Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Óleo de Coco: faz milagre em perder gordura abdominal?



        Os nutracêuticos são a nova tendência de mercado, sendo amplamente vendidos em drogarias e conquistando cada dia mais espaço nas prateleiras dos supermercados. Isso porque a preocupação com a saúde, bem-estar e estética vem crescendo cada vez mais. Dessa forma, esses produtos tidos como alimentos com possíveis propriedades farmacológicas vem ganhando mercado, no entanto cabe ressaltar que não dispõem de uma regulamentação própria, tampouco é exigida comprovação científica da relação daquela dieta com a saúde. Nesse contexto de saúde e bem estar, muitos nutracêuticos são vendidos com a promessa milagrosa de contribuir para perda de peso, prevenção de doenças cardiovasculares, função antioxidante e muitos outros atributos que prometem tornar a vida do consumidor mais saudável.

             O óleo de coco em cápsulas Equaliv® é vendido como nutracêutico pelo apelo farmacológico de ser um termogênico natural capaz de eliminar gorduras localizadas no abdômen. Muitos usuários alegam que o uso diário de óleo de coco ajuda a eliminar mais rapidamente a gordura, ajuda a reduzir medidas e auxilia na redução do peso. Mas será que o óleo de coco faz esse milagre?




Descrição do Produto

O óleo de coco Equaliv® em cápsulas é encontrado nas ditas melhores drogarias do Brasil, segundo o fabricante. Este também informa que o óleo do coco é extraído por prensagem da polpa (esse método de extração visa manter todos os nutrientes) e que as cápsulas de 1000mg contém ômega 6 e 9, e ácido láurico. A embalagem é bem atrativa e apresenta o produto explicando o que é o óleo de coco e, em letras coloridas e chamativas, cita algumas propriedades como termogênico natural eliminando gordura abdominal, antioxidante, suplemento para dietas além da ação na saciedade. O frasco tem 60 cápsulas, e além disso o consumidor ganha, de brinde, um porta-cápsulas que pode guardar as 4 cápsulas que o fabricante recomenda ingerir por dia. O fabricante ainda seduz ao afirmar que o produto é 100% natural e que as cápsulas gelatinosas são mais fáceis de deglutir.

Fundamentos Bromatológicos
Os ácidos graxos presentes de maneira geral nos óleos podem ser divididos em 3 categorias: ácidos graxos saturados, mono-insaturados e poli-insaturados. No entanto, a diferença de um ácido graxo para o outro não é apenas o seu grau de saturação (quantidade de átomos de hidrogênio) mas também o número de átomos de carbonos presentes na molécula. Cada um dos ácidos graxos, independente de serem saturados, mono-insaturados ou poli-insaturados, afetam o nosso corpo de maneira diferente. Os óleos constituidos por ácidos graxos foram por muito tempo considerados vilões mas, hoje em dia se discute que alguns desses óleos como o de coco apresentam benefícios. O óleo de coco é rico em ácidos graxos essenciais (2/3 dos ácidos graxos do óleo de coco são triglicerídeos de cadeia média) e seu principal componente é o ácido láurico, que apresenta como principal vantagem ser facilmente absorvido e transformado pelo organismo. Baseando-se nisso, alguns estudos vem sugerindo que esse óleo apresenta propriedade termogênica por acelerar redução de gordura abdominal através do estímulo metabólico, gerando maior perda calórica além de evitar depósito de gordura nos tecidos porque a converte em energia.

Fundamentos Científicos
Um estudo recente conduzido no Centro de Pesquisa de Obesidade e na Universidade de Columbia, em Nova York, avaliou a perda de peso corporal e a redução da massa de gordura total e abdominal em 49 pessoas. Esses indivíduos foram submetidos a uma dieta de azeite de oliva e de triglicerídeos de cadeia média para avaliar a redução de peso.  Segundo esse estudo,  os indivíduos que consumiram triglicerídeos de cadeia média tiveram redução de gordura e peso maior do que aqueles que consumiram azeite de oliva (St-Onge, M.P. et al.). Outro estudo realizado no Brasil revelou que a ingestão de óleo de coco extravirgem reduz o índice de massa corpórea e a circunferência abdominal em mulheres obesas (Assunção, M.L. et al.). Um estudo com mulheres obesas da República Tcheca (Kunesova, M. et al.), revelou que o consumo de ácidos graxos insaturados  aliado a uma dieta de baixa caloria propiciou uma maior redução de peso e perda de circunferência abdominal em comparação ao grupo que só realizou a dieta de baixa caloria.  No entanto, apesar de muitos estudos, todos apelam para redução de circunferência abdominal mas desconsideram a disposição da gordura diferencial de cada indivíduo, e, além disso, talvez ainda não seja possível respaldar o uso do óleo de coco para emagrecimento porque os dados positivos encontrados na literatura científica são referentes a uma amostragem pequena, sendo alguns estudos só realizados em mulheres obesas, não avaliando homens nem condições de não-obesidade.

