Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

EFEITOS DO USO CONTINUADO DE SUCRALOSE SOBRE A SAÚDE DE CONSUMIDORES DE ADOÇANTES DE MESA.

Autoria: Leandro Nunes, DRE 115193306.


Resumo


Este trabalho tem como objetivo avaliar a segurança do uso da sucralose em alimentos aquecidos, considerando aspectos bromatológicos e toxicológicos. Para o desenvolvimento do estudo adotou-se como estratégia a pesquisa bibliográfica, considerando autores renomados neste campo de estudo. A partir da revisão de literatura foi identificada a presença de instabilidade da molécula da sucralose sob aquecimento, descortinando seu potencial carcinogênico e tóxico em situações de uso continuado, sendo proposta uma alteração na legislação vigente sobre o tema, levando em conta estes fatores.


Palavras-chave: sucralose, edulcorantes, organoclorados, potencial carcinogênico.


Figura 1 – Sucralose em diversas apresentações como adoçantes de mesa.


MOTIVAÇÃO DA PESQUISA E DESCRIÇÃO DO PRODUTO

     
      As doenças relacionadas ao aumento do índice glicêmico no sangue, tem motivado as pessoas a utilizarem produtos de origem natural, saudável, orgânicos, dentre outras nomenclaturas. Porém a segurança desses produtos, por muitas vezes são extremamente questionáveis.
      A sucralose é um adoçante comercializado como oriundo de origem natural, adequado ao uso em diversos alimentos, como: chás, cafés, bolos, tortas e dentre outros. Ela é recomendada como uma alternativa ao uso de outros adoçantes disponíveis no mercado tais como: estévia, sacarina, aspartame, ciclamato e acessulfame–K. Recomendado para diabéticos e pessoas que desejam um adoçante de origem natural, indaga-se como seu uso contínuo pode impactar na saúde de seus consumidores? Supõe-se que a ingestão frequente deste adoçante represente um potencial tóxico e carcinogênico para seu público-alvo.

ORIGEM DA SUCRALOSE


      A molécula foi descoberta em 1976 por pesquisadores da companhia britânica de açúcar Tate & Lyle em conjunto com a Universidade de Londres, de uma maneira inusitada, enquanto pesquisavam de que forma aplicar a sacarose como intermediário em processos produtivos frente a síntese de outros produtos (TORLONI et al, 2007). Pode ser usada como adoçante de mesa, em formulações secas (como refrescos e sobremesas instantâneas), em aromatizantes, conservantes, temperos, molhos prontos, compotas, etc. (TORLONI et al, 2007).



FUNDAMENTOS BROMATOLÓGICOS




Figura 2- Moléculas de sacarose e sucralose.

  
A sucralose é sintetizada a partir da substituição seletiva de grupos hidroxilas por cloro nos carbonos 4 e 6 da sacarose. O consumo de sucralose não afeta o controle glicêmico de pacientes diabéticos. Seu potencial adoçante é 600 vezes maior do que o açúcar, é isento de calorias.  A maior parte do edulcorante ingerido não é metabolizada. A pequena quantidade absorvida é excretada por meio de urina e fezes. Assim como o aspartame, a sucralose também pode provocar crises de enxaqueca (TORLONI et al, 2007).
Estudos recentes demonstram que a sucralose submetida a temperaturas maiores que 98ºC é decomposta em subprodutos extremamente tóxicos e com possível potencial cancerígeno (OLIVEIRA; MENEZES; CATHARINO, 2015).
Em todos os rótulos verificados NENHUM deles informam que a sucralose pode ser prejudicial sob aquecimento, e tão pouco, é de natureza sintética conforme figuras abaixo:







Figuras 3,4,5,6,7,8 e 9 - Adoçantes com sucralose disponíveis no mercado na cidade do Rio de Janeiro.

