Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Polivitamínicos: Será que precisamos mesmo deles?


Centrum, produto de complementação alimentar, fornece em dois exemplos dos seus diversos nutrientes, 400 mcg de vitamina A e 8,1 mcg de Ferro por comprimido (completando 67% e 58% do IDR para adultos). A ingestão de apenas 1 ovo e meio ultrapassa as necessidades diárias de vitamina A e Ferro, e sem o risco de problemas com intoxicação promovidos pelo uso de polivitamínicos.
De acordo com o ministério da saúde para se atingir uma dieta equilibrada para o brasileiro precisamos das seguintes quantidades alimentares: 6 porções de cereais, tubérculos e raízes; 3 porções de frutas; 3 porções de legumes e verduras; 3 porções de leite e derivados; 1 porção de carne, peixes e ovos. Atingido assim quantidades necessárias de carboidratos, lipídeos e proteínas, além de nutrientes essenciais como vitaminas e minerais.
O uso de polivitamínicos, em suas propagandas, é destinado à indivíduos que não conseguem atingir a ingesta diária de 6 porções de frutas e verduras. Mas alimentação do brasileiro é composta de inúmeros outros alimentos além de frutas e verduras, não sendo necessário o uso, na maioria dos casos, de polivitamínicos como complemento alimentar.


Centrum é um suplemento de vitaminas e minerais, desenvolvido para atender as necessidades de complemento da dieta de vitaminas e minerais, objetivando assim o alcance da ingestão diária recomendada (IDR) de cada nutriente em sua formulação.
Nas propagandas do produto Centrum é dito que se a pessoa não faz a ingesta diária de 6 porções de frutas e legumes ela precisará de Centrum, mostrando que é muito difícil alcançar os níveis diários recomendados de cada nutriente, seja pela falta de tempo (principal ponto da propaganda), ou um certo tipo de regime para perda de peso. Mas como são essas 6 porções? Utilizando 6 porções de qualquer frutas e verduras é possível alcançar os níveis de IDR? Neste trabalho será mostrado, que uma alimentação não muito sofisticada conseguirá alcançar facilmente os níveis de IDR para cada nutriente, e que o uso de um suplemento de vitaminas e minerais muitas das vezes é desnecessário, ou até um risco a saúde.


A principal legislação que regulamenta o produto é a Portaria SVS nº32 de 13 de janeiro de 1998, esta tem como objetivo fixar a identidade do produto, de acordo com suas características mínimas. Então define como suplemento vitamínico e ou minerais, “são alimentos que servem para contemplar com estes nutrientes a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos onde sua ingestão a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requerer suplementação. Devem conter um mínimo de 25%, e no máximo até 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) de vitaminas e ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante, não podendo substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva.”
Os valores de IDR são fixados pela RDC nº 80 de 13 de dezembro de 2004. Definindo como IDR, “a quantidade de proteína, vitaminas e minerais que deve ser consumida diariamente para atender às necessidades nutricionais da maior parte dos indivíduos e grupos de pessoas de uma população sadia.“ A tabela abaixo estabelece o IDR para cada nutriente:




O produto Centrum se apresenta como uma formulação de vitaminas e minerais, o qual estes estão em quantidades entre 25% e 100% da IDR.
Visto que este é normatizado como um alimento, diferente dos suplementos vitamínicos e minerais medicamentosos, normatizados como um medicamento, tendo os nutrientes em sua composição acima dos valores de 100% do IDR. Abaixo é apresentada a formulação, com cada nutriente presente e seus valores percentuais de IDR.




Uma alimentação equilibrada muita das vezes é interpretada como algo sofisticado, algo difícil de ser alcançado, que exige tempo, gasto de excessivo de dinheiro, o que não é verdade. Partindo de um pensamento simples, se não fazemos a ingesta de 6 porções de frutas e legumes, como ditos nas propagandas do produto, estaremos com deficiência em certos nutrientes, então porque diversos sintomas advindo da deficiência do nutriente não são manifestados? Como por exemplo, problemas visuais pela falta de vitamina A, escorbuto por falta de vitamina C, entre outros. Nas propagandas é mostrado que o cansaço e a falta de disposição são os principais sintomas e estão ligados com a má alimentação, pela falta de nutrientes em nossa dieta, em conseqüência nosso organismo não estará bem regulado. Mas se trabalhamos ou fazemos alguma atividade física, estaremos gastando energia, então ficaremos cansados ou indispostos, isso é completamente normal. Não estarão essas propagandas se aproveitando de um estado fisiológico normal do nosso corpo para promoção do seu produto?
Um ponto de análise de uma alimentação simples será feita, mostrando os níveis de nutrientes alcançados por essa alimentação, em um ciclo de 24h.

