo da bebida.

A taurina é um aminoácido sulfurado que, nos seres humanos, é tanto biossintetizada quanto ingerida em dieta normal. Pode ser encontrada em frutos do mar, aves e carnes bovinas. Estudos científicos apontam para diversos efeitos fisiológicos do aminoácido como detoxificação de metais pesados e no sistema nervosos central assim como uma melhora na resposta hormonal caracterizando melhor performance em atletas.

A glucoronolactona é um tipo de carboidrato biossintetizado a partir da glicose, podendo ser encontrado também no vinho tinto, cereais, maçãs e pêras. É essencial para a desintoxicação e metabolismo de ampla variedade de xenobióticos e medicamentos, via conjugação no fígado, que são excretados na urina. Este processo é conhecido como glucuronização.

O inositol é um isômero da glicose encontrado na forma livre, na forma de fosfolipídeo e em formas fosforiladas, conhecido como ácido fítico. É encontrado e amplamente distribuído na dieta humana, tanto em fontes vegetais quanto animais. Suas funções farmacológicas assemelham-se às da colina e na forma de fosfstidil inositol encontra-se nas membranas celulares e nas lipoproteínas plasmáticas. Os derivados polifosforilados do inositol são liberados como segundo mensageiros em resposta a uma variedade de hormônios e neurotransmissores.

A cafeína é uma das principais xantinas. Essa classe de substâncias antagoniza receptores de adenosina e inativa fosfodiesterase, aumentando a concentração de AMPc intracelular e desenvolvendo melhora na liberação de neurotransmissores do tônus simpático. No sistema nervoso central, as xantinas aceleram a cognição, diminuindo a fadiga e aumentando o estado de vigília.


Discussão

Em relação a rotulagem, pode-se ressaltar, primeiramente, o fato das advertências não estarem em destaque (em azul) quando comparamos com o dizer de recomendação de consumo do próprio Red Bull (único dizer em vermelho) o que poderia ser identificado como uma leve irregularidade.

Em segundo, como citado anteriormente, a legislação preconiza a não utilização de termos como “energético” ou “estimulante”, apesar de permitir o termo “Bebida Energética” o que configura uma enorme contradição na RDC sendo difícil de entender que termos são permitidos ou proibidos. E, mesmo sendo proibidos os termos anteriores, o dizer em vermelho e negrito faz alusão ao efeito estimulante da bebida.


http://www.youtube.com/watch?v=bWUoz9kwaAo

http://www.youtube.com/watch?v=Td5UbU2FwiU&feature=related

Os links acima mostram duas propagandas do Red Bull. A primeira demonstra que a bebida teria capacidade de promover ereção e, a segunda, trabalha com a idéia de uma idosa tomando a bebida e obtendo efeito estimulante e vitalizante. Sendo obrigatório a advertência não recomendando o consumo de tais bebidas para idosos a propaganda pode ser perigosa e vai contra a lei.

Baseada na prática comum de mistura do Red Bull com as bebidas alcoólicas vários pesquisadores buscaram possíveis interações.

O efeito estimulante das bebidas energéticas não antagoniza o efeito neurodepressor causado pelo etanol. Experimentos utilizando apenas cafeina e etanol apresentaram mesmos resultados. Porém, outros estudos demostram que o consumo sinérgico reduz os efeitos colaterais do etanol como dor de cabeça apesar de não reduzir as concentrações plasmáticas e nem pulmonares do mesmo.

Justamente, pelas concentrações plasmáticas permanecerem inalteradas e sem efeitos coleterais imediatos, o indivíduo que utiliza ambas bebidas está mais propenso a se intoxicar com o álcool podendo chegar ao coma alcoólico. E associado a uma maior ingestão de bebidas alcoólicas, estudos mostram que a mistura de Red Bull com bebidas alcoólicas pode levar ao desenvolvimento de alcoolismo.


Conclusão

A legislação das bebidas energéticas encontra-se confusa e, mesmo que seja objetivado a separação do perfil estimulante de tais bebidas a associação já é feita por meio de propagandas (Red Bull te dá asas) e pelo próprio rótulo de forma subliminar.

