Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Edulcorantes x Açúcar em bebidas lácteas prontas para consumo


Os edulcorantes devem ser utilizados em alimentos nos quais o açúcar é parcialmente ou totalmente substituído, mas será que isso realmente acontece?

Introdução

Os produtos mostrados na imagem são similares, bebidas lácteas sabor chocolate, porém de fabricantes diferentes. Além do fator fabricante, podemos notar abaixo que os produtos também diferem em outros aspectos.

Segundo a propaganda no site de cada respectivo fabricante:

“ALPINO® FAST: É o sabor inconfundível de Alpino para beber em qualquer lugar.
Alpino pra beber? Isso mesmo. Alpino Fast tem aquele mesmo sabor único e irresistível que você já conhece só que vem pronto pra beber numa garrafa com tampa de rosca.
Para beber quando? Quando você bem entender. Escolha o seu momento para tomar um Alpino Fast.”

“NESCAU® FAST:  Energia pra viagem.
Nescau® Fast é uma nova maneira de tomar Nescau®. Vem numa garrafa com tampa de rosca para você levar por aí e tomar a qualquer hora, em qualquer lugar.
Sabe quando você precisa daquela pausa para recarregar as baterias? É aí que entra Nescau® Fast.”

TODDYNHO ® Garrafa:
“Pensando no público adulto, Toddynho® deixará muita gente feliz e com gostinho de nostalgia: o tradicional leite com sabor de chocolate da caixinha agora também está disponível na versão em garrafinha.”

Por se tratarem de produtos cujo público alvo são crianças e adolescentes, desperta uma grande preocupação e interesse em relação aos ingredientes neles contidos.

Fundamentos Bromatológicos

A Anvisa define os edulcorantes como sendo substâncias naturais ou artificiais, diferentes dos açúcares, que conferem sabor doce aos alimentos.

Com o crescente uso de edulcorantes artificiais nos produtos alimentícios, surgem várias dúvidas entre os consumidores, principalmente em relação à segurança e dos possíveis malefícios decorrentes do uso dessas substâncias. Estudos mostram que o uso de produtos contendo edulcorantes artificiais é seguro, porém esse ainda é um assunto de grande polêmica entre os pesquisadores. Os edulcorantes possuem o poder de adoçar muito maior quer o açúcar comum e são recomendados para dietas especiais.

Os edulcorantes devem ser utilizados em substituição total ou parcial do açúcar para consumidores com necessidade de diminuição da ingestão calórica ou por portadores de diabetes ou de outros distúrbios nutricionais relacionados.

Legislação

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o edulcorante artificial utilizado na fabricação do ALPINO® FAST, a sucralose, é atóxica à reprodução e ao crescimento infantil e pode ser consumido por diabéticos. Ainda assim, esses aditivos devem ser utilizados somente em alimentos nos quais o açúcar é parcialmente ou totalmente substituído.

Através da Resolução RDC 18/2008, a Anvisa regulamenta o uso de edulcorantes, autorizando o uso desses aditivos em alimentos e estabelecendo os limites máximos permitidos de adição aos produtos alimentícios.

De acordo com o Decreto Nº 8.592, de 16 de dezembro de 2015: “É permitida a fabricação de bebidas não-alcoólicas, hipocalóricas, que tenham o conteúdo de açúcares, adicionado normalmente na bebida convencional, parcialmente substituído por edulcorante hipocalórico ou não-calórico, natural ou artificial, em conjunto ou separadamente.”; “As bebidas a que se refere o caput conterão, no rótulo frontal, informação referente aos atributos “baixo em açúcares” ou “reduzido em açúcares””.

Análise e Discussão


Alpino® FAST
Nescau® FAST
Toddynho
Ingredientes
Leite reconstituído parcialmente desnatado, água, açúcar, cacau, soro de leite em pó, vitamina C, sal, estabilizantes celulose microcristalina, carboximetilcelulose sódica e carragena, aromatizantes e edulcorante artificial sucralose
Leite reconstituído parcialmente desnatado, água, açúcar,maltodextrina, cacau, minerais e vitaminas – Actigen – E (cálcio, magnésio, ferro, vitamina C, B1, B2, niacina, B6, B12, ácido pantotênico e biotinal, soro de leite em pó, sal, acidulante ácido cítrico, estabilizantes celulose microcristalina, carboximetilcelulose sódica e carragena, aromatizantes e edulcorante artificial sucralose.
Leite integral reconstituído, açúcar, soro de leite em pó, cacau, gordura vegetal hidrogenada, extrato de malte, vitaminas C, A, ácido fólico), sal, espessante goma guar e arragena, estabilizantes mono e diglicerídeos de ácidos graxos, citrato de sódio e lecitina de soja, aromatizante.
Valor energético
174 kcal (280ml)
210 kcal (300ml)
251 kcal (270ml)
Açúcares
20g (280ml)
25g (300ml)
36g (270ml)

























De acordo com a tabela acima, enquanto o produto TODDYNHO ® Garrafa é adoçado somente com açúcar, os produtos ALPINO® FAST e NESCAU® FAST são adoçados com açúcar e edulcorantes artificiais, porém não há redução significativa no valor energético, que deveria ser um dos objetivos de adoçar as bebidas com edulcorantes artificiais.