Café da manhã:



Almoço:



Janta:



Total da Dieta:



Sendo analisados os nutrientes em questão, pode se observar que todos eles alcançaram os níveis de IDR (ver tabela de IDR), tendo como ingesta de frutas e verduras apenas 3 porções. Ainda como ponto positivo, foi analisado apenas alimentos dentro de uma dieta com café da manhã, almoço e janta, não se levando em conta alimentos ingeridos fora de hora, como por exemplo, um sanduíche com suco à tarde. Mostrando então que estes valores não são absolutos, podendo ser maiores que o analisado.
Ainda existem os problemas com intoxicação, por exemplo, uma pessoa que faz uso de uma alimentação parecida com esta, já obterá uma quantidade excedente de vitamina A, aproximadamente 1873,94 mcg da vitamina (IDR de vitamina A 600 mcg). Mas a pessoa não fez uma ingesta de 6 porções de frutas e legumes, então ela precisa de um suplemento vitamínico, como diz a propaganda, promovendo assim uma maior ingesta de vitamina A, que é lipossolúvel, e seu excesso se acumula no organismo, resultado esta pessoa poderá desenvolver uma intoxicação por excesso da vitamina no organismo. No mesmo âmbito, uma pessoa possuindo insuficiência renal, poderá desenvolver riscos de intoxicação por parte deste aporte de vitamina excedente.
Problemas também com o uso desnecessário de comprimidos, visto que estes promovem certa irritação gástrica, podendo pessoas que já têm problemas com úlcera ou gastrite ter um agravamento do quadro.


Em todas as análises de nutrientes de cada alimento não foram utilizados alimentos caros, todos podendo ser encontrados em qualquer hortfruit, de fácil preparo, ou ainda para quem não tem tempo de prepará-los, podem ser encontrados facilmente em qualquer restaurante ou pensão. O uso de um suplemento vitamínico e mineral deve ser melhor caracterizado, não apenas considerando se um indivíduo não consome 6 porções de frutas e verduras. Uma alimentação equilibrada é sempre bem vinda, mas nem sempre um produto que é rotulado como um alimento será também bem vindo. O melhor será sempre escolher uma alimentação equilibrada, e mesmo isso não sendo possível, não quer dizer que os valores de IDR não podem ser alcançados, e nem que o indivíduo estará sujeito a uma deficiência de nutrientes, ou mais suscetível a doenças.




Referências:

  • ANVISA. Consulta Pública nº 80, de 13 de dezembro de 2004. “REGULAMENTO TÉCNICO SOBRE A INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA (IDR) DE PROTEÍNA, VITAMINAS E MINERAIS.” Brasília – DF.

  • IBGE. Ministério da Fazenda. Tabela de Composição de Alimentos. 5º Ed. Rio de Janeiro, 1999.

  • Ministério da Saúde. GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA. 1º Ed. Brasília – DF, 2005.

  • Ministério da Saúde. PORTARIA Nº 32, DE 13 DE JANEIRO DE 1998. “REGULAMENTO TÉCNICO PARA FIXAÇÃO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS E OU DE MINERAIS”. Brasília – DF.

  • Ministério da Saúde. GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA. Brasília – DF.

20 comentários:

  1. Oi, Hudson.

    O trabalho ficou bem fundamentado, achei legais as comparações que você fez entre as tabelas.

    A minha sugestão é só que você explorasse melhor a questão das hipervitaminoses, pois ficou muito vago.

    Abração!

