Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 30 de julho de 2016

Hormônio - Vitamina D – suplementação diária?


A vitamina D apresenta ações corporais que vão além da manutenção dos ossos. Seria interessante uma suplementação com vitamina D além da recomendada para evitar doenças mais graves? Leia mais...

Descrição

O sol vem sendo considerado um grande vilão nos tempos atuais, devido ao seu risco de provocar câncer de pele, sendo portanto, necessária a utilização de protetores solares. Porém, a vitamina D, um hormônio esteroide derivado do colesterol, obtido principalmente da exposição aos raios ultravioletas do sol, vem apresentando grande relevância na clínica atual, relacionando seus baixos níveis séricos com doenças autoimunes, cardiovasculares, neurodegenerativas, entre outras. A Biovea recomenda uma dose de 5000UI diária de vitamina D. Deve-se, portanto, uma suplementação com vitamina D ser inserida nos hábitos da população e qual seria a dose para tal?

Fundamentos Bromatológicos

A vitamina D é um pró hormônio, lipossolúvel, sendo a vitamina D3 (colicalciferol) sintetizada na pela pela exposição aos raios UVB do sol, e no fígado convertida à 25-hidroxi vitamina D (25OHD). A 25OHD é a molécula medida no sangue para dosagem da vit D corpórea. O metabólito ativo é o calcitriol (1α,25(OH)2D3), formado pela metabolização renal da 25OHD, sendo então proporcional à exposição aos raios solares e ao bom funcionamento renal.
Através da alimentação, a obtenção de vitamina D pode ser feita pela ingestão de peixes, como o salmão, sardinha e bacalhau (o óleo de fígado de bacalhau é uma das maiores fontes de vitamina D), ovos, leite e derivados, porém o sol continua sendo o melhor fornecedor de vitamina D.
O papel fundamental mais conhecido da vit D é no metabolismo de cálcio, pois ajuda na absorção de cálcio, ajudando na formação e manutenção dos ossos. Um dos maiores problemas da deficiência de vitamina D é na infância, provocando raquitismo nas crianças. Dados recentes vem apresentando uma correlação entre vitamina D e doenças autoimunes, cardiovasculares, diabetes, câncer, entre outras, aumentando sua importância para prevenção de doenças mais graves, levantando questões com relação à sua suplementação e às doses preconizadas.

Legislação

No Brasil existem algumas leis e regulamentações que dispõem sobre alimentos e suplementação de vitaminas. Porém, não há um consenso entre pesquisas e essas regulamentações, para que se padronize as doses de vitamina D, de acordo com patologias, estações e localização geográfica. Sendo assim, segue abaixo alguns regulamentos vigentes no país.
De acordo com a Lei nº 6360 de 1976, as vitaminas enquadram-se em nutrimentos, sendo registrados como produtos dietéticos destinados à ingestão oral ao serem indicados como suplementos, necessitando de prescrição médica. A proporção de vitaminas adicionadas aos produtos dietéticos deverá respeitar os valores ditos pelo Ministério da Saúde, para que não sejam confundidos com produtos terapêuticos.
A portaria nº 32 de 1998, tem como objetivo fixar a identidade e as características mínimas de qualidade a que devem obedecer os suplementos vitamínicos e ou de minerais, e diz que devem conter um mínimo de 25% e no máximo até 100% da IDR de vitaminas e ou minerais, na porção indicada pelo fabricante, não podendo substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva.
Portaria nº 40 de 1998, considera a necessidade de fixar níveis para a recomendação diária de consumo de vitaminas e minerais em medicamentos, além de diferenciar medicamentos a base de vitaminas de suplementos vitamínicos. Em seu anexo, a dose diária recomendada para adultos de vitamina D é de 800UI, 40UI/kg peso corporal até o limite de 400UI para lactentes e 40UI/kg até o limite de 800UI para uso pediátrico.
A Resolução RDC nº 269 de 2005, Regulamento técnico sobre a ingestão diária recomendada de proteína, vitaminas e minerais, recomenda 5μg (1μg =40UI) de vitamina D para adultos, lactentes, gestantes e crianças.
Como observado, não há um padrão da dose recomendada de vitamina D no Brasil, sendo a prática clínica o grande diferencial para a escolha da dose de manutenção ou suplementação.
*Ingestão Diária Recomendada (IDR) é a quantidade de proteína, vitaminas e minerais que deve ser consumida diariamente para atender às necessidades nutricionais da maior parte dos indivíduos e grupos de pessoas de uma população sadia.

Análise e Discussão
           
        Como apresentado, não existe uma legislação específica sobre a suplementação de Vitamina D no Brasil, nem um consenso sobre a dose a ser utilizada e qual seria a quantidade sérica ideal. Alguns guidelines apresentam como deficiência níveis séricos inferiores a 20ng/mL, outros inferiores a 30ng/mL, sendo portanto uma suplementação indicada. Aconselha-se 400UI/dia para recém natos, 600UI/dia para crianças acima de 1 ano, pelo menos 600UI/dia para adultos de 19-50 anos, sendo também indicado doses entre 1500-2000UI/dia. Para idosos acima de 50 anos, uma ingesta entre 600-800UI/dia, podendo ser aumentada para 1500-2000UI/dia, dependendo da situação.
         A sociedade de endocrinologia americana indica uma dose diária entre 1000-2000UI para manter os níveis séricos acima de 30ng/mL. Para pacientes deficientes em vitamina D, sugere-se a ingestão de 50000UI uma vez por semana por 8 semanas, ou 6000UI diários até que se alcance o nível mínimo, e depois a dose de manutenção.
      Já foi comprovada a ação da vitamina D em células do sistema imune, produzindo efeitos antiinflamatórios e imunoreguladores, regulando negativamente o NFkB, fundamental para o processo inflamatório, podendo ser considerado um fator importante para a prevenção de doenças autoimunes. Estudos também já demonstraram a importância da vitamina D na homeostasia do metabolismo da glicose e desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 1 e 2, sendo associada com defeitos na células ß pancreáticas, sensibilidade à insulina, além da inflamação já citada. Com relação às doenças cardiovasculares, foi observada uma correlação entre os baixos níveis de vitamina D, pressão sanguínea e calcificação da artéria coronária. No tratamento de câncer, foi observado um provável mecanismo entre o papel da vitamina D na regulação do crescimento e diferenciação celular, pois ao se aumentar os níveis de vitamina D, observou-se uma diminuição nos casos da doença.
           
Conclusão
           
Apesar da grande importância da vitamina D no organismo, ainda não há um protocolo ou padronização para seu uso, sendo necessária a avaliação caso a caso para escolha da dose de suplementação. Através de recentes estudos, e dada a importância da vitamina D na prevenção e melhora em diversas patologias, em breve algum protocolo deve ser regulamentado para melhora do bem estar populacional e para facilitar no tratamento de hipovitaminose.


Bibliografia

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  9. BRASIL. Resolução RDC nº 269, de 22 de setembro de 2005. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/1884970047457811857dd53fbc4c6735/RDC_269_2005.pdf?MOD=AJPERES
  10. BRASIL. Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6360.htm

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