Apresentação

Espaço para a apresentação e análise de estudos e pesquisas de alunos da UFRJ, resultantes da adoção do Método de Educação Tutorial, com o objetivo de difundir informações e orientações sobre Química, Toxicologia e Tecnologia de Alimentos.

O Blog também é parte das atividades do LabConsS - Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde, criado e operado pelo Grupo PET-SESu/Farmácia & Saúde Pública da UFRJ.Nesse contexto, quando se fala em Química e Tecnologia de Alimentos, se privilegia um olhar "Farmacêutico", um olhar "Sanitário", um olhar socialmente orientado e oriundo do universo do "Consumerismo e Saúde", em vez de apenas um reducionista Olhar Tecnológico.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Quando 1+1=0. A interação entre os nutrientes e fármacos com os antiácidos.

Por Ana Clara Newlands e Luiza Iandra



Introdução:

Nutrientes e fármacos partilham diversas características, como por exemplo, mecanismos de absorção no intestino, possibilidade de provocar toxidez em doses elevadas e também podem alterar processos fisiológicos.
Quando pensamos em interação desses dois compostos, podemos incluir o que ocorre “in vivo” (no organismo) e “in vitro” (durante o processamento dos medicamentos/alimentos), e isso pode afetar tanto a disponibilidade quanto a estabilidade desses componentes.
Vamos focar o trabalho nas interações in vivo, que ocorrem no trato gastrointestinal, sendo quase insignificante na boca, garganta e esôfago, tendo maior importância no estômago e uma importância fundamental durante a passagem pelo intestino.

Fundamentos bromatológicos:

Dependendo das características do fármaco, natureza do nutriente, velocidade de esvaziamento gástrico e dos mecanismos de absorção do intestino. Diversos tipos de interação podem ocorrer, podem ser formados quelatos entre cátions e fármacos, pode-se precipitar os nutrientes e os fármacos podem adsorver os nutrientes.
Quanto a interações metabólicas, nutrientes tem a capacidade de alterar o metabolismo de fármacos, do mesmo modo que os fármacos podem também alterar o metabolismo de nutrientes. Essas, podem provocar uma diminuição da eficácia do fármaco, em casos mais graves, pode causar até total bloqueio da ação do medicamento. O potencial para indução de interações entre fármacos e nutrientes aumenta quando:
-       utiliza-se grande quantidade de suplementos
-       há alterações bruscas na composição da dieta
-       há ganho ou perda de peso em um pequeno intervalo de tempo
-       faz-se uso de medicamentos durante as refeições
-       utiliza-se meios que alteram o pH do trato gastrointestinal

Um componente que pode alterar o comportamento normal do pH do trato gastrointestinal é a utilização de antiácidos. Antiácidos são agentes neutralizadores que atuam rapidamente, apesar de não neutralizarem completamente o pH extremamente ácido do estômago, podem elevá-lo de 2 para valores entre 3 e 4.

Figura 1: Exemplo de antiácido comumente utilizado.


Esse aumento de pH afeta a desintegração das cápsulas, drágeas ou comprimidos e consequentemente a absorção do princípio ativo. Podendo impedir a absorção de fármacos colinérgico e fenotiazidicos e diminuindo a excreção de quinidina.

O ferro presente em grande parte dos alimentos na forma férrica (Fe+3), sendo absorvida na forma ferrosa (Fe+2) tem como requisito para absorção a acidez gástrica, uma vez que ela é essencial para a solubilização e conversão para a forma que pode ser absorvida.


Figura 2: Exemplo de medicamento utilizado para reposição de ferro


Figura 3: Exemplo de alimento rico em ferro


O fósforo desempenha papel importante no metabolismo do cálcio e nas reações do equilíbrio ácido-base. Se almejamos um balanço positivo de fósforo devemos manter os níveis de Vit. D normais, pois esta vitamina aumenta a absorção intestinal de fósforo, aumenta a reabsorção tubular proximal de fósforo e faz o fósforo migrar do fluido extracelular para o fluido intracelular.
Acontece o balanço negativo do fósforo por várias razões: hipocloridria, alterações da dieta, disbiose e uso de antiácidos, pois estes quelam o fósforo impedindo sua absorção.

