Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Miojo Turma da Mônica: “saboloso” e vitaminado

                           
     Com a correria do dia-a-dia, o tempo para o preparo das refeições torna-se cada vez mais reduzido e somos tentados a usar “produtos instantâneos” em nossa dieta. Uma das opções encontradas é o miojo, um tipo de macarrão que pode ser preparado e temperado em apenas três minutos em água fervente.
     Além da praticidade no preparo, o miojo Turma da Mônica da Nissin® destaca-se por utilizar, como estratégias de marketing em sua embalagem, a informação de um alimento fonte de vitaminas e desenhos da Turma da Mônica, tornando este produto um atrativo tanto para o público adulto quanto infantil.
     Contudo, este produto é realmente fonte de vitaminas? E será que há diferenças nutricionais entre o miojo e o macarrão tradicional?
Produto
Nissin Lámen Turma da Mônica

Quantidade por porção*
% VD**
Valor energético
375 kcal = 1575 KJ
19
Carboidratos
50g
17
Proteínas
7,4g
10
Gorduras totais
16g
29
Gorduras saturadas
7.6
35
Gorduras trans
0
-
Fibra alimentar
2,3g
9
Sódio
1999mg
83
Tiamina (Vitamina B1)
0,89mg
74
Riboflavina (Vitamina B2)
1,1mg
85
Niacina (Vitamina PP)soluvel
21g
131
Vitamina B6 (piridoxina) soluvel
1,8g
138

(*) Porção de 80g de macarrão + 5g de tempero
(**) % Valor Diário de referência com base em uma dieta de 2000 kcal ou 8400kJ.

Ingredientes da massa: Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico (mínimo 60%), gordura vegetal, fécula de mandioca (máximo 16,5%), sal, ovo integral em pó, reguladores de acidez carbonato de potássio e carbonato de sódio, vitaminas PP (niacina), B6 (piridoxina), B2 (riboflavina) e B1 (tiamina), estabilizantes tripolifosfato tetrassódico e fosfato de sódio monobásico e corante beta-caroteno.

Ingredientes do tempero em pó: Caldo de carne, sal, açúcar, batata em pó, cenoura em pó, salsa em flocos, realçadores de sabor glutamato monossódico, inosinato dissódico e guanilato dissódico e antiumectante dióxido de silício. Poder conter traços de aipo, leite, camarão, peixe, mostarda e gergelim. CONTÉM GLÚTEN.

Características:
Macarrão instantâneo feito especialmente para as crianças. Tempero com sabor suave e massa vitaminada. Três sabores: Galinha, Carne e Tomate


Legislação Brasileira e Internacional       

O Lámen Turma da Mônica é definido pela legislação sanitária brasileira, na RDC nº 14, de 21 de fevereiro de 2000, como massa alimentícia instantânea. Estes produtos precisam ser reidratados antes do consumo, porém apresentam tempo de cozimento reduzido. O Lámen Turma da Mônica possui tempo de cozimento de 3 minutos.  Além disso, o produto ainda possui como complemento seu tempero, feito a partir de ingredientes distintos da massa, que é vendido na mesma embalagem e é destinado a ser consumidos em conjunto com a massa.
            Essa resolução ainda classifica este produto quanto ao teor de umidade como massa alimentícia desidratado por fritura e quanto à sua composição como massa alimentícia mista, por possuir fécula de mandioca como substituto parcial da farinha de trigo, com seus teores limítrofes declarados no rótulo, como definido pela resolução. Por possuir glúten em sua composição, o produto fica obrigado a declarar a presença do mesmo em seu rótulo. O produto ainda possui outros ingredientes opcionais, como sal, ovo integral em pó, carbonato de potássio e de sódio, vitaminas PP, B6, B2 e B1, tripolifosfato de sódio, pirofosfato tetrassódico, fosfato de sódio monobásico e beta-caroteno.
            A utilização de vitaminas na composição do produto o classifica como um produto enriquecido, que é definido pelo “Regulamento técnico para fixação de identidade e qualidade de alimentos adicionados de nutrientes essenciais” como alimento ao qual foi adicionado um ou mais nutrientes essenciais, contidos naturalmente ou não no alimento, que pode ter como objetivo reforçar o seu valor nutritivo.  A indicação de “Fonte de Vitaminas” presente no rótulo é permitida pelo mesmo regulamento, pois o produto possui mais de 15% da Indicação Diária Recomendada (IDR) do nutriente adicionado.
            No Codex Alimentarius, há uma normatização específica para massas alimentícias instantâneas, o “Codex Standard for Instant noodles”, que não se aplica aos macarrões. A massa alimentícia instantânea é descrita como produto preparado da farinha de trigo, arroz, outra farinha ou amido como ingredientes principais. É caracterizado pelo uso de processos de pregelatinização e desidtratação, que pode ser feito através de fritura ou outros processos de desidratantes.
            O Codex Alimentarius isenta de obrigatoriedade a declaração de ingredientes que estejam presentes em teor abaixo de 5% do produto. Porém, vê-se obrigatória a declaração de produtos que conhecidamente sejam capazes de provocar reações de hipersensibilidade como peixe, amendoim entre outros. O produto apresenta a seguinte indicação ao final da lista de ingredientes: ”Pode conter traços de aipo, leite, camarão, peixe, mostarda e gergelim”. A RDC nº259 de 2002, que trata da rotulagem de alimentos embalados não dispõe sobre este tema, sendo uma das poucas diferenças encontradas entre as exigências do Codex e da ANVISA.
Por fim, é obrigatória em ambas as legislações a indicação da utilização de irradiação nos produtos quando estas forem aplicáveis. No produto em questão há a indicação de “alimentos tratados por processo de irradiação”.