Podemos notar também que nas embalagens dos produtos ALPINO® FAST e NESCAU® FAST não há nenhum dos avisos estipulados no Decreto anteriormente citado, a respeito de conter edulcorantes artificiais na composição dos produtos.  

Com isso, concluímos que não houve vantagem significativa na utilização concomitante de açúcares e edulcorantes nos produtos, visto que não houve relevante redução do valor calórico nem substituição total do açúcar, não atendendo a nenhum dos indivíduos-alvo dos produtos contendo edulcorantes.


Referências:

·         ALPINO® FAST. <https://www.nestle.com.br/site/marcas/alpino/linha__fast/alpino_fast.aspx> Acesso em: 10/05/2016.

·         NESCAU® FAST.
<https://www.nestle.com.br/site/marcas/nescau/linha__fast/nescau_fast.aspx>

·         Toddynho.
<http://www.pepsico.com.br/toddynho> Acesso em: 02/06/2016.

·         Ministério da Saúde. Anvisa. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC no. 18, de 24 de março de 2008. Dispõe sobre o “Regulamento técnico que autoriza o uso de aditivos edulcorantes em alimentos, com seus respectivos limites máximos”

·         Presidência da República. DECRETO Nº 8.592, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2015. Altera o Anexo ao Decreto no 6.871, de 4 de junho de 2009, que regulamenta a Lei no 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas.


(por: Rayane Freitas Rodrigues)


Peito de Peru é mesmo uma opção saudável?



 Muito se fala em ter uma alimentação mais saudável. Existe uma grande preocupação em manter um dieta equilibrada, e com o dia-a-dia cada vez mais corrido, onde as pessoas tem cada vez menos tempo a busca pela praticidade é grande. Um alimento muito prático e que pode estar presente em qualquer refeição, são os sanduíches e muito se difunde como opção saudável o uso do peito de peru, uma opção de proteína saudável e prática, mas será que é tão saudável assim?

INTRODUÇÃO

Em muitas revistas, blogs, e até mesmo recomendado por alguns nutricionistas se vê a indicação do uso do peito de peru para ser consumido como proteína no café da manhã, sendo uma opção com pouca gordura e boa escolha para quem quer perder peso.

Um dos grandes problemas quando se fala em dieta é a praticidade, e também os custos, já que opções mais naturais geralmente são bem mais caras. Por conta disso acaba sendo muito indicado o uso do peito de peru como uma opção de baixa caloria, mas que ainda assim oferece nutrientes para compor uma dieta equilibrada.

Existem diversas marcas no mercado que oferecem peito de peru, inclusive muitos o anunciam como produto saudável, e também oferecem versões ‘light' do produto.


BENEFÍCIOS DO LEITE DE AMÊNDOAS: UMA ALTERNATIVA AO LEITE ANIMAL


(AL ISIS VILAS BOAS DRE 112091505)

1.       Introdução

 O leite é um líquido fisiológico branco, nutritivo, secretado por glândulas mamárias e constituído de proteína, gordura e carboidrato. A maior parte do leite é constituída por água, sendo apenas 12% de sua composição as proteínas, gorduras, carboidratos, sais minerais e vitaminas. Por ser um produto perecível, o leite precisa ser refrigerado a 4°C após a coleta e existem diversos fatores que podem interferir na qualidade deste alimento, como temperatura, acidez, contaminação por micro-organismos, período de lactação da vaca, dentre outros. Além desses fatores, há uma questão muito importante que é a qualidade de vida deste animal. A imagem de uma vaca pastando num campo, vista nos comerciais, é muito distante da realidade em que vivem e muitas das pessoas, sabendo da triste condição em que vivem, procuram opções com aporte nutritivo necessário, como o leite de amêndoas. Fora aqueles que se preocupam com a questão animal, existem aqueles que são intolerantes à lactose, àqueles que se preocupam com a quantidade de antibióticos ingerida pelas vacas, que acabam aparecendo no leite, e por isso também migram para opções melhores para o corpo humano. Entende-se que com leite de amêndoas, é possível que o indivíduo continue com os seus hábitos, sejam eles tomar uma vitamina de manhã, tomar café com “leite”, ou fazer mingaus e bebidas com cacau em pó. Dessa forma, a aceitação é melhor, o que facilita a adesão à nova dieta, já que não é fácil mudar um hábito realizado há muitos anos.




