Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 9 de março de 2013

Suplemento de Albumina: funciona ou faz mal?





Visando o ganho de massa muscular em pessoas que praticam atividade física, é muito comum sugerir, anunciar ou mesmo prescrever a ingestão diária de até 2 gramas de albumina, a proteína da clara do ovo, por quilo de peso corporal. No entanto, as recomendações científicas (Recommended Daily Allowance/RDA-1989) são de apenas 0,8 grama/Kg/dia, e ainda alertam para o risco de consumir mais do que o dobro dessa recomendação. Realmente funciona? Traz riscos a saúde?

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Descrição do Produto:

Existem diversas marcas que comercializam albumina no mercado com o intuito de aumentar a massa muscular de atletas que malham. A albumina é uma proteína encontrada na clara do ovo e é comercializada na forma de pó solúvel para ser consumida após o treino ou durante as refeições. A albumina da marca salto's é uma das que fornece esse produto. É sem adição de gordura e com baixo valor calórico, sendo acrescido de cloreto de sódio. Esses produtos são vendidos em lojas especializadas em produtos para atletas, como suplemento alimentar. A albumina Salto’s indica o uso de 1 (11gramas de proteína) a 2 (22g gramas de proteína) colheres de sopa diluído em leite, suco ou água.

Fundamentos Científicos, Bromatológicos, Toxicológicos, Fisiológicos:

A albumina possui algumas isoformas. A animal, vegetal, humana ou sintética, que diferem no que tange suas sequências de aminoácidos, ramificações, entre outras características. Sendo a albumina uma proteína, ela será para o organismo uma grande fonte de aminoácidos essenciais e não essenciais. Os aminoácidos essenciais não são produzidos no organismo, por isso é necessário obtê-los por meio da dieta, enquanto os não essenciais são produzidos naturalmente.
O corpo humano é movido por energia, e esta pode ser proveniente de carboidratos, gorduras e proteínas. Mas a forma como cada fonte de energia vai ser consumida vai depender da dieta que um indivíduo ingere e o exercício e intensidade que ele pratica. A proteína é a fonte de energia menos utilizada, sendo contribuinte com apenas 10% seja em atividade ou no repouso. Pessoas que ingerem uma dieta energética adequada e rica em carboidratos poupam mais as proteínas do que aquelas que se baseiam em uma dieta rica em proteínas. Isso porque, se consumirmos uma dieta deficiente em carboidratos, teremos que deslocar as proteínas para síntese de glicose quando necessário. Quanto a intensidade, se compararmos um atleta de atividades aeróbica de intensidade moderada e de longa duração com um atleta de atividade anaeróbica e força, observaremos que o primeiro irá depender muito mais da proteína como fonte de energia do que o segundo que exigirá de proteínas para a síntese de músculo. E os dois, comparados a um indivíduo sedentário, irão necessitar de uma ingestão maior de proteínas, no entanto, não tão exacerbada quanto alguns atletas insistem em consumir através de suplementos.
O excesso de macronutrientes, ou seja, acima das recomendações nutricionais que são calculados com base em uma dieta energeticamente balanceada, pode levar a uma supernutrição, onde o indivíduo passará a ter ganho de peso e com isso, problemáticas como problemas renais, hepáticos, entre outros.
De acordo com o livro: ¨Condicionamento físico: atividade física, nutrientes e adaptações corporais¨, de Ellie Whitney e Sharon Rady Rolfes, os indivíduos que praticam atividades que gastem muita energia ou os que trabalhem hipertrofia muscular com exercícios anaeróbios também não necessitam de suplemento de proteínas, a alimentação rica em proteínas já oferece as necessidades protéicas necessárias para esses atletas.

