Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Guaraviton: será que realmente dá energia?



Alimentos Funcionais
Guaraviton: será que realmente dá energia?


As bebidas energéticas são produtos formulados com nutrientes ou substâncias que auxiliam no alcance e manutenção dos níveis de energia de quem realiza exercícios físicos. O extrato de ginseng é responsável por influenciar positivamente o sistema imunológico e aumentar a resistência ao estresse e à fadiga; porém, qual é a quantidade necessária para combater o cansaço? Será que nesta bebida há o necessário para estimular o organismo?




Resumo/Apresentação do produto

O Guaraviton, segundo a descrição do fabricante, é uma bebida à base de guaraná, com extratos de raízes, frutos e ervas brasileiras, podendo ser encontrado nos sabores Ginseng, Catuaba, Açaí, Laranja e Diet.
Este trabalho tem como foco o Guaraviton Ginseng, que aparece em comerciais na televisão com a seguinte chamada: “Mais saúde, mais energia”, mostrando pessoas praticando esportes radicais. Mas, qual ingrediente ou ingredientes dessa bebida são capazes de fornecer “mais energia”? Qual é a quantidade destes na bebida? Quantas garrafas de Guaraviton são necessárias para estimular o organismo de quem as consome?

O fabricante do Guaraviton, o Viton 44, fabrica dois tipos de Guaraviton Ginseng: o que tem aroma de ginseng e o que tem extrato de ginseng, o qual é o produto de exportação do fabricante.


Ingredientes da bebida Guaraviton Ginseng, que contém aroma de Ginseng Coreano (Panax ginseng).











Ingredientes da bebida Guaraviton Ginseng, que contém extrato de Ginseng, sendo este o produto de exportação da Viton 44.





No extrato de guaraná (Paullinia cupana Kunth) é possível encontrar um teor de 2,5 a 5 % de cafeína,e por isso praticantes de atividades físicas consomem este extrato, pois auxilia a queima de gordura corporal, aumenta temporariamente a energia, melhora a ativação do sistema central, o que ajuda a combater a fadiga.
Já o extrato de ginseng (Panax ginseng) possui os ginsenosídeos, que são os responsáveis pelo efeito adaptógeno, ou seja, que auxilia o organismo a adaptar-se ao stress causado pelo ambiente (poluentes químicos, radiações) e ao stress interno (stress oxidativo). Também é responsável por estimular o sistema nervoso central e o sistema imune.





Tabela 1
















Tabela 2









Informações nutricionais de Guaraviton Ginseng com extrato de Ginseng (tabela 1) e com aroma de Ginseng (tabela 2), os quais não trazem informaçõesda quantidade de extrato de guaraná e ginseng presentes nas porções, e nem o teor dos princípios ativos encontrados nestes extratos. O fato de nos ingredientes estar descrito que a bebida contém “extrato de guaraná e ginseng (ou o aroma deste)” já mostra o fato de que o fabricante quer indicar a presença destes princípios ativos. Mas, sem a comprovação desta presença, levantam-se questionamentos sobre se o responsável pela “maior energia” fornecida são os extratos ou a grande quantidade de açúcar.



Imagens do Produto




Rótulo da bebida de guaraná com aroma de ginseng







Rótulo da bebida de guaraná com extrato de ginseng








produto importado













Legislação

O Guaraviton Ginseng é uma bebida energética, que é uma expressão permitida por lei de estar nos rótulos de Compostos Líquidos Prontos para o Consumo, sendo estes regulamentados pela RDC 273 nº 273, de 22 de setembro de 2005, a qual revoga a Portaria nº 868, de 03 de novembro de 1998.
Segundo esta RDC, o Composto Líquido Pronto para o Consumo é o produto que contém como ingrediente(s) principal(is): inositol e/ou glucoronolactona e/ou taurina e/ou cafeína, podendo ser adicionado de vitaminas e/ou minerais até 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) na porção do produto. Pode ser adicionado de outro(s) ingrediente(s), desde que não descaracterize(m) o produto.
Nela também estão descritos os requisitos específicos para estes compostos, que são:

- Inositol: máximo 20 mg/100 ml
- Glucoronolactona: máximo 250 mg/100 ml
- Taurina: máximo 400 mg/100 ml
- Cafeína: máximo 35 mg/100 ml
- Álcool etílico: máximo 0,5 ml/100 ml

A lei também traz uma definição para Preparado Líquido aromatizado, que é o produto obtido através de água, adicionado obrigatóriamente de aroma(s).

