Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 6 de agosto de 2016

L-Carnitina como redutor de gordura corporal, será?






Introdução

Numa era em que a ditadura da beleza segue o padrão da definição muscular, com corpos com percentual de gordura cada vez menor, uma infinidade de artifícios são utilizados para alcançar os objetivos. Dentre eles a L-Carnitina, que é um aminoácido naturalmente produzido pelo nosso organismo, no fígado, principalmente a partir do consumo de proteínas, é utilizado como redutor de gordura e potencializador da energia e força muscular.



Fundamentos Bromatológicos

Os possíveis efeitos termogênico da L-Carnitina baseiam-se na sua natural função de auxiliar nas reações de transferência dos ácidos graxos de cadeia longa do citosol para a mitocôndria, local de oxidação e geração de ATP destesA administração exógena dessa substância poderia atuar em indivíduos tanto em indivíduos em repouso quanto em atividade, promovendo a oxidação de substratos de carboidratos para lipídios.


Legislação

Segundo a ANVISA e o Ministério da Saúde, não está comprovado que o produto melhore o desemprenho físico e as advertências específicas devem estar descritas na rotulagem.



Discussão e Conclusão

Como analisado em estudos, a eficácia da sua suplementação direcionada a perda de peso não pode ser assegurada, não há como garantir a utilização da L-Carnitina a mais visto que a ingesta de proteínas já seria suficiente para a produção pelo organismo. Além disso não há também como garantir a atuação da L-Carnitina suplementada às mitocôndrias e a sua não degradação no trato gastro-intestinal. Pode sim ser usado por vegetarianos visto que ausência do consumo de carne dificulta a produção da carnitina entretanto deve haver um acompanhamento pois pode interagir com alguns medicamentos, como por exemplo a Varfarina.







sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Contaminação em alimentos por bactéria patogênica pode ser fatal


Em 2011 houve um surto de contaminação por E. coli na Alemanha. Mais de 30 pessoas morreram devido a ingestão de brotos de feijão crus contaminados. Como devemos proceder para evitar esse tipo de desastre?


 Descrição

Uma dieta saudável e balanceada é o desejo de muitas pessoas, principalmente nos dias em que tempo é algo precioso. Uma alimentação baseada em produtos de origem vegetal é sempre uma solução para tal dieta. Sendo assim, o consumo de brotos vem aumentando com o tempo no Brasil. O broto é uma planta em seu estágio inicial de desenvolvimento - a germinação. Na germinação, o amido é transformado, por enzimas, em açúcares mais simples e as proteínas são degradadas em aminoácidos. Há absorção de grandes quantidades de água, sintetizam-se vitaminas e enzimas e há mobilização de minerais. Esse estágio é uma espécie de pré-digestão, mas sem que ocorra perda de nutrientes. O mais elevado ponto de vitalidade no ciclo de vida de uma planta ocorre quando esta é um broto, daí os seus benefícios nutricionais
Visto o alto valor nutricional, esses alimentos são passíveis de contaminação microbiológica. Um caso recente de contaminação em alimentos por Escherichia coli ocorreu na Alemanha nos meses de maio e junho de 2011. Essa bactéria, principalmente do sorotipo O157:H7 é um patógeno extremamente perigoso que está associado com as doenças veiculadas por alimentos e causa distúrbios gastrointestinais severos em seres humanos. Os casos ocorridos evoluíram para um quadro sistêmico grave conhecido como Síndrome Hemolítica Urêmica, caracterizada por insuficiência renal, anemia hemolítica e trombocitopenia. Foram notificados aproximadamente 31 óbitos em decorrência à infecção por E. coli na Europa. Depois das pesquisas feitas pelos órgãos responsáveis foi descoberta a origem da contaminação – brotos, incluindo feno-grego, feijão mungo, lentilhas, feijão azuki e alfafa, produzidos em uma fazenda na Baixa Saxônia, ao sul de Hamburgo. Muitos agricultores foram prejudicados, pois achava-se que a origem do surto vinha de tomates e alfaces. A notícia se alastrou em todo mundo e até mesmo a Anvisa, no Brasil, emitiu notas de esclarecimentos na qual assegurava a população de que não havia perigo, pois não importamos tais produtos da Europa.