2.       Questão animal e contaminação do leite

Para que uma vaca seja considerada leiteira, ela deve dar à luz uma vez por ano, o que faz com que ela seja inseminada artificialmente, uma técnica que é considerada abusiva por diversos grupos veganos, já que o sêmen do touro é inserido, pelo homem, no útero do animal. Essa técnica é utilizada pois aumentam a produção de leite da vaca. A qualidade do leite cru é influenciada por múltiplos fatores, dentre os quais se destacam os zootécnicos, associados ao manejo, saúde da glândula mamária, alimentação e potencial genético dos rebanhos, e outros fatores relacionados à obtenção e armazenagem do leite recém-ordenhado. Os parâmetros físico-químicos, microbiológicos e higiênicos sanitários são utilizados pelas indústrias para verificar e determinar a qualidade do leite, como por exemplo, a contagem de células somáticas, a contagem de microrganismos psicrotróficos e resíduos de antibióticos que estão sendo cada vez mais exigidos como parâmetros de qualidade.
O leite de vaca pode ser contaminado quando entra em contato com a superfície do equipamento e/ou utensílios de ordenha, assim como no próprio tanque de refrigeração do leite.  Durante o intervalo entre as ordenhas, enquanto as vacas estão deitadas, ocorre intensa contaminação da pele das mamas, principalmente se o ambiente estiver altamente contaminado. A cama ou local de permanência dos animais pode abrigar elevadas cargas microbianas, podendo atingir uma contagem bacteriana de 108 a 1010 ufc/ml. Nestas condições, os principais microrganismos isolados são estreptococos, estafilococos, microrganismos formadores de esporos, coliformes e outras bactérias Gram-negativas. A pele das mamas das vacas antes da ordenha pode estar contaminada por microrganismos psicrotróficos, capazes de crescer em baixas temperaturas, e os termoduricos, os quais são resistentes à pasteurização, o que pode ser um risco microbiológico para quem faz ingesta desse tipo de leite. Além disso, existem muitos outros problemas que o leite animal pode causar à população, como a estimulação da produção de muco, aumentando problemas respiratórios.




3.       Intolerantes à lactose

A lactose é um dissacarídeo contendo duas subunidades: glicose e galactose. Quando há falta da enzima lactase ocorre a má digestão da lactose, inibindo a hidrólise da lactose em glicose e galactose, gerando o quadro de intolerância. Como a lactose não consegue ser hidrolisada em glicose e galactose, ela não é absorvida no intestino delgado em forma de glicose,  direcionando-se para o colón. Quando a lactose encontra-se no colón, ela é convertida em ácidos graxos, gás carbônico e gás hidrogênio pelas bactérias da flora.
A intolerância à lactose é dita como uma intolerância alimentar. Ela ocorre quando o corpo reage a um alimento, porém sem intervenções imunológicas.  A intolerância a lactose se caracteriza pela presença de sintomas causados devido à incapacidade da mucosa intestinal de digerir o carboidrato lactose. Essa má digestão ocorre devido à deficiência de lactase (ß- D- galactosidade) ou sua diminuição ( quadro de hipolactasia). A intolerância à lactose, portanto, é a não digestão da lactose. Essa intolerância pode ser temporária ou consequência de alguma doença que causa lesão intestinal, como doença de Chron, doença celíaca, AIDS, desnutrição. O indivíduo é diagnosticado com deficiência de lactase a partir da história de sintomas gastrointestinais após a ingestão de leite, teste anormal de hidrogênio na respiração ou teste de tolerância a lactose anormal. Dessa forma, os alimentos contendo leite devem ser retirados da dieta e deve haver inserção de alimentos ricos em cálcio e proteínas, para o fornecimento de um balanço nutricional adequado. Um exemplo de alimento rico em cálcio e proteína é a amêndoa, que pode ser utilizada na sua forma natural ou no preparo do leite de amêndoas.