Fundamentos Bromatológicos anunciados

A cafeína, encontrada no café, chá preto, guaraná, é um composto químico que estimula muito o sistema nervoso central, sendo considerada uma droga psicotrópica. Também age no sistema nervoso autônomo como estimulante, produzindo excitabilidade, o que explica o porquê do café ajudar a despertar as pessoas pela manhã. Mas devido a esse estado de excitação, a cafeína pode provocar irritabilidade, ansiedade e dependência física em seus usuários, pois os que deixam de consumi-la demonstram sintomas desagradáveis como fortes dores de cabeça e náuseas. A dose máxima é 1g por dia, não sendo indicado para menores de 12 anos.

Os ginsenosídeos são saponinas triterpênicas, que auxiliam na melhora da performance física e mental, reduzem o déficit de aprendizado e memória, diminuem o stress e melhoram a função imunológica. Não se sabe ao certo o mecanismo de ação destes compostos, mas estudos realizados anteriormente relatam a prevenção da redução de capacidade física em 43 atletas com idade entre 24 e 36 anos, devido a utilização de 100 mg do extrato padronizado de ginseng, o G115 (24% de flavonóides e 6% de ginsenosídeos).

Discussão

As bebidas energéticas são formuladas com substâncias que forneçam energia para o exercício físico, ou seja, grandes quantidades de carboidratos (maiores ou iguais a 20g) e estimulantes como a taurina, cafeína e inositol. Com isso, foi possível identificar nos rótulos de Guaraviton Ginseng a quantidade de carboidratos (22g), que está de acordo com o padrão para bebidas energéticas. Porém, no rótulo não estava descrito o teor de cafeína e nem a quantidade de extrato de guaraná utilizado, fugindo então do que está regulamentado na legislação vigente.

Também não foi identificado o teor de ginsenosídeos presentes nesta bebida, e nem da quantidade do extrato de ginseng utilizado. Na bebida aromatizada com ginseng, sabe-se que os princípios ativos deste não estarão presentes, mas isto pode induzir o consumidor ao erro por imaginar que a bebida contenha os ginsenosídeos, e não somente o aroma de ginseng.

Conclusão

Em suma, conclui-se que a bebida energética Guaraviton Ginseng fornece energia devido a grande quantidade de carboidrato que possui, em vista que não é conhecido a quantidade de cafeína e ginsenosídeos presentes na formulação. Com isso, não é possível saber quantas porções desta bebida são necessárias para fornecer ao consumidor a energia necessária para realizar exercícios físicos.



Referências bibliográficas

- Resolução ANVISA/MS nº 372, de 22 de setembro de 2005. Regulamento Técnico que aprova o uso de Misturas Para o Preparo de Alimentos e Alimentos Prontos Para o Consumo. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 set. 2005.

- . Andersen, T., and Fogh, J., "Weight Loss and Delayed Gastric Emptying Following a South American Herbal Preparation in Overweight Patients," J Hum Nutr Diet 14.3 (2001) : 243-50.

- Bempong, D.K., and Houghton, P.J., “Dissolution and Absorption of Caffeine from Guarana” J Pharm Pharmacol 44.9 (1992): 769-71.

- BALDWIN, C.A.; ANDERSON, L.A. et al. What pharmacists should know about ginseng.
The Pharmaceutical Journal, 1986, 237: 583-586.

- http://www.fitoscience.com.br/administracao/upload/20100709_123433.pdf acesso em 16/12/10

- www.semanadaquimica.org acesso em 16/12/10

- http://www.suplementos-vitaminas.com.br/artigo.php?a=Ginseng_Coreano acesso em 16/12/10
- http://www.guaravita.com.br/expor.asp acesso em 19/12/10

- http://www.suplementos-vitaminas.com.br/artigo.php?a=Ginseng_Coreano acesso em 19/12/10


Imagem do plotter


23 comentários:

  1. Oi Patrícia.

    Particularmente, gostei muito do seu trabalho. É um trabalho simples e objetivo, um dos melhores aqui do Blog. Gostaria de parabenizá-la, primeiramente.