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  2. Eu analisei diferentes estudos sobre a ingesta de suplementos vitamínicos. Todos os estudos apresentaram uma preocupaçäo acerca do excesso de ingesta destes nutrientes, corroborando a preocupaçäo apresentada no seu estudo.(Multivitamin-multimineral supplements' effect on total nutrient intake; Multivitamin-multimineral supplements: who uses them? Rock CL. Am J Clin Nutr. 2007; Multivitamin-multimineral supplements' effect on total nutrient intake. Murphy SP, White KK, Park SY, Sharma S. Am J Clin Nutr. 2007)
    Um estudo me chamou atençäo ao mostrar que deve-se haver preocupaçäo näo apenas com a ingesta excessiva de vitaminas, mas também quanto â interaçöes medicamentosas que podem ocorrer, como exemplo a ingesta de vitamina E e aspirina, o que pode levar a um efeito antitrombótico aditivo, uma vez que a vit E diminui a atividade agregante das plaquetas. Alèm disso, o efeito anticoagulante da vitamina E contrabalança o efeito coagulante da vitamina K. ( Multivitamin and multimineral dietary supplements: definitions, characterization, bioavailability, and drug interactions. Elizabeth A Yetley. American Journal of Clinical Nutrition, 2007.)
    Deste modo, deve-se somente utilizar suplementaçäo vitamìnica quando sob orientaçäo mèdica. Isto è táo importante que o NIH promoveu um estudo para fornecer aos prestadores de cuidados de saúde, pacientes e ao público em geral, uma avaliação responsável dos dados atualmente disponíveis sobre Multivitamínicos / Suplementos Minerais e Prevenção de Doenças Crônicas (NIH State-of-the-Science Conference Statement on Multivitamin/Mineral Supplements and Chronic Disease Prevention, 2006)

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  3. Uma questão que também poderia ser levantada sobre esse tem seria sobre os efeitos negativos das interações entre diferentes nutrientes em um suplemento de múltiplas vitaminas e minerais. Sabe se que alguns nutrientes competem para serem absorvidos (Welling, P.G.; Interactions affecting drug absorption Clinical Pharmacokinetics, Auckland, v.9, n.5,p.404-434, 1984). Entretanto, há benefícios ao se combinar alguns nutrientes devido a melhora no transporte e ao aumento da absorção, como por exemplo, a vitamina A que melhora o transporte de ferro e a vitamina C que aumenta a absorção do ferro (Magnoni; Perguntas e Respostas m Nutrição Clínica. 2 ed. São Paulo:Roca, 2004). Existe uma maior preocupação em relações as interações ocorre com os minerais (MOURA,M.R.L. et al;Interação nutriente: uma revisão. Rev. Nutr. maio/ago. 2002, vol.15, no.2)

    Assunto bastante interessante.

    Abçs

    Trabalho interessante

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  4. Hudson,

    Eu nunca tinha parado para analisar o uso do suplemento vitaminico-mineral quando comparado a uma alimentação relativamente simples.
    Porém acredito que essa informação deveria ser veiculada não somente aos consumidores como médicos. Há muitos médicos que indicam o suplemento alimentar ao invés de uma alimentação adequada. Falo isso porque já passei por esta situação.

    Mas acredito que exista situações onde esses suplementos são realmente necessarios como em situações onde a pessoa tem dificuldade de absorção de uma determinada vitamina ou mineral, por exemplo.

    Você pode argumentar que há os "suplementos vitamínicos e minerais medicamentosos, normatizados como um medicamento", mas será que a diferença de preço é muito grande e a diferença de benefícios não tão grande assim?

    Mas acredito que é necessário uma maior fiscalização em cima de propagandas como "se a pessoa não faz a ingesta diária de 6 porções de frutas e legumes ela precisará de Centrum", uma vez que tal fato não é reflexo da realidade.

    Gostei muito do trabalho, você explorou muito bem as tabelas a fim de aumentar a credibilidade no seu trabalho.

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  5. Hudson vc também podia ter explorado o lado da biodisponibilidade dos composto presente nestes polivitaminicos, onde a maioria apresentam se em sais diferentes dos encontrados nos alimentos e alem distos associar todos estes compostos em um unico comprimido acarretam em absorção diferente do normal para cada substancias, ja que elas alteram uma a estabilidade da outra.
    O trabalho foi muito bom em comparar q é possivel atraves de uma adequada alimentação adquirir todos os nutrientes necessários.