Quanto às misturas com bebidas alcoólicas, inúmeros artigos científicos citam os efeitos mencionados anteriormente o que, pelo grau de uso da população, pode se configurar em um problema de saúde pública, principalmente em relação ao aumento do número de indivíduos alcólatras.

E apesar de existir advertência no rótulo das bebidas energéticas, as autoridades deveriam promover campanhas conscientização visando diminuir a intensidade de consumo. Sendo assim recomenda-se a não associação com bebidas alcoólicas, e em caso de associar, pelo menos, o faça com moderação.


Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério de Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, RDC nº 273, de 22 de setembro de 2005. Aprova o "REGULAMENTO TÉCNICO PARA MISTURAS PARA O PREPARO DE ALIMENTOS E ALIMENTOS PRONTOS PARA O CONSUMO".

FRANKS, H.M., HAGENDORN, H., HENSLEY, V.R., HENSLEY, W.J. & STARMER, G.A. (1975). The effect of caffeine on human performance, alone and in

combination with ethanol. Psychopharmacologia (Berl)., 45, 177-181.

Ferreira SE, de Mello MT, Pompeia S, de Souza-Formigoni ML. Effects of energy drink ingestion on alcohol intoxication. Alcohol Clin Exp Res. 2006 Apr;30(4):598-605.

Amelia M. Arria, Kimberly M. Caldeira, Sarah J. Kasperski, Kathryn B. Vincent, Roland R. Griffiths, Kevin E. O’Grady. Energy Drink Consumption and Increased Risk for Alcohol Dependence. Alcoholism: Clinical and Experimental Research, 2010;

Waldeck, B.: Ethanol and caffeine: A complex interaction with respect to locomotor activity and central catecholamines. Psychopharmacologia (Berl.) 36, 209-220 (1974)

Oteri A, Salvo F, Caputi AP, Calapai G 2007 "Intake of energy drinks in association with alcoholic beverages in a cohort of students of the School of Medicine of the University of Messina", Alcohol: Clinical and Experiential Research 31, 10, 1677–80

14 comentários:

  1. Thiago,

    você não acha curioso o fato da legislação desaconselhar o consumo associado ao álcool ao mesmo tempo que permite 0,5 ml/100 ml, o que me parece ser uma porcentagem de álcool parecida com a da cerveja (ou estou errada?).


    Em relação à discussão, seria legal se você tivesse abordado os limites toxicológicos (se existirem).

    Uma outra coisa que chama atenção é a recomendação do produto para motoristas em viagens longas. Será que isso é adequado e seguro?

    "Sendo obrigatório a advertência não recomendando o consumo de tais bebidas para idosos a propaganda pode ser perigosa e vai contra a lei."

    A rigor, não sei vai contra a lei, pois essas recomendações são para a rotulagem. Mas é um problema ético, sem dúvida. Principalmente, o primeiro vídeo, onde, de certa forma, atribui-se uma propriedade farmacológica semelhante à do viagra.

    Sobre a insinuação publicitária do Red Bull, além do slogan tradicional "Red Bull te dá asas", eles também chegaram a usar: "Vitaliza mente e corpo"

    http://www.youtube.com/watch?v=2GnM5rTNKq8&feature=channel

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  2. "estudos mostram que a mistura de Red Bull com bebidas alcoólicas pode levar ao desenvolvimento de alcoolismo."
    Este fato se deve ao teor alcoólico já presente na bebida. Este fato também chamou minha atençáo, uma vez que, muitos jovens já utilizam esta bebida. E esta prática de consumir bebida energética com álcool é vista como meio de socializaçäo por muitos adolescentes. Um review intitulado Risks of energy drinks in youths. Bigard AX.Arch Pediatr. 2010, alerta para o fato deste padrão de consumo de bebida energética explicar o aumento do risco de toxicidade de cafeína e álcool em jovens. 25 a 40% do consumo de jovens, neste estudo, relatam o uso de bebidas energéticas com álcool, quando em festas. Uma porcentagem relevante e preocupante.
    Diante do exposto, a Legislaçáo Sanitária deveria ser mais incisiva quanto ao livre comércio deste produtos, os quais podem ser alcançados por menores.

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  3. "Este fato se deve ao teor alcoólico já presente na bebida."
    Bianca, se existe teor alcoólico no Red Bull, a presença do álcool não deveria constar nos ingredientes?