    Achei muito legal o fato de você ter explicitado as diferenças entre o Guaraná para comercialização no mercado nacional e o Guaraná para exportação. Será que é só uma coincidência essa diferença? Ou será que outros países tem uma regulamentação mais rígida, que exigem a presença do extrato para que o produto declare o Ginseng em seu rótulo? Talvez fosse algo interessante de se verificar.

    Bom. Alguns pontos para tomar cuidado:

    Sempre que você fizer afirmações que não se sustentam sozinhas através da explicação do seu texto como "a queima de gordura corporal, aumenta temporariamente a energia, melhora a ativação do sistema central, o que ajuda a combater a fadiga." é interessante colocar entre parênteses a referência para que não fique parecendo essas coisas loucas de internet e revista, que ninguém sabe de onde veio.


    Sobre o Preparo Líquido Aroamatizado, não sei se tem a ver citar isso no trabalho porque parece que essa definição é mais pertinente aos H2OH da vida: "
    7.3. Preparado Líquido Aromatizado: não são permitidas as seguintes expressões: "água mineral", "água mineral
    natural", "água adicionada de sais", "água mineralizada", "água aromatizada" ou expressões equivalentes. "

    "A dose máxima é 1g por dia, não sendo indicado para menores de 12 anos." De onde vem essa informação? Da ANVISA? Da toxicologia?
    Além disso, essa constatação ficou meio solta. Seria legal se você tivesse colocado quantos café seria necessário para atingir essa quantidade. Porque se for uns 200 cafés, isso não se torna muito relevante, pois a pessoa teria que tomar uns 5 litros por dia (o que não é razoável) para atingir esse patamar.

    "utilização de 100 mg extrato padronizado de ginseng, o G115 (24% de flavonóides e 6% de ginsenosídeos)."

    Esse é outro dado interessante. Muitas vezes vamos essas declarações de que o ginseng faz isso e aquilo, mas os estudos foram feitos utilizando o G115. Será que os produtos que contém ginseng também usam o extrato padronizado (porque ele não especifica isso)? Caso não use, os resultados obtidos nesses estudos deixam de ser preditivos para os efeitos esperados com o uso da bebida.

    "Porém, no rótulo não estava descrito o teor de cafeína e nem a quantidade de extrato de guaraná utilizado, fugindo então do que está regulamentado na legislação vigente."

    Seu raciocínio foi perfeito, mas daria um impacto maior e mais credibilidade ao trabalho se você tivesse citado a íntegrea do item 7.1.2 na parte da legislação.

    "7.1.2. Devem constar, na lista de ingredientes, a(s) quantidade(s) de cafeína, taurina, inositol e
    glucoronolactona presente(s) na porção do produto."


    Pra finalizar, na conclusão você deu uma escorregadinha em:

    "Em suma, conclui-se que a bebida energética Guaraviton Ginseng fornece energia devido a grande quantidade de carboidrato que possui,"

    Não sei se você pode AFIRMAR que a energia vem dos carboidratos. Seria mais prudente sugerir ou questionar, visto que você não realizou testes analíticos para descartar a cafeína.

    Um outro detalhe, que você poderia ter concluído (com segurança, penso eu), mas que você também deixou passar é negar o efeito do ginseng. Me parece que só a cafeína poderia dar energia porque o fabricante é muito claro no rótulo: "Bebida de Guaraná com Aroma de Ginseng" e há reafirmação disso na lista de ingredientes (nota-se o contraste com a cafeína, onde é utilizado o extrato).

    No mais, gostaria de reafirmar que achei o trabalho muito legal, porque você foi direto ao ponto e fez várias descobertas interessantes!