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  6. Gostei muito da comparação com as refeições diárias. E uma coisa que pensei: Na nossa realidade, quem não tem renda para se alimentar dignamente com 3 refeições terá dinheiro para comprar Centrum? É no mínimo piadista a propaganda desse polivitamínico, para não dizer irregular. Segundo a RDC 96/08 da ANVISA que dispõe sobre as regras para a propaganda de mediamentos, esta não deve: "sugerir que o medicamento é a única alternativa de tratamento e/ou fazer crer que são supérfluos os hábitos de vida saudáveis e/ou a consulta ao médico". Se formos analisar somente a propaganda deste produto (sem considerarmos as dúvidas sobre o real benefício e os perigos para a saúde acima citados) já podemos ver sérios problemas.
    Além disso, quem duvida que Luciano Huck e Angélica sejam um casal saudável? Eu também acho. Mas nessa mesma resolução é estabelecido que na propaganda não se pode utilizar imagem ou voz de pessoa leiga, tem como base seu carisma, para promover o produto. Logo, eu me pergunto, porque essa propaganda ainda está sendo veiculada?

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  7. Túlio de Lima Elisiario18 de abril de 2011 23:43

    A abordagem técnica do rótulo foi bastante comentada neste tópico, mas focar somente no rótulo é puxar demais o tema para o tecnicismo,
    ainda mais se o trabalho possuir como objetivo alertar o consumidor leigo e/ou abrir uma discussão sobre a importância desse produto para o consumidor e seus impactos.
    Fazendo uma conexão, é possível notar que esse tipo de produto segue o mesmo erro dos medicamentos OTC´s - a liberdade de escolha do consumidor (e sua falta de informação) aliado ao fato das drogarias ainda serem meros estabelecimentos comerciais, é chegar, pegar e pagar! (veja o exemplo da propaganda para comerciantes: http://www.youtube.com/watch?v=3pr4RBo0zl4&feature=related ). Juntamente com esse fato, a temática da alimentação balanceada, sempre presente nas mídias, "alertando" a população sobre obesidade e doenças cardiovasculares contribui para o sucesso desse tipo de produto, assim como para aqueles que impedem a absorção de gordura (quitosanas et al.). Nesse momento entra em cena o segundo rótulo, aquele que não pode ser regulado, aquele que o consumidor veste quando, talvez desnecessariamente, passa a adquirir o produto de forma crônica. Esse rótulo pode gerar ao cidadão um mal hábito alimentar permanente -e o próprio site da Centrum corrobora para isso, na parte de "Mitos Frequentes", onde enfatiza que o uso constante não é prejudicial (veja em: http://www.centrum.com.br/quebrando-mitos.asp ).
    Atingir públicos diferentes é importante, por isso agora existe centrum select (veja em: http://www.centrum.com.br/centrum-base.asp ) que reforça a importância do produto falando da Luteína, um carotenóide presente em diversos vegetais verdes(ervilha, brócolis e espinafre) bem conhecidos pelo brasileiro...mas isso o site omite muito bem - aí sim poderia ser um ponto de regulação inteligente, exigir a conexão do que existe no produto ao que existe nos alimentos (nas feiras e não somente no hortfuit).
    Alertar sobre a dieta balanceada, tantas refeições ao dia e etc, é igual a "chover no molhado". Acredito que qualquer conclusão a respeito desse tópico convergiria para isso. Então como resolver tal desinformação? Alimentação é questão de saúde pública, deveria existir informação não somente para o obeso e para o subnutrido mas sim para os que ainda não estão nesses extremos (economizaríamos muito em medicamentos se existisse política pública séria sobre alimentação...mas no horário nobre só passa propaganda do PAC).

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  8. Gostaria de acrescentar algumas informações sobre a intoxicação por vitaminas utilizando a vitamina A, já que essa foi exemplificada na dieta proposta pelo autor.

    Existem dois tipos de intoxicação por vitamina A, a aguda que é ocasionada pela ingestão de uma única dose, e a crônica, provocada pela ingestão durante um longo período. A intoxicação crônica ocorre quando a ingesta, durante meses, é de 10 vezes a dose diária recomendada, ou seja, 6000 mcg/dia.

