Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

sábado, 14 de junho de 2014

Análise das farinhas de trigo comum e integral: Comprando gato por lebre?
















Introdução

A farinha de trigo é um dos alimentos essenciais na alimentação e mais consumidos no Brasil, presente em pães, massas, bolos, e diversos outros alimentos. Devido ao seu grau de importância em dietas dos brasileiros, é um alimento alvo para diversas modificações, como produção transgênica e – o que será discutido a seguir – o enriquecimento da farinha.
Diversos alimentos possuem, devido ao seu amplo uso por diversas camadas sociais, a estratégia de enriquecimento, visando aumentar ou possibilitar o consumo de certos micronutrientes, essenciais à saúde, e que podem não ser consumidas. em caso de restrição dietética. Nesse trabalho, analisaremos o enriquecimento da farinha de trigo, e a farinha de trigo integral, comparando-as em nível nutricional e seus efeitos benéficos e maléficos à saúde.
               Uma determinada marca de bastante inserção no mercado, Dona Benta, possui em seu rótulo para farinha comum os seguintes ingredientes: Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar mascavo, açúcar cristal, granola (flocos de aveia, centeio e arroz), fermentos químicos (pirofosfato ácido de sódio, bicarbonato de sódio), estabilizante monoglicerídeo, sal, polidextrose, goma xantana e aromatizantes, contendo glúten. A farinha integral, de mesmo fabricante, informa apenas sobre a presença de farinha de trigo integral. Ambas apresentam as mesmas características organolépticas, exceto pelo fato da farinha integral ser um pouco mais escurecida que a comum.

        Aspectos nutricionais
As farinhas apresentam diversa aplicação na alimentação. O enriquecimento visa, sobretudo, combater a subnutrição de micronutrientes, combatendo de modo prático e viável doenças endêmicas como anemia e doenças causadas por falta de vitaminas. O uso de cereais integrais visa, além de certo apelo mercadológico, estabelecer uma alimentação mais rica em fibras.
     
Sabe-se que o ferro é um micronutriente essencial para a saúde devido a sua ação nas hemácias, envolvida com o transporte de oxigênio aos tecidos. Por outro lado, o excesso de ferro pode estar associado com lesões hepáticas e estomacais, úlceras, vômitos, diarreias e choque hipovolêmico. Logo, faz-se necessário, que o quantitativo de ferro não seja demasiadamente alto, nem muito baixo, sob risco de praticamente nenhum benefício. A dose diária recomendada é de:
- 10 mg para os homens
- 15 mg para as mulheres (a necessidade aumenta após as perdas menstruais ou em caso de gravidez)
O ácido fólico é uma vitamina do complexo B. está envolvido em diversas reações de síntese, transcrição e metabólicas; sua ingestão é crucial durante a gravidez, devido a sua importância para o desenvolvimento do bebê. É recomendado também para adultos com problemas de memória e/ou cognitivos. A ingestão excessiva tem efeito praticamente nulo, devido à hidrossolubilidade do ácido fólico. Dose diária recomendada: 
0.4 mg
para um adulto (a partir de 15 anos).
As fibras solúveis e insolúveis apresentam ações diferentes no organismo. As solúveis agem no intestino, reduzem o tempo de trânsito intestinal e aumentam a fermentação e proliferação das bactérias entéricas no cólon proximal. Além disso, agem no intestino diminuindo a reabsorção da bile, estando relacionadas à redução das contrações séricas do LDL-colesterol (o famoso colesterol ruim) e estão relacionadas a uma melhor tolerância à glicose e controle do diabetes tipo dois.
As fibras insolúveis agem no cólon proximal diminuindo a fermentação e no cólon distal aumentando a absorção de água e reduzindo o tempo de trânsito de transito intestinal. Assim, a eliminação fecal se torna mais fácil e rápida, auxiliando em quadros de obstipação. Uma importante função relacionada às fibras insolúveis é a diminuição dos riscos de desenvolvimento de câncer.
Essa função está relacionada a três fatores: a capacidade dessa fibra em reter substâncias tóxicas ingeridas ou produzidas no trato gastrointestinal durante os processos digestivos; a redução do tempo do trânsito intestinal, com redução do tempo de contato da superfície intestinal com substâncias mutagênicas e carcinogênicas e a formação de substâncias protetoras pela fermentação bacteriana dos compostos de alimentação. A única contra indicação é que seu consumo excessivo pode provocar perturbações intestinais como gases e diarreias, o que pode resultar na eliminação de alguns princípios nutritivos essenciais.
Como já foi dito anteriormente, a diferença da farinha de trigo para a integral não é ponto de interesse no trabalho, uma vez que o foco é a fortificação com ferro e ácido fólico e para a ANVISA as especificações são as mesmas, nesse ponto, por isso vamos tratar de uma maneira geral. O consumidor que compra a farinha de trigo não é iludido por sua propaganda, o produto realmente cumpre o que diz. Ele não é anunciado como combatente de anemia ou doenças cognitivas, só é dito que existe um enriquecimento, o que realmente é feito.