Fundamentos Bromatológicos
A produção de brotos se dá por meio da germinação de sementes. Os mais comuns são os brotos de feijão, bambu, alfafa, quinua, brócolis, trigo, girassol, trevo e ervilha. Os brotos são altamente perecíveis, por isso há necessidade de armazenamento sob refrigeração após a colheita e lavagem com água gelada, para auxiliar na conservação. Antes do empacotamento, deve-se efetuar o escoamento da água de lavagem, para evitar o desenvolvimento de bactérias, favorecido pelo excesso de umidade. O risco de contaminação nesses alimentos é alto, por conta do alto valor nutricional e de grande teor de água – ambiente propício para o crescimento microbiano. Durante a germinação, um pequeno número de agentes patogênicos presentes na superfície dos grãos pode se desenvolver rapidamente e chegar a ser suficientemente numerosos para provocar uma doença. As bactérias podem permanecer latentes durante meses nos grãos.
A Escherichia coli e as salmonelas são as principais bactérias que podem contaminar os brotos. Alguns estudos desenvolvem um tipo cobertura antimicrobiana para evitar tais contaminações e elevar a segurança do consumo. A quitosana já foi estudada como agente filmogênico com propriedades antimicrobianas como uma alternativa para diminuir a carga bacteriana dos brotos de alfafa e feijão Mungo.
Legislação
A Resolução CNNPA nº 13, de 15 de julho de 1977 da ANVISA dispõe as características mínimas de identidade e qualidade para as hortaliças (tubérculos, raízes, rizomas, bulbos, talos, brotos, folhas, inflorescências, pecíolos, frutos, sementes e cogumelos comestíveis cultivados). O item 5 dessa resolução explicita todos os padrões de higiene que devem ser seguidos, não podendo ser encontrado nenhum microorganismo patogênico ou substâncias tóxicas. Além disso, os produtos devem ser submetidos a exames microscópicos e microbiológicos para garantir a qualidade além de outras análises, conforme o item 9 da resolução. Além disso, existem duas Resoluções da Diretoria Colegiada, que dispõe das Boas Práticas de Fabricação e do regulamento técnico sobre os padrões microbiológicos para alimentos, a RDC nº 352 e 12, respectivamente.
Discussão e Conclusão
As doenças veiculadas por alimentos são comuns no mundo inteiro. Essas doenças são de grande importância para a saúde pública, por conta dos problemas e prejuízos que trazem para a saúde humana. Os hábitos alimentares em relação à correta higienização dos alimentos, assim como uma vigilância sanitária ativa são a base para evitar contaminações microbiológicas severas em alimentos.
O alto valor nutricional e alto teor de água nos brotos aumentam o risco de contaminações microbiológicas. Dessa forma, esses alimentos devem ser inspecionados e consumidos com cuidado para garantir a qualidade e segurança da população.

Referências
LOURES, Neoraldo Thadeu Pacheco;  et al. Análise físico-química, microbiológica e sensorial de brotos de lentilha da variedade PRECOZ.
PAULO, Heloisa; et al. Uso de cobertura de quitosana para reduzir riscos de contaminação no consumo de brotos de leguminosas.
OS PERIGOS DA ALIMENTAÇÃO COM BROTOS GERMINADOS. Disponível em < http://biogilmendes.blogspot.com.br/2011/06/os-perigos-da-alimentacao-com-brotos.html>. Acesso em 08.2016.
CALDAS, Marília Tibeli. Qualidade Fisiológica de Sementes e Brotos de Feijão-Mungo-Verde. Viçosa, MG, 2004.
Resolução da Diretoria Colegiada  RDC nº 352, de 23 de dezembro de 2002. Publicada no D.O.U de 08/01/2003. Disponível em <http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/394219/RDC_N%25C2%25BA_352.pdf/84837cf4-18d3-441c-92f7-de748e8eaa79>.
Resolução RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001. Disponível em < http://www.abic.com.br/publique/media/CONS_leg_resolucao12-01.pdf>.

Edulcorantes x Açúcar em bebidas lácteas prontas para consumo


Os edulcorantes devem ser utilizados em alimentos nos quais o açúcar é parcialmente ou totalmente substituído, mas será que isso realmente acontece?

Introdução

Os produtos mostrados na imagem são similares, bebidas lácteas sabor chocolate, porém de fabricantes diferentes. Além do fator fabricante, podemos notar abaixo que os produtos também diferem em outros aspectos.