Discussão
Respaldando-se (ou não) na literatura científica e aproveitando-se do fato dos consumidores serem fortemente influenciados pela propaganda, o fabricante Equaliv® faz um forte apelo na embalagem com objetivo de convencer o consumidor a fazer uso do produto porque, segundo eles, o óleo poderia ser usado como produto emagrecedor e capaz de eliminar gordura localizada na região abdominal pois “combina alta tecnologia em nutrientes funcionais ativos que contribuem para conquista do equilíbrio nutricional e melhor qualidade de vida”, Essa propaganda sugere um efeito não comprovado e desconsidera outras medidas imprescindíveis para perda de peso de forma saudável. Além disso, a embalagem é bem sugestiva para o consumo de 4 cápsulas por dia já que o porta-cápsulas (brinde ofertado pelo fabricante) comporta as 4 cápsulas sugeridas no verso da embalagem. Não há sequer algum alerta para o fato do óleo aumentar os lipídios, o que pode ser prejudicial para pessoas com taxa de colesterol elevada. O único alerta descrito no verso da embalagem, em letras pequenas, é para o fato do Ministério da Saúde não reconhecer a propriedade termogênica do óleo de coco, mas em momento algum citam o fato da ANVISA considerar o óleo de coco como sendo apenas um suplemento alimentar substituinte de outros óleos de cozinha por ser menos prejudicial à saúde.

Conclusão
Portanto, é preciso um olhar mais atento e mais criterioso antes de fazer uso desse tipo de nutracêutico, pois os próprios estudos mostram  que é preciso associar o uso com uma dieta de redução calórica e prática de exercícios físicos, o que mostra que o óleo de coco em cápsulas sozinho não faz milagre em perder peso nem gordura abdominal.



Referências Bibliográficas:

Antonelli, Laíza. “Nutrição em foco.”
  Acesso em: 27 de dezembro de 2012.

Assunção, M.L.; Ferreira, H.S.; Santos, A.F.; Cabral Junior, C.R.; Florêncio,
M. M.T. “Effects of Dietary Coconut Oil on the Biochemical and Anthropometric Profiles of Women Presenting Abdominal Obesity.” Lipids (2009) 44:593–601

Enzimato: a busca pela alimentação ideal. Garcia, J. L. M. Óleo de coco extravirgem organic: entendendo o que são gorduras saturadas, mono-insaturadas e poli-insaturadas. Disponível em: http://enzimato.blogspot.com.br/2009/10/oleo-de-coco-extra-virgem-organico.html. Acesso em: 25 de Janeiro de 2013.

Kunesova, M. et al. “The Influence of n-3 Polyunsaturated Fatty Acids and Very Low Calorie Diet during a Short-term Weight Reducing Regimen on Weight Loss and Serum Fatty Acid Composition in Severely Obese Women” Physiol. Res. 55: 63-72, 2006

Moraes, F.P.; & Colla, L.M. “ALIMENTOS FUNCIONAIS E NUTRACÊUTICOS: DEFINIÇÕES,LEGISLAÇÃO E BENEFÍCIOS À SAÚDE” Revista Eletrônica de Farmácia Vol 3(2), 109-122, 2006

Mundo dos óleos. “Óleo de coco extravirgem pode reduzir gordura abdominal.” Disponível em: <http://www.oleodecoco.com/gorduraabdominal>
 Acesso em: 15 de Janeiro de 2013.

ST-ONGE, M.P.; BOSARGE, A. “Weight-loss diet that includes consumption of medium-chain triacylglycerol oil leads to a greater rate of weight and fat mass loss than does olive oil.” Am J Clin Nutr; 87(3):621-626, 2008.

4 comentários:

  1. Olá, primeiramente parabéns pelo site, neste possui uma enorme quantidade de informais de excelente qualidade...
    Seguinte, procurei bastante na internet, mas não encontrei nada sobre o "óleo de coco" da bellenew...

    Conprei, achando ser de coco, mas ao ler os ingredientes do rótulo me deparei com triglicerideos de cadeia média, vitamina A, vitamina E e óleo de cartamo... Será q vc's poderiam dar uma olhada nesse produto?

    Vou mandar um email para descobrir qual é porção efetiva de óleo de coco desse produto!?!?

    Parabéns pelo site!!!