            A RDC nº 344, de 13 de dezembro de 2002, da ANVISA, é responsável por regulamentar que a fabricação das farinhas de trigo atenda às especificações e consigam atender ao objetivo dessa fortificação, que é de combater a anemia ferropriva, que representa um problema nutricional importante no Brasil, com severas conseqüências econômicas e sociais. E considerando que o ácido fólico reduz o risco de patologias do tubo neural e da mielomeningocele.
            Baseado no que já foi dito anteriormente sobre as recomendações diárias de cada substancia, as instruções da ANVISA para a fortificação são de cada 100g de farinha de trigo e de farinha de milho fornecerem no mínimo 4,2 mg (quatro vírgula dois miligramas) de ferro e 150 mcg (cento e cinqüenta microgramas) de ácido fólico.
            Contudo o objetivo da fortificação não é ser a única fonte de nutrientes da população, e sim uma adição nutritiva na dieta. Os valores não suprem as necessidades diárias de cada um, seguindo uma média geral, até porque a ANVISA deve entender que existem pessoas que consomem muita farinha de trigo e outras que comem muito pouco. Se os valores de fortificação fossem baseados em quem não tem acesso à muitas fontes de farinha de trigo, as pessoas que consomem de forma alta, teriam uma super exposição e contrairiam os efeitos adversos supracitados. Da mesma forma que os valores não podem ser feitos baseado em pessoas que consomem muita farinha de trigo diariamente. 



        Aspectos nutricionais
As farinhas apresentam diversa aplicação na alimentação. O enriquecimento visa, sobretudo, combater a subnutrição de micronutrientes, combatendo de modo prático e viável doenças endêmicas como anemia e doenças causadas por falta de vitaminas. O uso de cereais integrais visa, além de certo apelo mercadológico, estabelecer uma alimentação mais rica em fibras.
     
Sabe-se que o ferro é um micronutriente essencial para a saúde devido a sua ação nas hemácias, envolvida com o transporte de oxigênio aos tecidos. Por outro lado, o excesso de ferro pode estar associado com lesões hepáticas e estomacais, úlceras, vômitos, diarreias e choque hipovolêmico. Logo, faz-se necessário, que o quantitativo de ferro não seja demasiadamente alto, nem muito baixo, sob risco de praticamente nenhum benefício. A dose diária recomendada é de:
- 10 mg para os homens
- 15 mg para as mulheres (a necessidade aumenta após as perdas menstruais ou em caso de gravidez)
O ácido fólico é uma vitamina do complexo B. está envolvido em diversas reações de síntese, transcrição e metabólicas; sua ingestão é crucial durante a gravidez, devido a sua importância para o desenvolvimento do bebê. É recomendado também para adultos com problemas de memória e/ou cognitivos. A ingestão excessiva tem efeito praticamente nulo, devido à hidrossolubilidade do ácido fólico. Dose diária recomendada: 
0.4 mg
para um adulto (a partir de 15 anos).
As fibras solúveis e insolúveis apresentam ações diferentes no organismo. As solúveis agem no intestino, reduzem o tempo de trânsito intestinal e aumentam a fermentação e proliferação das bactérias entéricas no cólon proximal. Além disso, agem no intestino diminuindo a reabsorção da bile, estando relacionadas à redução das contrações séricas do LDL-colesterol (o famoso colesterol ruim) e estão relacionadas a uma melhor tolerância à glicose e controle do diabetes tipo dois.
As fibras insolúveis agem no cólon proximal diminuindo a fermentação e no cólon distal aumentando a absorção de água e reduzindo o tempo de trânsito de transito intestinal. Assim, a eliminação fecal se torna mais fácil e rápida, auxiliando em quadros de obstipação. Uma importante função relacionada às fibras insolúveis é a diminuição dos riscos de desenvolvimento de câncer.
Essa função está relacionada a três fatores: a capacidade dessa fibra em reter substâncias tóxicas ingeridas ou produzidas no trato gastrointestinal durante os processos digestivos; a redução do tempo do trânsito intestinal, com redução do tempo de contato da superfície intestinal com substâncias mutagênicas e carcinogênicas e a formação de substâncias protetoras pela fermentação bacteriana dos compostos de alimentação. A única contra indicação é que seu consumo excessivo pode provocar perturbações intestinais como gases e diarreias, o que pode resultar na eliminação de alguns princípios nutritivos essenciais.
Como já foi dito anteriormente, a diferença da farinha de trigo para a integral não é ponto de interesse no trabalho, uma vez que o foco é a fortificação com ferro e ácido fólico e para a ANVISA as especificações são as mesmas, nesse ponto, por isso vamos tratar de uma maneira geral. O consumidor que compra a farinha de trigo não é iludido por sua propaganda, o produto realmente cumpre o que diz. Ele não é anunciado como combatente de anemia ou doenças cognitivas, só é dito que existe um enriquecimento, o que realmente é feito.