Segundo a propaganda no site de cada respectivo fabricante:

“ALPINO® FAST: É o sabor inconfundível de Alpino para beber em qualquer lugar.
Alpino pra beber? Isso mesmo. Alpino Fast tem aquele mesmo sabor único e irresistível que você já conhece só que vem pronto pra beber numa garrafa com tampa de rosca.
Para beber quando? Quando você bem entender. Escolha o seu momento para tomar um Alpino Fast.”

“NESCAU® FAST:  Energia pra viagem.
Nescau® Fast é uma nova maneira de tomar Nescau®. Vem numa garrafa com tampa de rosca para você levar por aí e tomar a qualquer hora, em qualquer lugar.
Sabe quando você precisa daquela pausa para recarregar as baterias? É aí que entra Nescau® Fast.”

TODDYNHO ® Garrafa:
“Pensando no público adulto, Toddynho® deixará muita gente feliz e com gostinho de nostalgia: o tradicional leite com sabor de chocolate da caixinha agora também está disponível na versão em garrafinha.”

Por se tratarem de produtos cujo público alvo são crianças e adolescentes, desperta uma grande preocupação e interesse em relação aos ingredientes neles contidos.

Fundamentos Bromatológicos

A Anvisa define os edulcorantes como sendo substâncias naturais ou artificiais, diferentes dos açúcares, que conferem sabor doce aos alimentos.

Com o crescente uso de edulcorantes artificiais nos produtos alimentícios, surgem várias dúvidas entre os consumidores, principalmente em relação à segurança e dos possíveis malefícios decorrentes do uso dessas substâncias. Estudos mostram que o uso de produtos contendo edulcorantes artificiais é seguro, porém esse ainda é um assunto de grande polêmica entre os pesquisadores. Os edulcorantes possuem o poder de adoçar muito maior quer o açúcar comum e são recomendados para dietas especiais.

Os edulcorantes devem ser utilizados em substituição total ou parcial do açúcar para consumidores com necessidade de diminuição da ingestão calórica ou por portadores de diabetes ou de outros distúrbios nutricionais relacionados.

Legislação

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o edulcorante artificial utilizado na fabricação do ALPINO® FAST, a sucralose, é atóxica à reprodução e ao crescimento infantil e pode ser consumido por diabéticos. Ainda assim, esses aditivos devem ser utilizados somente em alimentos nos quais o açúcar é parcialmente ou totalmente substituído.

Através da Resolução RDC 18/2008, a Anvisa regulamenta o uso de edulcorantes, autorizando o uso desses aditivos em alimentos e estabelecendo os limites máximos permitidos de adição aos produtos alimentícios.

De acordo com o Decreto Nº 8.592, de 16 de dezembro de 2015: “É permitida a fabricação de bebidas não-alcoólicas, hipocalóricas, que tenham o conteúdo de açúcares, adicionado normalmente na bebida convencional, parcialmente substituído por edulcorante hipocalórico ou não-calórico, natural ou artificial, em conjunto ou separadamente.”; “As bebidas a que se refere o caput conterão, no rótulo frontal, informação referente aos atributos “baixo em açúcares” ou “reduzido em açúcares””.

Análise e Discussão


Alpino® FAST
Nescau® FAST
Toddynho
Ingredientes
Leite reconstituído parcialmente desnatado, água, açúcar, cacau, soro de leite em pó, vitamina C, sal, estabilizantes celulose microcristalina, carboximetilcelulose sódica e carragena, aromatizantes e edulcorante artificial sucralose
Leite reconstituído parcialmente desnatado, água, açúcar,maltodextrina, cacau, minerais e vitaminas – Actigen – E (cálcio, magnésio, ferro, vitamina C, B1, B2, niacina, B6, B12, ácido pantotênico e biotinal, soro de leite em pó, sal, acidulante ácido cítrico, estabilizantes celulose microcristalina, carboximetilcelulose sódica e carragena, aromatizantes e edulcorante artificial sucralose.
Leite integral reconstituído, açúcar, soro de leite em pó, cacau, gordura vegetal hidrogenada, extrato de malte, vitaminas C, A, ácido fólico), sal, espessante goma guar e arragena, estabilizantes mono e diglicerídeos de ácidos graxos, citrato de sódio e lecitina de soja, aromatizante.
Valor energético
174 kcal (280ml)
210 kcal (300ml)
251 kcal (270ml)
Açúcares
20g (280ml)
25g (300ml)
36g (270ml)

























De acordo com a tabela acima, enquanto o produto TODDYNHO ® Garrafa é adoçado somente com açúcar, os produtos ALPINO® FAST e NESCAU® FAST são adoçados com açúcar e edulcorantes artificiais, porém não há redução significativa no valor energético, que deveria ser um dos objetivos de adoçar as bebidas com edulcorantes artificiais.

