Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Chá Verde Feel Good: um chazinho é sempre bom?


O chá verde tem sido utilizado há anos como um alimento funcional devido aos polifenóis presentes nas folhas da Camelia sinensis. Os polifenóis apresentam efeitos pró-emagrecedores e antioxidantes, ações que contribuem para o sucesso desta bebida. A grande demanda pelo chá verde resultou na sua industrialização e os pacotinhos para infusão foram substituídos por latas contendo um chá “pronto para beber”, como o Chá Verde Feel Good. Outros benefícios do chá são anunciados pelo fabricante, como o auxilio na redução do LDL e o fortalecimento dos dentes, se este for ingerido diariamente. O layout da marca sugere “Zero calorias, dez em saúde.”, mas quanto do produto deve ser ingerido diariamente para o aparecimento do efeito “good”? A presença da cafeína deveria determinar a quantidade máxima a ser ingerida do chá verde?

O chá verde Feel Good, segundo o fabricante Wow, é uma bebida “Zero calorias, dez em saúde”. A promessa por uma vida mais saudável deve-se á presença do pó de Camelia sinensis, espécie que possui folhas ricas em polifenóis, principalmente catequinas. Entretanto a quantidade utilizada de pó da folha não é especificada no rótulo, deixando o consumidor confuso quanto à quantidade de chá que deve ser ingerida diariamente para que ele se sinta bem (tradução de Feel Good). A proporção de 148mg de polifenóis em uma porção de chá (200mL) é especificada pela Wow apenas no site, informação que deveria fazer parte do rótulo. Os efeitos benéficos do chá verde também estão listados no site, porém a empresa se abstém de informar a posologia e o modo de utilização do produto para que se obtenha os efeitos desejados. O objetivo deste trabalho é expor a deficiência de informações nos rótulos do chá verde Feel Good e mostrar que além dos rótulos, as propagandas devem ser bem regulamentadas.

A ausência de calorias pode ser explicada pela adição de edulcorantes não-calóricos ao chá verde, que proporcionam o sabor doce do açúcar sem as calorias decorrentes da sua ingestão. Os edulcorantes encontrados são o ciclamato de sódio, a sucralose e a sacarina sódica.

Ingredientes: água, chá verde em pó (Camelia sinensis), estabilizante citrato de sódio, acidulante ácido cítrico, antioxidante ácido ascórbico (vitamina C), aroma idêntico ao natura de limão, suco concentrado de limão e edulcorantes artificiais ciclamato de sódio (40mg/100mL), sucralose (6mg/100mL) e sacarina sódica (4mg/100ml). Não contém glúten. Não fermentado e não alcoólico.

O chá verde é considerado um alimento funcional que apresenta em sua fórmula polifenóis. A definição de alimento funcional que mais se aplica é a de um alimento que apresenta um componente incorporado com efeito fisiológico, não apenas nutricional. Sendo assim, os alimentos funcionais seriam aqueles utilizados com a função de nutrir e tratar/prevenir doenças e podem, portanto, ser registrados como alimentos. O detentor do registro do chá verde Feel Good é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), porém é a Anvisa quem fiscaliza e define as diretrizes básicas para a análise e comprovação nutricional destes alimentos. Estas diretrizes estão presentes na Resolução 18/99 e Resolução 19/99. Agência aprova as alegações de nutrição e/ou saúde (Health Claims) que apresentem uma base científica e as padroniza, para facilitar o entendimento dos consumidores em relação às informações veiculadas no rótulo do produto.

Não há legislação específica para o chá verde pronto para consumo. A Lei nº 8918/94 dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas de uma maneira geral. A resolução da Anvisa RDC nº267 estabelece as espécies vegetais para o preparo do chá, incluindo a Camellia sinensis em sua lista. Esta RDC traz uma definição do chá e afirma que este não pode ter finalidades farmacoterapêuticas. Como esta RDC não dispõe sobre o chá verde pronto para consumo, o conceito sobre finalidade terapêutica não deve ser aplicado.
Sobre propaganda, a Anvisa informa que irá publicar, até o início do próximo ano, regras específicas no Brasil. Atualmente utiliza-se como referência o decreto-lei 986/96.