            A RDC nº 344, de 13 de dezembro de 2002, da ANVISA, é responsável por regulamentar que a fabricação das farinhas de trigo atenda às especificações e consigam atender ao objetivo dessa fortificação, que é de combater a anemia ferropriva, que representa um problema nutricional importante no Brasil, com severas conseqüências econômicas e sociais. E considerando que o ácido fólico reduz o risco de patologias do tubo neural e da mielomeningocele.
            Baseado no que já foi dito anteriormente sobre as recomendações diárias de cada substancia, as instruções da ANVISA para a fortificação são de cada 100g de farinha de trigo e de farinha de milho fornecerem no mínimo 4,2 mg (quatro vírgula dois miligramas) de ferro e 150 mcg (cento e cinqüenta microgramas) de ácido fólico.
            Contudo o objetivo da fortificação não é ser a única fonte de nutrientes da população, e sim uma adição nutritiva na dieta. Os valores não suprem as necessidades diárias de cada um, seguindo uma média geral, até porque a ANVISA deve entender que existem pessoas que consomem muita farinha de trigo e outras que comem muito pouco. Se os valores de fortificação fossem baseados em quem não tem acesso à muitas fontes de farinha de trigo, as pessoas que consomem de forma alta, teriam uma super exposição e contrairiam os efeitos adversos supracitados. Da mesma forma que os valores não podem ser feitos baseado em pessoas que consomem muita farinha de trigo diariamente.
            Esta é uma das grandes dificuldades da nutrição populacional, conseguir valores que atendam à população carente, sem prejudicar a saúde de quem tem um acesso mais fácil aos alimentos de interesse. 



     
         Em embalagens mais antigas de farinha de trigo, era comum ver propagandas com termos do tipo “rico em”, mas em 2012, algumas regras na ANVISA mudaram. As leis se adequaram ao Mercosul e essas palavras sofreram mudanças na sua utilização para propaganda. A Resolução RDC 54/2012 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada no Diário Oficial da União no dia 12/11/2012, alterou a forma de uso de termos como: light, baixo, rico, fonte, não contém, entre outros.
            Além disso, componentes utilizados no desenvolvimento que tenham a função de equilibrar o produto, não podem ser considerados aditivos ou fortificantes, por exemplo, o uso do ácido ascórbico, um conservante, é responsável pela síntese de vitamina C, mas se é usado na formulação como conservante, não pode dizer que o alimento é fonte de vitamina C.
            O rótulo da farinha de trigo Dona Benta atende todas as especificações da ANVISA e não usa de jogo de palavras nem nada do tipo para tentar promover seu produto. A ANVISA mesmo trata a farinha de trigo para o uso em pães, bolos e massas em geral, como descrito na embalagem.