    Os sintomas da hipervitaminose A, incluem queda de cabelo, pele seca e descamativa, e fissuras nos lábios. Cefaléias intensas, hipertensão craniana e fraqueza generalizada são manifestações tardias. Tonturas, náuseas, falta de apetite, edema, cansaço e irritabilidade são algumas alterações que também podem ocorrer. Protuberâncias ósseas e dores articulares, são mais frequentes em crianças. O fígado e baço, por sua vez, podem aumentar de tamanho. (http://www.manualmerck.net/?id=161&cn=1243)

    Em vista de todas essas alterações apresentadas fica ainda mais claro os riscos do uso de um suplemento vitamínico. E levando em conta que acima só foi exposto a intoxicação por uma vitamina, fica evidente um perigo ainda maior do uso de um produto que engloba uma grande variedade de nutrientes na sua composição.

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    2. Pelo amor de Deus,...a senhora mesmo antagonizou a sua colocação...a intoxicação só ocorre quando se ingeri 10 vezes a quantidade recomendada diária, ou seja, 6000mcg/dia, quem em sã consciência faria isso!!!?? o próprio Centrum tem 400 mcg por cápsula, muito longe dos 6000, a senhora não acha?? teriam de tomar mais de 10 cápsulas por dia para ocorrer a tão temida intoxicação!!!

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  9. As vitaminas são substâncias orgânicas que participam como co-fator de diversas reações metabólicas controladas por enzimas e coenzimas. Estão em pequenas quantidades e seu excesso e sua deficiência pode gerar sérios problemas. A quantidade necessária varia em função da idade, sexo, estado fisiológico e atividade física do indivíduo.
    Uma hipervitaminose assim como a hipovitaminose gera mau funcionamento do organismo, sendo necessário um equilíbrio. Por isso me deparo com uma grande falta de ética dos produtores ao afirmar em seu site que o uso contínuo, dês de que só consumindo uma dose por dia do Centrum, não é prejudicial, pois dessa forma assegura-se que todas as vitaminas em suas doses corretas são ingeridas. Eles salientam o problema proveniente de hipovitaminose, mas não falam de hipervitaminose e das interações medicamentosas que podem ocorrer.
    Um exemplo de problema de hipervitaminose é a do excesso de Vitamina A como já foi citado, ou ainda da vitamina K que pode gerar distúrbio na cascata de coagulação reduzindo o efeito anticoagulante.
    A vitamina K é também um exemplo de interação, onde altas doses podem gerar o descontrole da coagulação em indivíduos que utilizam AVK (drogas antivitamina K), cumarinicas ou anticoagulantes orais como a varfarina, pois irão competir pela mesma enzima (vitamina K epóxi-redutase).
    Indivíduos que utilizam esses medicamentos devem ter a dose diária de vitamina K bem controlada para evitar crises trombóticas ou hemorragias.
    Estando a vitamina K disponível principalmente em verduras, hortaliças, óleos e gorduras, sendo estes produtos consumidos (mesmo em uma má alimentação) diariamente pela população. Podemos evidenciar, então, que o uso do Centrum causa uma hipervitaminose de vitamina K já que no rótulo consta que um comprimido possui 65mcg desta e seu consumo diário recomendado para adultos segundo a Anvisa é de 65 mcg.
    Sendo esse apenas um exemplo constatado de hipervitaminose. Fica então a reflexão, será que não estão havendo outras hipervitaminoses e se estão será que não podem interferir no meu bem estar?
    Links: http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v33n5/0628.pdf
    http://www.portaleducacao.com.br/idiomas/artigos/5833/vitamina-k-metabolismo-fontes-e-interacao-com-o-anticoagulante-varfarina
    http://www.centrum.com.br/quebrando-mitos.asp
    http://www.anvisa.gov.br

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  10. Achei que a exposição da comparação das tabelas nutricionais muito válida, muito bem vinda, mas, conforme mesmo o Túlio lembrou, é apelar demais para o tecnicismo da coisa toda. É preciso lembrar que, infelizmente, a nossa população, tão preocupada com saúde e hábitos alimentares ditos saudáveis não é de ler as tabelas nutricionais (com a exceção dos Vigilantes do Peso e quem está sob regime dietário de emagrecimento). Outra coisa, temos de um lado cada vez mais enfatizado o fato de que uma alimentação equilibrada e saudável é o recomendável e aí, do outro lado, entram os polivitamínicos e minerais (o targifor é um produto que acaba tendo o mesmo viés: recompor a energia) como suportes que irão reconstituir a perda de energia ao longo do dia (neste caso, achei bem pertinente a comparação das tabelas, porquê dá robustez ao quero falar). O consumidor olha aquilo e vê que ele vai recompôr o que perdeu e ganhar mais ainda. Só que não é atento para os riscos de uma hipervitaminose (excesso de ácido ascórbico, mesmo considerando que se trata de uma vitamina hidrossolúvel e que, por isso, seria facilmente eliminada, pode causar danos renais. Excesso de retinol, a vitamina A, pode causar lesão hepatoesplênica, por se bioacumular no tecido adiposo que recobre sobretudo estes órgãos). De novo, a questão toda é um somatório de fatores: falta de conhecimento de um lado, exploração desta falta por outro e a legislação ainda muito permissiva (polivitamínicos não são vendidos sob prescrição, ou seja, os danos potenciais são difíceis de se estimar).