Rótulo do produto


            A partir de uma leitura técnica do rótulo, podem ser encontradas as informações obrigatórias, que devem constar na embalagem como a designação do produto, “Massa alimentícia mista instantânea com tempero sabor carne”, o peso líquido do alimento e, na parte posterior, o modo de preparo do alimento, a tabela nutricional e as indicações de produto irradiado e da presença de glúten. Todos normatizados pela legislação sanitária vigente, anteriormente discutida.
             Através da análise crítica da embalagem podem ser extraídas observações interessantes quanto ao direcionamento do produto e as estratégias de marketing da empresa. Primeiramente, podemos notar que o nome da linha do produto, linha Turma da Mônica, já sugere o interesse em se atingir o público infantil.  Este direcionamento pode ser constato pela presença de desenhos, por toda a embalagem, dos personagens dos gibis infantis da Turma da Mônica. Na região frontal da embalagem,  por exemplo, há o desenho da personagem Magali, com a língua de fora, salivando ao olhar para o prato de Miojo. Esta é uma forma eficiente de utilização da linguagem não-verbal, que pode ser interpretada facilmente pelo público infantil, mesmo por crianças novas que ainda não saibam ler.
            Outra estratégia de comercialização é a adição de vitaminas à composição do produto, transformando-o em um alimento enriquecido. Esta tática é interessante, pois como será discutido futuramente, agrega valor nutricional a um produto que antes, não possuía nenhuma vantagem nutricional quando comparado ao macarrão. Com isso, a empresa contrabalanceia a idéia, largamente difundida pelo senso comum, de que produtos industrializados não fazem bem à saúde, apresentando um produto que é “Fonte de Vitaminas” e que, portanto, é “nutritivo”.
            Finalmente, a RDC ANVISA nº 259/02 diz que os alimentos embalados não podem apresentar ilustrações que possam induzir o consumidor a equívoco, erro, confusão ou engano, em relação à verdadeira natureza, composição, procedência, tipo, quantidade,qualidade, rendimento ou forma de uso do alimento. Apesar disso, observa-se no painel principal do alimento em questão, uma foto de um prato de Miojo com uma fatia de carne assada e cubos de tomate. Acima da foto há uma pequena indicação: “Foto ilustrativa. Sugestão de preparo”. Contudo, a ilustração de ingredientes que não fazem parte do produto pode gerar confusão no consumidor.