Podemos notar também que nas embalagens dos produtos ALPINO® FAST e NESCAU® FAST não há nenhum dos avisos estipulados no Decreto anteriormente citado, a respeito de conter edulcorantes artificiais na composição dos produtos.  

Com isso, concluímos que não houve vantagem significativa na utilização concomitante de açúcares e edulcorantes nos produtos, visto que não houve relevante redução do valor calórico nem substituição total do açúcar, não atendendo a nenhum dos indivíduos-alvo dos produtos contendo edulcorantes.


Referências:

·         ALPINO® FAST. <https://www.nestle.com.br/site/marcas/alpino/linha__fast/alpino_fast.aspx> Acesso em: 10/05/2016.

·         NESCAU® FAST.
<https://www.nestle.com.br/site/marcas/nescau/linha__fast/nescau_fast.aspx>

·         Toddynho.
<http://www.pepsico.com.br/toddynho> Acesso em: 02/06/2016.

·         Ministério da Saúde. Anvisa. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC no. 18, de 24 de março de 2008. Dispõe sobre o “Regulamento técnico que autoriza o uso de aditivos edulcorantes em alimentos, com seus respectivos limites máximos”

·         Presidência da República. DECRETO Nº 8.592, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2015. Altera o Anexo ao Decreto no 6.871, de 4 de junho de 2009, que regulamenta a Lei no 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas.


(por: Rayane Freitas Rodrigues)


Peito de Peru é mesmo uma opção saudável?



 Muito se fala em ter uma alimentação mais saudável. Existe uma grande preocupação em manter um dieta equilibrada, e com o dia-a-dia cada vez mais corrido, onde as pessoas tem cada vez menos tempo a busca pela praticidade é grande. Um alimento muito prático e que pode estar presente em qualquer refeição, são os sanduíches e muito se difunde como opção saudável o uso do peito de peru, uma opção de proteína saudável e prática, mas será que é tão saudável assim?

INTRODUÇÃO

Em muitas revistas, blogs, e até mesmo recomendado por alguns nutricionistas se vê a indicação do uso do peito de peru para ser consumido como proteína no café da manhã, sendo uma opção com pouca gordura e boa escolha para quem quer perder peso.

Um dos grandes problemas quando se fala em dieta é a praticidade, e também os custos, já que opções mais naturais geralmente são bem mais caras. Por conta disso acaba sendo muito indicado o uso do peito de peru como uma opção de baixa caloria, mas que ainda assim oferece nutrientes para compor uma dieta equilibrada.

Existem diversas marcas no mercado que oferecem peito de peru, inclusive muitos o anunciam como produto saudável, e também oferecem versões ‘light' do produto.


BENEFÍCIOS DO LEITE DE AMÊNDOAS: UMA ALTERNATIVA AO LEITE ANIMAL


(AL ISIS VILAS BOAS DRE 112091505)

1.       Introdução

 O leite é um líquido fisiológico branco, nutritivo, secretado por glândulas mamárias e constituído de proteína, gordura e carboidrato. A maior parte do leite é constituída por água, sendo apenas 12% de sua composição as proteínas, gorduras, carboidratos, sais minerais e vitaminas. Por ser um produto perecível, o leite precisa ser refrigerado a 4°C após a coleta e existem diversos fatores que podem interferir na qualidade deste alimento, como temperatura, acidez, contaminação por micro-organismos, período de lactação da vaca, dentre outros. Além desses fatores, há uma questão muito importante que é a qualidade de vida deste animal. A imagem de uma vaca pastando num campo, vista nos comerciais, é muito distante da realidade em que vivem e muitas das pessoas, sabendo da triste condição em que vivem, procuram opções com aporte nutritivo necessário, como o leite de amêndoas. Fora aqueles que se preocupam com a questão animal, existem aqueles que são intolerantes à lactose, àqueles que se preocupam com a quantidade de antibióticos ingerida pelas vacas, que acabam aparecendo no leite, e por isso também migram para opções melhores para o corpo humano. Entende-se que com leite de amêndoas, é possível que o indivíduo continue com os seus hábitos, sejam eles tomar uma vitamina de manhã, tomar café com “leite”, ou fazer mingaus e bebidas com cacau em pó. Dessa forma, a aceitação é melhor, o que facilita a adesão à nova dieta, já que não é fácil mudar um hábito realizado há muitos anos.