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  4. Thiago vc poderiar ter explorado o aspecto dos anuncios de tv , que são muitos famosos para o Red Bull, e destacar q duarante suas propagadas não se previne os consumidores sobre os perigos da associação com o álcool.

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  5. Mais grave do que está exposto ou näo no rótulo do produto (o que tb é grave) é a legislaçäo RDC 273 de 2005, permitir que em bebidas energéticas quaisquer possa haver um teor de álcool etílico: máximo 0,5 ml/100 ml.

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  6. DEU NA REVISTA ÉPOCA:
    29/01/201110:49


    A bebida da balada
    O que se sabe sobre os energéticos e o que os põe sob suspeita médica

    Elas são doces, levemente gaseificadas, têm sabor de fruta e prometem energia e disposição. A combinação parece perfeita para quem deseja uma dose extra de ânimo naqueles dias em que o corpo está exausto, mas a noite promete ser longa e agitada. Os energéticos são a bebida das baladas. Não contêm álcool – mas ele é encontrado, em altas doses, no corpo de mais da metade de seus usuários. Um hábito está associado ao outro. É por isso, entre outras razões, que os energéticos estão na mira das autoridades de saúde. Até que ponto eles podem agredir ou ajudar seu corpo?

    Um dos mais abrangentes estudos feitos com essas bebidas será publicado em fevereiro na revista científica americana Alcoholism: Clinical & Experimental Research. Pesquisadores de três universidades americanas acompanharam a rotina de mais de 1.000 estudantes universitários. A primeira conclusão é que os jovens que misturam energéticos com álcool relatam se sentir menos bêbados do que de fato estão. O sujeito perde a coordenação motora, fica com os reflexos lentos e tem dificuldade para organizar as ideias, mas acha que está 100%. "Ele acha que está apto para tudo, mas seu estado pode ser descrito como embriaguez desperta", diz Amelia Arria, da Universidade de Maryland, uma das autoras da pesquisa.

    A segunda conclusão é uma consequência da primeira. Por mascararem os efeitos de sonolência causados pelo álcool, os energéticos impulsionam o consumo exagerado de bebida. "A pessoa acha que está melhor do que realmente está, por isso bebe ainda mais", diz Amelia. O estudo também revela o que boa parte das pessoas já sabia: os jovens que consomem energéticos em maior quantidade (52 vezes ou mais por ano) são também os que se embriagam mais cedo e com maior frequência.

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  7. Revista Epoca (cont.)




    Energéticos são bebidas que contêm estimulantes cerebrais, como cafeína e taurina, que agem no sistema nervoso, aumentando o estado de atenção do indivíduo. Essas substâncias também estão presentes no café, no chocolate e no refrigerante. Em doses moderadas (uma latinha, que contém 79 miligramas de cafeína, equivale a pouco mais de uma xícara de café) e sem a mistura com álcool, são substâncias que não apresentam riscos à saúde, dizem os especialistas. "Já para diabéticos, idosos e pessoas sensíveis á cafeína, os energéticos podem apresentar risco cardiovascular" diz Sionaldo Eduardo Ferreira, pesquisador da área de Educação Física e Psicobiologia, com ênfase em comportamentos abusivos, da Unifesp.

    Mas, da forma como são consumidas, os jovens ultrapassam facilmente o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde, de 200 miligramas. Isso equivale a duas latas e meia. O ator e modelo paranaense Junior Mariano, de 23 anos, diz já ter consumido cinco latinhas de energéticos em uma noite. "Eu misturo com vodca para suavizar o gosto do álcool", diz. "Fica mais gostoso." Ele conta que quando exagera na dose sente o coração acelerado e tem dificuldade para dormir. Algumas marcas tentam associar o efeito da bebida ao de algumas drogas. O fabricante de um energético chamado "cocaine" (cocaína, em inglês) foi obrigado a mudar o nome de seu produto e suspender o vídeo de divulgação do produto. Nele, um jovem aparece cheirando a latinha antes de colocá-la na boca. "Eles tentam passar a ideia do efeito da droga e isso é muito perigoso", diz o pesquisador Bruno Gualano, da Escola de Educação Física e esporte da USP, que estuda a influência da nutrição no desempenho motor.