A propaganda do chá verde Feel Good baseia-se em um novo estilo de vida mais saudável e que faz com que o consumidor se sinta bem. A presença de polifenóis entra em evidência devido ao seu efeito terapêutico. Segundo o site do fornecedor, o chá verde:

• Possui ação antiinflamatória e anti-gripal devido à presença de vitamina C;
• Acelera o metabolismo, auxiliando na redução do peso;
• Demonstra, em estudos, possível ação preventiva do câncer;
• O consumo diário reduz o LDL e fortalece as artérias e veias;
• Apresenta altas concentrações de antioxidantes que combatem radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento.

As folhas da Camellia sinensis são ricas em polifenóis, principalmente catequinas (incluindo outros flavonóides). As catequinas correspondem à aproximadamente 26,7% dos compostos presentes nos chás, sendo a galato-3-epigalocatequina (EGCG) a mais abundante (11%) e com maior poder antioxidante. Estes compostos são agentes redutores , eliminadores de oxigênio singlete e doadores de ligação de hidrogênio (apresenta muitos grupamentos hidroxila). Isto significa que os polifenóis têm atividade antioxidante por serem oxidados, evitando assim a oxidação do LDL, por exemplo. Como apresenta atividade sequestrante de radicais livres, estes compostos podem auxiliar, em altas doses diárias, no retardo do envelhecimento.
A possível ação preventiva também fica à cargo do poder antioxidante dos polifenóis, impedindo a ação de radicais livres sobre células “saudáveis”,que levariam à formação de possíveis células cancerosas.

Há estudos que descrevem a ação da EGCG como inibidora da COMT (catecol-O-metiltransferase), enzima responsável pela metabolização de adrenalina e noradrenalina. A inibição desta enzima aumenta o tempo de permanência destas catecolaminas na fenda sináptica. O efeito emagrecedor deve-se ao estímulo metabólico e à termogênese gerados por este excesso de noradrenalina. Alguns pesquisadores sugerem que a inibição da adipogênese e a indução de apoptose em adipócitos também ocorrem devido à alta ingestão de EGCG.

A quantidade de polifenóis a ser ingerida diariamente varia de acordo com o grupo de pesquisa. Nutricionistas brasileiros padronizaram o número de xícaras (240mL) de chá verde de acordo com a quantidade de antioxidantes presentes e mostraram que a quantidade de chá a ser ingerida para se obter o efeito do chá verde natural varia de acordo com a marca do produto. De acordo com o estudo, 5 xícaras do chá verde Feel Good equivalem à 3 xícaras de chá verde preparado por infusão, sendo assim, seriam necessários 1200mL diários do chá verde Feel Good para que a quantidade de antioxidantes fosse alcançada. Neste estudo não foram indicados o modo de utilização e os efeitos desejados. De acordo com o fabricante, 200mL de chá verde Feel Good possuem 148mg de polifenóis, sendo assim a ingestão de 1200mL de chá verde fornecem 888mg de polifenóis, quantidade superior à utilizada em estudos no exterior. Entretando o que se deve levar em conta é o local de origem da Camellia sinensis. A composição da folha depende do clima, da estação em que foi cultivada, o processo de plantio utilizado, a época de colheita e a idade da planta. Não basta dizer a quantidade de polifenóis, deve-se especificar quais são os tipos, pois sabe-se que há uma diferente entre o potencial antioxidante dos componentes. Fator que modifica e muito a quantidade de chá verde a ser ingerida. Um outro fator limitante muito importante é a baixa biodisponibilidade dos polifenóis, pois estes são facilmente metabolizados pela CYP450 e por enzimas de conjugação (metabolismo de fase II) devido aos grupamentos hidroxilas presentes nas moléculas. A concentração plasmática da EGCG uma hora após a ingestão de 6-12 copos é de 0,1µM, fato que sugere que a ingestão do chá ocorra várias vezes ao dia e no intervalo das refeições, para evitar possíveis interações com outros alimentos. O importante neste caso não é só informar a quantidade de xícaras de chá verde que devem ser ingeridas, mas a maneira como esta ingestão será realizada. Isso, caso a concentração de 0,1µM seja suficiente para o aparecimento dos efeitos benéficos em humanos. Há estudos clínicos que comprovam os efeitos benéficos do chá verde, porém cada indivíduo é diferente do outro e os efeitos sobre a população devem ser observados.