2.       Questão animal e contaminação do leite

Para que uma vaca seja considerada leiteira, ela deve dar à luz uma vez por ano, o que faz com que ela seja inseminada artificialmente, uma técnica que é considerada abusiva por diversos grupos veganos, já que o sêmen do touro é inserido, pelo homem, no útero do animal. Essa técnica é utilizada pois aumentam a produção de leite da vaca. A qualidade do leite cru é influenciada por múltiplos fatores, dentre os quais se destacam os zootécnicos, associados ao manejo, saúde da glândula mamária, alimentação e potencial genético dos rebanhos, e outros fatores relacionados à obtenção e armazenagem do leite recém-ordenhado. Os parâmetros físico-químicos, microbiológicos e higiênicos sanitários são utilizados pelas indústrias para verificar e determinar a qualidade do leite, como por exemplo, a contagem de células somáticas, a contagem de microrganismos psicrotróficos e resíduos de antibióticos que estão sendo cada vez mais exigidos como parâmetros de qualidade.
O leite de vaca pode ser contaminado quando entra em contato com a superfície do equipamento e/ou utensílios de ordenha, assim como no próprio tanque de refrigeração do leite.  Durante o intervalo entre as ordenhas, enquanto as vacas estão deitadas, ocorre intensa contaminação da pele das mamas, principalmente se o ambiente estiver altamente contaminado. A cama ou local de permanência dos animais pode abrigar elevadas cargas microbianas, podendo atingir uma contagem bacteriana de 108 a 1010 ufc/ml. Nestas condições, os principais microrganismos isolados são estreptococos, estafilococos, microrganismos formadores de esporos, coliformes e outras bactérias Gram-negativas. A pele das mamas das vacas antes da ordenha pode estar contaminada por microrganismos psicrotróficos, capazes de crescer em baixas temperaturas, e os termoduricos, os quais são resistentes à pasteurização, o que pode ser um risco microbiológico para quem faz ingesta desse tipo de leite. Além disso, existem muitos outros problemas que o leite animal pode causar à população, como a estimulação da produção de muco, aumentando problemas respiratórios.




3.       Intolerantes à lactose

A lactose é um dissacarídeo contendo duas subunidades: glicose e galactose. Quando há falta da enzima lactase ocorre a má digestão da lactose, inibindo a hidrólise da lactose em glicose e galactose, gerando o quadro de intolerância. Como a lactose não consegue ser hidrolisada em glicose e galactose, ela não é absorvida no intestino delgado em forma de glicose,  direcionando-se para o colón. Quando a lactose encontra-se no colón, ela é convertida em ácidos graxos, gás carbônico e gás hidrogênio pelas bactérias da flora.
A intolerância à lactose é dita como uma intolerância alimentar. Ela ocorre quando o corpo reage a um alimento, porém sem intervenções imunológicas.  A intolerância a lactose se caracteriza pela presença de sintomas causados devido à incapacidade da mucosa intestinal de digerir o carboidrato lactose. Essa má digestão ocorre devido à deficiência de lactase (ß- D- galactosidade) ou sua diminuição ( quadro de hipolactasia). A intolerância à lactose, portanto, é a não digestão da lactose. Essa intolerância pode ser temporária ou consequência de alguma doença que causa lesão intestinal, como doença de Chron, doença celíaca, AIDS, desnutrição. O indivíduo é diagnosticado com deficiência de lactase a partir da história de sintomas gastrointestinais após a ingestão de leite, teste anormal de hidrogênio na respiração ou teste de tolerância a lactose anormal. Dessa forma, os alimentos contendo leite devem ser retirados da dieta e deve haver inserção de alimentos ricos em cálcio e proteínas, para o fornecimento de um balanço nutricional adequado. Um exemplo de alimento rico em cálcio e proteína é a amêndoa, que pode ser utilizada na sua forma natural ou no preparo do leite de amêndoas.