    O que diz a Red Bull
    "O Red Bull Energy Drink está disponível em mais de 160 países porque as autoridades de saúde em todo o mundo concluíram que o produto é seguro para consumo. Cerca de 30 bilhões de latas foram consumidas desde que foi criado, há 24 anos . O consumo bebidas energéticas combinada com bebidas alcoólicas não é recomendado, conforme indicado na lata do produto".
    O primeiro energético a chegar às prateleiras foi o Red Bull, lançado na Alemanha em meados de 1987. No Brasil, a marca desembarcou nos anos 90 e hoje é líder, com 40% do mercado. O Red Bull Energy Drink, disponível em mais de 160 países, afirma em nota oficial que a combinação de álcool e energético não é recomendada, conforme indica o rótulo de seus produtos. Consomem-se no Brasil cerca de 87,5 milhões de litros de energéticos por ano. É pouco menos que o consumo de isotônicos, bebidas usadas para reposição de sais minerais nas atividades esportivas. Algumas pessoas confundem isotônicos e energéticos, mas eles são totalmente diferentes. Um hidrata o corpo, o outro estimula o cérebro.

    No Canadá e nos Estados Unidos, os dois países que mais consomem energéticos do mundo, a vigilância sobre o produto é intensa. Os estudos revelam que os acidentes de trânsito mais graves têm a "bebida da balada" associada ao álcool. "Chegamos a um ponto em que as pessoas começam a tomar em jejum, em vez do café da manhã", afirma Albert Schumacher, da Associação Médica Canadense.

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  8. Revista Epoca (cont. final)



    Um estudo que será divulgado na próxima semana pela ProTeste, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, revela que os energéticos também têm problemas nos rótulos. Marcas como Atomic, Monster, Night Power e Red Hot são mais açucaradas do que dizem ser.




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    LEONARDO SOARES MAIA | MG / BELO HORIZONTE | 01/02/2011 22:33
    trofeu joinha
    adoro uma pesquisa malfeita por pesquisadores imbecis. eles colocam a informação "os jovens que consomem energético se embriagam mais cedo e com maior frequancia" na tentativa de induzir o leitor a entender que o energético leva o moleque a beber, quando na verdade consumo de energetico e de bebida sao situações que OCORREM EM CONJUNTO, mas nao dao CAUSA uma à outra. o que estou dizendo é que o cara bebe energético com whisky porque ta afim de beber, e não porque o energético O LEVOU a beber. não vou entrar no mérito dos efeitos da bebida no organismo, até porque não sei bem quais são. só vou criticar a forma como esse repórter desqualificado colocou esses dados, dados que, se bem interpretados, nao significam NADA.
    MARIA ESTER | SP / SANTOS | 01/02/2011 00:55
    O consumo de si mesmo.
    O excesso de falta de limite e de equilíbrio é que provoca os efeitos colaterais na vida desses jovens, às vezes, meninos ainda, tão absolutamente sem causa. Eles querem a todo custo um tudo misturado com coisa nenhuma com muita propriedade e numa atitude insensata, inerente a essa geração, atiram-se num inexorável, abstrato e inusitado universo desconhecido. As músicas que embalam essas noitadas são de Kid Abelha:Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa...mas nada é tanto assim! Ou de Pitty:Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar,não deixe nada pra semana que vem,porque semana que vem pode nem chegar. Ou até pode ser admirável chip novo que nos remete a sensação de que existe uma necessidade absurda de serem todos um rebanho de títeres.
    JULIANA | SP / CAMPINAS | 30/01/2011 23:00
    q preco 'e esse
    onde encontraram de mercado esse preco tao baixo,pois aqui normalmente estao muito acima desse valor...

