Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Será a Ractopamina a vilã da carne brasileira?

  Nos últimos meses, surgiram grandes questionamentos sobre a qualidade da carne brasileira gerados por países como Rússia e China. A grande polêmica girou em torno da Ractopamina, uma substância utilizada para o crescimento e engorda de suínos e bovinos. Se por um lado, os países que embargaram a carne brasileira não acham suficientes os estudos e dados de que a substância é segura para consumo humano, por outro, grandes órgãos de regulamentação, como o Codex Alimentarius, permitem o uso da Ractopamina, com restrições quanto ao limite máximo. De que lado você está? Carne com insumo necessariamente significa carne de má qualidade? Faz mal à saúde? Devemos desconfiar dos órgãos regulatórios? Informe-se sobre o assunto.
Descrição do produto 
  A Ractopamina é um promotor de crescimento, apresentado comercialmente como Ractosuin®, Transuin® e RacTop®. Este produto é amplamente utilizado na suinocultura visto que é capaz de modificar o metabolismo animal, resultando em uma redução do teor de gordura e aumento da carne magra.

Fundamentos Bromatologicos/Toxicologicos 
  A Ractopamina, assim como outros promotores de crescimento a exemplo do Salbutamol, apresenta estrutura química semelhante a hormônios importantes como a adrenalina e a noradrenalina. Esses aditivos vêm sendo utilizados a fim de aumentar a taxa de ganho de peso dos animais, bem como a deposição de carne magra em sua carcaça.
  O promotor de crescimento em questão é um agonista β-adrenérgico que age a nível de receptores presentes nas células musculares, aumentando o diâmetro das fibras e assim, a massa muscular. Nas células adiposas, atua catalisando a quebra de triacilglicerídeos e, consequentemente, reduzindo a deposição de gordura.
  Sabe-se que, assim como os outros agonistas β-adrenérgicos, a Ractopamina quando utilizada a longo prazo é capaz de causar tremor muscular, taquicardia, vasodilatação, distúrbios metabólicos, entre outros sintomas em seres humanos. Diversos estudos sobre a possível toxicidade da Ractopamina vêm sendo realizados em animais como macacos, ratos e cães. Apesar disso, os cientistas conseguiram chegar a poucas conclusões sobre seu efeito em parâmetros como genotoxicidade, teratogenicidade, mutagenicidade e implicações cardiovasculares e musculares. Órgãos internacionais, a exemplo da FAO, puderam apenas, com base em alguns estudos que relataram uma possível cardiotoxicidade da Ractopamina, determinar a sua Ingestão Diária Aceitável (IDA) com um amplo Fator de Segurança.

Revisão/análise da legislação pertinente 
  De acordo com a Instrução Normativa nº 8 do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), de 29 de abril de 2010, foram aprovados os Programas de Controle de Resíduos e Contaminantes em Carnes (Bovina, Aves, Suína e Equina), Leite, Mel, Ovos e Pescado para o exercício de 2010. Nela, determina-se o limite de referência de diversas substâncias em diferentes matrizes, como músculo, urina e fígado. A Ractopamina é citada como um analito do grupo dos betagonistas e possui um limite de 20 µg/Kg de músculo de carne suína e de aves, e 5 µg/Kg de músculo de carne bovina. Segundo o MAPA, a Ractopaminaé indicada para uso exclusivo em rações para suínos em fase de terminação, como repartidor de energia, estando entre 5 – 20 g/tonelada de ração.
  O CodexAlimentarius não aborda a autorização para o uso de medicamentos veterinários em animais produtores de alimentos, mas estabelece limites máximos de resíduos. Estes servem como recomendações para autoridades nacionais de vigilância sanitária seguirem, com o objetivo de promover a segurança dos alimentos produzidos e comercializados. O consumo diário recomendado através da ingestão de ração é de 0 – 1 µg/Kg de peso corporal do animal. O limite máximo de resíduo em músculo de porcos e bovinos é de 10 µg/Kg. Estes dados referem-se à última reunião da comissão, em julho de 2012. A partir desta decisão, teoricamente, os alimentos que estão dentro destas normas não podem ser proibidas de entrar no país importador do produto.
  O FDA também regulamenta a presença de Ractopamina nos alimentos, sendo o consumo diário recomendado através da ingestão de ração pelos animais de 4,5 – 9 gramas/tonelada.