4.       Traços de antibióticos presentes no leite de vaca

A principal preocupação da indústria de leite para com o aparecimento de resíduos de antibióticos no seu produto final é a inibição de culturas utilizada na produção de iogurtes, leites e outros produtos. Para a população, o problema é ainda maior já que há possibilidade do aparecimento de reações alérgicas, que se manifestam desde urticária até asma brônquica. Essas reações estão ligadas, principalmente, a medicamentos como a penicilina, sulfonamidas, tetraciclinas e estreptomicinas. Algumas das reações podem ser, também, tóxicas, causando alterações hematológicas e desenvolvimento de tumores, segundo material da Embrapa, que proíbe a utilização para o tratamento de vacas leiteiras.  Porém existe o chamado período de carência, que é aquele em que uma vaca é tratada com um antibiótico e há a observação do prazo de eliminação do antibiótico no leite, após a última aplicação do mesmo. Em muitos casos, o aparelho de ordenhar as mamas das vacas causa inflamações na região ( mastites), que devem ser tratadas evitando a contaminação do leite com o pus gerado. E essa é a principal causa de aparecimento de antibióticos no leite. Mesmo que se aplique o antibiótico apenas em uma região de uma das mamas, há absorção do medicamento e, na corrente sanguínea, ele é capaz de contaminar todo o leite gerado, trazendo problemas para os seus consumidores.


  

5.       Por que o leite de amêndoas?

As amêndoas têm sido utilizadas na dieta humana por terem importantes propriedades farmacológicas e nutricionais. Além de serem ricas em gordura e proteínas também são ricas em fitatos e fenólicos. As amêndoas são fontes de vitamina E, magnésio, manganês, cobre, fósforo, fibra, riboflavina, ácidos graxos monoinsaturados e proteínas . As bebidas a base de extratos vegetais são chamadas também de “leites vegetais”. O leite de amêndoa é bastante popular nos países que enfrentam o Mar Mediterrâneo e se estende desde a Península Ibérica até o Leste da Ásia. Ele é utilizado como substituto do leite de vaca e como base para produtos alimentares e foi muito utilizado na cozinha na época da Idade Média, pois o leite de vaca estragava rapidamente e era transformado em manteiga ou queijo. Além disso, o leite de amêndoa é nutritivo com pouca gordura, ao contrário do leite de vaca e não possui lactose, o que é um benefício para os intolerantes à lactose.


Tabela 1 - Retirada de http://www.soystache.com/calcium.htm Baseada nos dados oficiais do USDA ( Depto. de Agricultura dos EUA) Modificada.


A principal pergunta que vem à tona quando se fala da retirada do leite de vaca da alimentação, é com relação ao cálcio. Sabendo-se eu o leite de vaca possui entre 119 a 193 mg de cálcio a cada 100g de leite, é possível observar que a amêndoa possui 248mg e o gergelim mais ainda, 978mg. Esse fato ajuda a entender que é possível obter sais e minerais, bem como proteínas (vide tabela) através de outras fontes alimentares, como as amêndoas. Somado a isso, percebe-se também que as fontes vegetais de cálcio não apresentam colesterol, enquanto o leite de vaca apresenta. Deve ficar claro que é fundamental que a dieta humana contenha lipídeos, porém o consumo de alimentos muito gordurosos como frituras e carnes com gordura está associado com a LDL- lipoproteína de baixa densidade, conhecida popularmente como “colesterol ruim”. O consumo de oleaginosas está relacionado com o aumento do “colesterol bom”, HDL- lipoproteína de alta densidade.
6.       Conclusão
O leite de amêndoas é uma alternativa nutritiva e menos agressiva aos animais, além de poder ser consumida por indivíduos intolerantes à lactose e não conter traços de antibióticos, que podem causar danos à saúde da população que ingere o leite de vaca. Seus níveis de cálcio são maiores que o leite de vaca e não possui níveis expressivos de gorduras, que poderia levar a doenças arteriais. Dessa forma, a ingesta do leite de amêndoas é adequada para uso humano em substituição ao leite de vaca.

7.       Referências
SANTOS, M. V.; FONSECA, L. F. L. Importância e efeito de bactérias psicrotróficas sobre a qualidade do leite. Revista Higiene Alimentar, São Paulo, v. 15, n. 82, p. 13-19, 2001
BOTELHO, R. Substitutos de leite animal para intolerantes à lactose, universidade de Brasília, 2013.
BRANDÃO, S. Alergia e Intolerância ao leite de vaca, 2000. Disponível no site: . Acesso em: 30/01/2013
MATTAR, R. MAZO, D.F.C. Intolerância à lactose: mudança de paradigmas com a biologia molecular. Revista Assoc. Med. Bras., p.230-236, 2010.
WATTIAUX, M.A. Composição do leite e seu valor nutricional. Instituto Babcock para Pesquisa e Desenvolvimento da Pecuária Leiteira Internacional, 2005
http://www.cnpgl.embrapa.br/sistemaproducao/4983-insemina%C3%A7%C3%A3o-artificial-ia
BRAMLEY, A. J. Sources of Streptococcus uberis in the dairy herd I: isolation from bovine feces and from straw bedding of cattle. Journal of Dairy Research, Cambridge, v. 49, p. 369, 1982.