TABELA NUTRICIONAL

Item
Quantidade por porção (50g)
VD
Valor Energético
180kcal
9
Carboidratos
38g
13
Proteínas
5,0g
7
Gorduras totais
0
0
Gorduras saturadas
0
0
Gorduras trans
0
0
Fibra alimentar
1,0g
4
Sódio
0
0
Ferro
2,1mg

Ácido fólico
75µg
31




            Com relação à tabela de informação nutricional, a parte de nosso interesse nesse trabalho é a abordagem na presença de ácido fólico e ferro. Lembrando dos valores especificados na ANVISA, é completamente intuitivo de que os valores são pra 100g, como no rótulo é de 50g, uma simples multiplicação nos valores por 2, resolveriam essa incoerência. Com isso dobrando os valores, vemos que esta de acordo com as normas da ANVISA com exatidão.
            O fato de estar com o valor exatamente no estipulado pela ANVISA não é considerado como se o fabricante estivesse apenas cumprindo uma solicitação da Agência Reguladora, e sim evitando que seus consumidores tenham alguma super exposição aos nutrientes, uma vez que os valores de referencia foram estipulados através de estudos clínicos.

Referências
 http://www.webrun.com.br/h/noticias/conheca-as-fibras-alimentares-e-sua-importancia/11178
http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/anvisa+portal/anvisa/sala+de+imprensa/menu+-+noticias+anos/2012+noticias/anvisa+altera+alegacoes+nutricionais+em+alimentos
http://fechandoziper.com/blog/desvendando-rotulos/rico-em-fibras-so-que-nao-saiba-o-que-muda-na-alegacao-de-fibras-dos-paes-segundo-a-nova-legislacao/
http://www.criasaude.com.br/N2920/ferro.html
http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/f851a500474580668c83dc3fbc4c6735/RDC_344_2002.pdf?MOD=AJPERES
http://www.paodeacucar.com.br/produto/43619/farinha-de-trigo-tradicional-dona-benta-pacote-1kg
http://www.donabenta.com.br/produtos/info-tecnicas/mistura-para-bolo-integral-dona-benta-sabor-aveia-cravo-e-canela-410g+28
http://www.donabenta.com.br/produtos/info-tecnicas/farinha-de-trigo-integral-dona-benta-embalada-a-vacuo-1kg+63
http://www.anvisa.gov.br/alimentos/farinha.htm
http://www.anvisa.gov.br/alimentos/legis/especifica/regutec.htm#f
http://www.criasaude.com.br/N2912/acido-folico.html
http://www.manualmerck.net/?id=301&cn=1587

Coca - Cola: Abra a felicidade?


Coca - Cola: Abra a felicidade?


Há muitos anos a Coca-Cola é vista como produto altamente nocivo para a saúde. Recentemente estudos apontaram o poder carcinogênico do corante contido na Coca-Cola, o Caramelo IV. No Brasil, a quantidade desta substância é 6.675% maior quando comparada a quantidade utilizada no mesmo produto nos EUA.

Sabemos mesmo o que estamos bebendo? As agências reguladoras estão atentas a este fato?



terça-feira, 10 de junho de 2014

Quando 1+1=0. A interação entre os nutrientes e fármacos com os antiácidos.

Por Ana Clara Newlands e Luiza Iandra



Introdução:

Nutrientes e fármacos partilham diversas características, como por exemplo, mecanismos de absorção no intestino, possibilidade de provocar toxidez em doses elevadas e também podem alterar processos fisiológicos.
Quando pensamos em interação desses dois compostos, podemos incluir o que ocorre “in vivo” (no organismo) e “in vitro” (durante o processamento dos medicamentos/alimentos), e isso pode afetar tanto a disponibilidade quanto a estabilidade desses componentes.
Vamos focar o trabalho nas interações in vivo, que ocorrem no trato gastrointestinal, sendo quase insignificante na boca, garganta e esôfago, tendo maior importância no estômago e uma importância fundamental durante a passagem pelo intestino.