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  2. Além do uso do Ginseng em bebidas energéticas, este é um fitoterápico que segundo Singh VK, Agarwal SS, Gupta BM. Imunomodulatory effects of Panax ginseng extract. Planta Med 1984; os extratos apresentaram evidências demonstrando que os ginsenosídeos ampliam o fornecimento de energia durante o exercício prolongado, por aumentarem a capacidade do músculo esquelético em oxidar ácidos graxos. Contudo, a OMS (World Health Organization. Monographs on selected medicinal plants. Geneva: World Health Organization; 2001.,)citam as seguintes reações adversas mais comumente encontradas para o uso do ginseng: dor de cabeça, desordens do sono e gastrintestinais, manifestações alérgicas, hipertensão arterial, nervosismo, irritabilidade, hiperestrogenismo, síndrome de Stevens-Johnson e ação hipoglicemiante.
    Diante do exposto, a utilizaçäo de extrato de Ginseng em bebidas energéticas devem ser criteriosas e com rotulagem informativa sobre as quantidades utilizadas, pois dependendo destas os efeitos benéficos e adversos estaräo lado a lado.

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  3. Muito interessante o que a Bia mostrou sobre os efeitos adversos relacionados ao uso do ginseng, mostrando assim que deve haver a explicita diferenciação entre as bebidas apresentadas no trabalho pela Patricia, proporcionando ao consumidor o conhecimento do que esta consumindo e princialmente, como concluido pela Bia, acima, o quanto está consumindo.

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  4. Foi abordado um ponto que julgo de fundamental importância que é a não especificação na lista de ingredientes da quantidade de cafeína, taurina, inositol e glucoronolactona de acordo com a RDC 273 de 2005.

    Sobre a sugestão da Gabi que fazer a relação entre a quantidade de cafeína presente, segundo MacDonald, Stanbrook & Hébert (2010), bebidas energéticas contendo em torno de 80 a 140mg de caféina por 250 mL equivale a uma xícara de café ou duas latas de Coca-cola.
    Segundo Bassit (2003), uma xícara de café instantâneo contem cerca de 100 mg de cafeína, logo 1 g de cafeína equivale a 10 xícaras de café.

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  5. Outro aspecto interessante é sobre o órgão que regulamenta a saúde no Canadá que segundo este o consumo de cafeína não deve exceder a:
    * 400 mg por dia para os adultos saudáveis;
    * 45 mg para crianças com idades entre 4 e 6 anos
    * 62,5 mg para crianças com idade entre 7 e 9 anos;
    * 85 mg para crianças entre 10 e 12 anos;
    * Para crianças acima de 12 anos e adolescentes, devido a insuficiência de dados, ficou determinado o consumo de não mais do que 2,5 mg/Kg de peso corporal.

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  6. Com os comentários feitos pelos colegas, pode-se observar que informações como a quantidade de extrato de guaraná e de ginseng presentes no produto são essenciais para a melhor compreensão do consumidor, pois este poderá fazer comparações com outros produtos similares, escolhendo o que é melhor para a sua saúde.
    Outro ponto importante é que a legislação brasileira poderia ser mais criteriosa ao determinar as informações para estarem descritas no rótulo, tomando como exemplo órgãos regulamentadores de saúde em outros países, como observado pela Nathalia anteriormente.