Miojo Turma da Mônica versus Macarrão tradicional

            A comparação nutricional, com base nas tabelas nutricionais fornecidas pelo fabricante, foi realizada com o miojo turma da Mônica e duas outras marcas de macarrão não-instantâneo (Espaguete 8 Adria e Espaguete Piraquê). Os valores  representam a porcentagem da IDR com base numa dieta de 2000kcal e podem ser vistos na tabela abaixo:


Miojo Turma da Mônica
Espaguete 8 Adria
Espaguete Piraquê
Valor energético
19
14
15
Carboidratos
17
20
21
Proteínas
10
11
13
Gorduras Totais
29
2
3
Gorduras Saturadas
35
2
1
Gorduras Trans
**
**
**
Fibra Alimentar
9
9
7
Sódio
83
1
1

            Ao se observar a tabela acima, nota-se que a composição dos macarrões Adria e Piraquê não apresenta diferenças significativas, ao passo que o Miojo Turma da Mônica apresenta valores discrepantes quanto à sua composição de gorduras totais, gorduras saturadas e sódio, além de possuir valor energético ligeiramente maior que o das outras massas. Com isso, conclui-se que seu consumo deve ser evitado por pessoas obesas ou indivíduos que necessitem de dietas com baixo teor lipídico e, principalmente, por hipertensos, uma vez que o consumo de uma porção do alimento fornece  83% da necessidade diária de sódio.
Esse aumento da quantidade de sódio em produtos industrializados é uma tendência que vem sendo observada nos últimos anos principalmente em países desenvolvidos nos quais o consumo per capita  de sódio pode chegar a seis vezes o valor de uma dieta com os mesmos alimentos sem adição de sal, esse aumento da ingestão de sódio é acompanhado pelo aumento da pressão arterial e, conseqüentemente, elevação do risco de acidentes cardiovasculares na população.
            Sendo assim, percebe-se que o consumo do Miojo não traz vantagens nutricionais em relação aos macarrões, pelo contrário, os nutrientes como carboidratos, proteínas e fibras do Miojo possuem teores próximos aos dos macarrões e os ingredientes que estão em maiores concentrações (sódio e gorduras) podem ser danosos à saúde.
Para diminuir a ingestão de sódio durante o consumo de Miojo, pode-se abrir mão da utilização do tempero, fazendo com que a parte do sal presente no tempero não seja consumida. O problema é que o fabricante declara a quantidade de sal total, impossibilitando a mensuração da quantidade de sal presente apenas na massa. Mesmo assim, a redução não se aplica às gorduras, pois as gorduras estão presentes na massa e não no tempero. Com isso, conclui-se que a massa alimentícia instantânea não substitui o macarrão, pois suas composições nutricionais são distintas.

                                                          

Miojo como fonte de vitaminas

As vitaminas são compostos orgânicos não sintetizados por nosso organismo e estruturalmente diferentes, que participam de processos vitais ao organismo e por isso devem ser ingeridos na dieta normal. As vitaminas são dividas em dois grandes grupos de acordo com sua solubilidade, vitaminas lipossolúveis e vitaminas hidrossolúveis. Dentre as últimas, encontram-se as quatro vitaminas adicionadas à massa do Miojo Turma da Mônica: Tiamina, riboflavina, piridoxina  e niacina.
A carência das vitaminas hidrossolúveis pode levar a quadros patológicos. As fontes naturais de vitamina são alimentos que fazem parte de nossa dieta. O fígado, por exemplo, é fonte de riboflavina, niacina e piridoxina e a tiamina pode ser encontrada em carne de porco, soja, ovos, entre outros.
O enriquecimento de alimentos com vitaminas é prática corrente das indústrias alimentícias. No caso do Miojo, o aproveitamento das vitaminas presentes no alimento dependerá da quantidade que permanecerá viável no mesmo, após o cozimento e também da absorção intestinal delas. A absorção intestinal das vitaminas hidrossolúveis é mediada por carreadores especializados no intestino. A absorção poderá ser alterada, por exemplo, em casos patológicos, alteração da flora intestinal ou com administração de medicamentos que acelerem a motilidade gastrinstestinal. A oferta dos nutrientes em quantidades condizentes com as declaradas dependerá das técnicas de produção utilizadas e do modo de preparo do alimento.
 Os processos tecnológicos pelos quais o alimento passa durante sua fabricação podem alterar o teor final e a viabilidade destas vitaminas. O macarrão, instantâneo durante seu processamento, passa pelos processos de pré-cozimento, em vaporizadores, e fritura com a finalidade de diminuir a umidade do macarrão. A exposição da massa às altas temperaturas destes processos pode levar à degradação de substâncias termolábeis. Dentre as quatro vitaminas adicionadas, a tiamina é a que mais sofre a ação térmica, sendo por isso degradada em temperaturas elevadas.     
 Adicionalmente, o cozimento da massa pode levar a perda de substâncias solúveis em água, devido à extração destas. As quatro vitaminas adicionadas à massa são vitaminas hidrossolúveis, com isso, durante o processo industrial de pré-cozimento e o cozimento posterior, para promover a reidratação do produto e seu consumo, a água em altas temperaturas, aumenta a solubilidade das vitaminas e leva à extração destas, fazendo com que a massa após o processo tenha um teor vitamínico menor que o declarado.
Ao se observar a tabela nutricional do produto, nota-se que os teores de niacina e piridoxina estão acima da IDR, podendo compensar desta forma, eventuais perdas durante a fabricação e o preparo do produto, contudo a tiamina, que é a mais sensível à temperatura apresenta o menor teor.
Por fim, apesar da possibilidade de perda de vitaminas para a água de cozimento, o modo de preparo do produto não recomenda o escorrimento do macarrão. Mesmo sendo corriqueiro o preparo do macarrão instantâneo, eliminando-se a maior parte da água do cozimento, o rótulo indica apenas a adição de 450 mL de água, o cozimento durante três minutos e a adição do tempero depois de retirada do fogo. Com isso, ao se consumir o macarrão junto com a água utilizada no cozimento, se evita a perda das vitaminas que possam estar solúveis na água, no entanto não evita-se a perda por degradação térmica.