É importante ressaltar que muitos consumidores utilizam este produto como medicamento e não como uma simples bebida para “matar a sede”. Esta prática é ainda estimulada pelo fabricante que registrou o produto no MAPA como alimento.

Um fato que chamou a atenção foi a “ausência” de informação sobre os componentes do chá verde. No rótulo consta apenas que o produto possui pó de Camellia sinensis, mas não há indicações sobre a presença de cafeína, substância presente no chá verde. A ingestão de um produto rico em sódio, com substâncias que sugerem a inibição de COMT e da cafeína que estimula a ação simpática seria prejudicial à consumidores hipertensos. Além disso este produto deve ser evitado por pessoas com problemas gástricos, renais, hipertiroidismo e ansiedade. A ingestão excessiva de cafeína pode levar à dor de cabeça, náuseas e taquicardia. Infelizmente não há avisos sobre estas contra-indicações.

O chá verde Feel Good pode auxiliar na manutenção de uma vida mais saudável. O que não fica claro é que as propriedades anunciadas dependem de uma alimentação balanceada e a prática de exercício físico regular e não apenas do consumo do chá verde. É importante ressaltar que a comprovação dos efeitos benéficos do chá verde são apenas experimentais. O registro do produto como alimento fica a cargo do MAPA e a fiscalização das alegações nutricionais é responsabilidade da Anvisa, sendo assim esta deve analisar as alegações de cada produto lançado no mercado. Entretanto, no rótulo do produto a única frase que sugere um efeito benéfico é: “Sinta-se bem com Feel Good”, não há alegação nutricional. A citação dos benefícios do chá verde surge na propaganda, que deveria ser melhor fiscalizada. Esta promete uma vida mais saudável na forma de música e no site há uma lista com todos os benefícios do chá verde. As alegações surgem sem referências, sem especificar a quantidade de chá que deve ser ingerida ou quantas vezes por dia deve-se fazer o uso do produto. Como este produto é um alimento, no momento do registro estas informações não são requisitadas, pois não é um medicamento.

A falta de informações no rótulo como a presença de cafeína, pode ser prejudicial à saúde de pessoas que necessitam de dietas diferenciadas. O registro dos produtos e a fiscalização das propagandas devem ser mais rigorosos visando sempre o bem estar da população.

O chá verde é realmente mais saudável que refrigerantes e bebidas alcoólicas. É uma bebida de baixa caloria e se ingerida em poucas quantidades não apresenta contra-indicações.


Referências Bibliográficas
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Abdul G Dulloo, C. D.; Efficacy of a green tea extract rich in catechin polyphenols and caffeine in increasing 24-h energy expenditure and fat oxidation in humans. The American Journal of Clinical Nutricion , v.70, p.1040-1045, 1999.
Anjo, D. F. C.; Alimentos funcionais em angiologia e cirurgia vascular. Jornal Vascular Brasileiro, v.3, n.2, p.145-154, 2004.
Claudine Manach, G. W.; Bioavailability and bioefficacy of polyphenols in humans. I. Review of 97 bioavailability studies. The American Journal of Clinical Nutrition , suppl 81, p. 230S-242S, 2005.
Renata da Costa Lamarão, E. F.; Aspectos funcionais das catequinas do chá verde no metabolismo celular e sua relação com a redução da gordura corporal. Revista de Nutrição , v.22; n.2, p.257-269, 2009.
Selene M. de Morais, E. S.; Ação antioxidante de chás e condimentos de grande consumo no Brasil. Revista Brasileira de Farmacognosia , v.19, 1B, p.315-320, 2009.
Simara Matsubaram, D. B.-A.; Teores de catequinas e teaflavinas em chás comercializados no Brasil. Ciênc. Tecnol. Aliment. ,v.26, n.2, p. 401-207, 2006.
Serafini M., Ghiselli A., Ferro-Luzzi A.; In vivo antioxidant effect of green and black tea in man. European Journal of Clinical Nutricion, v.50, n.1, p.28-32, 1996.
Dulloo A.G., Seydoux J., Girardier L., Chantre P., Vandermander J.; Green tea and thermogenesis: interactions between catechin-polyphenols, caffeine and sympathetic activity. International Journal of Obesity and Related Metabolic Disorder, v.24,n.2, p.252-258, 2000.