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  11. Ludmilla Dellatorre7 de maio de 2011 23:50

    Sem dúvida, a melhor maneira de conseguir vitaminas é por meio de uma alimentação balanceada com uma boa variedade de alimentos. Porém é difícil conseguir isso em meio ao que vivemos hoje, no quotidiano cada vez mais corrido. Sendo assim muitas pesas acabam optando pelo uso de polivitamínico, convencido por uma propaganda, pelo conselho de algum conhecido, pelo atendeste farmacêutico ou mesmo pelo próprio Farmacêutico que não conhece o caso clínico do cliente, e muitas vezes negligencia indicando um desses produtos para "suprir" as necessidades dele. Esses multivitamínicos podem sim ser utilizados como complemento ou para deficiências específicas. No entanto, altas doses de algumas vitaminas podem ter o efeito contrário, interferindo no metabolismo e causando doenças.

    Ainda que multivitamínicos possam ser importantes para corrigir desequilíbrios na dieta, vale a pena ter precaução básica ao tomá-los, especialmente se a pessoa tem alguma condição de saúde.

    Muitas deficiências graves de minerais e vitaminas requerem tratamento médico, e não podem ser tratadas com multivitamínicos vendidos em balcões de drogarias.

    Multivitamínicos podem ser tóxicos se grandes doses de várias vitaminas e minerais forem ingeridas. Em especial, isso inclui vitamina A, vitamina D, vitamina B6, ferro e potássio. Além disso, várias condições médicas e medicamentos podem interagir negativamente com multivitamínicos.

    Quanto ao comentário da Gabriela Martins, encontrei uma citação interessante na Internet:

    "Assim que o sistema enzimático catalizados por vitaminas se saturam, o excesso de vitaminas especificas se saturam, o excesso de vitaminas funcionam como substancias químicas do organismo. O consumo prolongado e excessivo de vitaminas de qualquer tipo, acima das necessidades ideais recomendadas podem produzir efeitos tóxicos e prejudiciais ao usuário. O uso abusivo ou mega doses de vitaminas não são benéficos aos pacientes e pelo contrário, podem trazer uma série de efeitos colaterais e tóxicos ao usuário deste tipo de terapia freqüentemente utilizada por diversas pessoas .As mega doses principalmente das vitaminas lipossolúveis podem provocar sérios danos ao usuário e muitas vezes irreversíveis, podendo levar até ao óbito. Este fato infelizmente ocorre em nosso dia-a-dia da clinica Nutrológica, onde observamos profissionais administrando doses mássicas de vitaminas e os pacientes tomam porque não tem a menor noção do que poderá ocorrer com sua sanidade física."

    A citação acima foi retirada do site "http://www.espacovolpi.com.br/nutrologia-saude/abuso-vitaminas-efeitos-colaterais.php", onde também é possível encontrar uma lista de efeitos colaterais do uso excessivo e da falta de vitaminas.


    Tomando como exemplo, o excesso de Ácido Fólico, cuja principais fontes dessa vitamina são: vegetais de folha verde-escuros, laranja, feijão, arroz, levedo de cerveja e fígado (FRANCO, 1992). A deficiência deste leva a anemia megaloblástica. Entretanto, pode ocorrer deficiência de ácido fólico sem anemia, podendo gerar um amplo espectro de sintomas, tais como fraqueza generalizada, fadiga fácil, irritabilidade e cãibra (HENDLER, 1997). No uso abusivo desta vitamina há casos relatados de intoxicação por excessos, mas a suplementação do ácido fólico podendo revelar sintomas de outras deficiências vitamínicas (HENDLER, 1997). O excesso poderá acarretar nervosismo, distúrbios gastrointestinais, insônia e afeta negativamente a absorção de drogas anticonvulsivantes. Fato que é interessante ser citado, uma vez que estes suplementos vitamínicos são vendidos sem qualquer restrições e podem afetar medicamentos importantes como os anticonvulsivantes. Um paciente epléptico, por exemplo, ao ter uma hipervitaminose de ácido folínico pode vir a ter a crise e a culpa cairá sobre o medicamento anticonvulsivante, provavelmente, levando a pensar que ele ou sua dose não são mais efetivos.