Discussão:

A interação medicamento alimento é uma questão muito importante tanto para a eficácia terapêutica quanto para garantir a ingestão de nutrientes em quantidades suficientes. O que se pode perceber é que o uso de medicamentos que são utilizados para  modificar o pH estomacal visando tratamento de gastrites ou até mesmo de úlceras gástricas podem interferir na absorção de nutrientes fundamentais como cálcio e ferro. Quando utilizado produtos como o leite de magnésia o tratamento fica mais facilitado porque pode-se espaçar os horários de administração do medicamento e do alimento, porém quando utilizados medicamentos como ranitidina ou omeprazol, deve-se pensar muito bem a dieta das pessoas que precisem fazer uso desses medicamentos.

Legislação:

Não existe legislação acerca de interações de medicamento com alimentos, a utilização destes é parte da atuação clínica dos profissionais da saúde.

Conclusão:

Os profissionais de saúde devem considerar as alterações que os antiácidos podem provocar no trato gastrintestinal para preveni-las ou tratá-las. E, ainda, devem estabelecer uma conduta dietoterápica adequada devido à absorção prejudicada de alguns nutrientes.
Os pacientes que realmente necessitem fazer uso desses medicamentos devem ser aconselhados a dar um intervalo de pelo menos duas horas entre a utilização de um antiácido e um suplemento.



Referências:

STOCKLEY, I. – Drug interaction. Oxford, Blackwell, 1991.

BRANCO, C. C. Carlos – Interação fármaco nutriente. Revista RECCS Fortaleza, n°9. P. 30-34. 1997

MOURA, R. L. Mirian; REYES, R. G. Felix. Interação fármaco-nutriente: uma revisão. Rev. Nutr. [online]. maio/ago. 2002, vol.15, n°2 P.223-238.


A importância do processo de pasteurização para evitar a contaminação por T. Cruzi


Ao se deliciar com um pote de açaí, o consumidor pode estar correndo risco de adquirir problemas de saúde, sabia??? Estudos realizados em diferentes estados brasileiros comprovaram que evidências epidemiológicas indicam que a polpa do açaí mal higienizado pode ser veículo para a transmissão da Doença de Chagas.

Já foi demonstrado que o protozoário causador da Doença de chagas, o Tripanosoma cruzi, é capaz de sobreviver na polpa do açaí mal higienizado mesmo em temperatura ambiente, assim como sob refrigeração a 4°C e congelado por algumas horas a -20°C. Sendo assim, a única forma de eliminá-lo seria pelo processo de Pasteurização.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Suco integral dobem®: será que é realmente do bem?

A marca carioca dobem® surgiu com uma proposta diferente, se posicionando como alternativa aos produtos tradicionais. Tem inovado na categoria de sucos em caixinha, seus principais produtos são os sucos integrais, feitos de frutas frescas, sem adição de água, açúcar, conservantes ou corantes, sempre em embalagens divertidas. Mas será que o suco integral dobem® é realmente do bem? Será mesmo feito de suco integral? Será que possui vantagem em relação aos sucos tradicionais?


Legislação:
As bebidas são regulamentadas pela Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, do MAPA, e regida pelo Decreto nº 2.314, de 4 de setembro de 1997, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. Posteriormente, o Decreto nº 3.510, de 16 de junho de 2000, alterou dispositivos do Decreto nº 2.314. A rotulagem dos sucos de fruta prontos para beber deve atender às exigências da ANVISA sobre rotulagem de alimentos embalados, conforme os Regulamentos Técnicos da RDC nº 259, de 20 de setembro de 2002, sobre rotulagem de alimentos embalados, a RDC nº 360, de 23 de dezembro de 2003, sobre rotulagem nutricional de alimentos, a Portaria nº 27, de 13 de janeiro de 1998, referente à informação nutricional complementar, a RDC nº 359, de 23 de dezembro de 2003, sobre porções de alimentos embalados para fins de rotulagem nutricional, e a Lei nº 10.674, de 16 de maio de 2003, que obriga todos os produtos alimentícios comercializados a informar sobre a presença de glúten.