http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/18_99.htm Acesso em: 20.11.10
http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/19_99.htm Acesso em: 20.11.10
http://www.anvisa.gov.br/alimentos/informes/07_090503.htm Acesso em: 20.11.10
http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/519_98.htm Acesso em: 20.11.10
http://www.inmetro.gov.br/infotec/publicacoes/boletins/Info9808.pdf Acesso em: 20.11.20
http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2006/251006.htm Acesso em: 20.11.10
http://www.scielo.br/pdf/rn/v22n2/v22n2a08.pdf Acesso em: 03.12.10
http://wow.com.br/feelgood/ Acesso em: 05.11.10
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u408418.shtml Acesso em: 03.12.10
http://veja.abril.com.br/130208/p_106.shtml Acesso em: 03.12.10

15 comentários:

  1. Mainara,

    Seu trabalho está muito interessante. Achei legal você ressaltar o presença da cafeína na composição, mas gostaria de lembrar que existem vários tipos de chá verde conforme as condições de cultivo e que ele contém naturalmente a cafeína - em maior ou menor proporção conforme o tipo.

    Mas o que eu gostaria de questionar é: será que a sensação de "feel good" vem dos polifenóis do chá ou da cafeína(o que poderia ser obtido através de outras bebidas)?

    Outra coisa que eu gostaria de comentar é que essa história de que a vitamina C é antigripal já vem sendo questionada nos últimos anos e, mesmo que fosse verdadeira, essa vitamina C foi utilizada com intuito de beneficiar o consumidor ou simplesmente como conservante (como diz na lista de ingredientes)?

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  2. Gabriela, como não há informação alguma sobre a ação antigripal dos polifenóis, associei esta ação antigripal à presença da vitamina C. Estou ciente sobre este questionamento, mas foi a única maneira que eu encontrei para explicar esta ação do produto.

    Acredito que a utilização de ácido ascórbico como conservante auxilie na propaganda do produto. A ingestão de apenas uma porção ultrapassa os valores de vitamina C recomendados. Pra que comprar vitamina C na farmácia se o meu chazinho já supre a minha necessidade?

    Como ressaltei no texto, há realmente uma variação na composição e concentração dos componentes do chá verde. Não há como saber com certeza a quantidade de cafeína ou polifenóis sem conhecer as condições de plantio e manuseio da planta. Acredito que a sensação de "Feel Good" seja proveniente da mistura dos polifenóis, da cafeína e principalmente do consumidor que espera por este efeito.

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  3. "principalmente do consumidor que espera por este efeito."

    Esse certamente é o mecanismo que mais explica (rsrs)

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  4. "A ingestão de um produto rico em sódio, com substâncias que sugerem a inibição de COMT e da cafeína que estimula a ação simpática seria prejudicial à consumidores hipertensos."
    Abordagem interessante uma vez que, hipertensos säo pacientes especiais que geralmente devem associar ao seu tratamento uma dieta de perda de peso, dimunuiçäo de colesterol e gorduras em geral para a sua melhora, e podem recorrer ao chá verde por conta do efeito emagrecedor e diminuidor do colesterol. (Effect of green tea catechins with or without caffeine on anthropometric measures: a systematic review and meta-analysis. Phung OJ, Baker WL, Matthews LJ, Lanosa M, Thorne A, Coleman CI. Am J Clin Nutr. 2010)
    Contudo, o risco apontado no trabalho deve ser levado em conta pelos órgáos sanitários, uma vez que este efeito impacta, e muito,a saúde pública.