Conclusão

            A compreensão dos aspectos discutidos anteriormente nos leva a afirmar que a substituição dos macarrões por massas alimentícias instantâneas pode trazer riscos à saúde e a única possível vantagem nutricional do Miojo é a presença de vitaminas. Contudo, como discutido anteriormente, as quantidades de vitaminas declaradas podem estar superestimadas e, adicionalmente, é no mínimo questionável a utilização de um produto calórico e com quantidades excessivas de sódio como este, como fonte de vitaminas. Uma dieta balanceada é capaz de suprir as necessidades de componentes essenciais, a utilização de produtos como o Miojo em substituição às fontes naturais de vitaminas é desaconselhável.
            Apesar das desvantagens nutricionais, pudemos observar que o Miojo Turma da Mônica obedece à Legislação Sanitária vigente e sua principal vantagem em relação aos macarrões é a praticidade e a rapidez em seu preparo.


Referências Bibliográficas

Brasil. Resolução- RDC nº 14, de 21 de fevereiro de 2000.

Brasil. Portaria n º 33, de 13 de janeiro de 1998

Brasil. Portaria n º 31, de 13 de janeiro de 1998

Codex Standard 249-2006. Codex Standard for instant noodles

Codex Standard 1-1985. General Standard for the labelling of prepackaged foods.

Alderman., M., H.. Salt, blood pressure, and Human Health. Journal of the American Heart Association. 2000.

CARVALHO., J. L. V. de., et al. Orientação para rotulagem de alimentos. São Paulo . 2006

Sacks., F., M..Effect of dietary fats and carbohydrate on blood pressure of mildly hypertensive patiens






14 comentários:

  1. Muito bom o trabalho. Gostaria somente de acrescentar os principais problemas da deficiência de tiamina (vitamiba B1) que afeta um número relativamente grande de pessoas.
    As duas principais doenças relativas à deficiência em tiamina são o beribéri (prevalecente no Oriente) e o síndroma de Korsakoff. O beribéri, mostra-se primariamente em desordens do sistemas nervoso e cardiovascular. Existem três tipos de beribéri: o beribéri seco, uma polineuropatia com grave perda de massa muscular; o beribéri úmido com edema, anorexia, fraqueza muscular, confusão mental e finalmente falha cardíaca; e o beribéri infantil, no qual os sintomas são vômitos, convulsões, distensão abdominal e anorexia, que aparecem de repente e podem ser seguidos por morte por falha cardíaca.

    O beribéri era um grave problema em países onde o arroz polido constituía uma grande parte da dieta, especialmente no sudoeste asiático. Hoje em dia, muitos países fortificam o arroz e outros grãos de cereais de forma a substituir os nutrientes perdidos durante o processamento.

    Atualmente é o síndroma de Korsakoff que se encontra com mais frequência. A deficiência é causada por uma combinação de fatores, incluindo a ingestão inadequada (como nas situações em que o álcool substitui os alimentos), absorção diminuída e aumento das necessidades. Embora esteja associado ao álcool, a síndrome encontra-se também ocasionalmente em pessoas que fazem jejum ou sofrem de vômitos crônicos. Os sintomas vão de confusão e depressão leves a psicose e coma. Se o tratamento for adiado, a memória pode ser permanentemente afetada.

