Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Aspartame: Uma escolha segura?



O aspartame é um edulcorante utilizado em refrigerantes zero e Light, pois tem efeito adoçante 180 vezes maior que o açúcar, precisando assim de menores quantidades do edulcorante para o mesmo efeito adoçante do carboidrato e conferindo a esses refrigerantes baixos valores energéticos.
Nos últimos anos o aspartame foi alvo de ataques sobre sua inocuidade em relação a aspectos toxicológicos, principalmente ao seu suposto efeito neurológico.
Após a sua absorção ele é rapidamente hidrolisado no intestino delgado em três moléculas: ácido aspártico, fenilalanina e metanol. Existe a preocupação com a formação de metanol quando o aspartame é estocado por longos períodos em temperaturas elevadas. O metanol é oxidado no organismo em ácido fórmico, sendo o acúmulo deste associado à acidose metabólica e a lesões oculares. 

No entanto, ensaios agudos, crônicos e subcrônicos em vários animais evidenciaram a ausência de toxicidade e carcinogenicidade associado à ingestão do aspartame. Para se tornar tóxico seriam necessários 200-500 mg/kg de metanol para ocorrer toxicidade significante e, como aproximadamente 10% do aspartame ingerido se transforma em metanol, seria necessário ingerir, no mínimo, 2.000 mg/Kg de aspartame para ele promover intoxicação. Essa dose equivaleria, para um indivíduo de 70 kg, à ingestão diária de 140.000 envelopes ou 350.000 gotas do adoçante ou 2.545 litros de refrigerante dietético, o que seria impossível. E, a quantidade de metanol produzida a partir da ingestão de refrigerantes dietéticos (cerca de 55 mg/L) é menor que a produzida a partir da ingestão de sucos de frutas naturais ricos em aspartato (cerca de 140 mg/L). Baseado nesses dados reputa-se não haver possibilidade de dano à saúde cominado ao metanol produzido pela ingestão de aspartame.
Sabe-se também que no Brasil, a ingestão diária máxima recomendada é de até 10 gotas/kg de peso corpóreo dos produtos apresentados sob a forma líquida, para não se ultrapassar a ingestão diária aceitável (IDA) de 40mg/kg. Assim, um indivíduo de 70 Kg deveria consumir 70 gotas do adoçante para ultrapassar a ingestão diária recomendada, e como o aspartame possui alto poder adoçante, essa ingestão seria pouco provável.

Conclusão

Apesar das críticas sobre a inocuidade do aspartame, estudos científicos ainda não conseguiram comprovar essa hipótese. No entanto, há restrições sobre o uso do aspartame por pessoas portadoras da fenilcetonúria, mal congênito e raro que se caracteriza pela ausência de uma enzima que faz o metabolismo da fenilalanina, aminoácido presente no edulcorante artificial.
A ingestão de adoçantes por crianças também merece atenção especial. Isso porque, por terem peso menor, o consumo diário recomendado é bem menor do que o de um adulto, sendo preciso mais cuidado para controlar a quantidade ingerida

Referência

BRASIL. Resolução RDC nº 18, de 24 de Março de 2008. Dispõe sobre o “Regulamento técnico que autoriza o uso de aditivos edulcorantes em alimentos, com seus respectivos limites máximos”. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/391619/Microsoft+Word+Resolu%C3%A7%C3%A3o+RDC+n%C2%BA+18%2C+de+24+de+mar%C3%A7o+de+2008.pdf/4b266cfd-28bc-4d60-a323-328337bfa70e

BRASIL. Informe Técnico nº 17, de 19 de janeiro de 2006. Considerações sobre o Uso do Edulcorante Aspartame em Alimentos. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/alimentos/informes/17_190106.htm

FREITAS, A.S.; ARAÚJO, A. B. Edulcorante artificial: Aspartame - uma revisão de literatura. Revista Eletrônica Multidisciplinar Pindorama do Instituto Federal da Bahia. Nº 01, Agosto, 2010.

ADAMI, F.S.; CONDE, S. R. Alimentação e nutrição nos ciclos da vida. 1ª ed, p. 36 - 39, 2016.

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