Revisão da Legislalção:
Segundo a RDC Nº. 18, DE 27 DE ABRIL DE 2010, define-se como suplemento protéico para atletas o produto que se destinar a complementar as necessidades protéicas do mesmo. Além disso, nos requisitos específicos, artigo 8º, consta que o produto deve ter no mínimo 10g por porção e 50% do valor energético total proveniente de proteínas. Tendo em vista essas especificações podemos constatar que o produto em análise possui as especificações necessárias para ser caracterizado como um suplemento protéico.
Discussão:

Podemos nos perguntar então: Qual a quantidade ideal de proteína que um atleta deve ingerir? Segundo as recomendações científicas (Recommended Daily Allowance/RDA-1989) são de apenas 0,8 grama/Kg/dia e não faz distinção entre atletas e sedentários. Se considerarmos alguém com 70 Kg, este deveria ingerir diariamente 56g de proteína. Se considerarmos que ele se alimentou ao longo de um dia de 2 peitos de frango, que equivalem a 90g de proteína (Nancy Clark, 2008), ele já teria ultrapassado as recomendações diárias de proteína. Ou seja, se ainda fizesse o uso de 2 colheres de sopa (quantidade mais recomendada nos sites disponíveis na internet) ele iria ingerir em um único dia 112g de proteína o que equivale a 1,6 grama/Kg/dia, além dos outros alimentos que ele iria consumir. Caracterizando um excesso de ingestão protéica que não será totalmente consumido pelo organismo para síntese muscular e deverá ser excretado, sobrecarregando os rins e o fígado.

Conclusão:

A suplementação com albumina, portanto, não é necessária, já que, por mais que a ingestão de proteínas corrobore para a síntese muscular em uma dieta balanceada energeticamente, na alimentação já é possível obter quantidade suficiente de proteína segundo as recomendações diárias. A suplementação seria uma ingestão exacerbada que pode gerar problemas à saúde. Portanto, uma dieta rica em proteínas já seria suficiente para hipertrofia muscular.

Referências:
         Condicionamento físico: atividade física, nutrientes e adaptações corporais. WHITNEY, Ellie. & ROLFES, Sharon Rady.
         Tratado de fisiologia Medica. ARTHUR C. GUYTON,John E. Hall, Arthur C. Guyton. Editora Elservier. 11 ed. 2006.
         Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. HERNANDES, A. J. & NAHAS, R. M. Rev Bras Med Esporte . Vol. 15. No 3. Mai/Jun, 2009.
         Albumina, um Transportador de Lipídeos ou uma Ferramenta para o Emagrecimento? SAKAMOTO, M. & CAPERUTO, E. C. Universidade Presbiteriana Mackenzie. VII Jornada de Iniciação Científica. 2011.
         Fisiologia da Contração Muscular. Revista Neurociências. Escola Paulista de Medicina / Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.V 13. N 3. Jul/set, 2005.




Um comentário:

  1. Achei surpreendente a conclusão. Existe uma pressão mercadológica intensa no sentido de estimular o consumo de albumina como suplementação essencial para manutenção do corpo, na prática de exercícios físicos e o tão almejado aumento muscular; Essa pressão vai além, passando de boca a boca entre usuários de academia que se convencem da suposta importância da albumina no alcance da forma ideal, e se repete no discurso de vendedores de lojas especializadas, que reúnem inúmeras marcas diferentes a preços variados. No entanto, essa dependência é equivocada, e ainda arriscada; É conhecido que a albumina pode provocar danos hepáticos e renais graves, tanto que na sua administração intravenosa geralmente há restrição às unidades de terapia intensiva, devendo ser feita com cautela e pelo menor tempo possível. Obviamente, são duas situações distantes clinicamente, mas deve-se atentar ao fato de que o consumo populacional cresce diariamente e no entanto, diante do exposto no texto, sem comprovação clara dos benefícios esperados pelo atleta, trazendo-lhe um custo econômico adicional desnecessário que poderia ser revertido em melhor qualidade de suas refeiçõs, por exemplo, e sem quaisquer outros prejuízos de saúde. Não é feita, na maioria dos casos,análise se o usuário realmente apresenta um perfil favorável a uma sobrecarga diária de albumina além daquela que ele irá receber por meio da alimentação. Se usado diariamente e a longo prazo, será que compensa os problemas de saúde que seus usuários poderão desenvolver no futuro? Sem dúvida, é uma questão de saúde pública que precisa ser tratada com maior seriedade pelas autoridades e profissionais de saúde.

    Ana Carolina F. B. da Silveira

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