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  5. Um fato que julgo interessante é o fato das catequinas já possuírem um certo poder antioxidante como é o caso da EGCG.
    Logo, poderia não haver a necessidade da adição da vitamina C como antioxidante; servindo apenas para aumentar a lista de efeitos benéficos do produto nas propagandas, como em: "Possui ação antiinflamatória e anti-gripal devido à presença de vitamina C".

    Outra aspecto interessante é novamente a falta da informação no rótulo da quantidade de polifenóis presentes na porção.

    Mainara, achei muito informativa sua abordagem na discussão a respeito dos efeitos adversos que uma parte da população poderia desenvolver ao consumir o chá verde feel good, como o caso dos hipertensos.

    No rótulo, acredito que o fabricante deveria fazer menção a essas contra-indicações; assim como a Anvisa deveria dar uma maior atenção a essas situações.

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  6. Apesar do forte apelo benéfico sobre os polifenóis presentes no chá verde vale salientar que esta ´´molécula milagrosa`` possui uma forte afinidade por metais, sendo considerados poderosos quelantes de ferro e cobre. Estes podem reagir com íons metálicos divalentes através de seus grupos carboxílicos e hidroxílicos, formando complexos insolúveis e estáveis no lúmen intestinal principalmente quando são ingeridos simultaneamente, impedindo a absorção desses metais(VALENZUELA, 2004). Esse é um perigoso efeito indesejado do chá verde principalmemte em grupos de risco como lactantes e mulheres grávidas que possuem uma necessidade de ferro mais elevada.

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  7. Alessandro M Souza25 de abril de 2011 14:36

    Além dos efeitos pró-emagrecedores e antioxidantes ressaltados é interessante dizer que os polifenóis, em especial as catequinas, possuem outras funções interessantes que estão sendo pesquisadas. Alguns estudos mostram que as catequinas possuem efeito anti-inflamatório pela pré-inibição da enzima COX-2, e que eles reduzem processos inflamatórios de artrite asséptica em modelos murinos, e o consumo de chá pode ser profilático nos casos de artrite inflamatória(HONG et al.,2001; ADCOCKS; COLLIN; BUTLLE, 2002)
    Outro efeito interessante é a quimioproteção promovida por esses polifenóis. Nakachi e Eguchi (2003) demonstraram que o consumo de chá verde diminui o número de mortes por câncer e doenças relacionadas com o envelhecimento. Existem inúmeros outros estudos epidemiológicos correlacionando a utilização diária de chá verde com uma prevenção a diversos tipos de câncer. Com o avançar desses estudos talvez a utilização de catequinas venha se tornar um potencial tratamento na prevenção de diversas patologias.

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  8. Thais Biondino Sardella1 de maio de 2011 22:21

    Interessante o trabalho elaborado, ainda mais em tempos de modismo emagrecedor.
    Os estudos abordados nas áreas de alimentos e bebidas são sempre questionáveis, onde deve se analisar minuciosamente cada característica antes de explicitá-la para comercialização de um produto, senão ele é escolhido como o da”vez” e torna-se extremamente popular sem levar em consideração os riscos que podem trazer.
    Os chás sempre foram consumidos desde 1812 e foram ganhando popularidade com o passar dos anos. Nos últimos cinco anos, esse consumo, principalmente dos “chás coloridos” se intensificou, devido às promessas milagrosas oferecidas por eles, e não é somente do chá verde não, é também do chá branco, vermelho, 30 ervas, entre outros.
    O chá verde tem um grande poder terapêutico que provém das substâncias antioxidantes, que são os polifenóis, que evitam a formação de radicais livres.
    Mas também é rico em tanina, que atua sobre as taxas de LDL, fortalecendo os vasos sanguíneos, além de bioflavonóides e catequinas.
    E como a indústria alimentícia não perde em faturar mais com modismos, o chá verde já se encontra em prateleiras de supermercados em caixas "longa vida". Mas é importante observar que à sua composição "natural" se acrescentou edulcorantes, aromatizantes, adoçantes artificiais, entre outros. Portanto, quando a pessoa compra, deve atentar para o rótulo, porque o consumo não deve ser em qualquer quantidade e nem a qualquer hora.
    Para pessoas com problemas gástricos, agitação excessiva e principalmente hipertensão, o consumo em excesso é contra-indicado, devido à presença de cafeína
    Um trabalho realizado por Dulloo e colegas, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, demonstrou que extrato de chá verde - que possui altas concentrações de antioxidantes como catequina, polifenóis e muitos outros compostos incluindo cafeína - pode aumentar a utilização de energia muito acima dos efeitos da cafeína pura. O consumo desse chá produz termogênese (criação de calor) e maior gasto de energia e gorduras em humanos.
    Hoje, cientistas criam "alimentos funcionais", modificando as propriedades dos alimentos existentes para promover funções fisiológicas específicas. O desafio para o futuro está na determinação de funções benéficas de vários alimentos naturais, possibilitando a escolha de alimentos conforme as necessidades de cada um.