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  12. Meryellen Morato de Oliveira8 de maio de 2011 11:24

    Há hoje uma grande preocupação da sociedade em manter uma boa saúde, bem estar e também de retardar o envelhecimento. Consequentemente, a publicidade utiliza muitas vezes a linguagem da saúde para persuadir melhor o consumidor, embora por vezes se faça propaganda de conceitos que podem ou não ter o resultado prometido e raramente divulga os efeitos adversos provocados pelo uso indiscriminado do produto, induzindo o consumidor a pensar que o produto é isento de qualquer efeito adverso. Os polivitamínicos encontram-se dentro desse grupo de produtos utilizados pela publicidade como um “gerador de saúde”, ressaltando apenas seus benefícios.
    Porém sabemos que as vitaminas e minerais, apesar de serem essenciais para nosso organismo, em excesso também podem provocar reações indesejáveis e prejudiciais a saúde do consumidor. Podemos citar alguns exemplos:
    A Vitamina B3 que é parte das coenzimas NAD e NADP, que exercem funções de oxidorredução no organismo, mas que em excesso acarreta rubor ou vermelhidão da superfície corpórea, pode levar a náusea, dores de cabeça, prurido no corpo, hepatopatias e ainda alterar o os níveis glicêmicos do sangue.
    A vitamina C ajuda na formação de proteínas, aumenta a absorção de ferro, aumenta a resistência às infecções, importante na resposta imune e na cicatrização de feridas, mas seu excesso pode facilitar a formação de cálculos renais e crises de excesso de acido úrico levando a crises de gota, diarréia,cólicas abdominais, cefaléia, sensações de calor excessivo, principalmente em pessoas como judeus, negros americanos e africanos, asiáticos, apresentam uma deficiência enzimática hereditária que é agravada pelo alto consumo da vitamina C, causando anemia hemolítica.
    A vitamina A desempenha papel essencial na visão e desenvolvimento ósseo, no desenvolvimento e função do tecido epitelial, no sistema de defesa do organismo e no processo de reprodução, mas pode gerar hipervitaminose A aguda, quando ingerida em altas doses durante um curto período, e crônica quando ingerida em altas doses por semanas ou anos. A ingestão em excesso e por um período prolongado a vitamina A se acumula no fígado em níveis tóxicos podendo levar no período de gravidez a deformidade dos órgãos de feto, malformações e anomalias faciais e cerebrais além do aborto espontâneo durante a gravidez. No período de 1 a 3 anos , o consumo excessivo poderá acarretar irritabilidade nervosa, inflamação dos ossos, perda de peso, ressecamento e prurido da pele. Nos adultos pode levar a perda de hemoglobina e potássio das células vermelhas do sangue, induzindo a hemorragias,perda de cálcio dos ossos, causando descalcificação, dores articulares, enxaquecas, no trato gastrointestinal provoca vômitos , diarréia ,cólicas abdominais, no sistema tegumentar levará a perda de pelos, descamação e ressecamento da pele, prurido intenso, rachaduras nos lábios e orelhas e unhas frágeis e quebradiças. A ação no sistema nervoso do adulto poderá levar a sintomas como sonolência, enfraquecimento da visão, anorexia, cefaléias, fadiga generalizada. Nas vísceras ocorre o aumento do baço e fígado e para agravar lesões hepáticas incluindo icterícia , aumento de triglicérides, esteatose hepática e hepatite tóxica.
    Sendo assim, devemos tomar muito cuidado com o uso indiscriminado de polivitamínicos, que podem gerar efeitos adversos graves. Seu uso deve ser indicado e acompanhado por um médico e/ou por um farmacêutico. Além disso, normas legislativas que regulamentassem a propaganda de suplementos alimentares deveriam ser criadas, o que minimizaria e muito a indução de erros ao consumidor geradas pela publicidade massificadora do consumo.

