Figura 1 - Sundown Sun C em suas duas apresentações (500mg e 1000mg)
Diversos tipos de Suplementos Vitamínicos de Ácido Ascórbico podem ser
encontrados nas prateleiras de farmácias e mercados, sendo assim o consumidor
na esperança de “fortalecer o sistema imunológico” acaba por optar em gastar
mais com produtos, que como a Vitamina C poderiam ser facilmente obtidos na alimentação. Seria
então o Ácido Ascórbico Sintético (Suplementos Vitamínicos de vitamina C) a
melhor escolha sendo eficazes e
necessários para o sistema imunológico
prevenindo por exemplo crises de gripes e resfriados?
Descrição
SUN C é um suplemento vitamínico dos
laboratórios SUNDOWN NATURALS ® indicado como auxiliar do sistema imunológico,
que possui função antioxidante, auxilia nos processos de anemias carenciais,
nos processos pós-cirúrgicos e cicatrizantes. É composto por Ácido Ascórbico
puro, em comprimidos revestidos. São
comercializados em tabletes de cor bege uniforme que apresentam-se na forma de
500mg e de 1000mg. Possuem como
excipientes a celulose vegetal, ácido
esteárico vegetal, estearato de magnésio vegetal, dióxido de titânio, dióxido
de silício, corante caramelo natural. Suas
apresentações podem ser vendidas na forma de 30, 100 ou 180
tabletes, e a dose diária recomendada é de 1 tablete 1 vez ao dia, de
preferência com a principal refeição. [1]
Fundamentos Bromatológicos
O ácido
ascórbico é um composto hidrossolúvel que corresponde a uma forma oxidada da
glicose.
Figura 2- Estrutura do Ácido Ascórbico
A vitamina
C pertence ao grupo das vitaminas hidrossolúveis, não sendo armazenada no
organismo de humanos e primatas, e eliminada em pequenas quantidades através da
urina. Logo, a ausência desse armazenamento reflete uma administração diária.
O nome
químico ácido ascórbico representa as duas propriedades da substância, uma
química e a outra biológica. Primeiro, é um ácido e segundo, a palavra ascórbico reflete
o seu valor biológico na proteção que tem contra a doença escorbuto.
Tem a capacidade de ceder e receber elétrons, o
que lhe confere um papel essencial como antioxidante. Dessa forma, a vitamina C
participa do sistema de proteção antioxidante, assumindo a função de reciclar a
vitamina E.
As
moléculas que possuam seis átomos de carbono, seis átomos de oxigênio e oito
átomos de hidrogênio, formam uma molécula de vitamina C, devendo estes átomos estarem
organizados num determinado arranjo molecular,incluindo os átomos de carbono específicos,
quirais.
O ácido
ascórbico possui diversas funções. É necessário para a formação e reparação do
colágeno, pois está envolvido na hidroxilação
da prolina para formar hidroxiprolina, necessária para a síntese de colágeno, bem como participa no
metabolismo da tirosina (aminoácido essencial), metabolismo de carboidratos, da norepinefrina, histamina,
fenilalanina e do ferro.
O ácido
ascórbico pode ser administrado por via oral, intramuscular, subcutânea e
intravenosa. Por via oral, a vitamina C é absorvido através de um processo de
transporte ativo. A absorção depende da integridade do trato digestivo do
paciente. Está presente em diversos alimentos, estando alguns exemplos representados na Tabela 1:
Tabela 1: Exemplos de Alimentos ricos em Vitamina C - Fonte [3]
Em condições normais, um indivíduo consegue armazenar cerca de 1,5 g de ácido
ascórbico que se renova diariamente em 30 a 45 mg. Sua distribuição é muito
grande, mas as maiores concentrações são observadas nos tecidos glandulares. A
parte principal do ácido ascórbico é oxidação de forma reversível um ácido
dehidroascórbico, sendo o resto transformado em metabólitos inactivos se
excretam na urina. Quando existe um excesso de ácido ascórbico no organismo, é
um sintoma de metabolismo, que serve para determinar se existe ou não um estado
de saturação de vitamina C. O ácido ascórbico não deve ser utilizado em
pacientes com doenças renais, como é
recomendado no próprio rótulo (site) do produto SUNDWON C.
É de extrema importância estar atento as
doses diárias ingeridas, pois o valor recomendado já não é muito alto (Representados na Tabela 2), e doses de 2 g ou superiores já foram demonstradas que podem causar efeitos
adversos como gastroenterite ou diarreia
osmótica em alguns indivíduos. Entre os efeitos adversos relacionados ao consumo
excessivo estão: distúrbios gastrointestinais, cálculos renais e absorção excessiva
de ferro.
Legislação
De acordo com a ANVISA, Portaria nº 32, de 13 de janeiro de 1998 ,que Aprova o
Regulamento Técnico para Suplementos Vitamínicos e ou de Minerais, suplementos", estes são alimentos que servem para comtemplar com estes nutrientes a dieta diária de
uma pessoa saudável, em casos onde sua ingestão a partir da alimentação, seja
insuficiente ou quando a dieta requerer suplementação. Devem conter um mínimo de 25%, e no
máximo até 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) de vitaminas e ou
minerais, na porção diária indicada pelo fabricante, não podendo substituir os
alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva.
Os Suplementos Vitamínicos e ou Minerais não podem ser apregoados indicações
terapêuticas.