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  9. Existem grandes problemas para a melhor regulamentação de chás, já que seus benefícios são obtidos através de um extrato e não apenas de uma substância isolada, a composição da planta varia de acordo com a região em que é cultivada (conforme já foi citado) além de ficar na interface de ser um alimento, alimento funcional e “medicamento”.
    O fato de ser composto de varias substâncias não nos permite fazer distinção de que o responsável pelo efeito de bem estar seja de um ou outro componente, como foi sugerido em alguns comentários acima.
    Existem estudos realizados para os flavonóides separadamente dos alcalóides da planta, mas durante o processo de infusão a composição é tão complexa que acho que seria um equivoco garantir que um efeito é só devido a um componente e não a outro e/ou ao efeito sinérgico entre estes. Além de não entender “efeito de bem estar” como um efeito imediato, mas algo a médio e longo prazo que lhe é proporcionado pela ação dos antioxidantes.
    Também em referência a comentários acima, quero ressaltar que os flavonóides possuem sim efeito antiviral e que existem estudos que citam tal efeito do chá verde (já que cerca de 30% das folhas da Camellia sinensis é composto por polifenois, sendo o a catequina o componente de maior concentração). Sendo assim a adição da vitamina C não se justifica pela ação antigripal. Mas não discordo que o rotulo pode querer enfatizar essa ação ao ressaltar a quantidade de vitamina C presente no composto, mesmo que este tenha sido adicionado como conservante.

    http://www.uff.br/RVQ/index.php/rvq/article/view/113/151
    Revista Eletrônica de Farmácia Suplemento: vol 2, 164-167,2005

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  10. Existem outros problemas mais primários em relação a esse produto do que a presença de polifenóis e a condição de uma bebida funcional. No rótulo desta bebida atualmente (talvez não estivesse presente na época de sua pesquisa) encontram-se diversas informações que criam todo um universo de saúde em volta do produto, indicando seu consumo após atividades físicas, na praia e se refere a características imaginárias como “leve” e também refrescante.Além de um “slogan” que diz: “Sinta-se bem com Feel Good”.Tudo isso caracteriza o produto como funcional e saudável muito antes do questionamento da presença de substâncias benéficas.Além de ser de forma muito mais explicita e mais compreensível ao público consumidor.A presença de polifenóis no chá verde deriva de uma característica do vegetal quando o rótulo depende exclusivamente do fabricante e o que ele deseja informar ao consumidor.Existe regulação par a rotulagem de produtos embalados que só não será válida por conveniência.Nela são proibidas as alegações de saúde e de propriedades terapêuticas não comprovadas, o que não é regulado são estas informações indiretas, o misticismo e os contos sobre a origem do chá além da indicação de acesso ao site da marca para o qual não existe legislação.