Peito de Peru é mesmo uma opção saudável?




 Muito se fala em ter uma alimentação mais saudável. Existe cada vez mais uma preocupação em manter um dieta equilibrada, e com o dia-a-dia corrido, a busca pela praticidade é muito grande. Um alimento muito prático e que muito se difunde como opção saudável é o uso do peito de peru, mas será que é uma opção tão saudável assim?

INTRODUÇÃO:


Em muitas revistas, blogs, e até mesmo recomendado por alguns nutricionistas se vê a indicação do uso do peito de peru para ser consumido como proteína no café da manhã, sendo uma opção com pouca gordura e boa escolha para quem quer perder peso.

Um dos grandes problemas quando se fala em dieta é a praticidade, e também os custos, já que opções mais naturais geralmente são bem mais caras. Por conta disso acaba sendo muito indicado o uso do peito de peru como uma opção de baixa caloria, mas que ainda assim oferece nutrientes para compor uma dieta equilibrada.

Existem diversas marcas no mercado que oferecem peito de peru, inclusive muitos o anunciam como produto saudável, e também oferecem versões ‘light' do produto.



FUNDAMENTOS BROMATOLÓGICOS:



Lista de ingredientes (sadia): peito de peru, água, proteína de soja, sal hipossódico, açúcar, sal alho, cebola, estabilizante: tripolifostado de sódio, espessante: carragena, realçador de sabor: glutamato monosódico, antioxidante: isoacorbato de sódio, conservador: nitrito de sódio, aromatizantes: aroma naturais (com pimenta), corante natural: carmim de cochonilha. Não contém Glúten.

O excesso de sódio está ligado a diversos distúrbios, como hipertensão, problemas nos rins, doenças cardíacas. Segundo a Anvisa a população brasileira consome cerca de 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de até 5 gramas diárias.

LEGISLAÇÃO: 

Segundo a OMS e a ANVISA a recomendação é de que a quantidade de sal não ultrapasse 5 g por dia (1,7 g de sódio).  Sabe-se que a quantidade de sódio em produtos embutidos e industrializados é elevada, tanto que o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) fecharam, em 2013, o quarto acordo para a redução do teor de sódio nos alimentos industrializados. Com compromisso de diminuir em até 68% do sódio em laticínios, embutidos e refeições prontas.

A ANVISA permite em embutidos:
Nitrito de sódio: 0,015g / 100g
Tripolifosfato: 0.5 g / 100g
Carragena: 0.3 g / 100g
Glutamato Monosódico: q.s / 100g
Carmim de cochonilha: 0,01 g/ 100g

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO: 

Um dos principais erros das pessoas que buscam a perda de peso é escolher os alimentos baseando-se apenas na quantidade de calorias e gorduras do alimento, escolhendo os que apresentam menor quantidade desses dois itens. Porém, deve-se valorizar mais a qualidade dos alimentos e outras informações disponíveis, como a quantidade de sódio por exemplo. O peito de peru quando se avalia as calorias e quantidade de gordura, parece um alimento muito saudável, mas quando se avalia a alta concentração de sódio, além de grande quantidade de aditivos ele passa a não ser mais um alimento tão interessante assim.

Porém é interessante avaliar que dentre as outras opções de embutidos, como por exemplo o presunto e a mortadela, o peito de peru é a opção mais 'saudável'. Se possível é interessante subsistir os embutidos por produtos menos processados, caso não seja possível é sempre importante atentar para quantidade consumida, para não ingerir quantidades muito elevadas de sódio.

BICLIOGRAFIA:

1 http://www.brasil.gov.br/saude/2013/11/ministerio-da-saude-e-abia-fecham-acordo-para-reduzir-teor-de-sodio-em-carnes-e-laticinios
acessado: 4/08 as 20:31

2 http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/guia_alimentar_bolso.pdf
acessado: 4/08 as 20:35

3 Portaria nº 1004, de 11 de dezembro de 1998, ANVISA

Stephanie Kroll Rabelo



"Centrum de A a Zinco: se falta, Centrum completa”, mas e o excesso?