4.       Traços de antibióticos presentes no leite de vaca

A principal preocupação da indústria de leite para com o aparecimento de resíduos de antibióticos no seu produto final é a inibição de culturas utilizada na produção de iogurtes, leites e outros produtos. Para a população, o problema é ainda maior já que há possibilidade do aparecimento de reações alérgicas, que se manifestam desde urticária até asma brônquica. Essas reações estão ligadas, principalmente, a medicamentos como a penicilina, sulfonamidas, tetraciclinas e estreptomicinas. Algumas das reações podem ser, também, tóxicas, causando alterações hematológicas e desenvolvimento de tumores, segundo material da Embrapa, que proíbe a utilização para o tratamento de vacas leiteiras.  Porém existe o chamado período de carência, que é aquele em que uma vaca é tratada com um antibiótico e há a observação do prazo de eliminação do antibiótico no leite, após a última aplicação do mesmo. Em muitos casos, o aparelho de ordenhar as mamas das vacas causa inflamações na região ( mastites), que devem ser tratadas evitando a contaminação do leite com o pus gerado. E essa é a principal causa de aparecimento de antibióticos no leite. Mesmo que se aplique o antibiótico apenas em uma região de uma das mamas, há absorção do medicamento e, na corrente sanguínea, ele é capaz de contaminar todo o leite gerado, trazendo problemas para os seus consumidores.


  

5.       Por que o leite de amêndoas?

As amêndoas têm sido utilizadas na dieta humana por terem importantes propriedades farmacológicas e nutricionais. Além de serem ricas em gordura e proteínas também são ricas em fitatos e fenólicos. As amêndoas são fontes de vitamina E, magnésio, manganês, cobre, fósforo, fibra, riboflavina, ácidos graxos monoinsaturados e proteínas . As bebidas a base de extratos vegetais são chamadas também de “leites vegetais”. O leite de amêndoa é bastante popular nos países que enfrentam o Mar Mediterrâneo e se estende desde a Península Ibérica até o Leste da Ásia. Ele é utilizado como substituto do leite de vaca e como base para produtos alimentares e foi muito utilizado na cozinha na época da Idade Média, pois o leite de vaca estragava rapidamente e era transformado em manteiga ou queijo. Além disso, o leite de amêndoa é nutritivo com pouca gordura, ao contrário do leite de vaca e não possui lactose, o que é um benefício para os intolerantes à lactose.


Tabela 1 - Retirada de http://www.soystache.com/calcium.htm Baseada nos dados oficiais do USDA ( Depto. de Agricultura dos EUA) Modificada.


A principal pergunta que vem à tona quando se fala da retirada do leite de vaca da alimentação, é com relação ao cálcio. Sabendo-se eu o leite de vaca possui entre 119 a 193 mg de cálcio a cada 100g de leite, é possível observar que a amêndoa possui 248mg e o gergelim mais ainda, 978mg. Esse fato ajuda a entender que é possível obter sais e minerais, bem como proteínas (vide tabela) através de outras fontes alimentares, como as amêndoas. Somado a isso, percebe-se também que as fontes vegetais de cálcio não apresentam colesterol, enquanto o leite de vaca apresenta. Deve ficar claro que é fundamental que a dieta humana contenha lipídeos, porém o consumo de alimentos muito gordurosos como frituras e carnes com gordura está associado com a LDL- lipoproteína de baixa densidade, conhecida popularmente como “colesterol ruim”. O consumo de oleaginosas está relacionado com o aumento do “colesterol bom”, HDL- lipoproteína de alta densidade.
6.       Conclusão
O leite de amêndoas é uma alternativa nutritiva e menos agressiva aos animais, além de poder ser consumida por indivíduos intolerantes à lactose e não conter traços de antibióticos, que podem causar danos à saúde da população que ingere o leite de vaca. Seus níveis de cálcio são maiores que o leite de vaca e não possui níveis expressivos de gorduras, que poderia levar a doenças arteriais. Dessa forma, a ingesta do leite de amêndoas é adequada para uso humano em substituição ao leite de vaca.

7.       Referências
SANTOS, M. V.; FONSECA, L. F. L. Importância e efeito de bactérias psicrotróficas sobre a qualidade do leite. Revista Higiene Alimentar, São Paulo, v. 15, n. 82, p. 13-19, 2001
BOTELHO, R. Substitutos de leite animal para intolerantes à lactose, universidade de Brasília, 2013.
BRANDÃO, S. Alergia e Intolerância ao leite de vaca, 2000. Disponível no site: . Acesso em: 30/01/2013
MATTAR, R. MAZO, D.F.C. Intolerância à lactose: mudança de paradigmas com a biologia molecular. Revista Assoc. Med. Bras., p.230-236, 2010.
WATTIAUX, M.A. Composição do leite e seu valor nutricional. Instituto Babcock para Pesquisa e Desenvolvimento da Pecuária Leiteira Internacional, 2005
http://www.cnpgl.embrapa.br/sistemaproducao/4983-insemina%C3%A7%C3%A3o-artificial-ia
BRAMLEY, A. J. Sources of Streptococcus uberis in the dairy herd I: isolation from bovine feces and from straw bedding of cattle. Journal of Dairy Research, Cambridge, v. 49, p. 369, 1982.