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  11. Meryellen Morato de Oliveira8 de maio de 2011 13:04

    Os chás são preparados através da infusão de folhas, flores e raízes de plantas. Esse processo extrai, de modo não seletivos, substâncias que possuem atividades no organimos.
    O chá verde além de conter polifenóis, principal substância responsável pelo seu efeito benéfico, contém outras substâncias que também apresentam efeitos, entre elas estão: a cafeína, estimulador do sistema nervoso central, que deve ser evitado por pessoas hipertensas, agitadas ou com problemas cardíacos e mulheres grávidas (pode afetar o sistema nervoso do Bebê); os taninos, que causam uma redução de digestibilidade de proteínas, inibição da ação de enzimas digestivas, interferência na absorção de ferro e podem causar vômitos e náuseas; e o flúor, considerado uma substância cancerígena, se consumida em grandes quantidades, podendo afetar o cólon, rim e cérebro.
    Sendo assim, o chá verde além de apresentar efeitos benéficos pode causar efeitos indesejáveis, como consumo de chá verde durante um longo tempo em grandes quantidades pode ocasionar sintomas não-específicos como agitação, irritabilidade, insônia, palpitação, vertigem, vômitos, diarréia, perda do apetite e dor de cabeça. Na superdosagem podem ocorrer tremores e elevada excitabilidade. Os primeiros sinais de intoxicação são os vômitos e espasmos abdominais.
    O chá verde é contra indicado para pessoas que sofrem de batimentos cardíacos irregulares, mulheres grávidas e que estejam amamentando devem limitar o consumo de chá verde, pois altos níveis de alcalóides semelhantes à cafeína podem aumentar a taxa de batimentos cardíacos. Pessoas com úlceras estomacais devem evitar o excesso de chá verde, pois o gosto amargo pode estimular a produção de ácido gástrico. E mulheres grávidas devem evitar uma dosagem maior que 300 mg/dia de cafeína (o chá verde contém cafeína), devendo se possível evitar a cafeína de todo. Na amamentação, o consumo de cafeína pela mãe pode atrapalhar o sono do bebê. A reabsorção de medicamentos alcalinos pode ser atrasada, devido à ligação química com os taninos presentes no chá verde.
    Informações como os componentes presentes na bebida, seus possíveis efeitos adversos e contra indicações são essências para orientar o consumo seguro desses produtos.
    Devemos lembrar que os chás, de uma maneira geral, podem causar interações medicamentosas. E essa informação também deveria constar no rótulo.
    Com isso, podemos concluir que a falta de informação no rótulo vem a ser um problema grave, que gera riscos à saúde da população.

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  12. É válido ressaltar, o uso intenso da população as diversas fórmulas emagrecedoras ''poderosas''.Isso se deve ao fato da intensa propaganda feita pelas empresas, pelo o incentivo desses produtos naturais feito por reportagens, pela mídia. Por ser ''natural'', os efeitos adversos, contra- indicação, são abstraídos por tais consumidores.De acordo com levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% da população utilizam chás ou remédios naturais, fazendo uso da medicina popular para tratar doenças. O grande problema, no entanto, é o uso em excesso que, segundo especialistas, é difícil mensurar.Qual é o consumo ideal?Qual é a quantidade adequada para gestante? E para hipertensos? Qual é a faixa etária em que se pode utilizar esses chás? Todas as idades podem consumí-los? São perguntas que devem ser feitas e analisadas, mas que pouco são divulgadas e questionadas. A venda livre de tais produtos impulsiona ainda mais o uso indiscriminado.O fato de não se determinar exatamente a concentração específicas e a presença ou não de outros componentes presentes nos rótulos é uma deficiência muito grande nas especificações informadas pela empresa.
    Um efeito do chá de camellia sinensis preocupante é o aumento do hormônio noradrenalina que este chá pode acarretar.A noradrenalina aumenta os batimentos cardíacos e a pressão arterial, recruta a glicose guardada no corpo para ser utilizada, prepara o músculo para agir rapidamente e aumenta a sua contratura, aumenta o estado de alerta e também está ligada a problemas de sono. Um dado muito importante é que a noradrenalina atravessa facilmente a placenta. Pode determinar vasoconstrição dosvasos sanguíneos do útero e reduzir o fluxo sanguíneo uterino, produzindo desta formaanóxia ou hipóxia fetal.
    Sendo assim, para evitar riscos, uma dica é não substituir a ingestão de água ou outros líquidos pelos chás exclusivamente. Indica-se, ainda, evitar infusões muito concentradas. Gestantes devem consultar o médico antes de consumir chás, já que algumas plantas podem ser abortivas.