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  2. Juliana Moreira Soares15 de fevereiro de 2013 10:41

    O óleo de coco é rico em gordura saturada e, por isso, durante muitos anos esse óleo foi considerado um vilão na era em que todos os alimentos ricos em gorduras saturadas foram acusados como responsáveis pela elevação do colesterol e entupimento das artérias.
    Atualmente as pesquisas vem sugerindo que uma dieta pobre em gordura saturada não é o único caminho para prevenção de doenças cardiovasculares e com isso o óleo de coco volta ao mercado como um herói.
    Por ser rico em ácidos graxos de cadeia média, o óleo de coco apresenta rápida metabolização e baixa capacidade de oxidação mas, seu maior benefício e que o trouxe de volta a mídia é sua capacidade de normalizar os lipídios corporais, sendo atualmente promovido a alimento funcional e classificado como nutracêutico por proporcionar, benefícios a saúde do consumidor, auxiliando na redução de gordura abdominal.
    Essa capacidade de redução de gordura localizada no abdomen ainda não é reconhecida pela ANVISA mas, muitos produtos são comercializados em cápsulas e vendidos em farmácias com esse apelo.
    O óleo de coco pode até funcionar como termogênico mas, a comercialização por essa função é inadequada considerando-se que ele é apenas registrado como suplemento alimentar.
    Assim, o que se conclui é que a vantagem do consumo do óleo de coco vai auxiliar na produção de ácidos graxos necessários ao organismo além do efeito antioxidante pela presença de vitamina E. A desvantagem é que talvez ele não faça milagres.

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  3. Ana Clara Lourenço9 de setembro de 2013 19:37

    Em relação ao óleo ou gordura de coco é o óleo comestível obtido do fruto de Cocos nucifera (coco) através de processos tecnológicos adequados. A gordura contida no óleo de coco poderia retardar o esvaziamento gástrico, aumentando a saciedade e diminuindo a fome. Seria fonte de TCM (triglicerídeos de cadeia média), uma gordura de fácil absorção que produz energia rapidamente. Além disso, o coco poderia ser um termogênico, ou seja, acelera a queima de gordura e antioxidante. Em contrapartida, alguns profissionais dizem que esse óleo além de não ajudar a diminuir a silhueta, pode aumentar o peso e colesterol, pois Uma colher de óleo de coco tem mais caloria que uma colher de manteiga ou azeite e qualquer gordura se consumida em excesso vai ocasionar problemas de saúde. Para engrossar a lista dos malefícios ao corpo, alguns endocrinologistas afirmam que o óleo de coco em excesso pode prejudicar, por exemplo, pessoas que sofrem com problemas no fígado. Portanto, este é um produto que precisa ainda de muita pesquisa científica para nos fornecer mais garantias de sua eficácia. Não é considerado um medicamento e, como profissional de saúde, não sugeriria e nem afirmaria que eles possam substituir, em parte ou na sua totalidade, tratamentos médicos convencionais. O ideal é procurar um profissional capacitado para auxiliar na busca do equilíbrio do seu organismo, o que, consequentemente, levará a uma perda de peso saudável e uma maior qualidade de vida.

    Referência:

    - ANVISA. Disponível em:

    -

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  4. O óleo de coco virgem é um produto que deriva do fruto da espécie Cocos nucifera L., sendo extraído a partir da polpa do coco fresco maduro por processos físicos. O óleo de coco apresenta um alto índice de ácido láurico, ácido mirístico e ácido caprílico, entre outros. O ácido láurico é um ácido graxo de cadeia média, que é transformado em monolaurina no corpo humano, prometendo emagrecimento por promover a sensação de saciedade e queima da gordura abdominal.
    Uma marca (além da citada) que vende Óleo de coco é a COPRA®, que vende esse produto em diversas formas como sachet, cápsulas e óleo. Assim como a marca citada Equaliv®, o Óleo de Coco Extra Virgem COPRA® apresenta Ômega 6, Ômega 9 e ácido láurico (além de vitamina E e antioxidantes), outra semelhança com a marca citada acima é a sua extração, ele também é extraído da fruta fresca, prensado a frio, não passando por nenhum tipo de refinamento. Em sua embalagem ele afirma não apresentar gordura trans e ser 100% natural, o fabricante sugere que o óleo de coco seja utilizado como complemento alimentar. Com isso pode-se perceber uma certa semelhança entre diferentes marcas que fabricam óleo de coco.
    Em um outro estudo, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, prescreveram uma dieta de manutenção de peso a 30 homens. Enquanto metade consumiu 1 colher de sopa de óleo de coco todo dia, a outra teve de tomar óleo de soja, na mesma porção. Em 45 dias o óleo de coco ajudou a reduzir o índice de massa corporal, o volume de gordura e a circunferência na cintura de quem o incorporou à dieta. Resultado semelhante ao apresentado no trabalho acima.
    Basta saber apenas dosar o uso desse tipo de complemento alimentar e não depositar todas as esperanças de emagrecimento em um único produto, pois nenhum deles é milagroso e nem será definitivamente efetivo se não for acompanhado por uma alimentação saudável e prática de exercícios físicos.

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