Fundamentos bromatológicos:

Dependendo das características do fármaco, natureza do nutriente, velocidade de esvaziamento gástrico e dos mecanismos de absorção do intestino. Diversos tipos de interação podem ocorrer, podem ser formados quelatos entre cátions e fármacos, pode-se precipitar os nutrientes e os fármacos podem adsorver os nutrientes.
Quanto a interações metabólicas, nutrientes tem a capacidade de alterar o metabolismo de fármacos, do mesmo modo que os fármacos podem também alterar o metabolismo de nutrientes. Essas, podem provocar uma diminuição da eficácia do fármaco, em casos mais graves, pode causar até total bloqueio da ação do medicamento. O potencial para indução de interações entre fármacos e nutrientes aumenta quando:
-       utiliza-se grande quantidade de suplementos
-       há alterações bruscas na composição da dieta
-       há ganho ou perda de peso em um pequeno intervalo de tempo
-       faz-se uso de medicamentos durante as refeições
-       utiliza-se meios que alteram o pH do trato gastrointestinal

Um componente que pode alterar o comportamento normal do pH do trato gastrointestinal é a utilização de antiácidos. Antiácidos são agentes neutralizadores que atuam rapidamente, apesar de não neutralizarem completamente o pH extremamente ácido do estômago, podem elevá-lo de 2 para valores entre 3 e 4.

Figura 1: Exemplo de antiácido comumente utilizado.


Esse aumento de pH afeta a desintegração das cápsulas, drágeas ou comprimidos e consequentemente a absorção do princípio ativo. Podendo impedir a absorção de fármacos colinérgico e fenotiazidicos e diminuindo a excreção de quinidina.

O ferro presente em grande parte dos alimentos na forma férrica (Fe+3), sendo absorvida na forma ferrosa (Fe+2) tem como requisito para absorção a acidez gástrica, uma vez que ela é essencial para a solubilização e conversão para a forma que pode ser absorvida.


Figura 2: Exemplo de medicamento utilizado para reposição de ferro


Figura 3: Exemplo de alimento rico em ferro


O fósforo desempenha papel importante no metabolismo do cálcio e nas reações do equilíbrio ácido-base. Se almejamos um balanço positivo de fósforo devemos manter os níveis de Vit. D normais, pois esta vitamina aumenta a absorção intestinal de fósforo, aumenta a reabsorção tubular proximal de fósforo e faz o fósforo migrar do fluido extracelular para o fluido intracelular.
Acontece o balanço negativo do fósforo por várias razões: hipocloridria, alterações da dieta, disbiose e uso de antiácidos, pois estes quelam o fósforo impedindo sua absorção.

Discussão:

A interação medicamento alimento é uma questão muito importante tanto para a eficácia terapêutica quanto para garantir a ingestão de nutrientes em quantidades suficientes. O que se pode perceber é que o uso de medicamentos que são utilizados para  modificar o pH estomacal visando tratamento de gastrites ou até mesmo de úlceras gástricas podem interferir na absorção de nutrientes fundamentais como cálcio e ferro. Quando utilizado produtos como o leite de magnésia o tratamento fica mais facilitado porque pode-se espaçar os horários de administração do medicamento e do alimento, porém quando utilizados medicamentos como ranitidina ou omeprazol, deve-se pensar muito bem a dieta das pessoas que precisem fazer uso desses medicamentos.

Legislação:

Não existe legislação acerca de interações de medicamento com alimentos, a utilização destes é parte da atuação clínica dos profissionais da saúde.

Conclusão:

Os profissionais de saúde devem considerar as alterações que os antiácidos podem provocar no trato gastrintestinal para preveni-las ou tratá-las. E, ainda, devem estabelecer uma conduta dietoterápica adequada devido à absorção prejudicada de alguns nutrientes.
Os pacientes que realmente necessitem fazer uso desses medicamentos devem ser aconselhados a dar um intervalo de pelo menos duas horas entre a utilização de um antiácido e um suplemento.



Referências:

STOCKLEY, I. – Drug interaction. Oxford, Blackwell, 1991.

BRANCO, C. C. Carlos – Interação fármaco nutriente. Revista RECCS Fortaleza, n°9. P. 30-34. 1997

MOURA, R. L. Mirian; REYES, R. G. Felix. Interação fármaco-nutriente: uma revisão. Rev. Nutr. [online]. maio/ago. 2002, vol.15, n°2 P.223-238.