Peito de Peru é mesmo uma opção saudável?




 Muito se fala em ter uma alimentação mais saudável. Existe cada vez mais uma preocupação em manter um dieta equilibrada, e com o dia-a-dia corrido, a busca pela praticidade é muito grande. Um alimento muito prático e que muito se difunde como opção saudável é o uso do peito de peru, mas será que é uma opção tão saudável assim?

INTRODUÇÃO:


Em muitas revistas, blogs, e até mesmo recomendado por alguns nutricionistas se vê a indicação do uso do peito de peru para ser consumido como proteína no café da manhã, sendo uma opção com pouca gordura e boa escolha para quem quer perder peso.

Um dos grandes problemas quando se fala em dieta é a praticidade, e também os custos, já que opções mais naturais geralmente são bem mais caras. Por conta disso acaba sendo muito indicado o uso do peito de peru como uma opção de baixa caloria, mas que ainda assim oferece nutrientes para compor uma dieta equilibrada.

Existem diversas marcas no mercado que oferecem peito de peru, inclusive muitos o anunciam como produto saudável, e também oferecem versões ‘light' do produto.



FUNDAMENTOS BROMATOLÓGICOS:



Lista de ingredientes (sadia): peito de peru, água, proteína de soja, sal hipossódico, açúcar, sal alho, cebola, estabilizante: tripolifostado de sódio, espessante: carragena, realçador de sabor: glutamato monosódico, antioxidante: isoacorbato de sódio, conservador: nitrito de sódio, aromatizantes: aroma naturais (com pimenta), corante natural: carmim de cochonilha. Não contém Glúten.

O excesso de sódio está ligado a diversos distúrbios, como hipertensão, problemas nos rins, doenças cardíacas. Segundo a Anvisa a população brasileira consome cerca de 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de até 5 gramas diárias.

LEGISLAÇÃO: 

Segundo a OMS e a ANVISA a recomendação é de que a quantidade de sal não ultrapasse 5 g por dia (1,7 g de sódio).  Sabe-se que a quantidade de sódio em produtos embutidos e industrializados é elevada, tanto que o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) fecharam, em 2013, o quarto acordo para a redução do teor de sódio nos alimentos industrializados. Com compromisso de diminuir em até 68% do sódio em laticínios, embutidos e refeições prontas.

A ANVISA permite em embutidos:
Nitrito de sódio: 0,015g / 100g
Tripolifosfato: 0.5 g / 100g
Carragena: 0.3 g / 100g
Glutamato Monosódico: q.s / 100g
Carmim de cochonilha: 0,01 g/ 100g

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO: 

Um dos principais erros das pessoas que buscam a perda de peso é escolher os alimentos baseando-se apenas na quantidade de calorias e gorduras do alimento, escolhendo os que apresentam menor quantidade desses dois itens. Porém, deve-se valorizar mais a qualidade dos alimentos e outras informações disponíveis, como a quantidade de sódio por exemplo. O peito de peru quando se avalia as calorias e quantidade de gordura, parece um alimento muito saudável, mas quando se avalia a alta concentração de sódio, além de grande quantidade de aditivos ele passa a não ser mais um alimento tão interessante assim.

Porém é interessante avaliar que dentre as outras opções de embutidos, como por exemplo o presunto e a mortadela, o peito de peru é a opção mais 'saudável'. Se possível é interessante subsistir os embutidos por produtos menos processados, caso não seja possível é sempre importante atentar para quantidade consumida, para não ingerir quantidades muito elevadas de sódio.

BICLIOGRAFIA:

1 http://www.brasil.gov.br/saude/2013/11/ministerio-da-saude-e-abia-fecham-acordo-para-reduzir-teor-de-sodio-em-carnes-e-laticinios
acessado: 4/08 as 20:31

2 http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/guia_alimentar_bolso.pdf
acessado: 4/08 as 20:35

3 Portaria nº 1004, de 11 de dezembro de 1998, ANVISA

Stephanie Kroll Rabelo



"Centrum de A a Zinco: se falta, Centrum completa”, mas e o excesso?