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  7. Inicialmente gostaria de dizer que trata-se de um tema bastante interessante e pertinente e, nesse sentido, o trabalho foi bem produzido.
    Contudo, uma reflexão sobre os conceitos envolvidos nessa área passou longe do texto em si e dos comentários dos demais colegas.
    Para se produzir algo relevante e com consistente embasamento científico precisamos ter total conhecimento do campo que estamos pisando. Se objetivamos dar passos maiores em ciência, temos que dar passos conscientes ancoradas nos conceitos precisos. Ainda assim, poderemos e muito frequentemente daremos passos errados. Mas sem isso, certamente só caminharemos na direção errada.
    Sendo assim, meu comentário será realizado no sentido da identidade da coisa. A correta conceituação de termos tão básicos foi ignorada ao tratar desse tema. E isso obviamente contribui para um trabalho com um olhar ligeiramente distorcido.
    O correto entendimento do que significa energia e como ela é gerada in vivo, bem como os mecanismos moleculares pelos quais um determinado nutriente pode contribuir para um organismo precisa ser adequadamente avaliados.
    Segundo Atkins e Paula (2002), " a energia de um sistema é a sua capacidade de efetuar trabalho. Quando se efetua trabalho sobre um sistema ... a capacidade do sistema de efetuar trabalho aumenta, de modo que a energia do sistema aumenta. Quando o sistema efetua trabalho ... há redução da energia do sistema, diminuindo a capacidade de efetuar trabalho."
    No Sistema Internacional, a energia tem como medida o Joule (J). Outras unidades de energia também são usadas, como a caloria e o elétron-volt.
    Nelson e Cox (2002) afirmam que todas as células vivas e organismos necessitam realizar trabalho para viver e se reproduzir. “ A síntese contínua de componentes celulares requer trabalho químico; o acúmulo e a retenção de sais e de vários compostos orgânicos contra um gradiente de concentração envolvem um trabalho osmótico; a contração de um músculo ou o movimento do flagelo de um [espermatozóide] representa trabalho mecânico.” Ainda segundo os mesmos autores, organismos vivos utilizam duas estratégias para extrair energia do seu meio: (1) eles obtêm combustíveis químicos da vizinhaça e extraem a energia oxidando-os; ou (2) eles absorvem energia da luz solar.
    Nós como serem que não produzimos energia diretamente através da luz solar, precisamos obtê-la a partir de combustíveis químicos, como carboidratos, proteínas e ácidos graxos. A oxidação desses compostos nos fornece energia para realizarmos as funções celulares mais basais, bem como todas as atividades que desejemos.
    Sendo assim, ao criarmos um produto com alegação de ser energético, devemos avaliar se esse é capaz de gerar energia ou não. Uma bebida com alta concentração de açúcar certamente é capaz de fornecer mais energia para alguém que uma bebida com nenhuma ou menor quantidade de açúcar. Essa, apesar de muito óbvia, seria a correta discussão.
    No entanto, se o foco da discussão é a presença de substâncias psicoestimulantes em bebidas, suas ações e rotulagem, a palavra energia estaria ausente ou mencionada corretamente. Cafeína, taurina e os ginsenosídeos adaptógenos não são moléculas bem aproveitadas energeticamente. Não participam de reações bioquímicas contendo etapas de oxidação e quebra de ligações com consequente liberação de energia.

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  8. A cafeína é uma metilxantina que aumenta a liberação de noradreanalina e dopamina e estimula a atividade neural em várias áreas cerebrais. Muitos efeitos da cafeína parecem estar relacionados a um antagonismo competitivo de receptores de adenosina. É conhecidamente uma substância estimulante do sistema nervoso central. Apesar dessa característica gerar uma maior disposição e iniciativa, a cafeína não é uma molécula rica em energia (Hardman e cols, 1996).
    Taurina, por sua vez, é um agonista de receptor de glicina. A estimulação desse receptor também gera excitação em boa parte do Sistema nervoso central. Assim, também podemos considerar taurina como um psicoestimulante, mas não como um molécula fornecedora de energia (Hardman e cols, 1996).
    Por último, os ginsenosídeos adaptógenos possivelmente presentes nessa bebida e responsáveis por ações estimulantes também já tiveram suas propriedades demonstradas em outros trabalhos já citados. Entretanto, não são moléculas que nosso organismo aproveita energeticamente.
    Portanto, se a bebida em questão é um energy drink, a razão não é a presença das substâncias alegadas mas sim da enorme quantidade de carboidratos mencionadas no rótulo. A cafeína, taurina e os ginsenosídeos contribuem para que a bebida seja psicoestimulante e não energética. Quanto a isso especificamente, muito já foi falado.

    Hardman JG, Limbird LE, Molinoff PB, Ruddon RW, Gilman AG editors. Goodman & Gilman's the pharmacological basis of therapeutics.. 9th ed. New York: McGraw-Hill, 1996.

    NELSON, D. L.; COX, M. Lehninger – Princípios de Bioquímica. 3ed. São Paulo: Sarvier, 2002.

    ATKINS, P. W.; PAULA, Julio de. Físico-química. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002. 1 v.