Discussão
  Como visto anteriormente, a adição de Ractopamina à dieta de suínos aumenta a massa muscular e reduz a deposição de gordura. Apesar dos efeitos benéficos visíveis para a produção de carne suína, o uso deste promotor de crescimento é controverso, o que foi possível observar nos últimos meses através do embargo imposto à carne contendo traços de Ractopamina por países como Rússia e China. Alguns especialistas dizem que o produto em questão é capaz de causar efeitos colaterais graves como problemas cardíacos e mutagenicidade, entretanto órgãos reguladores afirmam que a sua presença no alimento, dentro de limites estabelecidos, não é capaz de trazer risco à saúde.
  Mesmo com pesquisas científicas realizadas pelo Comitê Conjunto de Especialistas sobre Aditivos Alimentícios da FAO/OMS (Jecfa) que a utilização da Ractopamina não tem impacto sobre a saúde dos consumidores e a determinação do limite máximo desta substância na carne de animais, ainda é grande a desconfiança sobre seus efeitos a longo prazo.
  Com a determinação e publicação no Codex Alimentarius, um país importador não pode proibir a entrada da carne que contenha a substância dentro dos padrões autorizados, porém, não foi isso que se observou nos últimos meses, quando alguns países embargaram a carne brasileira. No Brasil, assim como nos Estados Unidos, é permitida a mistura de Ractopamina na ração dos suínos e bovinos, mas na União Européia e na China, grandes importadores de carne, ela é proibida. O impacto gerado por este tipo de restrição à carne pode causar grandes problemas na economia dos diversos países que utilizam este insumo.

Conclusão 
  O uso do promotor de crescimento Ractopamina vem gerando muita discussão entre produtores e importadores de carne suína. Se por um lado, os produtores são suportados por documentos oficiais e decisões de órgãos internacionais, por outro, os importadores ainda desconfiam do uso à longo prazo desta substância e quais conseqüências elas trazem para o organismo humano. Estudos toxicológicos em diversos modelos animais vêm demonstrando a capacidade da Ractopamina em causar efeitos adversos, mas ainda não são capazes de afirmar tal hipótese visto que também existem estudos que apontam para a sua não toxicidade tanto em animais, quanto em humanos. Desse modo, cria-se um impasse entre alguns importadores que exigem mais dados científicos e as agências regulatórias que os acham suficientes. Já que eles não chegam consenso cabe à nós, consumidores, avaliar criticamente se queremos ou não consumir a carne suína com Ractopamina.

Bibliografia citada
ROSA, R. A. Ractopamina para suínos em terminação. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2009

Evaluation of certain food additives and contaminants: Sixty-second report of the Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives. WHO Food Additives Series, No. 53, 2005.

Evaluation of certain veterinary drug residues in food: Seventy-fifth report of the Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives. WHO technical report series, no. 969, 2012.

Tabela de aditivos autorizados para uso em produtos destinados à alimentação animal – geral com exceção dos antimicrobianos, anticoccidianos e agonistas. 2011. Disponível em: Acesso em: 06/01/2013. 


Discussion on Ractopamine in Codex and in Joint FAO/WHO Expert Committee on Food (JECFA). Codex and JECFA Secretariats. 2012. Disponível em: <http://typo3.fao.org/fileadmin/user_upload/agns/pdf/Ractopamine_info_sheet_CodexJECFA_rev_26April2012__2_.pdf>. Acesso em: 06/01/2013.


Ministério da Agricultura, pecuária e abastecimento. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 8, DE 29 DE ABRIL DE 2010.

23 comentários:

  1. Não só a Rússia, União Européia, China e outros países devem pribir o uso desta FRAUDE criada pelo homem, como principalmente o Brasil,país que se propõe a ser o "Fazendão do Mundo". Esse produto deve ser banido do Brasil imediatamente antes que algum pesquisador indepentente descubra os reais malefícios dessa substância para os seres humanos.

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  2. Muito pertinente este assunto, prefiro a carne natural.

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  3. Sabendo que no Brasil fiscalização não funciona, quem garante que os produtores respeitarão os limites de substâncias adicionadas.
    A Rússia embargou a carne brasileira porque constatou que o "SELO" de garantia brasileiro era uma fraude. Se nem para importar a carne os produtores respeitam as normas, imagine para vender no mercado interno.

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    1. De onde vc tirou essa informação??????????

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  4. Deve dar um ótimo resultado para que pratica musculação, uma colher de sobremesa batido no liquidificador com leite e uma banana!!!

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    1. KKKKKKKK, eu pensei a mesma coisa, maromba é f....kkkkkkk

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  5. tudo que comemos tem hormônios, nada é natural, em toda a parte há indícios de hormônios. os russos reclamam de nossa carne, mas o alcoolismo lá mata mais que qualquer outra coisa, na china a poluição é imensa e é exportada pelas correntes de ventos que dá a volta ao mundo e ninguém reclama. na russia, creio que algum importador irá ganhar muito dinheiro, pois irá cair a oferta, consequência aumento de preço ao consumidor. e sabemos que o mundo tem fome, melhor comer carne com algum hormônio que morrer de fome, vide alguns países africanos. reflitam.

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    1. Que tem a ver importar carne com ractopamina(que provoca cardiotoxicidade), com problemas já existentes em um país...
      "Já tá campado então chuta o balde??". Dããã...

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    2. Teoria desequilibrada a de achar que é melhor comer veneno do que morrer de fome

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    3. Melhor mesmo seria que os órgãos reguladores do Brasil criassem vergonha e fiscalizassem de verdade essas falcatruas criadas para aumentar os lucros desses empresários inescrupulosos . É uma vergonha o Brasileiro não ter certeza do que ele consome fazer bem ou mal à saúde Mais uma desse país sem dono repleto de empresários, políticos, fiscais, etc desonestos.