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  13. O interesse do consumidor nos benefícios de saúde do chá levaram à inclusão de extrato de chá verde em multivitamínicos e outros produtos dietéticos. Mas muito de uma coisa boa poderia revelar-se prejudicial, de acordo com uma revisão na edição de abril de 2007 Chemical Research in Toxicology, que analisou o potencial tóxico dos polifenóis do chá verde.
    Atualmente, não existem estudos epidemiológicos publicados sobre a toxicidade de suplementos de chá verde. Mas as pesquisas de laboratório com roedores e cães demonstraram que altas doses de polifenóis do chá verde mais intensamente estudados a (-)-epigallocatechin-3-gallate (EGCG), causa toxicidade hepática, renal e gastrointestinal.
    Os relatos de caso sobre os efeitos tóxicos dos extratos de chá verde em humanos também estão começando a surgir. Tais observações, embora pontuais, sugerem que suplementos de chá verde não são sem risco. Estudos de culturas celulares mostraram que o EGCG pode causar estresse oxidativo, embora esses dados precisam agora de ser confirmado em modelos animais. Especula-se que alguns indivíduos sensíveis pode levar a um polimorfismo específico do gene que codifica catecolamina-O-metiltransferase, uma enzima crucial para a proteção das células contra a EGCG mediada estresse oxidativo e hepatotoxicidade. Pessoas que tomam inferior a 500 mg por dia e espalhar a dose ao longo do decorrer do dia não são susceptíveis de terem efeitos secundários tóxicos efeitos.
    Algumas publicações japonesas relatam efeitos benéficos para o consumo de 10 xícaras de chá verde por dia, sem efeitos nocivos aparentes. No máximo, as pessoas podem experimentar a irritação do estômago após a ingestão de chá feito fortemente verde com o estômago vazio. No presente momento não há estabelecido limite máximo tolerável para o consumo de chá verde. Entretanto existe a necessidade de estudos epidemiológicos para testar as preocupações potencial de tomar chá verde em doses de 500 mg ou mais. Pessoas com doenças hepáticas oxidativas relacionadas ao estresse, tais como hepatite ou cirrose podem estar em maior risco de efeitos secundários tóxicos decorrentes da ingestão de altas doses de polifenóis do chá verde. Quando o fígado de uma pessoa já está sob estresse, os efeitos tóxicos tendem a ser amplificados. Nunca se sabe, mas pode existir consumidores neuróticos que tomam chá como água. Por outro lado, há dados que mostram que montantes baixos ou moderados de chá verde tem um efeito protetor contra a toxicidade e carcinogênese em órgãos-alvo, para mais uma vez apoiar o "Tudo com moderação, nada em excesso." Mas enquanto a legislação se aprimora, é essencial avaliar o quanto as embalagens são apelativas em seus benefícios a saúde. O primeiro intuito é VENDER. Se o rótulo atinge o alvo, ótimo, senão vamos apelar e tentar burlar as leis em vigor para reformular a embalagem. Quando que informações importantes como origem de matéria-prima e quantidade podem ser postas em segundo plano? É obvio, mas a maioria das pessoas realmente não se interessam em ler rótulos e tampouco poderiam questionar o aviso que diz: ZERO caloria em letras vermelhas e caixa alta, e logo abaixo vem escrito que é de baixa caloria. Espera aí! É zero ou tem algum componente como fonte energética que esteja em baixa quantidade? Enfim...cabe a nós investigar.

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  14. Veja como emagrecer com CAFÉ VERDE e casos de sucesso:
    http://www.maniasdabeleza.com/alimentacao/emagrecer-com-cafe-verde.html

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  15. Boa discussão, vou tomar esse chá, experimentei e gostei. Afinal mesmo com algumas restrições ele me parece mais benéfico do que contra indicado, pois, mesmo ao hipertenso com problemas de peso a perda de peso vai compensar com sobras os valores dos componentes da bebida.

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