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  9. Gostei muito deste tópico, muito claro e objetivo. Juntamente com os comentários dos colegas este trabalho ao meu ver se tornou muito completo e com poucas possibilidades de comentários inovadores acrescidos de muita informação científica.
    Falarei do rótulo, mais especificamente de sua cor. Cientificamente falando o rótulo não vai dá energia pois o consumidor não vai comê-lo e muito menos ele possui os componentes que "gerariam energia". No entando falando de marketing e estímulo de compra o rótulo tem sua importância já provada. No caso deste rótulo especificamente nota-se claramente a cor amarela, num tom extremamente vivo. O leitor pode estar se perguntando " mas aonde ela quer chegar?!". Calma, já respondo.
    Se formos até uma das terapias alterantiva mais conhecidas, chegamos à cromoterapia. Esta consta da relação das principais terapias alternativas ou complementares reconhecidas pela OMS em 1976, de acordo com a Conferência Internacional de Atendimentos Primários em Saúde de 1962, que foi ratificada em 1983.
    Esta terapia não é reconhecida cientificamente, no entanto, ela nos diz muito sobre a escolha da cor do rótulo. A cor amarela atua nos sistemas nervoso central e autônomo simpático, vitaliza os neurônios cerebrais, favorecendo o raciocínio e a memória. Combate a "preguiça" funcional dos órgãos internos, estimula o fígado e os intestinos. Vitaliza o coração e todo sistema circulatório. Favorece a defesa imunológica do organismo.
    Do ponto de vista psicológico o amarelo estimula o raciocínio lógico, melhora o autocontrole, favorecendo o equilíbrio e o otimismo.
    Em suma estimula a mente é fortificante do corpo. É tudo que o fabricante quer vender. Antes de comprar o consumidor se sente estimulado visualmente e consequentemente compra.
    Sem esquecer as formas retas que lembram raios e estes tem muita relação em nosso subconsciente com força e energia.
    Há produtos ditos como energéticos que não apresentam embalagens desta cor. Será que eles fornecem menos energia?
    Uma coisa é certa relutamos muito menos em comprar uma bebida energética de embalagem amarela do que uma azul bebê.

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  10. Patrícia G. Ferreira14 de abril de 2011 21:48

    O que me chamou mais atenção no trabalho foi o fato da bebida Guaraviton Ginseng não apresentar o princípio ativo, apenas o aromatizante. De fato está presente no rótulo, mas a própria propaganda (Mais sáude, mais energia) pode levar o consumidor a acreditar que está ingerindo o extrato de ginseng. Em relação a isso, a legislação brasileira poderia ser mais rigorosa a respeito do que está escrito no rótulo e o que está sendo passado na mídia.
    Como foi dito no trabalho, a bebida Guaraviton Ginseng, que contém extrato de Ginseng é um produto de exportação. E também foi ressaltado que não está descrito no rótulo a quantidade de cafeína e ginsenosídeos. Bem, hoje, o extrato de ginseng é alvo de pesquisa, pois existem evidências demonstrando que os ginsenosídeos ampliam o fornecimento de energia durante o exercício prolongado, por aumentarem a capacidade do músculo esquelético em oxidar ácidos graxos e também a Organização Mundial da Saúde já reconhece a atividade profilática e restauradora do ginseng como comprovada cientificamente. Há também outros estudos em andamento procurando outras atividades do ginseng. Mas, vale ressaltar, que há uma imensa variedade de efeitos adversos como: reações urticariformes, hipertensão arterial, taquicardia, insônia entre outros. Então se no rótulo não indica o teor de ginsenosídeos, como o consumidor vai saber se ele pode fazer uso dessa bebida? Por exemplo, se um consumidor hipertenso faz uso diário do guaraviton?
    O trabalho aborda pontos interessantes, mostrando que o consumidor precisa ter a informação do que e de quanto está ingerindo. Vale ressaltar também o comentário feito pela Gabriela Martins que enfatiza as diferenças entre o Guaraná para comercialização no mercado nacional e o Guaraná para exportação e nos deixa a pensar que se essa diferenças é apenas uma coincidência. Como opinião própria, acredito que não seja coincidência e sim que outros países possuem uma legislação mais criteriosa quando se trata com a saúde da população.