Nenhum dos rótulos verificados apresentou uma mensagem de alerta sobre o uso desses adoçantes sob essas condições de análise. O que induz o consumidor ao erro, acreditando na aquisição de um produto de origem natural, sendo que o mesmo é obtido através de uma modificação molecular da sacarose.
Essa modificação molecular, torna a molécula mais reativa e suscetível a hidrólises, originando produtos tóxicos e com potencial carcinogênico.


LEGISLAÇÃO


Figura 10 - Recomendação diária em mg/Kg da ingestão de sucralose. - Fonte: adaptado de RDC 18/2008 da ANVISA.




Aditivo:

Alimento:
Limite Máximo g/100g  g/100 mL:



















Sucralose
Alimentos para controle de peso

0,04
Bebidas não alcóolicas gaseificadas e não gaseificadas para controle de peso


0,025
Alimentos para dietas com ingestão controlada de açúcares

0,04
Bebidas não alcoólicas gaseificadas e não gaseificadas para dietas com ingestão controlada de açúcares



0,025
Alimentos para dietas com restrição de açúcares

0,04
Bebidas não alcoólicas gaseificadas e não gaseificadas para dietas com restrição de açúcares


0,025
Alimentos com informação nutricional complementar
Com substituição total de açúcares

0,04
Com substituição parcial de açúcares

0,03
Bebidas não alcoólicas gaseificadas e não gaseificadas com informação nutricional complementar
Com substituição total de açúcares

0,025
Com substituição parcial de açúcares

0,02
Tabela 1 - Atribuição de aditivos edulcorantes para alimentos e seus respectivos limites máximos de uso. Fonte: adaptado de RDC 18/2008 da ANVISA.

Esses valores são preconizados pela RDC 18 de 2008 da ANVISA que foram importados da JECFA e FDA.

DISCUSSÃO


      Estudos revelam que a sucralose sob aquecimento (acima de 98°C) é decomposta quando hidrolisada originando alguns hidrocarbonetos aromáticos policlorados, que são tóxicos pois pertencem a mesma classe de alguns agrotóxicos, e possivelmente cancerígena devido a substituição das hidroxilas por átomos de cloro, que tornam a molécula mais reativa devido ao aumento no comprimento de ligação (BANNACH et al, 2009).

      Outros estudos demonstram que o uso contínuo de sucralose em alimentos aquecidos podem provocar uma série de patologias como: Redução de 50% da microbiota intestinal, aumento do pH intestinal retardando a digestão, contribui para o aumento de peso corporal, mostrou-se hepatotóxica e nefrotóxica. (SCHIFFMANN; ROTHER, 2013).

CONCLUSÃO


      Embora a sucralose seja veiculada como um produto natural, sem riscos, completamente estável a elevadas temperaturas, os recentes experimentos demonstram que tais informações são inverídicas. Considerando os preceitos de substituição química, é possível identificar que a molécula modificada da sacarose, se torna mais reativa, decompondo-se, o que culmina nos malefícios de toxicidade dos subprodutos formados, e ainda, a formação de compostos com alto potencial cancerígeno. 

      O arcabouço legal deve considerar esses achados, e consequentemente os dispositivos legais devem conter parâmetros restritivos de uso desse edulcorante de acordo com as faixas de temperatura e o alerta para os possíveis riscos supracitados.

      Como proposição para estudos futuros recomenda-se avaliar os impactos da instabilidade da molécula de sucralose oriunda das variações de temperatura em gestantes, lactantes, pacientes com disfunção hepática e renal crônica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ANVISA, Resolução RDC nº 18, de 24 de março de 2008. Dispõe sobre o "Regulamento Técnico que autoriza o uso de aditivos edulcorantes em alimentos, com seus respectivos limites máximos".  Diário Oficial da União; Poder Executivo, de 25 de março de 2008.

BANNACH, G.; ALMEIDA, R. R.; LACERDA, L. G.; SCHINITZLER, E.; IONASHIRO, M. Thermal stability and thermal decomposition of sucralose. Eclética Química. 34, 21–26, 2009.