           





Que a falta de vitaminas e minerais é a causa de diversas doenças todos já estão cansados de saber, mas que o excesso desses nutrientes também podem te deixar doente pode ser novidade para algumas pessoas. De acordo com o fabricante, Centrum é um suplemento vitamínico completo de A a Zinco, que completamenta sua alimentação, ajuda a aproveitar melhor as energias dos alimentos e ainda auxilia nas defesas do organismo e em uma aparência mais saudável. Será que um multivitamínico pode ser assim tão milagroso?

Introdução
           
            É só ligar a televisão para perceber o excesso de propagandas associando os multivitamínicos com uma vida saudável e melhor aparência. Essa pressão da mídia acrescentada da venda livre, ou seja, sem prescrição médica dos multivitamínicos faz com que este suplemento seja um dos mais vendidos do mundo.
            Contrariando esses dados, estudos mostram que não existe nenhum benefício para uma pessoa saudável tomar essas vitaminas e minerais extras, seja para a prevenção de doenças ou retardando-as. No caso de perda cognitiva, a administração de vitaminas é comparada ao placebo, não trazendo nenhuma vantagem para o paciente.
            Por outro lado, o excesso dessas vitaminas e minerais podem ser nocivas para o organismo. Por exemplo, assim como a deficiência de vitamina C pode causar escorbuto, a retirada abrupta de megadoses desta vitamina pode provocar um quadro semelhante ao da doença, além de cálculo renal e distúrbios gastrointestinais.
            Mais um exemplo é o excesso de vitamina E causando alterações na coagulação, distúrbios gastrointestinais e dor de cabeça crônica. Outro estudo publicado em uma revista norte americana condena o uso da vitamina E, mostrando que sua suplementação em alta dosagem aumenta o índice de mortalidade.

Fundamentos bromatológicos

           Centrum é um suplemento de vitaminas e minerais vendido sem prescrição médica, podendo ser encontrado em embalagens de 15, 30, 60, 100, 130 e 150 comprimidos. Sua formulação é composta por vitaminas de A a Zinco e diversos minerais como cálcio, cobre, ferro, magnésio, potássio, entre outros. A posologia indicada é um comprimido ao dia por tempo indeterminado.



Legislação

        De acordo com a Portaria 32/98 do Ministério da Saúde, suplementos vitamínicos são “alimentos que servem para complementar com vitaminas e minerais a dieta diária de uma população saudável, em casos onde sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requer suplementação”.
·         Composição: mínimo de 25% e no máximo até 100% da IDR (ingestão diária recomendada) de vitaminas e ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante.
·         Não podem substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva.
·         Não incluem produtos indicados para prevenir, aliviar, tratar uma enfermidade ou alteração do estado fisiológico (Portaria SVS/MS n. 32/98 e Resolução ANVISA RDC n. 269/05)


Discussão e conclusão

De acordo com a tabela de composição nutricional do Centrum, muitos de seus nutrientes representam 100% da ingestão diária recomendada pela ANVISA. Assim, com 45mg de vitamina C o Centrum supre a necessidade diária desta vitamina, então, com a ingestão de apenas um copo de suco de laranja, alimento muito comum na dieta dos brasileiros, o teor diário fica muito acima do recomendado.
            Uma pessoa que consome dois ovos cozidos por dia possui um nível adequado de vitamina A, cerca de 600 mcg. Se este indivíduo estiver fazendo uso do Centrum seu nível diário de vitamina A vai estar 67% acima do indicado pela ANVISA.
            Estes foram apenas alguns exemplos de como quase nenhuma pessoa possui deficiência de vitaminas de A a Zinco. Sendo assim, a venda de suplementos de minerais e vitaminas deveria ser prescrita por um profissional,  visando as necessidades de cada pessoa, para desta forma auxiliar em uma suplementção sem excessos. 



Bibliografia

1.  centrum.com.br acessado: 04/08/2016 as 18:36
2.  Annals of Internal Medicine: Long-Term Multivitamin Supplementation and Cognitive Function in Men: A Randomized Trial acessado: 04/08/2016 as 19:02
5.  Ministério da Saúde. Portaria nº 32, de 13 de janeiro de 1998. “regulamento técnico para fixação de identidade e qualidade de suplementos vitamínicos e ou de minerais”. Brasília-DF.
6.  www.anvisa.com.br Consulta Pública número 80, de 13 de dezembro de 2004.


7.  Tabela USDA

Cápsulas Detox emagrecem mesmo?



         As cápsulas Detox prometem uma ação de desintoxicação do organismo e o emagrecimento sem necessidade de uma reeducação alimentar, será mesmo que possuem esse poder?
Leia mais...