A importância do processo de pasteurização para evitar a contaminação por T. Cruzi


Ao se deliciar com um pote de açaí, o consumidor pode estar correndo risco de adquirir problemas de saúde, sabia??? Estudos realizados em diferentes estados brasileiros comprovaram que evidências epidemiológicas indicam que a polpa do açaí mal higienizado pode ser veículo para a transmissão da Doença de Chagas.

Já foi demonstrado que o protozoário causador da Doença de chagas, o Tripanosoma cruzi, é capaz de sobreviver na polpa do açaí mal higienizado mesmo em temperatura ambiente, assim como sob refrigeração a 4°C e congelado por algumas horas a -20°C. Sendo assim, a única forma de eliminá-lo seria pelo processo de Pasteurização.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Suco integral dobem®: será que é realmente do bem?

A marca carioca dobem® surgiu com uma proposta diferente, se posicionando como alternativa aos produtos tradicionais. Tem inovado na categoria de sucos em caixinha, seus principais produtos são os sucos integrais, feitos de frutas frescas, sem adição de água, açúcar, conservantes ou corantes, sempre em embalagens divertidas. Mas será que o suco integral dobem® é realmente do bem? Será mesmo feito de suco integral? Será que possui vantagem em relação aos sucos tradicionais?


Legislação:
As bebidas são regulamentadas pela Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, do MAPA, e regida pelo Decreto nº 2.314, de 4 de setembro de 1997, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. Posteriormente, o Decreto nº 3.510, de 16 de junho de 2000, alterou dispositivos do Decreto nº 2.314. A rotulagem dos sucos de fruta prontos para beber deve atender às exigências da ANVISA sobre rotulagem de alimentos embalados, conforme os Regulamentos Técnicos da RDC nº 259, de 20 de setembro de 2002, sobre rotulagem de alimentos embalados, a RDC nº 360, de 23 de dezembro de 2003, sobre rotulagem nutricional de alimentos, a Portaria nº 27, de 13 de janeiro de 1998, referente à informação nutricional complementar, a RDC nº 359, de 23 de dezembro de 2003, sobre porções de alimentos embalados para fins de rotulagem nutricional, e a Lei nº 10.674, de 16 de maio de 2003, que obriga todos os produtos alimentícios comercializados a informar sobre a presença de glúten.

Fundamentos Bromatológicos
O suco de laranja pronto para beber é um dos sucos mais vendidos no Brasil, o suco de laranja é definido como bebida não fermentada e não diluída, obtida da parte comestível da laranja (Citrus sinensis), através de processo tecnológico adequado. Quanto à composição, o suco de laranja deve obedecer às características de cor amarela, sabor e aroma próprios, segundo Instrução Normativa nº 01, de 7 de janeiro de 2000.
Diferentemente dos outros sucos, o suco integral industrializado é feito 100% de suco de fruta, se encontrando na concentração original de suco extraído da fruta, sem adição de água e açúcar, sem uso de conservantes ou adição de corantes.

 Além do suco integral, há ainda outros tipos de sucos, mas o que geralmente encontramos disponíveis no mercado são as bebidas de fruta a base de néctar, ou o refresco. O néctar é a bebida não fermentada, obtida da diluição em água potável da parte comestível do vegetal ou de seu extrato, adicionado de açúcares, destinada ao consumo direto e o refresco é a bebida não fermentada, obtida pela diluição, em água potável, do suco de fruta, polpa ou extrato vegetal de sua origem, com ou sem adição de açúcares. Ou seja, o suco integral possui 100% de polpa, o néctar apresenta entre 30 e 50% e por fim, o refresco apresenta cerca de 10% de polpa da fruta.