OLIVEIRA, D. N.; MENEZES, M.; CATHARINO, R. R. Thermal degradation of sucralose: a combination of analytical methods to determine stability and chlorinated byproducts. Sci. Rep. 5, 9598, 2015.

SCHIFFMANN, S. S.; ROTHER, K. I. Sucralose, A Synthetic Organochlorine Sweetener: Overview Of Biological Issues. Journal of Toxicology and Environmental Health, Part B, 16:7, 399-451, 2013.

TORLONI, M. R. et al . O uso de adoçantes na gravidez: uma análise dos produtos disponíveis no Brasil. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., Rio de Janeiro, v. 29, n. 5, p. 267-275, maio 2007.      

        

4 comentários:

  1. Fernanda Henriques16 de março de 2017 08:19

    Muito interessante o trabalho realizado pelo colega em buscar essas informações de um produto que é tão utilizado nos dias atuais dado fato que nos encontramos em uma nova era onde o povo se preocupa um pouco mais com o que ingere. Seja por motivos estéticos ou voltados a promoção da saúde, principalmente em indivíduos diabéticos. Assim, é ultraje não indicar no rótulo um alerta sobre as consequências de uso constante do produto como as enxaquecas e seu potencial cancerígeno. Sem falar na desinformação que é circulada no popular de ser um produto natural, que claramente não é e não é informado no rótulo também.
    Porém fica o questionamento, o consumidor que por exemplo tem diabetes, deve escolher entre um produto de potencial cancerígeno ou o açúcar refinado que causará picos de glicemia indesejáveis no seu quadro atual? Ou talvez simplesmente tentar abolir qualquer produto adoçante da sua vida? Não são escolhas simples para o paciente que provavelmente consome um dos produtos há muitos anos. Entretanto é importante informar no rótulo do adoçante todos os possíveis cenários que o consumo frequente pode causar ao consumidor, para que então ele tome sua decisão.

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    1. Fernanda Henriques16 de março de 2017 09:54

      Além dos efeitos citados no trabalho, há um estudo que mostra que os adoçantes organoclorados por serem metabolicamente ativos, podem exacerbar desordens metabólicas via efeito adverso no metabolismo do hormônio tireiodinano, como nesse estudo realizado com ratos https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28040879

      Ainda que seja em ratos, podemos fazer essa relação de efeitos com o homem, assim sugiro que houvesse outro teste agora com humanos para confirmar a alteração no hormônio tireoidiano. Caso comprovado, consumidores com quadro de hipo ou hipertireoidismo e bócio por exemplo, deveriam ser advertidos quanto ao consumo do adoçante, já que poderia causar efeitos indesejáveis a esses pacientes.

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  3. Interessante o trabalho e as informações citadas, e de certa forma é uma surpresa observar que informações tão importantes como as que foram citadas pelo colega não seja informada no rótulo por exemplo, visto que tais são muito importante por poder trazer prejuízos a saúde.
    Hoje existe muitas opções de adoçantes no mercado e que tem sido cada vez mais procurado por motivos estéticos e/ou saúde. O objetivo principal de todo adoçante é a substituição do açúcar, no entanto cada tipo possui peculiaridades.
    Porém existe outros adoçantes naturais como por exemplo o Esteviosídeo ou Stévia. Ele é derivado de uma planta nativa da América do Sul (stevia rebaudiana), e não possui calorias nem altera os níveis de açúcar no sangue. Adoça 300 vezes a mais que o açúcar e pode ser usado em altas e baixas temperaturas. A dose diária máxima é de 5,5mg para cada 1 kg de peso corporal. Apesar de ter um sabor próximo ao açúcar, o Stevia deixa um forte amargo após ser consumido.
    Independente disso, é muito importante que as pessoas que façam uso de adoçante se informem com profissionais que entendam do assunto para que dessa forma usem aquele que é menos nocivo a saúde. Além disso é muito importante que os fabricantes sejam conscientes e tragam estas informações no rótulo.

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