Fundamentos Bromatológicos
O suco de laranja pronto para beber é um dos sucos mais vendidos no Brasil, o suco de laranja é definido como bebida não fermentada e não diluída, obtida da parte comestível da laranja (Citrus sinensis), através de processo tecnológico adequado. Quanto à composição, o suco de laranja deve obedecer às características de cor amarela, sabor e aroma próprios, segundo Instrução Normativa nº 01, de 7 de janeiro de 2000.
Diferentemente dos outros sucos, o suco integral industrializado é feito 100% de suco de fruta, se encontrando na concentração original de suco extraído da fruta, sem adição de água e açúcar, sem uso de conservantes ou adição de corantes.

 Além do suco integral, há ainda outros tipos de sucos, mas o que geralmente encontramos disponíveis no mercado são as bebidas de fruta a base de néctar, ou o refresco. O néctar é a bebida não fermentada, obtida da diluição em água potável da parte comestível do vegetal ou de seu extrato, adicionado de açúcares, destinada ao consumo direto e o refresco é a bebida não fermentada, obtida pela diluição, em água potável, do suco de fruta, polpa ou extrato vegetal de sua origem, com ou sem adição de açúcares. Ou seja, o suco integral possui 100% de polpa, o néctar apresenta entre 30 e 50% e por fim, o refresco apresenta cerca de 10% de polpa da fruta.

Discussão
Poucas são as bebidas de fruta encontrados no mercado que realmente são suco, a grande maioria na verdade são o néctar ou o refresco. As principais diferenças entre eles podem ser observadas na tabela abaixo, onde se compara as informações nutricionais de um suco integral, um néctar e um refresco de laranja:

1,2,3 Ambos não possuem quantidades significativos de proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans e fibra alimentar.
3 TANG ainda possui 90ug de vitamina A
Através da análise nutricional dos 3 tipos de bebidas de laranja, pode-se observar que o suco de laranja dobem® possui algumas vantagens em relação aos demais, por exemplo, possui valor energético menor quando comparado ao néctar de laranja Del Valle, sendo uma alternativa para quem busca baixo consumo de calorias. Em relação aos carboidratos, apresenta uma quantidade maior (comparando suco dobem® ao refresco Tang), no entanto, como não houve adição de açúcar, acredita-se que esses carboidratos possam ser por exemplo a frutose, presente na laranja, diferentemente por exemplo, do refresco TANG, que informa que mais de 91% dos carboidratos presentes referem-se ao açúcar, além disso, o açúcar é componente em maior quantidade no TANG laranja. Um outro agravante do refresco em pó, é que nem sempre a diluição é feita com quantidade certa de água, sendo assim, em um copo de 200 ml, a concentração de açúcar pode ser encontrar ainda mais elevada.
Dentre os quadros clínicos desencadeados pelos excessos, estão as doenças cardiovasculares, a hipertensão e a obesidade. Esse último facilita o surgimento do diabetes tipo II, patologia crônica a qual o organismo se torna resistente à insulina. Se a insulina produzida é insuficiente ou ineficaz, os açúcares acabam retidos na corrente sanguínea, acarretando uma série de complicações e até a morte. O néctar, diferentemente dos sucos, pode receber aditivos, como corantes, conservantes açúcar ou outros adoçantes.
Além disso, o suco integral apresenta cerca de 10 vezes mais vitamina C que os demais. A vitamina C ou ácido ascórbico (e ascorbato, quando ionizado) é uma molécula usada na hidroxilação de várias outras moléculas em reações bioquímicas. A sua principal função é a hidroxilação do colágeno, a proteína fibrilar que dá resistência aos ossos, dentes, tendões e paredes dos vasos sanguíneos. Além disso, é um poderoso antioxidante, sendo usado para transformar os radicais livres de oxigênio em formas inertes. É também usado na síntese de algumas moléculas que servem como hormônios ou neurotransmissores. Em gêneros alimentícios é referido pelo número INS 300. No entanto, sabe-se que existe uma variação de vitamina C entre as laranjas de uma safra e outra, e como não há adição desta vitamina no produto, essa quantidade deveria ser variada entre lotes por exemplo, mas no rótulo encontramos um valor fixo. Um aspecto positivo do suco integral é que não apresenta adição de corantes e conservantes. Embora os corantes sejam regulamentados pelo Ministério da Saúde e Anvisa, eles podem fazer mal à saúde em pessoas sensíveis a eles. Os artificiais são, geralmente, mais propensos a efeitos colaterais de cunho alérgico por sua origem sintética e sua matéria-prima original. Ainda assim, apenas uma minoria de pessoas são sensíveis a esses aditivos.