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  11. Como já mencionado, o trabalho é bem direto, permitindo diferentes focos para comentários. O que realmente chama a atenção é o fato de mencionar os componentes (guaraná e ginseng, principalmente) sem quantificá-los. Essa informação é necessária ao consumidor que faz uso do produto para obter energia (já que o mesmo é direcionado a isso) e a ausência desta prejudica o correto uso do produto (quanto deveria ingerir para ter a “energia” que preciso?). Outro fato interessante é a diferença entre o produto nacional e o para exportação, provavelmente a razão para tal seja a diferença na legislação (como já fora discutido), apesar disso tornar enganosa a informação. Quando se afirma que “dá energia” e coloca-se a palavra “ginseng” leva o consumidor a pensar que ele está presente no produto, quando há apenas seu aromatizante (no produto nacional). Então várias questões ficam sem resposta: Quanto tem de guaraná e ginseng? Esse produto realmente “dá energia”? (e que conceito de energia seria esse: fonte de carboidrato ou estimulante do sistema nervoso?) Quanto se deveria consumir para ter tal benefício? Que riscos esse produto trás? Como bem lembrado pela Patrícia: “a legislação brasileira poderia ser mais criteriosa ao determinar as informações para estarem descritas no rótulo”, pois isso responderia a todos questionamentos levantados por nós aqui e é direito do consumidor ter acesso a elas.

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  12. Como já mencionado, o trabalho é bem direto, permitindo diferentes focos para comentários. O que realmente chama a atenção é o fato de mencionar os componentes (guaraná e ginseng, principalmente) sem quantificá-los. Essa informação é necessária ao consumidor que faz uso do produto para obter energia (já que o mesmo é direcionado a isso) e a ausência desta prejudica o correto uso do produto (quanto deveria ingerir para ter a “energia” que preciso?). Outro fato interessante é a diferença entre o produto nacional e o para exportação, provavelmente a razão para tal seja a diferença na legislação (como já fora discutido), apesar disso tornar enganosa a informação. Quando se afirma que “dá energia” e coloca-se a palavra “ginseng” leva o consumidor a pensar que ele está presente no produto, quando há apenas seu aromatizante (no produto nacional). Então várias questões ficam sem resposta: Quanto tem de guaraná e ginseng? Esse produto realmente “dá energia”? (e que conceito de energia seria esse: fonte de carboidrato ou estimulante do sistema nervoso?) Quanto se deveria consumir para ter tal benefício? Que riscos esse produto trás? Como bem lembrado pela Patrícia: “a legislação brasileira poderia ser mais criteriosa ao determinar as informações para estarem descritas no rótulo”, pois isso responderia a todos questionamentos levantados por nós aqui e é direito do consumidor ter acesso a elas.

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  13. Pois bem, um contraponto na farmacologia das metilxantinas que devo fazer neste trabalho, a priori:

    "...sendo considerada uma droga psicotrópica... dependência física em seus usuários, pois os que deixam de consumi-la demonstram sintomas desagradáveis como fortes dores de cabeça e náuseas."

    Segundo a literatura farmacológica (Rang & Dale, 2007) as metilxantinas, das quais a cafeína faz parte, não pode ser classificada como fármaco produtor de dependência devido ao fato de seus efeitos de retirada, se comparados com outros psicoestimulantes, como as anfetaminas por exemplo, serem muito discretos.

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  14. Frente aos fatos contextados é possível considerar esse como alimento funcional? Porque segundo a ANVISA, alimento funcional é aquele que "pode, além de funções nutricionais básicas, quando se tratar de nutriente, produzirem efeitos metabólicos e ou fisiológicos e ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo SEM supervisão médica" e como foi dito, não há nenhuma especificação sobre o ginseng no rótulo e o alto teor de carboidratos talvez seja a real fonte de energia, e esses não se encaixam na definição de alimento funcional. O rótulo realmente devia ter as especificações de quantidade de ginseng, pois dessa forma não passa credibilidade alguma de sua presença, no máximo do aromatizante. Então acho que só falou falar algo sobre isso, pois foi o que li primeiro, já que está acima do título.