A tabela abaixo
mostra a recomendação diária de Ingestão recomendada de vitamina C (mg/dia) pela tabela da
ANVISA e da NAS/USDA:National Academy of Science em diferentes subgrupos:
Tabela 2: Recomendação diária em mg recomendada - NAS/USDA:National Academy of Science, e Organização Mundial da Saúde; ANVISA: Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Discussão e Análise
Segundo [5], uma
revisão Cochrane, que incluiu 30 ensaios clínicos controlados (n = 11.350
participantes), avaliou o risco de se contrair um resfriado após receber ácido
ascórbico como profilaxia e mostrou que mostrou que a ingestão regular de ácido
ascórbico não tem efeito algum sobre a incidência do resfriado comum na
população que foi estudada. Demonstrava apenas redução leve na duração e na
gravidade dos sintomas do resfriado comum. O risco relativo (RR) agrupado foi
de 0,96 (intervalos de confiança [IC] de 95%: 0,92-1,00). O efeito foi tão
pequena que sua utilidade clínica é incerta.
Um subgrupo de seis ensaios clínicos com um total de 622 maratonistas,
esquiadores e soldados em exercícios em ambiente frio mostrou um RR agrupado de
0,5 (IC de 95%: 0,38-0,66). Nesse subgrupo, o ácido ascórbico reduziu o risco
de adquirir resfriado comum pela metade .
Outra revisão Cochrane, com 30 ensaios clínicos controlados (n = 9.676
episódios respiratórios), avaliou a duração de episódios de resfriado comum
durante a profilaxia. Foi observado efeito benéfico consistente, porém pequeno,
na duração dos sintomas do resfriado, representando uma redução de duração do
resfriado de 8% (IC 95%: 3% a 13%) para os adultos e de 13,6% (IC 95%: 5%-22%)
para crianças. A Revisão Cochrane, que
incluiu sete ensaios clínicos (incluíam = 3.294 episódios respiratórios)
apresentou metanálise para a duração do episódio de resfriado durante o
tratamento com ácido ascórbico, iniciado após o surgimento dos sintomas. Não
foi observada diferença significativa quando comparado ao placebo. Quatro
ensaios clínicos comparativos (n = 2.753 episódios respiratórios) contribuíram
com a metanálise sobre a gravidade do resfriado durante o tratamento e não foi
observada nenhuma diferença significativa quando comparado o tratamento com
placebo.
Os testes com doses
terapêuticas elevadas de ácido ascórbico (após o aparecimento dos sintomas) não mostraram efeito sobre a redução ou a gravidade dos
sintomas.
Contudo, houve poucos ensaios que avaliaram o uso terapêutico de
ácido ascórbico e a qualidade dos estudos foi variável. Os autores concluíram e
relatam que é necessária a realização de mais ensaios clínicos para avaliem a
eficácia terapêutica dessa vitamina sintética.
Logo, com a conclusão dos estudos citados acima, é possível demonstrar que não é recomendado a administração de suplementos de ácido ascórbico como prevenção, auxiliando o sistema imunológico na prevenção de resfriados,
pois ainda não foi comprovado cientificamente que o uso desses suplementos irá
realmente funcionar para tal fim. Pelo contrário, ainda há o risco de
toxicidade,portanto o consumo excessivo de suplementos de ácido ascórbico deve ser alertado.
Conclusão
A vitamina C está presente em diversas funções do
sistema imunológico, como motilidade leucocitária, quimiotaxia, atividade
bactericida, entre outros. Um nível de vitamina C adequado é essencial para a
função imunológica normal, porém não se faz necessário o uso de suplementos
vitamínicos para tal fim.Como foi demonstrado, a mesma está presente em alimentos
diversos, podendo ser obtida facilmente a partir de uma alimentação adequada, contendo frutas e legumes diariamente, sendo um método mais fácil e barato de poder
obter seus níveis diários, dispensando o uso de suplementos para isto, que como
foi demonstrado, não é bem evidenciado cientificamente que o ácido ascórbico sintético possa
realmente auxiliar na prevenção de resfriados e gripes.
Logo, considerando
as ponderações referentes a esse estudo, conclui-se que uma alimentação
adequada contendo vitamina C é a melhor opção para manter seus níveis no
organismo, dispensando assim suplementos vitamínicos para tal fim de auxiliar o sistema imunológico, bem como na prevenção de gripes e resfriados.
Bibliografia:
- [1]- Suplementos Nutricionais - SUN C - Vitamina C –
Informações <http://www.sundownvitaminas.com.br/produtos.php?id=75&id_categoria=3>
Último Acesso em: 04/01/2017 as 21:41
- [2]- REGULAMENTO
TÉCNICO SOBRE INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA (IDR) PARA PROTEÍNA, VITAMINAS E
MINERAIS <http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP%5B8989-1-0%5D.PDF> Último Acesso em: 04/01/2017 as 20:00
- [3]- Tabela: FOOD INGREDIENTS BRASIL Nº 29 – 2014, pg 60 <http://www.revistafi.com/materias/378.pdf> Último Acesso em: 04/01/2017 as 15:00
- [4]- Funções
Plenamente Reconhecidas de Nutrientes Ácido ascórbico (Vitamina C)<http://ilsi.wpengine.com/brasil/wp-content/uploads/sites/9/2016/05/21-Vitamina-C.pdf>
Último Acesso em: 04/01/2017 as 18:34
- [5]- Uso Racional da Vitamina C (ácido ascórbico) – Conselho Federal de Farmácia http://www.cff.org.br/userfiles/file/cebrim/Cebrim%20Informa/Uso%20Racional%20da%20Vitamina%20C%2018-03-2013.pdf
- [6]- ANVISA - PORTARIA
Nº 32, DE 13 DE JANEIRO DE 1998<http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/394219/PORTARIA_32_1998.pdf/551775c4-9fc2-4f62-bb62-c7ceea757476>
Último Acesso em: 04/01/2017 as 17:30