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  2. Tássia Cavalcanti Reis15 de julho de 2011 16:16

    Acho muito interessante esse trabalho, pois na nossa geração são raras as pessoa que nunca tenham consumido um prato de miojo, devido a grande praticidade. E é muito importante salientar para a diferença existente entre miojo e macarrão, coisa que sempre me perguntei, mas nunca de fato havia comparado. Porém me chamou a atenção no trabalho o fato dos valores das porções comparadas não estarem discriminadas. Quando digo que o miojo (80g + 5g de tempero) possui uma quantidade de sódio de 1999mg é o consumo dessa porção que representa um VD de 83% de sódio, mas para ambos os macarrões (Espaguete 8 Adria e Espaguete Piraquê) não é dito o valor da porção referente ao VD de 1% de sódio. Assim essa comparação não é valida, já que esta pode estar sendo feita entre uma porção de 80g+ 5g referente ao miojo com uma porção de 10g do macarrão. Seria necessário fazer comparações entre porções iguais ou no mínimo discriminar os valores das porções para nós, leitores, conseguirmos avaliar sem duvidas as diferenças nutricionais entre os produtos.

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  3. É inegável que nos dias em que vivemos a abordagem deste tema é muito importante.
    Acho interessante acrescentar uma rápida comparação do Miojo com outros macarrões instantâneos, já que o trabalho o compara com macarrões comuns.
    A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) analisou uma série de marcas e concluiu que o tempero em pó de algumas contém mais sódio do que a quantidade indicada para o consumo em um dia inteiro.
    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo diário de sal não deve ultrapassar 4 gramas, e o de sódio, 2 gramas. No famoso Miojo, o sódio compõe 16% do produto – 0,8 gramas – isso porque a marca foi a classificada com a menor quantidade de sódio. As marcas Qualitá e Piraquê têm 2,32 gramas de sódio no tempero.
    Outro fator importante analisado foi que produtos deste tipo abusam do glutamato monossódico, utilizado como realçador de sabor. O glutamato é conhecido como uma substância viciante e pode causar reações adversas no organismo, mas tem o seu uso liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Especialistas já observaram que o uso em excesso do glutamato pode causar enxaquecas, dores de cabeça, náusea, quimação no peito e sudorese, além de outras reações. No macarrão da marca Maggi, a Pro Teste descobriu que o glutamato corresponde a quase 23% da formulação do produto.

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  4. Este trabalho muito se assemelha ao meu. E o que vejo é mais uma vez o enriquecimento de um alimento altamente rico em gordura e sódio ser feito para atrair um maior número de consumidores, mas com um falso compromisso de benefício à saúde.
    Devemos lembrar que a absorção das vitaminas pode ser alterada por diversos fatores, e um deles é a utilização de aditivos nesse tipo de alimento.
    Ou seja, o enriquecimento de alimento hoje é mais um jogo de marketing que realmente uma preocupação da indústria com a saúde da papulação.
    Será que não falta uma maior rigorosidade da legislação quanto ao enriquecimento de alimentos????

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  5. Achei o trabalho muito interessante. No entanto, creio que deveria ter salientado mais os aspectos legais que tratam deste tema. Estamos lidando aqui com um rótulo para massa alimentícia seca embalada. Sendo um alimento, aplicam-se todas as normas horizontais relativas a alimentos. Por ser um produto de competência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o rótulo deve atender às regras estabelecidas por aquele órgão, ressaltando-se a RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) - ANVISA n.º 263/05 (D.O.U 23.09.05), que especifica os requisitos para produtos de cereais, amidos, farinhas e farelos. Como se trata de um produto prémedido, o rótulo deve atender à regulamentação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO. Ainda, como qualquer produto ofertado ao consumidor, deve-se observar o Código de Defesa do Consumidor. E por fim, um produto destinado à exportação, como é o caso do Nissin Miojo, presente em vários países da América como Argentina e Uruguai, as normas do país de destino terão que ser consideradas na rotulagem.
    Aprofundando ainda mais nos aspectos normativos, verificamos a não concordância de vários itens presentes no rotulo do produto especificado neste trabalho. Dentre os mais relevantes destaca-se o decreto lei nº 986/69 artigo 12 trata que os rótulos de alimentos de fantasia ou artificial não poderão mencionar indicações especiais de qualidade, nem trazer menções, figuras ou desenhos que possibilitem falsa interpretação ou que induzam o consumidor a erro ou engano quanto à sua origem, natureza ou composição; RDC ANVISA n° 360/03 item 2.3 consta que qualquer representação que afirme, sugira ou implique que um produto possui
    propriedades nutricionais particulares, especialmente, mas não somente, em relação ao seu valor energético e conteúdo de carboidratos, proteínas, gorduras e fibras alimentares, assim como ao seu conteúdo de vitaminas e minerais; Lei n° 8.078/90, Lei de Defesa do Consumidor, art. 37, caput e paragrafo único, É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir o consumidor a erro a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos.
    Claramente podemos observar a omissão dos orgãos regulatórios especificamente para este produto.