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  9. Thiago de Paiva Garcia10 de abril de 2011 15:45

    Comentário Dividido em Duas Partes - 01/02

    O consumo de etanol é umas das práticas mais antigas e comuns na população mundial. Sua difusão tem bases tanto sociais quanto econômicas. A desinibição, a descontração e a sensação de sentir-se parte de um grupo são aspectos psicológicos associados ao produto, embora não sejam possíveis de ser mensurados. Por outro lado a indústria de bebidas alcoólicas gera bilhões com a venda do produto e o marketing, embora regulado, não controla efetivamente a propaganda, uma vez que de acordo com o artigo 1°-A, da Lei n. 9.294/96 só é considerado bebida alcoólica aquela com teor alcoólico acima de 13 graus Gay-Lussac (excetuando cervejas, vinhos e bebidas conhecidas como ‘ice’), e embora haja proposta de alteração do artigo alterando o teor para 0,5 graus Gay-Lussac, não há previsão de aprovação.
    Há uma grande associação da população e das mídias que a propaganda de bebidas alcoólicas e o consumo estão diretamente relacionados, no entanto, não podemos desconsiderar que o homem é um ser social e que as primeiras experiências estão mais associadas ao convívio social do que propagandas por si só. Artigos como ‘Energy Drink Consumption and Increased Risk for Alcohol Dependence’ utilizado como referência do trabalho acima induzem o pensamento que as bebidas energéticas levam um aumento no consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens. Não estou em momento nenhum dizendo que amenizar o sabor, aumentar a sensação de atenção e alerta não influenciem num maior consumo de álcool, mas outras alternativas para essas funções já eram utilizadas pelos consumidores, como sucos, refrigerantes e até o famoso café preto, não sendo, então, um padrão de consumo inserido pelas bebidas energéticas.
    Quanto à rotulagem do produto concordo com o autor do trabalho que embora não explicitamente o rótulo e as propagandas (principalmente televisivas) geram uma idéia de excitação e atenção que não é permitida pela RDC nº 273, de 22 de setembro de 2005. E trabalhos como Liguori, 2001 indicam que embora a cafeína aumente a atenção não altera os efeitos danosos do álcool em relação aos reflexos.
    Outro componente encontrado nos energéticos é a glucoronolactona que embora seja importante na biotransformação e excreção de diversos medicamentos e xenobióticos, não apresenta função bioquímica para ajudar na eliminação do etanol, sendo atividade predominante da álcool desidrogenase. O inositol tem diversas funções, funcionando desde mensageiro citoplasmático até protetor hepático e renal.

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  10. Thiago de Paiva Garcia10 de abril de 2011 15:46

    Comentário Dividido em Duas Partes - 02/02


    A taurina, por sua vez, apresenta alguns efeitos benéficos interessantes aos consumidores de bebidas alcoólicas. Uma reportagem liberada pela BBC mostra dados de estudos que indicam que a taurina apresenta características de reverter processos de danos hepáticos causados pelo consumo de bebida alcoólica. Outro texto que mostra os efeitos benéficos da taurina inclui o que trás diversas referências de publicações científicas que comprovam os efeitos benéficos da taurina em abstinência de álcool em alcoólatras em tratamento, diminuição da taxa de morte neuronal causada pelo consumo de etanol, entre outros.
    A intenção dessa pesquisa sobre os efeitos dos componentes presentes mais comumente em energéticos é levantar o questionamento que estas substâncias não apresentam apenas efeitos danosos quando consumidas com álcool (ou na famosa ressaca) e que podem trazer benefícios para alcoólatras e para outras finalidades. A idéia não é incentivar o consumo das bebidas ‘em sinergia’, pois como bem explicitado pelo autor do trabalho os energéticos dão sim uma sensação errônea de não se estar tão bêbado ou de se ter atenção suficiente para exercer atividades como dirigir, podendo ocasionar comas alcoólicos ou acidentes. A proposta é mostrar que uma mudança na propaganda poderia informar mais efetivamente os riscos sujeitos pelo consumidor ao consumir essa bebida juntamente a bebidas alcoólicas, uma vez que apenas a frase ‘não é recomendado o consumo junto com bebida alcoólica’ não surtirá efeito sobre esse consumo conjunto, uma vez que a necessidade a sensação de energia, o gosto amenizado do álcool e a sensação de inclusão ao grupo irão se superpor a frase indicativa, pois tem uma relação muito mais direta e momentânea com as necessidades do consumidor.