Nenhum dos 3 produtos contem quantidades significativas de fibra alimentar, e segundo a RDC nº 360 de 2003, a fibra alimentar (item obrigatório no rótulo) só é considerada uma quantidade não significativa quando menor ou igual a 0,5 g. No entanto, um suco de laranja feito na hora por exemplo, tem em torno de 0,96 g de fibra, dessa forma, o suco dobem por ser tratar de um suco mais natural, sem aditivos apresenta quantidade menor de fibras, contudo dentro dos padrões exigidos pela legislação.

Conclusão:
Dessa forma, conclui-se que os sucos dobem®, com sua forma inovadora e com a ideia de oferecer à população um alimento mais saudável e com menos quantidade de aditivos que prejudicam a saúde do ser humano, é sim do bem. Os sucos integrais, por terem apenas a frutose como açúcar advindo da própria polpa da fruta é um fator positivo pois o suco não vem saturado de glicose. Além disso, ausência de corantes minimiza os efeitos alérgicos que podem surgir e a ausência de conservantes caracteriza o produto como o mais natural possível.





Referências:
FERRAREZI A. C., SANTOS K. O., M MONTEIRO. Avaliação crítica da legislação brasileira de sucos de fruta, com ênfase no suco de fruta pronto para beber. Rev. Nutr., Campinas, 23(4):667-677, jul./ago., 2010

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962003000300002 – Aceesado em 22/05/2014.

Monique Mendes e Nathália Pessoa.

Chocobeauty


Chocobeauty: Gato por lebre?
 

Ele pode ser calórico e provocar espinhas, mas encontrar alguém que diga não a um chocolate sem demonstrar tristeza é coisa rara. Tentando fugir dos problemas que o doce traz para as pessoas que querem manter seus pesos mas não abrem mão de um chocolate no fim do dia, muitos consumidores procuram por produtos milagrosos, que prometem trazer todos os benefícios desejados sem por isso acarretar qualquer problema. Dentre eles, o Chocobeauty. Mas até onde podemos confiar na prateleira do supermercado? 

Substituir o refrigerante pelo chá gelado em lata. Será essa a melhor opção?



O refrigerante é uma das bebidas mais consumidas no mundo apesar das pessoas saberem dos malefícios oferecidos por ele. Porém algumas pessoas tentam ser mais “saudáveis” e com isso substituem o refrigerante pela ingestão de chá gelado em lata a fim de evitar os refrigerantes açucarados e todos os possíveis malefícios oferecidos por ele. Mas será que o chá gelado seria uma boa alternativa para o começo de uma vida saudável?


Postado por Andressa Barros e Thaissa Barros.

Mais sabor e mais peso! Conheça os riscos de obesidade associados à ingestão de glutamato monossódico


           O glutamato monossódico (GMS) é um dos aditivos alimentares mais usados em todo o mundo. Seu uso mais popular está entre os países asiáticos, mas ele também é muito consumido nos Estados Unidos e também no Brasil, através de alimentos processados, como salgadinhos, sopas enlatadas, macarrões instantâneos, e outros diversos alimentos.
          O GMS está classificado como um aditivo seguro pelo FDA/EUA (FDA, 2006) e com IDA (Ingestão Diária Aceitável) não estabelecida pelo JECFA (FAO/WHO, 1988). No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (ANVISA) se baseia nos estudos realizados pelo JECFA e FDA e não estabelece restrições para a utilização do GMS pela indústria de alimentos, por considerá-lo seguro. Porém diversos estudos têm mostrado a correlação do consumo de GMS a síndrome metabólica e diversas patologias, como resistência a insulina e Mal de Alzheimer. 


                               Por Thamyres Coração e José Xavier