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  6. Priscilla Gomes Ferreira Dias19 de julho de 2011 21:03

    Devido a praticidade do produto, é difícil diminuir seu consumo apesar dos malefícios conhecidos. Sabendo disso, pesquisas estão sendo feitas nessa área para unir praticidade e benefícios a saúde.Um estudo de doutorado, defendido na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), desenvolveu um macarrão
    instantâneo com menor teor de gordura. O que difere o novo produto em relação aos já existentes no mercado é a adição de dois ingredientes na formulação, a proteína de soja e o amido resistente, juntamente com a adoção de um processo alternativo de fritura, que possibilita reduzir o uso de óleo. Isso porque normalmente, para o processo de fritura comum, é feito um banho de óleo a 150-165ºC com duração de 90 segundos.Com o sistema desenvolvido, trabalha-se a uma temperatura em torno de 110-120ºC, com fritura de dois minutos. Com isso, permite-se preservar a qualidade e reduzir a absorção de óleo pelo produto, aumentando-se a vida de prateleira, que em geral é de sete meses a partir da data de fabricação. Também o processo reduz o custo de produção em função do fato de conseguir fritar uma maior quantidade de produto utilizando uma mesma quantidade de óleo.
    A pesquisadora conseguiu reduzir 3% de gordura com a fritura a vácuo, melhorar o perfil de aminoácidos (o teor protéico do macarrão instantâneo) e aumentar o teor de fibra alimentar para 6% no novo macarrão, pela adição da proteína de soja e amido resistente.

    Um dos obstáculos desta tecnologia estaria no setor industrial, por requerer um alto investimento inicial, pois esse processamento demandaria um sistema de fritura a vácuo.

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  7. Gostei do trabalho. O macarrão instantâneo está muito presente no nosso cotidiano e nem paramos pra pensar se ele de fato pode substituir uma refeição mais orgânica e "saudável", não apenas para saciar a fome mas também no quesito nutrientes necessários diariamente. A Nissin obviamente faz um jogo de marketing ao fabricar um produto da Turma da Mônica enriquecido de vitaminas. Dessa forma, pais podem preparar o miojo para seus filhos e acharem que eles estão bem alimentados e crescendo saudáveis. Mas uma pessoa leiga dificilmente analisará criticamente os outros componentes do produto, como foi feito no trabalho.
    Acho que não apenas para obesos e hipertensos deve ser feito um controle da ingestão de sódio e gorduras. Qualquer pessoa pode desenvolver essas doenças através de uma alimentação descompensada. Ainda mais em crianças, que com o aumento dos alimentos industrializados e do sedentarismo, estão apresentando esses problemas de saúde cada vez mais novas.
    O objetivo do fabricante é o lucro. Isso não está errado desde que não prejudique a saúde do consumidor. A fiscalização que deveria ter esse controle, já que as empresas aparentemente não tem essa preocupação. E é aí que vejo pelos outros trabalhos e comentários no blog, como a nossa legislação é falha. As empresas acham diversas brechas, a gente acaba sendo obrigado a "engolir" tudo o que é vendido, e parece que as autoridades fecham os olhos para mudanças necessárias.