Discussão
Poucas são as bebidas de fruta encontrados no mercado que realmente são suco, a grande maioria na verdade são o néctar ou o refresco. As principais diferenças entre eles podem ser observadas na tabela abaixo, onde se compara as informações nutricionais de um suco integral, um néctar e um refresco de laranja:

1,2,3 Ambos não possuem quantidades significativos de proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans e fibra alimentar.
3 TANG ainda possui 90ug de vitamina A
Através da análise nutricional dos 3 tipos de bebidas de laranja, pode-se observar que o suco de laranja dobem® possui algumas vantagens em relação aos demais, por exemplo, possui valor energético menor quando comparado ao néctar de laranja Del Valle, sendo uma alternativa para quem busca baixo consumo de calorias. Em relação aos carboidratos, apresenta uma quantidade maior (comparando suco dobem® ao refresco Tang), no entanto, como não houve adição de açúcar, acredita-se que esses carboidratos possam ser por exemplo a frutose, presente na laranja, diferentemente por exemplo, do refresco TANG, que informa que mais de 91% dos carboidratos presentes referem-se ao açúcar, além disso, o açúcar é componente em maior quantidade no TANG laranja. Um outro agravante do refresco em pó, é que nem sempre a diluição é feita com quantidade certa de água, sendo assim, em um copo de 200 ml, a concentração de açúcar pode ser encontrar ainda mais elevada.
Dentre os quadros clínicos desencadeados pelos excessos, estão as doenças cardiovasculares, a hipertensão e a obesidade. Esse último facilita o surgimento do diabetes tipo II, patologia crônica a qual o organismo se torna resistente à insulina. Se a insulina produzida é insuficiente ou ineficaz, os açúcares acabam retidos na corrente sanguínea, acarretando uma série de complicações e até a morte. O néctar, diferentemente dos sucos, pode receber aditivos, como corantes, conservantes açúcar ou outros adoçantes.
Além disso, o suco integral apresenta cerca de 10 vezes mais vitamina C que os demais. A vitamina C ou ácido ascórbico (e ascorbato, quando ionizado) é uma molécula usada na hidroxilação de várias outras moléculas em reações bioquímicas. A sua principal função é a hidroxilação do colágeno, a proteína fibrilar que dá resistência aos ossos, dentes, tendões e paredes dos vasos sanguíneos. Além disso, é um poderoso antioxidante, sendo usado para transformar os radicais livres de oxigênio em formas inertes. É também usado na síntese de algumas moléculas que servem como hormônios ou neurotransmissores. Em gêneros alimentícios é referido pelo número INS 300. No entanto, sabe-se que existe uma variação de vitamina C entre as laranjas de uma safra e outra, e como não há adição desta vitamina no produto, essa quantidade deveria ser variada entre lotes por exemplo, mas no rótulo encontramos um valor fixo. Um aspecto positivo do suco integral é que não apresenta adição de corantes e conservantes. Embora os corantes sejam regulamentados pelo Ministério da Saúde e Anvisa, eles podem fazer mal à saúde em pessoas sensíveis a eles. Os artificiais são, geralmente, mais propensos a efeitos colaterais de cunho alérgico por sua origem sintética e sua matéria-prima original. Ainda assim, apenas uma minoria de pessoas são sensíveis a esses aditivos.

Nenhum dos 3 produtos contem quantidades significativas de fibra alimentar, e segundo a RDC nº 360 de 2003, a fibra alimentar (item obrigatório no rótulo) só é considerada uma quantidade não significativa quando menor ou igual a 0,5 g. No entanto, um suco de laranja feito na hora por exemplo, tem em torno de 0,96 g de fibra, dessa forma, o suco dobem por ser tratar de um suco mais natural, sem aditivos apresenta quantidade menor de fibras, contudo dentro dos padrões exigidos pela legislação.

Conclusão:
Dessa forma, conclui-se que os sucos dobem®, com sua forma inovadora e com a ideia de oferecer à população um alimento mais saudável e com menos quantidade de aditivos que prejudicam a saúde do ser humano, é sim do bem. Os sucos integrais, por terem apenas a frutose como açúcar advindo da própria polpa da fruta é um fator positivo pois o suco não vem saturado de glicose. Além disso, ausência de corantes minimiza os efeitos alérgicos que podem surgir e a ausência de conservantes caracteriza o produto como o mais natural possível.





Referências:
FERRAREZI A. C., SANTOS K. O., M MONTEIRO. Avaliação crítica da legislação brasileira de sucos de fruta, com ênfase no suco de fruta pronto para beber. Rev. Nutr., Campinas, 23(4):667-677, jul./ago., 2010

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962003000300002 – Aceesado em 22/05/2014.

Monique Mendes e Nathália Pessoa.