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  13. Com frequência preocupante, são noticiados casos de pessoas que sofrem danos à saúde causados por suplementos vitamínicos contendo substâncias irregulares ou mesmo proibidas. Atualmente, esses produtos não constam da lista de produtos da ANVISA que exigem registro sanitário. Na situação atual, a fiscalização somente ocorre quando motivada por denúncia, uma vez que, segundo resolução da ANVISA, os suplementos vitamínicos e minerais compõem o rol de produtos dispensados de registro sanitário. A iniciativa de dispensar produtos do registro é adotada para reduzir trâmites burocráticos e é certamente positiva, porém, com ressalvas. Segundo Resolução de Diretoria Colegiada nº. 132 de 29 de maio de 2003 as vitaminas e minerais, isoladas ou associadas regulamentadas pela Portaria SVS/MS nº.40 publicada em 16 de janeiro de 1998, continuam a ser regidas por esta Portaria. Isto significa que atualmente com o crescimento do mercado a vigilância sanitária precisa realmente de um controle maior e específico sobre estes tipos de produtos e não somente enquadrá-los em um grupo à parte do resto. No caso dos suplementos, facilitaram-se a produção e a importação de produtos em desconformidade com os regulamentos vigentes, em muitos casos oferecendo risco aos consumidores, devido à presença de contaminantes ou de fármacos irregularmente adicionados. Não há muitas pesquisas à disposição que comprovem os dados de rotulagem e os prós e contras dos suplementos. Mesmo que ainda possam ocorrer fora do país, no Brasil esse tipo de análise ainda não é muito explorada. No que tange a legislação também, tendo em vista uma pobre portaria que apenas define índices nutricionais recomendáveis. Em pesquisa da “Fundamental & Clinical Pharmacology” as vitaminas são seguras desde que não interajam com outros medicamentos, incluindo analgésicos e anti-inflamatórios. Como exemplo cito a vitamina A que pode causar efeitos adversos no organismo quando usada junto com medicamentos. A vitamina C, por exemplo, pode aumentar os níveis no sangue e, eventualmente, a toxicidade do paracetamol, intensificar a absorção do ferro e aumentar os efeitos colaterais de antiácidos contendo alumínio. Outro ponto é que a composição dos polivitamínicos, que podem muitas vezes apresentam maior quantidade de vitaminas do que informada no rótulo da embalagem. Ficar atento às movimentações e rumos que o mercado farmacêutico toma é dever dos profissionais incumbidos na vigilância, mas ainda não vejo algo tocante neste setor de comércio da “cultura do bem viver” e dos apelos de “do more, feel better, live longer”. Resta a nós fazer a diferença enquanto recém profissionais e que devem estar antenados ao futuro.

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  14. Vitaminas e Minerais não fornecem energia!!! Na propaganda do Cetrum é utilizado o termo ENERGIA, sugerindo ao consumidor que o complexo multivitaminico seja fonte de energia, sendo que vitaminas e minerais não fornecem energia, para a utilização desse slogan o produto deveria ter componentes como: carboidrato, proteina ou gordura.
    Segundo a Portaria nº 32, de 13 de janeiro de 1998 “são permitidas somente informações sobre as funções cientificamente comprovadas das vitaminas e minerais, descrevendo o papel fisiológico desses nutrientes no desenvolvimento e ou em funções do organismo”, sendo assim a propaganda induz o consumidor ao erro.

    Ver: http://www.centrum.com.br/de-a-a-zinco.asp

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  15. Gostei muito do seu blog faz uma visita ao meu http://fallconny-diversidade.blogspot.com/

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  16. Muito bem escrito! Agradeço pela contribuição ao conhecimento livre da população. Obrigado cidadão.

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  17. Agora vou ficar maluco, acabei de ler o livro do Ray Strand, e vejo que existe incoerência total entre os médicos. Agora mais do que nunca posso citar a máxima de 01 certo filósofo. "Só sei que nada sei"

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  18. Discordo um pouco, todo solo brasileiro esta degradado, qualquer alimento analisado em laboratorio não se encontra os nutrientes necessario, a planta devolve o que tira do solo.

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