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  6. Não sou a favor de utilização de medicamentos ou hormônios para aumentar produção de carne, mas se formos analisar com calma tudo o que temos disponível nas gôndolas e prateleiras de mercado acabaríamos voltando ao tempo da economia de subsistência. Produtos industrializados como salgadinhos e refrigerantes contém muitos aditivos e corantes químicos provavelmente cancerígenos. Mas tudo é uma questão de $$$valores$$$: nunca um país conseguiria embargar o consumo de produtos de empresas mundiais como a Coca-Cola, Pepsi ou Elma Chips. Além disso a vodka dos russos matam aos montes, mas geram lucros por lá mesmo, portanto...

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    1. O problema é que cada um tenta resolver seus problemas, sem importar os dos outros. Agora aqui...nosso país é passagem livre. Não tem porta, entra tudo de lícito e inlícito.
      Desde o leita de Chernobil, passando por drogas, armas, até os Médicos de Cuba. O mundo aqui, faz o que quer. E agente procura criticar os outros em vez de mudar a nós mesmos. Só barramos a entrada de algum produto quando tentamos retaliar por terem barrado um nosso. Isso é Brasil...!

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  7. Em casos controversos como esses e que podem implicar em malefícios desconhecidos e irreversíveis, me parece que a prudência deve ficar em primeiro lugar. Ou seja: se existe uma possibilidade de risco, deveríamos evitar até termos conclusões definitivas. E não o contrário.

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  8. Ora, dizer que é inevitável o uso de hormônios e aditivos na alimentação é um argumento muito fraco para justificar o uso da ractopamina.
    O agronegócio é viciado em lucros altíssimos e vive choramingando aos pés dos governantes por mais e mais incentivos e benesses.
    Esta via de aditivos, agrotóxicos e anabolizantes não é a única nem a melhor opção para a produção de alimentos. Há todo um contexto cultural e econômico que deve mudar para que tenhamos consumo responsável aliado à produção e distribuição adequada de alimentos saudáveis.

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  9. Somos o maior país do mundo em terras aptas à produção, clima perfeito com o maior manancial de água doce do planeta e, se os ecochatos não perturbarem seguindo os modismos dos gringos que querem nos manter na era da pedra lascada, temos o maior potencial de energia elétrica limpa através das hidrelétricas. Só nos falta votarmos melhor e elegermos políticos comprometidos em implantar as necessárias rodovias e hidrovias, modais necessários à redução do custo Brasil.

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  10. Ante estas verdades, expostas no texto anterior, porque não apostarmos no viés da qualidade e não na quantidade? O mundo está ávido a procura de alimentos naturais, livres de agrotóxicos e hormônios. Porque não sermos a maior nação produtora de alimentos naturais para o mundo, que remunera bem por isto, e de quebra seríamos a nação com maior saúde à mesa. Se somos o que comemos, façamos as contas da enorme economia que teríamos com a redução dos casos de câncer, Alzheimer e outras tantas doenças que veríamos banidas da população que, saudável, seria produtiva até avançada idade, reduzindo os custos da saúde pública e previdenciária - Pensemos nisso!

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    1. Sua visão foi incrível!!!! Essa seria uma saída excelente para o Brasil...Infelizmente antes temos de conscientizar nossos produtores e fazer com que a ganância deles de lugar a uma consciência ecológica, visando um bem maior a todos!

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  11. Muito bom! Adorei Donizete Santos! Uma ideia bem vegetariana! :)

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  12. Brasil, um ´País de salafrarios, vagabundos, tranqueiras e ralés em tudo que fazem. Paizinho de werda tem mais é que ser ridicularizado por todo o mundo. Que venham os americanos, atropelem e disceminem o governo brasileiro, tomem tudo e cuidem de nós !! E VENHAM LOGO POR FAVOR!!!!!!!!!!!!!!

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  13. Marcus Ferreira Lima.15 de setembro de 2015 13:14

    Todos nós Brasileiros, somos usados como cobaias humanas todos os dias. Seja na alimentação, nos medicamentos, em novos tratamentos que ninguém sabe ainda o resultado. Ractopamina, Sulbutanol. e outro Agonista é apenas mais um. A questão que estas substancias causa; tremor muscular, taquicardia, distúrbios metabólicos, isso é besteira. O que importa mesmo é o lucro que eles tem. Quanto a nós, Deus nos Proteja.

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  14. Só parar de comer carne! Nada disso vai te afetar. Claro que não estou fechando os olhos pra o fato de o Brasil ser o maior consumidor de pesticidas agrotóxicos do mundo! Mas isso ainda tem solução. Produtos orgânicos não seriam mais caros se houvesse demanda por eles! Pensem nisso.

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  15. Outro problema grave da ractopamina é a diminuição do sabor da carne em até 50%, desta maneira somos passados para tras, esta maldita carne deveria ser vendida pela metade do preço. Quando for comprar carne observe se ela está com pouca gordura, se tiver é melhor não comprar.

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