
Este flavonóide ganhou
popularidade pela ação antioxidante prevenindo doenças degenerativas e
cardíacas. Foram descobertas também ações antitumorais, antivirais,
antidiabéticas e imunológicas. O suplemento já circula a um bom tempo no
mercado, mas ainda restam dúvidas sobre sua utilização. Qual seria a
concentração necessária para aproveitar dos benefícios da quercetina ? Veja
mais....
Introdução
A quercetina é um membro da família dos flavonóides, um dos antioxidantes mais importantes na dieta. Está presente em alimentos, incluindo vegetais, frutas, chá e vinho, bem como inúmeros suplementos alimentares e é conhecida por exercer efeitos benéficos à saúde.Devido ao potencial antioxidante, anticarcinogênico e efeitos protetores aos sistemas renal e cardiovascular, a quercetina vem sendo utilizada como suplementação alimentar. A quercetina pode ser vendida com vários nomes comerciais, como Super Quercetin, Quercetina 500mg ou Quercetina Biovea, a composição de cada suplemento varia de laboratório para laboratório, sendo muitas vezes associada à vitamina C.

Fundamentos Bromatológicos
Os
flavonóides são importantes componentes da dieta humana embora, geralmente,
sejam considerados não nutrientes, ou seja, substâncias sem valor nutritivo.
São consumidos diariamente na dieta humana, porém, uma quantificação mais exata
do total de flavonóides ingeridos torna-se difícil devido à falta de tabelas
com dados sobre sua distribuição nos alimentos. O consumo total estimado varia
entre 26 mg e 1 g/dia, de acordo com o consumo de fontes específicas como vinho
tinto, chá preto, cerveja, frutas (maçã, uva, morango), vegetais (cebola,
couve, vagem, brócolis), grãos, nozes, sementes e especiarias. A quercetina, o
mais abundante flavonóide presente na dieta humana, geralmente encontrado nos
alimentos na forma glicosilada, representa cerca de 95% do total dos
flavonóides ingeridos. A cebola, maçã e brócolis são as fontes majoritárias da
quercetina.

Potencial antioxidativos: devido
à suas propriedades sequestrantes de radicais livres e por quelar íons
metálicos, protegendo assim os tecidos dos radicais livres e da peroxidação
lipídica. A quercetina pode inibir o processo de formação de radicais livres em
três etapas diferentes: na iniciação (pela interação com íons superóxido), na
formação de radicais hidroxil (por quelar íons de ferro) e na peroxidação
lipídica (por reagir com radicais peroxi de lipídeos). O uso associado com a
vitamina C aumenta a biodisponibilidade pela regeneração da forma antioxidada
da quercetina.
Potencial
Anticarcinogênico: a quercetina regula o ciclo celular, interage com os locais
de ligação do estrogênio tipo II, diminui a resistência às drogas e induz a apoptose
de células tumorais podendo tornar-se um potente composto antitumoral. Adicionalmente,
a quercetina inibe a atividade da tirosina quinase.
Estudos verificaram que a
quercetina pode atuar em doenças cardiovasculares, inibindo importantes passos
da angiogênese in vitro, incluindo a proliferação, migração e formação tubular
das células do endotélio, em doenças renais, tendo ação de preservação da
integridade histológica renal com diminuição do dano tubular e da inflamação
intersticial.
Em
maio de 2016, um grupo de pesquisadores brasileiros afirmou ter descoberto um
medicamento antiviral capaz de combater dengue, zika e chikungunya. A fórmula,
composta por três substâncias já conhecidas e presentes em alimentos, vitaminas
e remédios com diferentes funções, contém quercetina, um anti-histamínico e o
terceiro componente antiviral permanece sob sigilo. A fórmula, nomeada
de D6501, atua em diferentes frentes, inibindo a replicação do vírus nas
células e estimulando as defesas do organismo. Já o componente anti-histamínico
atuaria comprimindo os vasos sanguíneos, evitando quadros hemorrágicos.
Legislação
No
Brasil existem algumas leis e regulamentações que dispõem sobre alimentos e
suplementação de vitaminas. Porém, não há um consenso entre pesquisas e essas
regulamentações para a padronização de doses de quercetina, de acordo
com patologias. Na Anvisa a quercetina tem
registro no órgão como substância estabilizadora de formulações, sem função
terapêutica descrita.
Conclusão
Para os que desejam utilizar dos benefícios da quercetina, atenção. Como
apresentado, não existe uma legislação específica sobre a suplementação de quercetina
no Brasil, sendo necessário não só a criação de legislações, como pesquisas
mais específicas em torno da utilização para o tratamento de patologias. É muito importante destacar que qualquer
uso de suplementação tem que ser indicado por um profissional capacitado para
isso.
Referências
BEHLING, E.B.; SENDÃO, M.C.; FRANCESCATO, H.D.C.; ANTUNES,
L.M.G.; BIANCHI, M.L.P. Flavonoid quercetin: general aspects and biological
actions. Alim. Nutr., Araraquara, v. 15, n. 3, p. 285-292, 2004.
Askari G, Ghiasvand R, Feizi A, Ghanadian SM, Karimian J. The
effect of quercetin supplementation on selected markers of inflammation and
oxidative stress. Journal of Research in Medical Sciences : The Official Journal of Isfahan
University of Medical Sciences.
2012;17(7):637-641.
Fonte:
Quercetina uma nova tendência
Fonte: Suplemento
de Quercetina - Antioxidante Natural
Fonte: Pesquisadores brasileiros testam remédio contra
dengue, zika e chikungunya
Os fitoterápicos possuem uma excelente ação in vitro e in vivo nas mais variadas patologias, porém a principal limitação de seu uso é a quantidade a ser administrada ou a quantidade de alimento a ser consumida pelo paciente para que haja uma resposta fisiológica efetiva. De acordo com um fabricante, o suplemento dietético contendo aproximadamente 2g de quercetina pode resultar em uma concentração plasmática de até 50µM. Além disso, foi demonstrado por ensaio clínico de fase I, que a administração intravenosa de 420mg de quercetina em uma paciente em estado terminal de câncer de ovário diminuiu em seis vezes a concentração sérica de um marcador proteico especifico para o tipo de tumor. Os estudos em humanos também demonstraram que a ingestão crônica da quercetina é importante para que haja concentrações bioefetivas e proporcionar a ação quimiopreventiva do composto. Vale ressaltar, como foi observado no trabalho, ainda não há uma legislação especifica para a utilização da quercetina como fitofármaco, porém a legislação brasileira vem demonstrando interesse na aplicação de produtos naturais na saúde da população, como exemplo o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos que propõem ações para o acesso seguro e uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos.
ResponderExcluirCarlos Luan Alves Passos DRE: 113100739
Ótimo comentário!!
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