INTRODUÇÃO

De alguns anos para cá, ouve-se muito falar sobre a dieta desintoxincante, normalmente mais chamada como Detox. Esta é uma dieta que consiste no consumo de alguns alimentos que possuem ação desintoxicante, ou seja, eliminar do organismo todas as toxinas adquiridas durante o dia e isso ajudaria também na eliminação de peso.
Como o dia-a-dia é extremamente corrido e fazer sucos detox como são preconizados na dieta, são trabalhosos, então começou-se a produzir cápsulas com ação Detox. Essas cápsulas fariam a função principal da dieta, que seria, eliminar as toxinas do organismo e assim fazer com que a pessoa emagrecesse, mas isso aconteceria sem que precisasse de uma reeducação alimentar.
Devido a essa propaganda, de que poderiam fazer com que uma pessoa perdesse peso sem mesmo enfrentar uma mudança nos seus hábitos alimentares diários, essas capsulas tiveram uma venda muito grande, mesmo sem os consumidores saberem se realmente possuíam esses efeitos ou se estavam sendo enganados.


FUNDAMENTOS BROMATOLÓGICOS

Os componentes destes produtos são um conjunto de vitaminas, zinco, farinhas de algumas frutas (farinha de maça, farinha de laranja, entre outras) e polpa de frutas. As frutas utilizadas tanto para a farinha e a polpa são frutas consideradas antioxidante, mas em quantidades muito reduzidas, ou seja, se essas frutas possuem alguma ação antioxidantes e emagrecedoras quando consumidas a fruta em si, não seria em quantidades extremamente menores que estas teriam algum efeito.
Já as vitaminas e outros ingredientes, só teriam o consumo relevante, se durante a alimentação diária não consumir a quantidade diária recomendada pela ANVISA.


LEGISLAÇÃO

Os produtos Detox são considerados como suplementos e para esse tipo de produto segue-se a RDC 27/2010, uma resolução na qual é usada para alimentos, suplementos, doces, chás, entre outros.
De acordo com o produto, este pode ser isento na obrigatoriedade de registro, como é o caso do Detox. Os produtos Detox são considerados suplemento, com isso, não podem afirmar que possuem alguma atividade terapêutica como é no caso dos medicamentos.


DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

As cápsulas Detox são vendidas como um potente emagrecedor, sem precisar sequer fazer uma reeducação alimentar, como também prometem uma solução para problemas de fígado, intestino; inchaço; TPM (tensão pré-menstrual), enxaqueca e celulite, mas são apenas suplementos alimentares.
Suplementos alimentares são preparações destinadas a complementar a dieta e fornecer nutrientes, como vitaminas, minerais, fibras, ácidos graxos ou aminoácidos, que podem estar faltando ou não podem ser consumidos em quantidade suficiente na dieta de uma pessoa. E por serem suplementos, estes não podem fazer propaganda dizendo que possuem alguma atividade terapêutica, como emagrecer e todo resto que este promete.
Como analisado também, nenhum componente destes produtos possuem uma comprovação científica que são capazes de fazer seu principal efeito, na qual este é vendido, que é de emagrecer.


BIBLIOGRAFIA

BRASIL, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 27, de 6 de agosto de 2010- Regulamento técnico referente a alimentos para fins especiais.

Dangers of detox diet pills. Acessado<http://www.dietpillswatch.com/dangers-of-detox-diet-pills/>. Em 30 de julho

Fabio.G; Uma nova abordagem analítica sobre teores de 'Zn' por HR-CSAAS em plantas medicinais voltadas ao emagrecimento. Acessado<http://repositorio.unesp.br/handle/11449/132482>. Em 30 de julho.

Quercetina: O anjo que caiu do céu?

              Este flavonóide ganhou popularidade pela ação antioxidante prevenindo doenças degenerativas e cardíacas. Foram descobertas também ações antitumorais, antivirais, antidiabéticas e imunológicas. O suplemento já circula a um bom tempo no mercado, mas ainda restam dúvidas sobre sua utilização. Qual seria a concentração necessária para aproveitar dos benefícios da quercetina ? Veja mais....

Introdução

             A quercetina é um membro da família dos flavonóides, um dos antioxidantes mais importantes na dieta. Está presente em alimentos, incluindo vegetais, frutas, chá e vinho, bem como inúmeros suplementos alimentares e é conhecida por exercer efeitos benéficos à saúde.Devido ao potencial antioxidante, anticarcinogênico e efeitos protetores aos sistemas renal e cardiovascular, a quercetina vem sendo utilizada como suplementação alimentar. A quercetina pode ser vendida com vários nomes comerciais, como Super Quercetin, Quercetina 500mg ou Quercetina Biovea, a composição de cada suplemento varia de laboratório para laboratório, sendo muitas vezes associada à vitamina C.