    Autor: Thiago de Paiva Garcia - DRE: 107354100

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  11. Thiago de Paiva Garcia10 de abril de 2011 15:48

    links excluídos quando enviei o texto:

    reportagem BBC: http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/magazine/4563760.stm

    texto efeitos benéficos da taurina: http://inhumanexperiment.blogspot.com/2009/05/does-taurine-improve-cognitive.html

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  12. Lendo a maioria dos comentários do blog, vejo como somos extremistas. Coloquei na cabeça de que eu tinha que entrar

    aqui e criticar negativamente um trabalho. Talvez não o trabalho do aluno, mas o tema do trabalho. Falar mal do Red

    Bull. Sim, sem dúvidas, há malefícios (como em: http://bit.ly/fGDULm e http://bit.ly/gXs6tj) oriundos dessa bebida e de

    todos os energy drinks, mas também possui benefícios (http://bit.ly/i1p6z1), como falado no rótulo, para motoristas de

    longas distâncias. Acredito que nosso trabalho aqui é nos fazer pensar, é refletir sobre o que nos vendem, como nos

    vendem (veículos comunicativos, tanto televisivo, quanto impresso), o que nos mostram e, por fim, como isso influencia

    na hora da compra.

    Frequentemente vemos o consumo dessas bebidas recreativas entre menores de idade e o perigo mora justamente nessas

    pessoas com baixa maturidade e capacidade de julgamento. Por vezes associadas a imagens de atletas e esportistas

    radicais, sendo patrocinadora de eventos de mesmo cunho, a bebida energética cria uma atmosfera tentadora aos jovens

    que se sentem invencíveis e que estão presentes em uma sociedade onde o mais descolado (geralmente, aquele que bebe) é

    o mais legal e é aquele que atingirá seus objetivos com mais facilidade. Vendo isso estampado nos intervalos das

    novelas, nos outdoors, no rádio e em todo tipo de propaganda, o jovem sente-se quase na obrigação de consumir esse tipo

    de bebida se ele quiser se manter em um círculo de amizades mpositivas.

    Mas não para aí, certo? O estopim para o uso do etanol já foi dado. Quando ele ouve do colega que misturar etanol com

    energético é bom ("dá barato" ou "deixa ligadão"), ele não para pra analisar o potencial nocivo da mistura, que nada

    tem de sinérgica. Basta analisar: um é depressor do sistema nervoso central (etanol), outro é excitatório (energético).

    Ou seja, não tem como essa mistura ser benéfica. No mínimo, o energético vai aumentar o tempo que você fica acordado

    pra poder consumir mais álcool. Acho que dá pra entender onde isso vai parar. Apesar do aviso no rótulo de não consumir

    o energético com álcool, não é isso que vemos na rua. A indústria do álcool pouco se importa, quer mais é que

    misturemos mesmo. E o curioso é que não vemos nos rótulos de bebidas alcoólicas que não se deve consumir com energy

    drinks. Tão pouco, ambas as indústrias fazem referência aos níveis tóxicos das substâncias.

    Portanto, já tendo em mãos o álcool e o energético, o que falta na mão desse jovem, pra catalisar essa mistura

    explosiva, é a chave de um carro na mão. Munido de cafeína e taurina, ele acha que seus reflexos estão aumentados e,

    portanto, utiliza desse respaudo pra dirigir, achando que seus reflexos não estarão diminuídos pelo consumo de álcool.

    O que é totalmente equivacado visto trabalho de Liguori (2001) que o Thiago mencionou acima.

    Caso curioso que presenciei semana passada foram jovens (uniformizados com blusas da rede pública de ensino,

    nitidamente menores de idade) entrando nessas lojas de conveniências dos postos Ypiranga, indo direto a geladeira onde

    encontravam-se os energy drinks. Geladeira trancada. Precisaram pedir pra abrir. Abriram, pagaram e, orgulhosos, foram

    embora bebendo, se exibir pra amigas do lado de fora da lojinha. Enquanto disso, na entrada da mesma loja de

    conveniência, caixas e mais caixas de cerveja disponíveis e empilhadas para qualquer um pegar.