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  15. Renata Rosario Mota Figueira DRE 107431237
    Analisando o artigo de uma maneira superficial, deve-se enaltecer o tema em questão tendo em vista que se trata de um elemento tão cada vez mais presente em nosso cotidiano, o guaraná natural industrializado. E interessante a abordagem que se faz em relação à estratégia usada para o convencimento do consumidor em paralelo a real composição do produto, tendo em vista que tal linha de pesquisa, quando bem feita, pode ser considerada um serviço de saúde publica.
    No contexto farmacêutico deve se considerar o fato de que conforme observado na literatura, a substancia Ginseng e um extrato que ao ser administrado produz um efeito estimulante, sendo assim, uma bebida que possui entre seus componentes tal substancia em teoria exerce o mesmo efeito, sendo esse o marketing da empresa. Porem na composição do tal guaraná o composto incluso não se faz presente, sendo incluído apenas o aroma da substancia, que não produz tal efeito, sendo assim o slogan ``MAIS SAUDE, MAIS ENERGIA` torna-se uma propaganda enganosa que e de certa forma combatida pelo autor. Essa e mais uma prova de como a ignorância pode ser inimiga no consumidor e isso nos permite observar em como o conhecimento farmacêutico pode ser empregado no cotidiano.
    Como observação, devo adicionar a informação de que esse falso marketing da empresa não e mais realizado, uma vez que o slogan mencionado não e mais veiculado e também foi feita uma correção na informação das composições.

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  16. Boa tarde! Eu adoro o Guaraviton, porém gosto de tomá-lo até em casa sem fazer exercícios, há alguma contra indicação para isso??

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  17. conclusão: guaraviton é água com sabor de guaraná misturado com aroma de um fruto, seja ele ginseng, catuaba etc e muito açúcar. No zero tira-se o açúcar

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  18. Chupa minhas bolas peludas

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  19. Não respondeu a pergunta. É ou não energético?
    Essa matéria so encheu linguiça, disse tudo oq já sabemos.
    A questão aqui é, fizeram testes e comparações com atletas para comprovar a eficácia? levaram a substâcia para analise laboratorial? para assim saber se oq consta no rotulo realmente consta no produto?
    Caraca velho mas que encheção de linguiça do crl.

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    1. Eu vou dizer ontém tomei essa porra nossa n sou atleta nada disso tenho ipilepisia nossa quase morri tomei um q era de catuaba pois um potinho inteiro de 500ml olha vou dizer eu deitei e comecei tremer sem.parar sem conseguir dormir nervosa ai, comecei sentir meu coraçao acelerar e minha respiração ofegante desde as 12:00 dia até umas 6:00h da tarde n conseguia deitar agitada me deu dores na cabeça, falta de ar, e olha para nunca mais q merda é essa fiquei c medo de desmaiar de morrer do coraçao q pânico n sabia q isso era um energético e qdo parou os sintomas cheguei em casa ainda vomitei pois comecei sentir nauseas a noiteeu digo nunca mais tb n sabia q isso era tão forte assim eu fiquei mal mesmo

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  21. Quase fui p o hospital pois n estava mais aguentando os sintomas foi horrível

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  22. Assim como mencionado em alguns comentários, fiquei bastante surpresa ao verificar que o rótulo do Guaraviton não informa as quantidades de guaraná ,taurina e cafeína presentes na bebida, impossibilitando dessa forma a estimativa da quantidade dessa bebida que poderia ser consumida sem prejuízo a saúde ou se de fato a bebida pode trazer algum benefício ( em relação ao fornecimento de energia )como prometido pelo fabricante . Em relação a não presença de Ginseing e sim do aromatizante na bebida, acredito que nesse ponto, o rótulo nao seja tão condenável conforme mencionado em alguns comentários uma vez que está escrito de forma clara "bebida de guaraná com aroma de Ginseng". Entretanto, foi valida a reflexão sobre a questão legislação que poderia ser mais exigente em relação às informações contidas no rótulo, a fim de garantir uma maior segurança ao consumidor.
    Bárbara Félix 111197146

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