           





Que a falta de vitaminas e minerais é a causa de diversas doenças todos já estão cansados de saber, mas que o excesso desses nutrientes também podem te deixar doente pode ser novidade para algumas pessoas. De acordo com o fabricante, Centrum é um suplemento vitamínico completo de A a Zinco, que completamenta sua alimentação, ajuda a aproveitar melhor as energias dos alimentos e ainda auxilia nas defesas do organismo e em uma aparência mais saudável. Será que um multivitamínico pode ser assim tão milagroso?

Introdução
           
            É só ligar a televisão para perceber o excesso de propagandas associando os multivitamínicos com uma vida saudável e melhor aparência. Essa pressão da mídia acrescentada da venda livre, ou seja, sem prescrição médica dos multivitamínicos faz com que este suplemento seja um dos mais vendidos do mundo.
            Contrariando esses dados, estudos mostram que não existe nenhum benefício para uma pessoa saudável tomar essas vitaminas e minerais extras, seja para a prevenção de doenças ou retardando-as. No caso de perda cognitiva, a administração de vitaminas é comparada ao placebo, não trazendo nenhuma vantagem para o paciente.
            Por outro lado, o excesso dessas vitaminas e minerais podem ser nocivas para o organismo. Por exemplo, assim como a deficiência de vitamina C pode causar escorbuto, a retirada abrupta de megadoses desta vitamina pode provocar um quadro semelhante ao da doença, além de cálculo renal e distúrbios gastrointestinais.
            Mais um exemplo é o excesso de vitamina E causando alterações na coagulação, distúrbios gastrointestinais e dor de cabeça crônica. Outro estudo publicado em uma revista norte americana condena o uso da vitamina E, mostrando que sua suplementação em alta dosagem aumenta o índice de mortalidade.

Fundamentos bromatológicos

           Centrum é um suplemento de vitaminas e minerais vendido sem prescrição médica, podendo ser encontrado em embalagens de 15, 30, 60, 100, 130 e 150 comprimidos. Sua formulação é composta por vitaminas de A a Zinco e diversos minerais como cálcio, cobre, ferro, magnésio, potássio, entre outros. A posologia indicada é um comprimido ao dia por tempo indeterminado.



Legislação

        De acordo com a Portaria 32/98 do Ministério da Saúde, suplementos vitamínicos são “alimentos que servem para complementar com vitaminas e minerais a dieta diária de uma população saudável, em casos onde sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requer suplementação”.
·         Composição: mínimo de 25% e no máximo até 100% da IDR (ingestão diária recomendada) de vitaminas e ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante.
·         Não podem substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva.
·         Não incluem produtos indicados para prevenir, aliviar, tratar uma enfermidade ou alteração do estado fisiológico (Portaria SVS/MS n. 32/98 e Resolução ANVISA RDC n. 269/05)


Discussão e conclusão

De acordo com a tabela de composição nutricional do Centrum, muitos de seus nutrientes representam 100% da ingestão diária recomendada pela ANVISA. Assim, com 45mg de vitamina C o Centrum supre a necessidade diária desta vitamina, então, com a ingestão de apenas um copo de suco de laranja, alimento muito comum na dieta dos brasileiros, o teor diário fica muito acima do recomendado.
            Uma pessoa que consome dois ovos cozidos por dia possui um nível adequado de vitamina A, cerca de 600 mcg. Se este indivíduo estiver fazendo uso do Centrum seu nível diário de vitamina A vai estar 67% acima do indicado pela ANVISA.
            Estes foram apenas alguns exemplos de como quase nenhuma pessoa possui deficiência de vitaminas de A a Zinco. Sendo assim, a venda de suplementos de minerais e vitaminas deveria ser prescrita por um profissional,  visando as necessidades de cada pessoa, para desta forma auxiliar em uma suplementção sem excessos. 



Bibliografia

1.  centrum.com.br acessado: 04/08/2016 as 18:36
2.  Annals of Internal Medicine: Long-Term Multivitamin Supplementation and Cognitive Function in Men: A Randomized Trial acessado: 04/08/2016 as 19:02
5.  Ministério da Saúde. Portaria nº 32, de 13 de janeiro de 1998. “regulamento técnico para fixação de identidade e qualidade de suplementos vitamínicos e ou de minerais”. Brasília-DF.
6.  www.anvisa.com.br Consulta Pública número 80, de 13 de dezembro de 2004.


7.  Tabela USDA