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  9. Interessante.
    O que eu sempre acho mais preocupante quando vejo alimentos, medicamentos, cosméticos e etc é a publicidade que os circundam. Eu diria até que acho um pouco do mal levar pessoas a consumirem uma coisa que elas não têm a menor necessidade.
    Quando o público consumidor é infantil fico ainda mais preocupada com as estratégias de propaganda e marketing.
    Não me parece muito adequado que esse macarrão instantâneo, por exemplo, seja consumido indiscrimidamente nem por crianças e nem por adultos. Aliás, isso não só para o miojo, mas para qualquer tipo de alimento. A alimentação de quaisquer indivíduo deve ser sempre diversificada.
    Enfim, o que quero dizer é que colocar a "Turma da Mônica" na embalagem do produto pode fazer com que as crianças queiram aquilo como sua única fonte de alimentação.
    Fazer isso é quase tão absurdo quanto "enfiar" a turma da Mônica em xarope... e colocar gostinho nele... Isso não poderia levar ao consumo irracional do medicamento? Então, por que não podemos pensar esse aspecto em cima do alimento?
    Minha principal reflexão ao ver este trabalho foi essa e acho muito relevante pensarmos sempre em cima disso. Pensar o rótulo sim, as informações nutricionais, mas principalmente pensarmos os apelos dos fabricantes para o consumo dos seus produtos. E, a partir daí, pensarmos o grau de credibilidade que este fabricante merece!!!

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  10. Muito interessante a pesquisa, a partir de agora não comprarei mais marcarrão instantâneo. Não custa nada cozinhar o macarrão comum. Já somos expostos naturalmente a diversos fatores que trazem risco a nossa saúde, quanto mais pudermos evitar coisas desse tipo melhor.
    O fato de apelarem para marcas e personagens infantis até deveria ser proibido porque não só as crianças como os pais se enganam achando que pq é infantil não faz tanto mal. É como consumir coisas 'light' a vontade, achando que não faz mal algum.

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  11. Adorei as informações. Muito obrigada. Agora eu queria tirar uma dúvida com vocês. Sou vegetariana e como miojo muito raramente. Estou eliminando esse alimento do meu cardápio. Fiquei sabendo por um amigo que na massa do macarrão do Miojo existe crustáceos. Gostaria de saber se essa informação é verdadeira ou se é mais um mito que as pessoas postam na internet. Então, existe mesmo crustáceos na composição do Miojo?

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    1. Como mencionado no post: “O Codex Alimentarius isenta de obrigatoriedade a declaração de ingredientes que estejam presentes em teor abaixo de 5% do produto. Porém, vê-se obrigatória a declaração de produtos que conhecidamente sejam capazes de provocar reações de hipersensibilidade como peixe, a RDC nº259 de 2002, que trata da rotulagem de alimentos embalados não dispõe sobre este tema, sendo uma das poucas diferenças encontradas entre as exigências do Codex e da ANVISA.” Sendo assim fica difícil confirmar se o macarrão instantâneo possui ou não traço de crustáceos em sua composição, o consumidor infelizmente fica dependendo do bom senso do fabricante no momento da rotulagem.

      Porém de acordo com a tese de doutorado: Characterization of allergenic and antimicrobial properties of chitin and chitosan and formulation of chitosan-based edible film for instant food casing, de autoria Minh Xuan Hong Nguyen M.Sc, Bioprocess Technology, os resíduos de camarão composto de proteínas (40%) e quitina. E a quitina ou os seus derivados (quitosana) que é obtida da casca desses crustáceos é amplamente utilizada na indústria de alimentos. E nessa indústria a quitosana pode ser utilizada como película protetora dos invólucros dos sachês de tempero do miojo por exemplo.

      Para ser um biomaterial a ser considerado para a produção dos sachês eles devem ter as seguintes propriedades: comestível , solúvel em água quente água, e lacrado .

      No entanto, o filme de quitosana tem solubilidade muito pobre em meio neutro ou alcalino.
      Portanto, é necessário misturar com outros materiais de quitosana solúveis em água, para aplicar em invólucro de comida instantânea

      O uso desta película comestível em invólucro de tempero para macarrão instantâneo é uma tentativa de aplicar filmes baseados em quitosana.

      Portanto, você poderia deixar de colocar o tempero que vem na embalagem do miojo, quando for comê-lo, ou deixar de comer este tipo de macarrão, pois como foi demonstrado no trabalho publicado neste blog o miojo é um alimento pobre em nutrientes e que não traz muitos benefícios para a saúde.

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  12. Alguém ai trabalha em industria de massas?

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