       
 

Fundamentos Bromatológicos

                Os flavonóides são importantes componentes da dieta humana embora, geralmente, sejam considerados não nutrientes, ou seja, substâncias sem valor nutritivo. São consumidos diariamente na dieta humana, porém, uma quantificação mais exata do total de flavonóides ingeridos torna-se difícil devido à falta de tabelas com dados sobre sua distribuição nos alimentos. O consumo total estimado varia entre 26 mg e 1 g/dia, de acordo com o consumo de fontes específicas como vinho tinto, chá preto, cerveja, frutas (maçã, uva, morango), vegetais (cebola, couve, vagem, brócolis), grãos, nozes, sementes e especiarias. A quercetina, o mais abundante flavonóide presente na dieta humana, geralmente encontrado nos alimentos na forma glicosilada, representa cerca de 95% do total dos flavonóides ingeridos. A cebola, maçã e brócolis são as fontes majoritárias da quercetina.

                Potencial antioxidativos: devido à suas propriedades sequestrantes de radicais livres e por quelar íons metálicos, protegendo assim os tecidos dos radicais livres e da peroxidação lipídica. A quercetina pode inibir o processo de formação de radicais livres em três etapas diferentes: na iniciação (pela interação com íons superóxido), na formação de radicais hidroxil (por quelar íons de ferro) e na peroxidação lipídica (por reagir com radicais peroxi de lipídeos). O uso associado com a vitamina C aumenta a biodisponibilidade pela regeneração da forma antioxidada da quercetina.
                Potencial Anticarcinogênico: a quercetina regula o ciclo celular, interage com os locais de ligação do estrogênio tipo II, diminui a resistência às drogas e induz a apoptose de células tumorais podendo tornar-se um potente composto antitumoral. Adicionalmente, a quercetina inibe a atividade da tirosina quinase.
                Estudos verificaram que a quercetina pode atuar em doenças cardiovasculares, inibindo importantes passos da angiogênese in vitro, incluindo a proliferação, migração e formação tubular das células do endotélio, em doenças renais, tendo ação de preservação da integridade histológica renal com diminuição do dano tubular e da inflamação intersticial.
                Em maio de 2016, um grupo de pesquisadores brasileiros afirmou ter descoberto um medicamento antiviral capaz de combater dengue, zika e chikungunya. A fórmula, composta por três substâncias já conhecidas e presentes em alimentos, vitaminas e remédios com diferentes funções, contém quercetina, um anti-histamínico e o terceiro componente antiviral permanece sob sigilo. A fórmula, nomeada de D6501, atua em diferentes frentes, inibindo a replicação do vírus nas células e estimulando as defesas do organismo. Já o componente anti-histamínico atuaria comprimindo os vasos sanguíneos, evitando quadros hemorrágicos.

Legislação

         No Brasil existem algumas leis e regulamentações que dispõem sobre alimentos e suplementação de vitaminas. Porém, não há um consenso entre pesquisas e essas regulamentações para a padronização de doses de quercetina, de acordo com patologias. Na Anvisa a quercetina tem registro no órgão como substância estabilizadora de formulações, sem função terapêutica descrita.

Conclusão

         Para os que desejam utilizar dos benefícios da quercetina, atenção. Como apresentado, não existe uma legislação específica sobre a suplementação de quercetina no Brasil, sendo necessário não só a criação de legislações, como pesquisas mais específicas em torno da utilização para o tratamento de patologias. É muito importante destacar que qualquer uso de suplementação tem que ser indicado por um profissional capacitado para isso.

Referências

BEHLING, E.B.; SENDÃO, M.C.; FRANCESCATO, H.D.C.; ANTUNES, L.M.G.; BIANCHI, M.L.P. Flavonoid quercetin: general aspects and biological actions. Alim. Nutr., Araraquara, v. 15, n. 3, p. 285-292, 2004.
Askari G, Ghiasvand R, Feizi A, Ghanadian SM, Karimian J. The effect of quercetin supplementation on selected markers of inflammation and oxidative stress. Journal of Research in Medical Sciences : The Official Journal of Isfahan University of Medical Sciences. 2012;17(7):637-641.
      Fonte: Quercetina uma nova tendência
Fonte: Suplemento de Quercetina - Antioxidante Natural
Fonte: Pesquisadores brasileiros testam remédio contra dengue, zika e chikungunya

Disponível em: http://www.cff.org.br/impressao.php?noticia=3747