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  13. Como já mencionado anteriormente, apesar de presente no rótulo uma advertência a respeito do uso de bebidas energéticas com bebidas alcoólicas, as pessoas, principalmente os frequentadores de casas noturnas, não deixam de fazer a mistura.
    Num estudo recente observou-se grande variabilidade individual quanto aos efeitos relatados desta prática.
    Ainda dentro da discussão dos diferentes comentários feitos aqui, também acredito que o consumo de energy drinks não induz o uso de álcool, porém defendo que o uso de bebidas energéticas causa uma possível alteração do padrão de uso de bebidas alcoólicas, especialmente das destiladas.
    Na pesquisa em questão, grande parte da amostra de consumidores analisada relatou não ter por hábito ingerir uísque e/ou vodka, mas o fazer, e por vezes em grande quantidade, quando em combinação com bebidas energéticas.
    De forma ainda mais importante, estudos com voluntários demonstraram que a ingestão de uma lata de bebida energética não reduziu os prejuízos provocados pela ingestão de álcool (0,6 e 1,0 g/kg) nas capacidades de atenção, tempo de reação visual e coordenação motora. O que sugere a necessidade da ingestão de volumes maiores do energético, podendo até chegar a concentrações tóxicas.
    Entre os poucos trabalhos encontrados na literatura a respeito da interação entre álcool e bebidas energéticas, destaca-se a sugestão de que usuários desta combinação poderiam fazer um juízo errôneo de suas capacidades e provocar acidentes com maior probabilidade do que somente após a ingestão de álcool.
    É indiscutível que as bebidas energéticas, especialmente aquelas que contêm taurina e cafeína, vêm sendo utilizadas para potencializar os efeitos estimulantes do álcool. Resta identificar se este efeito é farmacologicamente explicável e quais os mecanismos envolvidos, ou se é apenas um efeito placebo.
    Constam na literatura alguns trabalhos relatando os efeitos da ingestão de bebidas energéticas como melhora do desempenho psicomotor, redução do tempo de reação motora, aumento da concentração ou da memória imediata e aumento da sensação subjetiva de alerta ou vigor. Há também relatos sobre a melhora do estado de humor e do desempenho físico após a ingestão de Red Bull. Nestes estudos, os autores atribuem os efeitos à ingestão do composto, mas como não testaram seus componentes isoladamente não puderam sugerir os prováveis mecanismos de ação.
    Os relatos de diminuição do sono e de aumento da sensação de prazer ao se ingerir bebidas alcoólicas em combinação com energéticas sugerem que estas poderiam prolongar a duração dos efeitos excitatórios do álcool. Uma possibilidade de explicação para este efeito seria uma modulação da neurotransmissão gabaérgica exercida pela taurina. Sabe-se que o efeito depressor do álcool está associado a aumento da neurotransmissão mediada pelo GABA (ácido gama-amino-butírico). Desta forma, diminuindo a atividade gabaérgica, a taurina reduziria o efeito depressor do álcool. É possível também que a redução do efeito depressor do álcool seja devida às ações estimulantes da cafeína no córtex cerebral. Alguns estudos demonstram que em determinadas doses a co-administração de cafeína reduz alguns dos efeitos depressores do álcool. Entretanto, não há estudos sobre a administração conjunta de taurina, cafeína e álcool que permitam fortalecer alguma destas hipóteses.
    A ampliação e diversificação desta amostra são fundamentais para o melhor conhecimento dos hábitos de uso e efeitos observados após a ingestão combinada de bebidas alcoólicas e energéticas. Encontram-se em andamento estudos com voluntários e em animais de laboratório que têm por objetivo avaliar, de maneira sistematizada, os efeitos agudos e crônicos da ingestão de álcool com bebidas energéticas.

    http://www.scielo.br/pdf/%0D/ramb/v50n1/a34v50n1.pdf

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  14. Na minha opinião, os principais focos nesse assunto de bebidas energéticas são: estabelecer um limite máximo de ingestão e a associação dessas bebidas com álcool. A ingestão excessiva de RedBull causa uma estimulação adrenérgica, que pode acabar ocasionando palpitações e taquicardias. No rótulo, só é espeficicado que pacientes com enfermidades não podem consumir o produto. Porém, o fabricante deveria espeficar que enfermidades são essas, como pessoas com hipertensão e outros problemas cardíacos, em geral. Além disso, o consumo da bebida juntamente com o álcool, por potencializar o efeito do álcool não é recomendada e isso está bem descrito no rótulo. Porém, em muitos lugares, como casas noturnas, comercializam essa mistura. Parte do órgão de fiscalização fiscalizar e penalizar estabelecimentos que comercializam bebidas alcóolicas com o Redbull ou qualquer bebida estimulante.

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